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Praedicatho homélies à temps et à contretemps
Homélies du dimanche, homilies, homilieën, homilias. "C'est par la folie de la prédication que Dieu a jugé bon de sauver ceux qui croient" 1 Co 1,21

ESPERANÇA LOUCA (Lc 21, 25… 36)

Walter Covens #homilias em português
1 Avent C 1lec
    Já estamos no tempo do Advento, princípio dum novo ano litúrgico. O Evangelho desse princípio do ano parece-se muito com o do fim do ano anterior (33° domingo B). Pois, ele pertence também aos « apocalipses sinópticos. O texto de S. Lucas é aquele que melhor faz a distinção entre o que diz respeito à Destruição de Jerusalém e a Parusia. Como toda a literatura apocalíptica da Bíblia ele é um convite à esperança, à esperança contra toda a esperança, pois é uma esperança dentro dum tempo de provas, de subversões, uma esperança que não está baseada sobre sinais de renovação, de melhoração, de alívio, mas só sobre a promessa de Deus. Por isso é que a esperança está simbolizada pela âncora (cf. He 6, 19). A âncora é aquilo que impede o návio ser apanhado pelas águas andar sem governo. A esperança é aquele virtude teologal que o Senhor nos deixa para podermos ficar firmamente agarrados na terra firme das suas promessas no meio das tempestades do mundo.

    Ora, qual é essa promessa ? É uma promessa de felicidade, de felicidade infinita, de felicidade perfeita. É aquela que nos lembra a primeira Leitura : « Estão a chegar dias em que cumprirei a promessa de felicidade que fiz à casa de Israel e à casa de Judá ». Não é o Pofeta quem o diz, é mesmo a « Palavra do Senhor ». Aquela « Palavra do Senhor » é uma « palavra boa ». Portanto é uma boa nova, um evangelho.

    Qual é a felicidade prometida por Deus, a promessa que o Senhor há-de cumprir ? Não é uma felicidade pequena, de pacotilha. É a promessa que o Senhor fez a David por intermédio de Natã : « Quando a tua vida acabar e descansares junto dos teus pais, eu dar-te-ei um sucessor na tua descendência, nascido de ti, e tornarei estável a sua realeza » (2 S 7, 12) Essa certeza é penhor de felicidade, pois a realeza havia-de trazer ao povo a certeza duma protecção contra os inimigos (« Jerusalém ficará segura »), e portanto certeza de paz, de prosperidade, de justiça. É mesmo a certeza de felicidade duradoura : « A tua casa e a tua realeza ficarão sempre diante de Mim, o teu trono ficara estável para sempre » (2 S 7, 16)

    Ora, os sucessores de David, e o próprio David, nunca conseguiram verdadeiramente realizar aquela promessa do Senhor, e a esperança do povo foi abalada quando os reis sucessivos, em vez de estabelecer o reino da paz e da justiça, fizeram « o que é mal aos olhos do Senhor », e por isso levaram o povo até à ruína. Na primeira leitura da missa, quando o Senhor renova solenemente a sua promessa, não só nenhum rei tinha corespondido a essa esperança, ao « retrato-robot » do rei ideal, mas já não havia rei ! O reino que David tinha deixado a Salomão, o seu filho e sucessor, tinha sido dividido : « a casa de Israel » e « a casa de Judá » : Judá e Israel já eram irmãos inimigos. O Povo estava cada vez mais desiludido. A promessa do Senhor parecia cada vez mais fictícia, irreal, a  felicidade prometida cada vez mais longinqua e utópica.


    Naquelas condições, como era possível ficar sem dúvidas ? Como era possível não criticar todos quantos tinham anunciado « palavras boas » dizendo : « Palavra do Senhor » ? Como era possível não querer mal ao Deus que, desde havia séculos tinha feito aquelas promessas tão bonitas, aparentemente nunca cumpridas ? A primeira resposta é esta : para o Senhor, « mil anos são como que um dia ! » (Ps 90,4 ). Um século, para Deus, é só uma hora ! A seguir, não é Deus que não cumpre as suas promessas, são os homens. Deus faz promessas no quadro duma Aliança. Portanto, deve haver reciprocidade. Por isso é que, quando os homens o criticam, Deus responde : « Serei eu que seja duro para convosco ? Não sereis vós que sejais duros para comigo ? » (cf.Ml 3,13). Quando os homens dizem de Deus : « O procedimento de Deus é estranho », o Senhor responde que o que é estranho é o comportamento dos homens (cf. Ez 18, 25 ;29). Quando, aos olhos dos homens Deus parece tardar, não é Ele que é lento, os homens são quem tardam. Deus, por sua parte, é paciente e oferece o tempo para se converter (2 P 3,9)

    Nós sabemos, pelo menos teoricamente, que Deus cumpriu em Jesus todas as suas promessas (cf. 2 Co  1, 20). Ora, o que é que acontece ? No mesmo momento em que Jesus vem, não para abolir mas sim para cumprir, muitos dentro do povo e dos chefes rejeitam-no. Encontramos aqui, mais uma vez o terrível paradoxo da vida com Deus. No domingo de Cristo, Rei do Universo,o Evangelho mostra-nos um Cristo julgado e condenado por Pilatos, um rei coroado de espinhos, um rei crucificado ! É aquele Rei, descendente de David, que vem cumprir as promessas. Ora, ninguém o quer acolher… Pelo contrário, no momento em que o povo queria levar Jesus à força para o fazer Rei (porque acabava de lhes dar pão à fartura, Jesus tinha fugido para evitar os fastos da coroação.

    É no contexto da Paixão que Jesus dá o seu testemunho supremo da Verdade da sua realeza. A Verdade, é esse o objecto da nossa fé. A fé é uma certeza, mas uma certeza que não deixa de encontrar obstáculos, uma vez que não é a certeza evidente duma verdade conforme as medidas da nossa natureza humana ; é,sim, a certeza da Verdade na noite, da Verdade dos pensametos de Deus que estão muito acima do céu e da terra. (cf. Is 55, 9) A fé implica portanto uma espera, a espera duma contemplação face a face duma verdade muito grande para a nossa pobre inteligência, enquanto estamos na terra.

    A esperança também é uma espera. Mas enquanto que na fé esperamos pelo encontro com a Verdade suprema que não podemos contemplar aqui em baxo, com a esperança estamos à espera da possessão da plenitude do bem,da felicidade que não podemos gozar aqui. É mesmo uma coisa louca pela qual esperamos : o encontro com o bem Supremo, com o próprio Deus, o único que possa satisfazer o nosso  desejo e que estará todo em todos (cf. 1 Co 15, 28) Só o amor infinito e todo-poderoso de Deus pode satisfazer todos os desejos de todas as criaturas, dos anjos e dos homens. Então aderimos a Deus já não como Princípio de Luz, mas também como Princípio beatificante capaz de matar a sede duma felicidade muito grande para o meu pobre coração, a sede de felicidade de todas as suas criaturas.

    Aquela espera ultrapassa as nossas capacidades humanas. Os homens podem esperar com um amor humano uma felicidade humana, um mundo melhor ; não podem esperar com uma esperança teologal sem o auxílio de Deus. Podemos cantar com Guy BEART :

É a esperança louca
Que dança e voa
Por cima dos tectos,
Das casas e das praças.
A terra é baixa :
Eu voo para ti.

Tudo está alcançado de antemão ;
Eu começo novamente,
Subo de pés nus
Até ao cimo dos montes,mastros de cocanha
Dos céus desconhecidos

    Mas quais são esses montes desconhecidos ? Guy Béart é natural do Libano. Viveu no Libano, durante uma grade parte de sua juventude ; foi là uma primeira vez, no ano de 1989, à procura do túmulo do seu pai… Não teve tempo para procurar. Era a guerra. Ele próprio conta como escreveu mais uma canção : « Livre Libano ».

Ao regresar da praça dos Mártires, encontrei um companheiro de infância. O pai dele vendia instrumentos de música quand ele tinha 7 anos e eu 12. Tratava sempre de música. Ajudou-me para reunir crianças e adolescentes libaneses no bairro de Dora, devastado, aniquilado, mas menos perigoso hoje do que a Praça dos Canhões ; esse bairro parece-se com um apocalipse de ciência-ficção com os prédios em ruínas, os seus canos de petróleo queimados, torcidos. Alecco HABIB, cantor e músico libanês, emprestou-me a sua guitarra. E Jacques LUSSAN , « kiné », poeta e cantor que me tinha feito a amizade de me acompanhar naquela aventura, realizou, mediante o meu velho gravador, a gravação desse grupo coral improvisado.

Eis algumas palavras dessa canção :

Levantemos o verde da esperança,
O verde do cedro libanês,
O branco do leite da nascença,
O vermelho do sangue dos vivos.

Levantemos o verde da esperança !
Juntos, em toda a parte, melhor do que dantes,
Reunidos para o renascimento
Do mundo em paz pelos seus filhos.

Libano livre
Livre Libano

    Passaram 17 anos… Sabeis o que se seguiu : os acontecimentos dos últimos meses, dos últimos dias. E não acabou, de certeza. Ora, podeis verificar isto : nestas condições, humanamente, tendes que cair no desespero. Mas se tiverdes a força da graça,, podereis fazer o que Jesus diz no Evangelho : « Quando começarem esses acontecimentos, erguei-vos e levantai a cabeça, pois a vossa redenção está próxima, enquanto que « os homens morrerão de medo por causa das infelicidades a caír sobre o mundo »

    Mas se o vosso coração se tornar pesado « na desordem, na embriaguez e nos cuidados da vida », se não rezardes « todo o tempo », não podereis resistir. Não podereis fugir. Não quer dizer que, se rezardes, não virá infelicidade alguma : essa ainda é uma espera humana. « Pão e jogos » : não é isso que Jesus promete. Sucessos a aplausos também não. Se eu vos prometesse no meu « blog »um meio certo para ganhar no proximo « Tiercé » - versão moderna da multiplicação dos pães, mas só para alguns « felizes »( ?) – com certeza que encontraria um sucesso enorme. Não,pelo contrário, aos que rezam e o seguem Jesus anuncia perseguições, que os outros não conhecerão. Por isso é que não quis ser proclamado Messias antes da Páscoa, afim de preservar os seus discípulos daquelas perigosas ilusões. Isso nem sempre bastou. O perigo que vós fugireis é o de perder a fé e de caír no desespero. Fugireis o perigo de olhr para os falsos profetas que vos oferecerão paraísos ilusórios ;fugireis o perigo de vos olhar a vós mesmos como Messias.

    Guy Béart dizia : « Temos todos, agora, que tentar comportar-nos como se fossemos, durante alguns minutos, alguns segundos, o Messias, porque o planeta inteiro está em perigo ». Isto teria o significado de que Jesus teria que deixar , alguns momentos, de ser o Messias… Não, direis vós : « O Senhor é a nossa justiça ».

    Caso contemos com as nossas próprias forças para salvar o mundo, já estamos perdidos. A Paz de Deus não é o resultado dos nossos esforços. A Paz de Deus é o próprio Deus, tal como se dá àquele que aceita dar-lhe lugar para o acolher. Oferecer-lhe lugar , isto significa também estar dispostos a ver desaparecer as nossas esperas de felicidade humana, para que a felicidade de Deus possa ocupar toto o espaço. Bom Advento !


(tradução : G.Jeuge)

APOCALIPSE – SABER O QUE « FALAR » QUER DIZER (Mc 13,24-32)

Walter Covens #homilias em português
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    Na Profissão de fé dizemos que cremos em Deus, Criador do céu e da terra. Hoje, as pessoas têm medo de falar nisso. Há motivos filosóficos e teológicos.. Também há uma espécie de complexo em relação à ciência. No contexto da cultura descristianizada do mundo ocidental, pelo menos do europeu, tem-se medo de parecer estúpido. No entanto, numa conhecida conferência do Cardeal Ratzinger em Lyon, (Janeiro de 1983) sobre a catequese, o nosso futuro Papa afirmava : « Uma renovação decisiva da fé na Criação constitue uma condição necessária e preliminária à credibilidade e ao aprofundamento da cristologia bem como da escatologia »

    A seguir, temos recebido a « prenda » do « Catecismo da Igreja Católica », em que se pode ler (282) :

« A catequese sobre a Criação reveste uma importância essencial. Ele diz respeito aos próprios alicerces da vida humana e cristã : pois, ela explicita a resposta da fé cristã à pergunta elementar que os homens sempre se fizeram : « Donde vimos ? » « Aonde vamos ? » « Qual a nossa origem ? » « Qual o nosso fim ? » « Donde vem e para onde vai tudo quanto existe ? ». As duas perguntas, a da origem e a do fim, são inseparáveis. Elas são decisivas para o sentido e para a orientação da nossa vida e do nosso agir »

    E mais além :

« O « Credo » cristão – profissão da nossa fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e na sua acção criadora, salvadora e santificadora -  tem o seu cume na proclamação da resurreição dos mortos no fim dos tempos, bem como na vida eterna. »

    Estamos a chegar ao fim do ano litúrgico. Na sua pedagogia maternal, a Igreja orienta a meditação dos seus filhos para as realidades do fim, em resposta às perguntas fundamentais que se fazem : onde é que vamos ? qual o nosso fim ? Para onde vai tudo quanto existe ?

    É importante, no nosso mundo ter a audâcia de dar testemunho da esperança que está em nós. Para isso é preciso ter palavras, um vocabulário. A mãe é quem ensina o falar aos seus filhos . Da mesma maneira, a Igreja é quem dá aos seus filhos as palavras para testemunhar da sua esperança. Por exemplo, temos as palavras « apocalipse », « escatologia », « parusia »

    É preciso tamabém perceber o sentido dessas palavras. À partida, as crianças não percebem muito bem as palavras que ouvem e que aprendem pouco a pouco a pronunciar pela repetição. Não é grave. Pouco a pouco, hão de comprender. O error era de ficar à espera da compreensão antes de ensinar a pronunciação. É igual na Igreja. Essa não vai ficar à espera da vossa morte antes de vos ensinar as coisas do fim. Como era possível, neste caso, testemunhar disso no mundo ?

    Outro error era que a mãe não emende a criança quando se dá conta de que ela não percebeu correctamente alguma palavra. Assim, ano litúrgico após ano litúrgico, deviamos aproveitar para crescermos na inteligência da dé, percebendo cada vez melhor as palavras que temos de dizer. Num mundo  secularizado que « rouba » o vacabulário cristão a propósito de tudo e de nada, sem nada perceber, o nosso dever é ficarmos vigilantes muito atentamente.

    Isso todo é verdade a propósito da palavra « apocalipse » que quer dizer, não « catástrofes » tremendas, ma sim « revelação ». O verão próximo, a figueira que rebenta, isso não é realmente uma « catástrofe » : é  sim uma benção, não é ? Com a palavra « apocalipse », a Igreja não fala só dum livro da Biblia (o último). É um género literário muito usado pelo judaismo tardio, relativo com o fim dos tempos (a escatologia). O livro de Daniel, no Antigo Testamento, do qual temos escutado um trecho, é uma « apocalipse ». O discurso de Jesus anunciando a destruição de Jerusalém e a segunda vinda do Messias é chamado « apocalipse sinóptica ». Acabamos de ouvir um trecho dessa acapolipse no evangelho de S. Marcos. Há também muitas « apocalipses » apócrifas, não reconhecidas pela Igreja como inspiradas por Deus : por exemplo, a apocalipse de  S.Pedro, de S.Paulo, de Sto Estevão, etc…

    • ESCATOLOGIA = « OS ÚLTIMOS TEMPOS » : já começaram, desde o dia do Pentecostes : entrámos então nos tempos que são os últimos. Entre o princípio e o fim, houve vários tempos
1-O tempo da Criação
2-A Aliança com Adão ;
3-A Aliança com Noé, aliança pela vida, que nunca acabará.
4-A Aliança com Abraão, e depois com Moisés : Deus escolhe para Si um povo, e mediante esse povo, quer revelar o Seu mistério : é Israël. A Aliança com Israël começa com Abraão, é confirmada com Moisés, através das tábuas da Lei, Lei provisória destinada a nos guiar, até que o próprio Deus venha para salvar o seu povo.
5-O tempo do Messias, quando se cumpriu a promessa, quando veio Jesus, Filho do Pai, Cara do Pai. No fim do livro de Isaías (63,9), está escrito : « Não foi um mensageiro, nem um Anjo, que os salvou, foi o próprio Senhor ». Quando professamos que cremos no Evangelho, isso não quer dizer que acreditamos numa mensagem, mas sim numa Pessoa. A Aliança torna-se nova em Jesus, Novo testamento ( « Testamento » = aliança, atestação). Deus vem novamente e chama as nações, isso é : nós, os pagãos, para entrar na Aliança. Uma grande parte de Israël não quis receber Jesus como Messias, porque não era conforme com a ideia que tinham relativamente a um Messias  vitorioso, rei, salvador. Uma vez que Israël não o recebeu, Jesus foi aos pagãos, apesar de ter ordenado aos seus enviados : « Ide de preferência às ovelhas perdidas da casa de Israël » (Mt 10, 6) ; O pensamento de Jesus, o projecto inicial, ao que parece no Evangelho, era ter um  Povo que, depois de O reconhecer, iria anunciá-lo às nações. Aquele projecto falhou em grande parte, e Deus chorou, em Jesus, por causa disso : « Quando Jesus chegou perto de Jerusalém, ao ver a Cidade, chorou sobre ela, e disse : - Ah ! se tu também, tiveste reconhecido naquele dia o que te pode trazer a paz ! » (Lc 19, 41) « Jerusalém, Jerusalém, tu que matas os profetas, tu que lapidas os que te são enviados, quantas vezes quis reunir os teus filhos como a galinha reune os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste ! » (Lc, 13, 14)
6- A partir daí, há uma Aliança nova com as nações. Aquela Aliança já não está na carne, como foi com Abraão pela cincuncisão, já não está na Lei, como foi com Moisés. Esta Aliança está na fé em Cristo vivo, morto e ressuscitado, vivo para sempre, que nos dá a vida eterna : « Aquele que crê em Mim, mesmo que morra, viverá ! » Jesus não fingiu morrer. Desceu aos infernos (local dos mortos, no qual esperam  a manifestação gloriosa dos filhos de Deus). Foi anunciar a Boa Nova « aos espíritos presos » diz S.Pedro. (1 P 3, 19) Subiu de novo « tendo nas mãos as chaves da morte », livremente ressuscitado « levando consigo todos os principados e dominações presas » (Ap 12, 7-8 ; Col 2,15) A Ascenção de Jesus, já é a vitória de Jesus manifestada sobre o mal e a morte. Aquela vitória já está alcançada.

    Desde que Jesus, reunindo o mundo inteiro ( inclusivamente os pagãos, e portanto nós, por sorte, pela graça), os vivos e os mortos, subiu para o Céu para oferecer tudo isso ao Pai, a Vitória dela sobre a Morte, o pecado e o mal já estã alcançada. Mas ainda não se manifesta plenamente e estamos naqueles tempos que são os últimos, última étapa da Salvação de Deus onde a Vitória já é dada, o demónio já vencido, mas essa vitória ainda não se maifestou, e nós, a Igreja, o Povo de Deus, temos que anunciar a Salvação e trabalhar em vista à manifestação desta vitória.

    No vocabulário cristão, há mais uma palavra importante, a palavra « Parusia ». Essa é uma palavra que era usada qunado uma Pessoa importante fazia uma visita oficial ; palavra que significa : chegada, presênça, isto é a vinda e a presença dum Grande Rei. A Parusia há-de coroar os últimos tempos e a vinda da nova Jerusalém. A Mensagem da Palavra de Deus, é mesmo a Nova Aliança no Sangue de Jesus, do Cordeiro, que acabará com a Parusia, isto é : o seu regresso, o seu triunfo, e o seu reino para a eternidade, mas que ainda não é manifestado. Isso pode levar miliões de anos, pode ser nesta noite, e o próprio Cristo diz : « Quanto ao dia e à hora, ninguém os conhece, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o Pai ». Portanto, devemos ficar por aqui : aos que nos querem vender ilusões dizendo que o Reino está próximo, podemos responder : « Sim, o Reino está próximo, e já está cá, mas ainda não é totalmente manifestado ». Na sexta-feira passada, encontrei na minha caixa de correio um envelope com duas folhas dentro, intituladas assim : « Na Martínica um mensageiro de Deus anuncia o próximo regresso de Jesus ». Não ! é o segredo do céu, da Trindade. Jesus, enquanto homem, nem o sabia. Não vejo porque havia-de enviar agora alguém para nos dizer o contrário.

    Devemos preparar-nos à Parusia vigilando : «  Acautelai-vos, vigiai ; pois não sabeis quando chegará o momento » (Mc 13, 33) Às vezes, nos sermões sobre a Ascenção, ouve-se dizer : « Homens de Galileia, porque é que ficais assim a olhar para o Céu ? Regressai à terra, arregaçãi as mangas e trabalhai ». Não é isso que foi dito : « Aquele Jesus que vistes subir, há-de vir da mesma maneira como o vistes subir ao céu ! » Portanto, o Anjo anuncia a Parusia, a vinda de Cristo.

    No Pentecostes há um ambiente de comunhão fraterna entre pessoas que têm muitas coisas para se acusar mutuamente : « Onde estavas tu, Pedro ? – No Calvário – Ah não ! não estavas, nada tens a censurar. – E tu, João, o que é que fizeste, no dia em que tentaste tomar o meu lugar para ser primeiro ministro ? » Havia tensões permanentes naquela equpa, isso aparece em todo o evangelho ; e Jesus , em cólera, diz : « Até quando terei que estar convosco ? Quanto tempo terei ainda que vos suportar ? » Não devemos idealizar a comunidade primitiva. Mas entre a Ascenção e o Pentecostes, eles estão todos juntos ; eles têm qualquer coisa em comum, é o ter visto Jesus ressuscitado, ter comido e bebido com Ele depois da Ressurreição : são testemunhas. (Actos 10, 41)

    O que é que fazem ? Rezam e esperam ! Nao é essa uma atitude muito activa, e no entanto estão à espera do Espírito Santo porque o Mestre da Missão não é Pedro, é sim o Espírito Santo. Um bispo dizia : « Aonde for eu, bem depressa vejo as pessoas da « Renovação Carismática » e as outras ! – « Ah ! Como é que fazeis ? » - « Não é difícil, quando vou a reuniões em que não há gente da Renovação, as pessoas trabalham, rezam no fim do encontro para pedir ao Senhor a benção do trabalho feito e o tornar eficaz. Quando vou entre pessoas da Renovação, começam por rezar com o fim de  pedir ao Senhor para vir e fazer o trabalho… só depois é que se começa o trabalho. – Qual será o ideal ? – Rezar antes e depois ». Estamos de acordo !

    O tempo de hoje é o tempo da Igreja, o tempo da Misericórdia. Escutai este velho « midrash » tão bonito : « O Messias disse : Virei hoje à noite, às 21.00h. Então, os Judeus fazem a festa, preparam tudo. É o serão do Shabbat. Esperam o Messias, abrem a porta. Vai chegar, já está cá, está à porta ! 21 horas chegam : não ha Messias. 22 horas – meia-noite – uma hora – 2 horas – 3 horas – 4 horas…Não está o Messias. Então ! Será que Deus não cumpre as suas promessas ? Afinal, com a aurora, chega o Messias, um bocado estafado, e diz assim : « Desculpai, venho atrasado, pois encontrei uma criança a chorar e consolei-a ».
   
    Se nos fabricarmos um mundo (isto depende de nós, com a graça de Deus) em que as crianças tiverem consolos, em que houver menos crianças a chorar, menos torturas, menos injustiças, menos pessoas isoladas, o Messias não chegará atrasado, virá mais depressa. Então, temos que rezar com força, que trabalhar com humildade, dia após dia, para que este mundo novo chegue, e que cheguem enfim as Bodas do Cordeiro.


(tradução : G.Jeuge)

O TESAURO DA POBRE VIÚVA (32° Domingo do Tempo Comum – Ano B)

Walter Covens #homilias em português
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    Vou ler primeiro, a propósito do evangelho que acabamos de ouvir, o que se encontra num comentário dos 4 evangelhos : « A lição é tão evidente que não precisa dum comentário. Era melhor meditar pessoalmente na conclusão prática, com sabedoria (cf. 2 C 8,13), mas generosamente » Mais nada ! Ora, o livro comporta mais de 800 paginas… entre as quais, so três linhas pequenas para a pobre viúva ! Sim, é verdade, é lição é evidente : é realmente pobre, aquela viúva…

    Então, o que é que poderá dizer um « pobre » pregador como eu, encarregado de vos fazer a homilia a respeito dessa viúva ? Em primeiro lugar, hei-de dizer que esse evangelho me comove muito pessoalmente. Agora mesmo, a minha mãe é viúva desde há 50 anos. Quando faleceu o meu pai, cinco anos depois de casar, ela ficou com 4 crianças ao seu encargo, cuja a mais nova, uma menina, acabava de nascer. Eu, o mais velho, ia crescendo e notava muitas vezes que os fins dos meses eram muito difíceis para a minha mãe : quando precisavamos de alguma coisa para a escola, tinha que contar os últimos céntimos do seu porta-moedas.

    Mas a pobre viúva do evangelho era ainda mais pobre. Pois, a minha mãe podia usar dum pequeno seguro de vida que o pai tinha contratado, bem como duma pensão paga pelo Estado. No tempo de Jesus, em Jerusalém, não havia nada disso. As viúvas nem podiam sequer herdar dos maridos defuntos. Ao deitar as suas duas moedas no Tesouro do Templo, a viúva do evangelho não se diz : « Tanto faz ! amanhã o carteiro vai trazer-me o meu cheque »… Realmente, « deu tudo, tudo quanto tinha para viver ». A esmola dessa viúva é muito notável, pois lembramo-nos de que S.Marcos disse algures que os escribas « devoram os haveres das viúvas ». O contraste é gritante entre a voracidade dos escribas e a generosidade daquela mulher.

    Aqui também tenho recordações da minha infância de que nunca me poderei esquecer. No nosso quintal havia um marmeleiro. A quantidade de fruta dependia da chuva : essa árvore precisa de muita água. Ora, naquele ano, como muitas vezes acontece na Bélgica, tinha chovido muito, e havia muitos marmelos. Como o marmelo não se como cru, a minha mãe tinha feito marmelada com eles (a marmelada é usada contra a diarreia). Ao que parece não eramos sózinhos a sofrer dessa incomodidade : os nossos vizinhos eram muito interessados pela produção artesanal da nossa mãe ; tinham pedido para ela vender alguns frascos. Os vizinhos tinham recebido os seus frascos de marmelada… mas a nossa mãe nunca recebeu o seu dinheiro !

    Aquela anedota mostra bem que, ainda hoje, as viúvas, mesmo que tenham ajuda do Estado, ficam uma presa fácil num mundo em que, muitas vezes, vale sobretudo a lei do mais forte, onde reina o dinheiro. Se os escribas devoravam os seus pobres haveres, a viúva do evangelho teria podido aproveitar a sua situação para não deitar nada no Tesouro. Ao deitar as suas duas moedas, nem podia sequer esperar uma admiração qualquer muito menos um agradecimento como recompensa do seu gesto. O que ela fez foi totalmente gratuito, por amor ao Senhor, sen rancor nenhum contra os homens.

    Então, sim, tiremos disso « pessoalmente, a conclusão prática, prudentemente, mas generosamente ». « Prudentemente, conforme o conselho de S.Paulo por ocasião dum peditório realizado para socorrer a comunidade de Jerusalém : « Não se trata de vos pôr na penúria auxiliando os outros, trata-se, isso sim, de igualdade » ; também « generosamente ». S.Paulo, antes de precisar com prudência aos cristãos de Corinto que não lhes pedia para dar do seu necessário, mas sim do supérfluo, faz uma chamada à generosidade deles, afim de que não se julguem muito facilmente dispensados de dar tudo quanto podiam dar. Diz-lhes : « Conheceis, pois, a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo : ele, que é rico, tornou-se pobre por causa de vós, para que sejais ricos mediante a sua pobreza. (…) Agora, ide até ao fim da realização ; assim, tal como resolvistes com todo o vosso coração, assim havereis-de ir até ao fim das vossas possibilidades ». Não é obrigatório dar aquilo de que precisamos para viver, mas temos de ir até ao fim das nossas possibilidades ; eis a lição que podemos reter. Pouco importa se não se pode dar mais : « Quando damos com todo o nosso coração, somos aceites como somos ; pouco importa o que não se tem » (2 Co 8, 9-14)

    Além disso, podemos acrescentar que « aquilo que temos » não é só dinheiro. Podemos dar também tempo, trabalho… Podemos dar até filhos. Não sei o que a minha mãe deitava na caixa da igreja ou no peditório da missa. O que sei, é que ela deu ao Senhor e à Igreja um filho padre, outro diacono permanente e uma filha consagrada numa comunidade… Podemos dar sobretudo o nossso amor. O que é importante, em matéria de dinheiro, de tempo, de trabalho, etc…não é a quantidade, mas sim a qualidade. E quando nos gabamos sempre da quantidade, é sinal de fraca qualidade. « Acautelai-vos dos escribas, que gostam de saír com vestidos compridos, que gostam das saudações nas praças públicas, dos primeiros lugares nas sinagogas e nos jantares. Eles devoram os haveres das viúvas e fingem rezar longamente : por causa disso, serão severamente condenados » A Madre Teresa dizia : « Não seremos julgados pela quantidade de trabalho realizado, mas pelo peso de amor que no trabalho tivermos depositado ».

    « Condenados », « julgados » : trata-se realmente dum julgamento. Esse julgamento é o de Deus respeitante a cada um de nós. A Escritura fala várias vezes dum « julgamento geral », no fim do mundo, e também dum julgamento « particular », no fim da nossa vida.Mas aqueles dois julgamentos são misericordiosamente antecipados por Jesus, para que, no fim da nossa vida e no fim do mundo, não caiamos do alto, e para que tenhamos o tempo de nos converter na nossa maneira de dar. Na secção que estamos a meditar, Jesus apresenta-se como Aquele quem julga Jerusalém já neste tempo. O julgamento é realizado em actos e palavras. O julgamento de Jerusalém em actos começa com a entrada de Jesus na cidade ; continua com a figueira estéril e seca e com a purificação do Templo. O julgamento de Jerusalém em palavras são as discussões teológicas no Templo a respeito da sua autoridade, da maneira de ler a Escritura, da questão do imposto, da ressurreição dos mortos e do discernamento do que é mais importante nos mandamentos, bem como com a pergunta de Jesus que fica sem resposta. O evangelho de hoje é a conclusão desse julgamento. É o último ensinamento de Jesus no templo. Pois, já não entrará mais no Templo. Alguns dias mais tarde, Jesus vai ser julgado injustamente pelos mesmos que ele julgou tão justamente. Em vez de se converterer graças ao julgamento de Jesus, endureceram-se..

    Em relação ao próprio Jesus é que cada um é interpelado e situado. É frente a Jesus que cada um é julgado, desde já, bem como no fim da sua vida, bem como no fim do mundo. Pela Sua Palavra e pela Sua Eucaristia, na qual ele se dá totalmente a nós é que somos julgados. Os vários grupos de adversários de Jesus não encontraram escapatória a não ser no silêncio e a não-fé. Qual a nossa reacção depois de ouvir a Palavra de julgamento de hoje ? Como é que resolvemos o que vamos dar no peditório , parte integrante da missa. Qual a nossa resposta a Jesus quem entrega o seu Corpo e derrama o seu Sangue por nós, quando o celebrante disser, no fim desta celebração : « Vamos em paz e que o Senhor nos acompanhe » ? Qual o nosso empenhamento no mundo, e na Igreja durante a semana que vem ?

    Peçamos à pobre viúva do evangelho para nos ensinar que a única resposta que nós possamos dar Àquele que se tornou pobre para nos enriquecer é ir até ao fim das nossas possibilidades. Peçamo-lo também à Virgem Maria, a Viúva perfeita. Pois Ela é quem deu realmente tudo, tudo quanto tinha para viver : Jesus, o seu próprio Filho . Nisso ela é um sinal na Igreja. Num comentário muito bonito de Apresentação no Templo, Martinho Luther escreve :

« O que significa o facto de Simeão falar só e pessoalmente a Maria, a mãe de Jesus, e não a José ? Isso significa com certeza que a Igreja cristã fica na terra como que a Virgem Maria espiritual, que não será destruida, mesmo que os seus pregadores, a sua fé, o seu evangelho, Cristo espiritual, fossem perseguidos. Se bem que José falecer primeiro, que Jesus for martirizado, que Maria ficar viúva e despojada do seu Filho, no entanto ela ficará, e aquela grande aflição atravessa o seu coração. Assim, a Igreja cristã fica sempre uma viúva e o coração dela é traspassado por causa da morte de José, dos Santos Padres e do Seu Filho, enquanto o evangelho continua perseguido ; tem que sofrer a espada e no entanto ficar sempre, até ao último dia."

    A Igreja é portanto, também ela, como que uma viúva constantemente despojada dos seus bens por um mundo que a persegue, mas que não deixa de dar a Deus tudo o que tem : Jesus ».

(Tradução : G.Jeuge)

DEDICAÇÁO, OBRA DE DEUS ESQUECIDA (Último Domingo de Outubro)

Walter Covens #homilias em português
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    Hoje, na nossa paróquia, bem como em toda a parte, em França e na Bélgica, celebramos a solenidade da nossa igreja, cuja data de consagração não se conhece ( 25 de Outubro ou último Domingo do mesmo mês). Entre nós, alegramo-nos porque vão ser baptizadas 4 criancinhas.

    Se me dais licença, vou começar por fazer quatro perguntas :
1a : Sabeis o dia do vosso nascimento ?
2a : Sabeis o dia do vosso Baptismo ?
3a : Sabeis a data da construção da vossa igreja paroquial ?
4a : Sabeis a data da Dedicação da vossa igreja paroquial ?

    Já sei que, salvo revelação repentina, ninguém ganhou. Pois já fiz a quarta pergunta há poucos meses, e não recebi resposta alguma, menos a duma paroquiana que pediu a muita gente, até ao bispado… e não encontrou resposta . Essa pessoa merece portanto uma « menção de honra ».

    Achais isso normal ? Além disso, não me atrevo a imaginar o número de pessoas que nem sabem sequer o dia do seu baptismo. Quando, de vez em quando, faço a pergunta, a resposta é esta : « Mas, Senhor Padre, estava muito pequenino (pequenina), não me lembro !… Obrigado por me lembrar isso, mas sei perfeitamente que o ser humano não se lembra de nada do que aconteceu nos dois ou três primeiros anos da sua vida. No entanto, há uma data que precedeu o nosso baptismo de que , acho eu, ninguém se esquece : é o nascimento. Porquê será que toda a gente sabe o dia do seu nascimento ? Porque os nossos pais no-lo-dissseram, porque está inscrito nos documentos de identidade, e porque, desde pequenos, já festejavamos o nosso aniversário..

    Se não sabemos o dia do nosso baptismo, é portanto porque nada ajudou a nossa memória :
Os nossos pais, padrinhos e madrinhas nunca falaram nisso.
A cédula pessoal não foi completada, consultada ... ou perdeu-se.
Nunca foi celebrado o aniversário do nosso baptismo.

    No entanto, quer que seja o motivo, temos uma responsabilidade pessoal. Pois, se tivessemos a vontade de saber, teriamos sabido. Basta pedir a quem participou na celebração : eles tinham mais de três anos !. Caso ninguém se lembrasse, era (e é) sempre possível pedir no escritório paroquial… se conheceis o lugar onde fostes baptizados !

    Se tivermos a coragem suficiente, o motivo por causa de que não sabemos o dia do nosso baptismo, enquanto que sabemos o da nascença (que aconteceu antes), teremos que responder mais ou menos isto : « É porque estou a viver como que um pagão ! » O que é « viver como que um pagão ? Não quer dizer que sois maus (há pagãos muito simpáticos) ; não quer dizer também que não ides à missa (vocês estão cá !). Por « viver como pagão », quero falar em geral : olhar como mais importante o que faz o homem do que o que Deus faz.

    Não quero falar mais nisso no quadro desta homilia… Seria muito longo. Lembro só isto : David disse a Deus (ao profeta Natã) : « Vou construir uma casa para Ti ».- « Muito bem ! Parabéns ! » responde o Profeta. Mas a seguir, o Senhor diz a Natã o Seu Pensamento : « Sou Eu quem te construirei uma casa » manda-lhe dizer. Salomão, filho de David e seu sucessor é quem empreendera aquela obra. E David tem que abandonar o seu projecto, por generoso que seja, para realizar um trabalho diferente, muito mais importante : crer que Deus realizará a Sua promessa. Para quê serviria realizar muitas coisas « por Deus » se não acolhermos com fé o que Deus faz « por nós » ? Isso só serviria para nos afastar de Deus, e para nos afundar no nosso orgulho. Afinal, eramos capazes de pensar que somos nós quem vamos salvar Deus, enquanto que Ele é quem nos salva.

    O Templo edificado por Salomão será profanado e destruido no tempo do Exílio ; depois será reedificado uma primeira vez por Esdras, outra vez profanado (mas não destruido) por ordem de Antioco IV Epifana, purificado de novo por Judas Macabeu. Estava em obras de reconstrução no tempo de Jesus por iniciativa de Herodes ( uma maneira para ser bem visto pelo povo e pelas autoridades religiosas).

    « Voltemos à vaca-fria » (que, aliás, não temos abandonado) : dar o ser a uma criança, mesmo que seja por Deus, está bem. E não se pode « fazer » uma criança sem Ele, mas só com Ele. Mas se o gerarmos por Deus, tendo consciência de que o geramos com Ele, e se, além disso, somos cristãos, não poderemos deixar de pedir para a criança a graça do baptismo quanto antes. O Baptismo não é um acto que fazemos por Deus : antes de mais nada Deus é quem o faz por nós. Se estamos baptizados, mas se não ligamos importância ao nosso baptismo (porque nem nos lembramos da data), então isso significa que o nosso acto « por Deus » nos parece muito mais importante do que aquilo que Deus faz por nós.

    Já o disse, há pouco : « Voltemos à vaca-fria »…Quer dizer : ao nosso assunto de hoje. Ora, o assunto de hoje não é só o baptismo (vão ser 4 daqui a pouco). O nosso assunto também é a Dedicação da nossa igreja. Ora, essa é a mesma coisa ! Cuidado : não digo que a dedicação duma igreja seja um baptismo. Há quem faz a confusão : baptismo, consagração, benção… Só digo que se trata duma semelhança : nascença e baptismo dum lado e construção duma igreja e dedicação dessa igreja, por outro lado. A construção duma igreja é obra humana. A Dedicação duma igreja é obra de Deus. Podemos falar assim, acho eu. Então, estais a ver a analogia ?

    Em virtude dessa analogia, posso dizer-vos que, da mesma maneira que muitos dentre vós não sabem a data do seu baptismo, enquanto que toda a gente sabe a data da sua nascença( uma pessoa centenária até conhece a sua data de nacsença !) da mesma maneira ninguém, nem sequer no arcebispado, conhece a data de Dedicação da nossa igreja, enquanto que se conhece perfeitamente a data da sua construção. Relativamente à construção, consegui facilmente obter as informações : a nossa igreja nem é centenária. Lembram-se do início das obras de construção : no ano de 1930. São conhecidos também nomes de pessoas que foram na origem desta iniciativa, com muitos pormenores que não posso lembrar aqui : o Sr Morinière, que trabalhava na fábrica do Robert e morava no « Vert-Pré », onde construirá uma fábrica de destilação, cujas ruinas ficaram visíveis muito tempo no terreno dos « ananás », hoje chamado « Cidade os Ananás » ; dois Bretãos também : o Sr Leray, pioneiro da instalação da escola no « Vert-Pré »,e o Sr Maignan, que era dono das terras nas quais está hoje a igreja. O relato que tive a oportunidade de ler e que me deu essas informações, relato feito no ano de 1994, diz, entre outras coisas, isto :

    « Relativamente à construção da igreja, ela foi o resultado duma solidariedade exemplar (o bispado, solicitado para participar com uma ajuda financeira tinha respondido que não se devia contar com ele), como infelizmente hoje em dia quase não se encontra no Vert-Pré. Na verdade, naquele tempo havia uma ajuda mútua sem cálculo, sem pensamentos reservados. As pedras que haviam-de ser utilizadas eram reunidas em cada bairro. À noite, quando o montão era bastante impotante, todos (mais ou menos 50) iam buscá-las e traziam-nas, um nas mãos, outro por cima da cabeça, enquanto cantavam alegremente cânticos religiosos. Era uma enorme procissão de homens e mulheres, felizes por trabalhar assim, que trabalhavam até não ficar pedra alguma. Então passavam o montão para o bairro mais próximo : eram, na verdade, « trabalhos de Hercules », quando se pensa na distância percorida e nas sendas lamacentas do tempo !

    E as obras avançavam. Carpinteiros benévolos trabalhavam durante aquele tempo na fabricação dos bancos. (…) E o dinheiro ? Pois bem, algumas pessoas (poucas) conseguiram dar alguns francos e moedas : naquele tempo as pessoas tinham pouco dinheiro na campanha…

    Naqueles condições difíceis, quatro anos foram necessários para edificar esta igreja. Isso é que é maravilhoso, e tudo isso, sabe-se muito bem, mesmo que muitos agora não se lembrem. Mas no que diz respeito à Dedicação : absolutamente nada ! Eis a anomalia. Esqueceram-se depressa que, para o baptismo do seu Filho, Deus começou a preparação desde antes da criação do mundo, usando de Abraão,de Moisés, dos Profetas… para chegar a Jesus Cristo, que desceu do Céu, nasceu da Virgem Maria e derramou o seu sangue por nós sob Póncio Pilatos. Esqueceram-se depressa de que, a seguir, os Apóstolos, auxiliados por muitos outros, foram anunciar aquela Boa Nova ao mundo inteiro, até que a fé católica chegasse ao nosso país há mais ou menos 500 anos, ao preço de tanto sangue , sacrifícios e renúncias até aos nossos dias… Tudo isso é obra do Espírito Santo, pois que sem Ele os homens trabalham em vão… Mas não nos esquecemos do jantar festivo preparado, por ocasião dum baptismo, da lista de convidados da « sono » ensurdecedora et de tudo quanto julgamos indispensável para criar « um ambiente ».

    Ora, quando o que faz o homem se torna mais importante aos nossos olhos do que o que faz Deus, isso tem as mesmas consequências de há 2000 anos no Templo de Jerusalém, quando Jesus foi obrigado de intervir « manu militari » para pôr as coisas em ordem na casa do seu Pai, porque ela se tinha tornado casa de negócios. Entre a primeira Leitura (Dedicação do Templo e oração de Salomão : era bom lê-la inteiramente) e a cena do evangelho, que diferença ! que decadência ! A quem não gosta, Jesus diz : « Destroí este Templo, e em três dias, levantá-lo-ei ». Os adversários de Jesus respondem : « Quarenta e seis anos foram necessários para edificar este templo ( é recente, e fica em todas memórias, mas quanto valia aquela reconstrução aos olhos de Deus ?) et tu, em três dias levá-lo-ias ! ». Estais a ver a obra do homem : 46 anos : é muito mais do que para a igreja do Vert-Pré !) e a obra de Deus (3 dias) em que não acreditam quando manda o seu Filho único.

    Terminarei esta homilia com uma citação do Cardeal Ratzinger que escreveu em 1975 (publicarei o texto completo ao longo da semana que vem) :
 
« É o Espírito quem edifica as pedras, não o contrário. O Espírito não pode ser substituido pelo dinheiro ou pela história. Onde quem constroí não é o Espírito, as pedras tornam-se mudas. Onde o Espírito não está vivo, onde não actua, onde não reina, as catedrais tornam-se museus, monumentos comemorativos do passado (… ou salas de concerto… aprendemos, pois, que a « Santa Capela », em Paris, foi transfomada num teatro para um desfile de moda !), duma beleza triste por ser morta. (…) A grandeza da nossa história , nossas possibilidades financeiras não nos trazem a salvação ; podem tornar-se ruinas que nos sufocam. Se quem edifica não é o Espírito, o dinheiro edifica em vão ( e também os esforços humanos). Só a fé pode conservar vivas as catedrais, e a catedral milenária interpela-nos : teremos a força da fé, que só pode dar o presente e o futuro ? Afinal, não é o serviço da protecção dos monumentos - apesar de ser importante e precioso – que será capaz de manter a catedral, mas sim o Espírito que a criou ».

    O que vale para as catedrais também vale para as igrejas : « Todas as igrejas são fundamentalmente intermutáveis e de dignidade igual » (Cal Ratzinger ».

    Deixemos, portanto, o Espírito edificar a nossa igreja, graças ao seu auxílio para nós acreditarmos em Jesus, a pedra deitada pelos construtores, mas tornada pedra angular.
 
(Tradução : Pe G.Jeuge)

O CÉU É PARA A CRIANÇA (27e domingo comum)

Walter Covens #homilias em português
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       Dois mil anos separam-nos do tempo em que a cena do evangelho deste dia desenrolou-se… No entanto, lembra-nos uma situação que não nos é nada estrangeira. A questão do casamento fica sempre actual em muitos paises. A compreensão dela fica sempre tão importante como difícil para a humanidade pecadora. Ao ouvirmos tudo quanto se diz e se faz, com o pretexto de tolerância, de liberdade e de progresso, é o direito e o dever da Igreja lembrar a tempo e contra-tempo que a verdade é que torna livre, e que ninguém pode ser cristão (verdadeiro discípulo de Jesus) a não ser na fidelidade à sua palavra, que é verdade (cf ; Jo 8,32)

       Jesus, no Evangelho, refere-se ao princípio, isso é à criação. Até os pagãos não têm desculpa alguma, diz S.Paulo, uma vez que o que Deus tem de invisível desde a criação do mundo se deixa ver à inteligência através das suas obras (Rm 1,18 ss) : deixaram-se levar a raciocínios que não conduzem a nada, e as trevas encheram o coração deles, que não têm inteligência. (…) Trocaram a verdade de Deus contra a mentira ; adoraram e serviram as criaturas em vez do Criador, que é bendito eternamente. Portanto trata-se duma moral que diz respeito a todos e não só aos cristãos.

       Ora, é frequente, em nossos dias, ver pessoas que se pretendem cristãs, católicas até e que não só cometem pecados inexcusáveis para os pagãos, mas que também concordam com aqueles que os cometem (cf. Rm 1,12). Ao mesmo tempo, elas reivindicam o direito de poder comungar, de casar novamente, de adoptar crianças, de se tornar sacerdotes ! No evangelho, só é questão dos homens e das mulheres que desonram o seu corpo no adultério. Mas S.Paulo fala também naqueles que desonram o seu corpo em relações homosexuais. Sempre houve pessoas com tendência homosexual, no tempo de S.Paulo como hoje ; mas o suposto progresso consiste nisto : já não ter vergonha nenhuma disso e fazer todo o possível para que as uniões homosexuais sejam juridicamente reconhecidas.

       A fé autêntica vem ao socorro da verdadeira razão, sem a diminuir por isso. Não nos esqueçamos da organização dos trechos no Evangelho de S. Marcos : é mesmo a questão da fé cristã que acarreta a questão da moral cristã. So é ao descobrir quem é Jesus que se pode aprender o que é preciso fazer para o seguir. Quem já não sabe quem é aquele que segue, este perde necessariamente a luz do " como ". Uma moral não pode ser cristã a não ser na dependência da fé cristã. Portanto, se a fé está a diminuir, o sentido moral também se perde necessariamente. Como, num caso destes, ficar filhos de Deus sem mancha no meio duma geração perdida e pervertida, e brilhar como as estrelas no universo ? (cf.Fil 2,15)

       Essa observação muito simples, mas muito importante, deve ser conservada na memória se quisermos compreender alguma coisa nas razões da evolução das mentalidades, não só hoje, mas em todos os tempos. Da mesma maneira que a fé não é só uma realidade estática, assim a moral é chamada a evoluir, mas de maneira não independente. Assim, quando a fé está a diminuir, o sentido moral também diminui. Se a fé está a crescer, ele cresce também..

       Aos fariseus que vêm ter com ele para o embaraçar e que se referem, não a uma prescrição (" O que é que Moisés vos prescreveu ? "), mas sim a uma autorização de Moisés (" Moisés permitiu despedir a sua mulher), Jesus responde que não se trata duma prescrição, nem duma autorização, mas sim duma concessão. Quanto ao divórcio, Moisés não prescreveu nada, nem deu alguma vez uma autorização para divorciar. Só verificou uma situação cada vez mais deteriorada, e formulou uma lei para limitar os estragos e para proteger a mulher contra a arbitrariedade do homem :

" Seja um homem que casou com uma mulher e consumiu o matrimónio ; mas aquela mulher não lhe agradou, e ele descobriu nela um defeito grave ; portanto, redigiu para ela um acto de repúdio e lhe entregou ; depois expulsou-a da sua casa ; ela abandonou a casa, foi embora e pertenceu a outro homem. Se, por acaso, aquele homem não gostar dela, se redigir para ela um acto de repúdio, se lhe entregar e a mandar embora (ou se morrer aquele homem que a recebeu como mulher), o primeiro marido que a repudiou já não a poderá tomar novamente, depois dela se ter tornada impura. Pois isso é uma abominação aos olhos de Deus, e tu não deves levar a pecar o país que Yavé, o teu Deus, te dá em herança ".(Dt 24, 1-4)

       Com outras palavras, se Moisés teve que fazer uma lei a propósito do divórcio, foi porque o povo tinha caido muito baixo. Jesus di-lo claramente : " Foi por causa do vosso endurecimento que Moisés formulou essa lei. S. Marcos já nos mostrou Jesus confrontado com esse endurecimento : " Então, olhando para eles com um olhar de cólera, magoado daquele endurecimento dos seus corações " (Mc 3,5) Pecar é uma coisa. Pode ser um fraqueza passageira. Endurecer-se é pecar voluntariamente e teimosamente, recusando abrir os olhos e mudar de comportamento. O endurecimento, tal como a ignorância fingida, diz o Catecismo, " não diminuem, mas aumentam o carácter voluntário do pecado " (CEC 1859)

       Uma legislação pode às vezes tolerar comportamentos moralmente inaceitáveis e pode às vezes renunciar a castigar o que poderia provocar, pela proibição, um dano pior. Mas " nunca deve enfraquecer o reconhecimento do casamento monogámico indissolúvel como única forma autêntica da família " (Compendium DES, 229). " O povo de Deus terá que intervir junto das autoridades públicas afim de que essas, apesar das tendências que enfraquecem a própria sociedade e prejudicam a dignidade, a segurança e o bem-estar dos cidadãos, se empenhem para impedir que a opinião pública seja levada ao desprezo da importância institucional do casamento e da família " (Familiaris Consortio, 81)

       Neste tempo em que se fala muito em " casamentos homosexuais " e de " famílias recompostas ", aquela palavra da Igreja não deve ser estimada de pouca importância. Os valores humanos são pelo menos tão importantes como os valores económicos. Os cristãos têm portanto de dar a sua opinião aos responsáveis políticos. Desistir de o fazer é um pecado por omissãao que pode ter consequências para o futuro da humanidade, mais graves do que o re-aquecimento do planeta, o qual dá muito que falar hoje em dia.

       Para terminar, não nos esqueçamos da última parte do evangelho. Deve ser a mais importante ao ver de S. Marcos. Esse pequeno trecho, de aparência insignificante, é na verdade o centro desta parte do seu evangelho, o centro de toda a vida moral do discípulo de Jesus, a chave de todos os paradoxos evangélicos no campo da moral cristã. As crianças são estes pequenos que são grandes, esses últimos que são os primeiros, aqueles dependentes que são acolhedores. A criança lembra a todos, em primeiro ao cristão, que o receber é mais mportante do que o fazer, que as exigências do Amor de Deus não são factos extraordinários, impossíveis de realizar, mas uma graça que toda a gente pode acolher. Na presença desta graça oferecida, as acções humanas nunca poderão ser uma moeda para comprar o direito de entrar no Reino. Eis a revelação que caracteriza a moral cristã.

       Antes daquela cena (9,33 ; 10,12), é o aspecto da acção humana que é acentuado. Trata-se daquele que expulsa os demónios em nome de Jesus ; de cortar a mão, o pé, de arrancar o olho, em resumo da supressão de tudo quanto pode levar ao pecado ; e, na primeira parte do trecho deste dia, de ir mais longe no cumprimento dos mandamentos daquilo que é , sem mais, " autorizado " pela Lei de Moisés.

       No entanto, não é a castidade mais perfeita, nem a pobreza mais radical, nem a obediência aos mandamentos (tudo isso que é pedido pelo Senhor aos que querem ser os seus discípulos), que dão um direito qualquer àquilo que Deus quer dar como graça a quem lhe pede. É o que Teresa de Lisieux tinha tão bem percebido. É o que devemos pedir a esta " Doutora da Igreja " de nos ensinar, como ela o ensinou às novícias do carmelo. Um dia, uma delas dizia-lhe : " Quando penso em tudo quanto tenho ainda de fazer para me tornar uma boa religiosa ! " Sta Tersinha respondeu-lhe : " Diga de preferência : ‘de perder !’ ". E numa das suas poesias (PN 24,9), dirigendo-se a Jesus, ela escreve :



Lembra-te das tuas divinas ternuras
De que cumulaste as crianças mais pequenas.
Quero também receber as tuas caricias.
Ah ! dá-me os teus beijos maravilhosos
Para eu gozar nos Céus da tua doce presença.
Saberei praticar as virtudes da infância ;
Não disseste muitas vezes :
" O Céu é para a criança ? "
Lembra-te.



       Eis porque, depois dessas poucas palavras sobre as crianças, é a receptividade da observância humana frente à acção de Deus que é sublinhada, Seguir Jesus, isto é, além dos mandamentos, adoptar a pobreza radical que é a sua, sem ajuda humana, e na qual, a cada momento, desde esta vida, ele recebe do Pai o céntuplo, com perseguições, e no mundo futuro, a vida eterna. Este será o tema do evangelho do próximo domingo.



(Tradução : G.Jeuge)

Respecter le mode d’emploi du mariage: exclusivité, indissolubilité, complémentarité - Homélie 27° dimanche du Temps Ordinaire B

dominicanus #Homélies Année B (2008-2009)


Le Livre de la Genèse contient en fait deux récits de la création. Le premier nous offre une vue aérienne. C’est le récit qui nous est le plus familier, celui qui rapporte les six jours pendant lesquels Dieu se contente d’une parole toute simple pour créer les différentes composantes de l’univers.


Le deuxième récit se focalise davantage sur la création de l’homme et de la femme. C’est un commentaire haut en couleurs de la parole : "Dieu créa l’homme à son image et à sa ressemblance ; homme et femme il les créa". Ce deuxième récit est un enseignement sur un aspect parmi les plus beaux (et donc les plus délicats) de la vie humaine : la sexualité.


Pour comprendre le sens de la sexualité, nous devons être très attentifs à ce que Dieu nous dit, à ce qu’il nous enseigne, car l’une des premières conséquences du péché originel est d’introduire un désordre dans les relations entre les deux sexes. Dans notre monde où règne le péché, ce désordre est présent plus que jamais, entraînant des confusions, des souffrances, et des problèmes à grande échelle.


Le sujet est tellement important aux yeux de Dieu que les Evangiles mêmes nous rapportent le commentaire personnel de Jésus lui-même de ce passage de la Genèse. Dans sa conversation avec les Pharisiens que nous venons d’entendre dans l’Evangile d’aujourd’hui, Jésus met l’accent sur les vérités fondamentales au sujet de notre sexualité. Dans un monde sécularisé, où la culture populaire est de moins en moins chrétienne, il est urgent de réentendre ces vérités fondamentales, d’abord pour nous-mêmes, pour nous aider à résister aux séductions et aux tentations qui nous assaillent dans ce domaine, mais également pour les autres, ceux qui nous entourent, et qui n’ont pas la chance d’avoir la foi catholique et de connaître le dessein de Dieu sur la sexualité humaine dans toute son ampleur. Nous avons à rendre témoignage.


Regardons donc les trois caractéristiques de ce dessein. La première chose que Dieu nous enseigne au sujet de la sexualité, c’est qu’elle est bonne ; elle fait intrinsèquement partie de son dessein d’amour sur nous, êtres humains. Au cours des premiers siècles du christianisme, une des menaces les plus persistantes pour la vie de l’Eglise était l’hérésie. Les hérésies étaient des enseignements qui concordent avec la doctrine chrétienne sur la plupart des points, mais qui étaient en contradiction avec le véritable enseignement du Christ sur un ou deux autres sujets importants. L’une des hérésies les plus pernicieuses était le gnosticisme.


Le gnosticisme était dualiste; il enseignait qu’il y avait deux dieux, l’un bon, l’autre mauvais. Le ‘bon dieu’, selon les gnostiques, était un pur esprit. C’est lui qui a créé nos âmes. Le mauvais dieu, appelé Démiurge, serait à l’origine de toutes les choses matérielles et il aurait emprisonné nos âmes spirituelles dans des corps matériels. Selon cette vision, tout ce qui est matériel est mauvais, seules les réalités spirituelles sont bonnes. Vous pouvez imaginer les conséquences de cette hérésie pour le mariage et la sexualité humaine. Le mariage était considéré comme un péché, et toute pulsion ou activité sexuelle serait intrinsèquement mauvaise. Les gnostiques niaient évidemment aussi  la doctrine de l’incarnation et la validité des sacrements, car cela impliquait des choses matérielles comme faisant partie du plan de salut que Dieu voulait mettre en œuvre.


Cette hérésie était particulièrement dangereuse car on s’en prévalait très adroitement pour justifier tout genre de complaisance envers soi-même. Après tout, si nos corps sont tout juste des prisons pour nos âmes, sans être vraiment connectées avec notre véritable identité, alors ce que nous en faisons n’a pas vraiment d’importance. Ainsi, les Gnostiques non seulement interdisaient et méprisaient le mariage, mais c’était aussi la porte ouverte à la promiscuité et à toute autre déviation sexuelle. En ce sens, cette hérésie se retrouve dans notre culture populaire qui, dans le domaine de la sexualité, encourage les gens à suivre leur instinct, quel qu’il soit.


Le gnosticisme a toujours été condamné très énergiquement par l’Eglise. Le monde matériel n’est pas mauvais ; il provient de l’intelligence et du cœur de Dieu. Le corps humain, et la sexualité qui en fait partie, n’est pas mauvais ; il fait partie de ce que nous sommes en tant qu’êtres humains, créées par amour à l’image et à la ressemblance mêmes de Dieu.


Voilà donc la première chose que Dieu veut que nous comprenions au sujet de la sexualité humaine comme étant un aspect très beau et puissant de son projet.


La deuxième vérité que Dieu veut nous montrer au sujet de la sexualité est qu’elle est déterminée par deux sexes distincts. Quand Dieu crée les être humains, il les crée homme et femme. Cette structure fondamentale de la complémentarité ressort très fortement de la première lecture. Eve, contrairement aux autres animaux, est créée à partir de la côte d’Adam, au même niveau qu’Adam, partageant sa propre dignité. Eve est beaucoup plus qu’un animal de compagnie, une chose, un objet à utiliser. Elle aussi est une personne, créée à l’image de Dieu, tout comme Adam. Adam a besoin de cette relation avec une autre personne pour atteindre son propre accomplissement.


Et pourtant, Eve est différente, femme, et non pas homme. Ainsi, si Adam et Eve sont égaux en dignité, ils sont complémentaires sexuellement. Il y a quelque chose en Eve qui complète Adam, et il y a quelque chose en Adam qui complète Eve. Cette complémentarité, nous pouvons tous la reconnaître. Normalement, nous faisons tous l’expérience de la force d’attraction très mystérieuse que nous ressentons pour le sexe opposé. Au cours des dernières décennies, des études psychologiques ont essayé de clarifier cette complémentarité. Elles ont identifié des caractéristiques au niveau de la biologie, de l’émotion, de l’intelligence et même de la chimie, mais la plénitude de l’explication échappera toujours à la science parce qu’elle est plus profonde, spirituelle.


Donc, si Dieu a créé la sexualité dans la complémentarité entre les deux sexes, comment devons-nous comprendre l’homosexualité ? C’est une question importante aujourd’hui. Des lois, des blogs, la télévision et même l’enseignement public dans les écoles et les collèges veulent promouvoir l’homosexualité, la bisexualité et la transsexualité comme étant aussi normales que l’attraction entre personnes de sexe opposé. Mais ce n’est évidemment pas la cas. Lorsque quelqu’un éprouve un attrait sexuel envers une personne du même sexe, il s’agit de quelque chose qui ne doit pas être encouragé et considéré comme normal. La plupart du temps, ces personnes ne choisissent pas d’éprouver cette attirance, et celle-ci ne constitue donc pas un péché en elle-même. Elle le devient s’il y a consentement. Mais l’attirance elle-même est un désordre, puisque notre sexualité est, selon le dessein de Dieu, déterminée par la spécificité des deux sexes : "au commencement de la création, il les fit homme et femme".


L’homme et la femme sont supposés devenir des époux, mari et femme ; créés pour être complémentaires, et être le noyau d’une nouvelle famille. Cet enseignement de Jésus est mal vu aujourd’hui. Même des catholiques pensent que ce n’est pas juste, que cela condamne des personnes qui ont des tendances homosexuelles à être rejetés par la société.


Mais à nouveau, cela est faux. Dans beaucoup de cas, les tendances homosexuelles peuvent être diagnostiquées comme étant le résultat de conflits non résolus dans le développement psycho-social de la personne. Dans ces cas-là, une thérapie "réparative" a montré son efficacité pour rétablir des pulsions sexuelles normales.


Mais même dans les cas où les tendances homosexuelles sont profondément ancrées et qu’une thérapie n’obtient que des résultats très limités, cette personne est toujours aimée de Dieu, appelée à une vie de sainteté en amitié avec le Christ et un travail fécond dans le monde et l’Eglise. Une vie de célibataire dans la chasteté parfaite n’équivaut pas à une condamnation à la misère et au désespoir. Avec la grâce de Dieu, quelqu’un peut alors vraiment s’épanouir, comme le prouvent tant et tant de personnes consacrées tout au long de l’histoire.


Mais quand quelqu’un choisit librement d’ignorer l’enseignement du Christ lui-même en donnant libre cours à ses pulsions homosexuelles, il aboutit inévitablement à la frustration et au désenchantement. Il peut éprouver temporairement une sorte de réconfort sentimental, mais ne pourra finalement trouver la paix du cœur qu’en suivant le projet de Dieu au lieu de le rejeter. L’enseignement du Christ sur l’homosexualité n’est donc pas cruel, au contraire ! Il est vérité qui rend libre.


La troisième vérité essentielle que Dieu veut nous enseigner au sujet de la sexualité humaine concerne notre manière d’en user. Les deux premières vérités nous enseignent ce qu’est la sexualité. La troisième est en rapport avec la manière dont nous devons la vivre. L’intimité sexuelle, dans le dessein de Dieu, a une finalité réelle, spécifique : elle est un langage d’amour entre époux. En d’autres mots, c’est une manière de communiquer et de se donner soi-même qui est propre au mariage exclusivement, c’est-à-dire à un engagement durable entre un homme et une femme qui veulent fonder une nouvelle famille.


Voilà ce que nous dit la Genèse :


“A cause de cela, l'homme quittera son père et sa mère,
il s'attachera à sa femme, et tous deux ne feront plus qu'un."


Et au cas où nous ne comprendrions pas bien, Jésus précise que cette union entre les époux est exclusive et permanente – c’est un engagement pour la vie, une aventure pour la vie entre un homme et une femme.


Ainsi, ils ne sont plus deux, mais ils ne font qu'un.
Donc, ce que Dieu a uni, que l'homme ne le sépare pas !


Les deux ne font plus qu’un : le mariage est entre un homme et une femme. Ils ne font plus qu’un : c’est une union de personnes, un lien qui ne peut être rompu ou interrompu, si ce n’est par la mort de l’un d’entre eux, tout comme l’enfant qui provient de cette union ne peut pas être "interrompu". Voilà ce qui fonde l’enseignement de l’Eglise au sujet du divorce et du remariage. Il est facile de méconnaître cet enseignement, estimant que les annulations sont une manière catholique de divorcer. Le divorce et l’annulation d’un mariage sont très différents. Divorcer et se remarier veut dire qu’un vrai lien marital était réellement formé, ensuite rompu, et qu’un autre lien est formé. Une annulation est la reconnaissance que du fait que, dès le point de départ, il y avait un obstacle à la formation d’un lien marital, si bien que l’union sponsale des personnes n’a jamais été réalisée. Dans ce cas, la personne est libre de se marier, de réaliser une union permanente et exclusive avec quelqu’un d’autre.


Bien que le Seigneur appelle certains à un mariage spirituel avec lui-même dans l’Eglise, la majorité de ses enfants sont appelés au mariage et à la vie de famille. Dans ce monde déchu, et parce que nous sommes tous blessés par le péché et assaillis par les tentations, il n’est pas facile de réaliser pleinement la vocation au mariage. Beaucoup sont tentés de d’expérimenter l’intimité sexuelle avant de prendre l’engagement du mariage – c’est le péché de fornication, du sexe avant le mariage. Une fois le mariage accompli, les époux sont tentés de rompre l’engagement du mariage, d’être infidèles, soit en commettant l’adultère, soit aussi en étouffant le véritable amour par un égoïsme rampant.


Mais Jésus nous rappelle que les personnes mariées ne sont pas condamnées à dépendre uniquement de leurs propres forces dans le combat pour la chasteté conjugale : "ce que Dieu a uni...", dit-il… Le Père Patrick Peyton, qu’on a appelé le prêtre du Rosaire, a passé beaucoup d’années à Hollywood dans divers ministères pour promouvoir de vraies familles catholiques. C’est lui qui a inventé le slogan bien connu : "La famille qui prie ensemble, reste ensemble". Voilà la vérité : Jésus sait que construire un mariage et une famille sains et saints dans un monde où règne le péché est une entreprise qui dépasse les forces humaines. Mais si nous construisons sur lui comme fondation, en faisant de la prière et des sacrements notre pain de chaque jour, alors lui-même nous guidera. Avec lui comme guide, le projet de Dieu sur la sexualité humaine n’est plus seulement un bel idéal, mais une réalité incroyablement exaltante.


En poursuivant cette eucharistie, rendons grâce à Dieu de nous avoir créés et pour nous avoir révélé ses projets sur la sexualité humaine, et promettons-lui de faire tout notre possible pour que ces projets puissent se réaliser, avec le secours de sa grâce.

Respecter le mode d’emploi du mariage: exclusivité, indissolubilité, complémentarité - Homélie 27° dimanche du Temps Ordinaire B

"Le ciel est pour l'enfant" - Homélie 27° dimanche du Temps Ordinaire B

Walter Covens #homélies (patmos) Année B - C (2006 - 2007)
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       Deux mille ans nous séparent de l’époque où la scène de l’Évangile d’aujourd’hui s’est déroulée. Mais elle nous place dans une situation qui ne nous est pas étrangère, loin de là ! La question du mariage fait toujours la une de l’actualité dans de nombreux pays. Sa compréhension est toujours aussi importante que difficile pour l’humanité pécheresse. À entendre tout ce se dit et tout ce qui se fait – sous couvert de tolérance, de liberté et de progrès, – c’est le droit et le devoir de l’Église de rappeler à temps et à contretemps que c’est la vérité qui rend libre, et qu’on ne peut être chrétien (vrai disciple de Jésus) que dans la fidélité à sa parole, qui est vérité (cf. Jn 8, 32).

       Jésus, dans l’Évangile, se réfère au commencement, c’est-à-dire à la création. Même les païens n’ont aucune excuse, dit S. Paul, car ce que Dieu a d’invisible depuis la création du monde se laisse voir à l’intelligence à travers ses œuvres (Rm 1, 18 ss.) : Ils se sont laissé aller à des raisonnements qui ne mènent à rien, et les ténèbres ont rempli leurs cœurs sans intelligence. (…) Ils ont échangé la vérité de Dieu contre le mensonge ; ils ont adoré et servi les créatures au lieu du Créateur, lui qui est béni éternellement. C’est donc une morale qui concerne tout le monde, pas seulement les chrétiens.

       Or, il n’est pas rare de nos jours de voir des personnes qui se présentent comme chrétiens, comme catholiques même, et qui non seulement commettent des péchés inexcusables pour les païens, mais qui approuvent ceux qui les font (cf. Rm 1, 12). Dans le même temps, ils revendiquent le droit de pouvoir communier, se (re)marier, adopter des enfants, de devenir prêtres… Dans l’évangile, il n’est question que des hommes et des femmes qui déshonorent leurs corps dans l’adultère. Mais S. Paul mentionne aussi ceux qui le déshonorent dans des relations homosexuelles. Les personnes à tendance homosexuelle ont toujours existé – au temps de S. Paul, comme aujourd’hui – mais le soi-disant progrès c’est de ne plus en avoir honte et de faire du lobbying afin que les unions homosexuelles soient juridiquement reconnues.

       La vraie foi, elle, vient au secours de la vraie raison, sans pour autant la court-circuiter. N’oublions pas l’agencement des passages dans l’Évangile de S. Marc : c’est la question de la foi chrétienne qui entraîne la question de la morale chrétienne. Ce n’est qu’en découvrant qui est Jésus que l’on peut apprendre ce qu’il convient de faire pour le suivre. Si on ne sait plus qui est celui qu’on suit, on perd par le fait même la lumière du comment. Une morale ne peut être chrétienne qu’en dépendance de la foi chrétienne. Il s’ensuit que si la foi diminue, le sens moral se perd inévitablement. Comment, dans ce cas, être enfants de Dieu sans tache au milieu d’une génération égarée et pervertie et briller comme les astres dans l’univers (Ph 2, 15) ?

       Cette observation toute simple, mais très importante doit être gardée en mémoire si on veut comprendre quelque chose aux raisons de l’évolution des mentalités, pas seulement de nos jours, mais de tous les temps. De même que la foi n’est pas une réalité statique, de même la morale est appelée à évoluer, mais pas de manière indépendante. Ainsi, quand la foi baisse, le sens moral se dégrade. Si la foi grandit, il progresse.

       Aux pharisiens qui l’abordent pour le mettre dans l’embarras et qui se réclament non pas d’une prescription (Que vous a prescrit Moïse ?), mais d’une permission de Moïse (Moïse a permis de renvoyer sa femme), Jésus répond en disant qu’il ne s’agit ni d’une prescription, ni d’une permission, mais d’une concession. Au sujet du divorce, Moïse n’a rien prescrit du tout, et il n’a jamais donné une autorisation quelconque pour divorcer. Il a simplement pris acte d’une situation qui s’était de plus en plus dégradée, en formulant une loi pour limiter les dégâts et pour protéger la femme contre l’arbitraire de l’homme :
 

Soit un homme qui a pris une femme et consommé son mariage ; mais cette femme n'a pas trouvé grâce à ses yeux, et il a découvert une tare à lui imputer ; il a donc rédigé pour elle un acte de répudiation et le lui a remis, puis il l'a renvoyée de chez lui ; elle a quitté sa maison, s'en est allée et a appartenu à un autre homme. Si alors cet autre homme la prend en aversion, rédige pour elle un acte de répudiation, le lui remet et la renvoie de chez lui (ou si vient à mourir cet autre homme qui l'a prise pour femme), son premier mari qui l'a répudiée ne pourra la reprendre pour femme, après qu'elle s'est ainsi rendue impure. Car il y a là une abomination aux yeux de Yahvé, et tu ne dois pas faire pécher le pays que Yahvé ton Dieu te donne en héritage. (Dt 24, 1-4)
 

       En d’autres mots, si Moïse a dû légiférer au sujet du divorce, c’est que le peuple était tombé vraiment bien bas. Jésus le dit clairement : C’est en raison de votre endurcissement qu’il a formulé cette loi. S. Marc nous a déjà montré Jésus confronté à cet endurcissement : Alors, promenant sur eux un regard de colère, navré de l’endurcissement de leurs cœurs… (Mc 3, 5) Pécher est une chose. Cela peut être l’effet d’une faiblesse momentanée. S’endurcir, c’est pécher volontairement et obstinément, en refusant d’ouvrir les yeux et de changer de conduite. L’endurcissement, comme l’ignorance affectée, nous dit le Catéchisme, "ne diminuent pas, mais augmentent le caractère volontaire du péché" (CEC 1859).

       Une législation peut parfois tolérer des comportements moralement inacceptables et peut parfois renoncer à réprimer ce qui provoquerait, par son interdiction, un dommage plus grave. Mais "elle ne doit jamais affaiblir la reconnaissance du mariage monogamique indissoluble comme unique forme authentique de la famille" (Compendium DSE, 229). "Le peuple de Dieu interviendra aussi auprès des autorités publiques afin que celles-ci, résistant à ces tendances qui désagrègent la société elle-même et sont dommageables pour la dignité, la sécurité et le bien-être des divers citoyens, s’emploient à éviter que l’opinion publique ne soit entraînée à sous-estimer l’importance institutionnelle du mariage et de la famille" (Familiaris Consortio, 81). À l’heure où l’on parle couramment de "mariages homosexuels" et de "familles recomposées", cette parole de l’Église ne doit pas être prise à la légère. Les valeurs humaines sont au moins aussi importantes que les valeurs économiques. Les chrétiens doivent donc faire entendre leur voix auprès des responsables politiques. Ne pas le faire est un péché d’omission qui peut avoir de lourdes conséquences pour l’avenir de l’humanité, plus lourdes que le réchauffement de la planète, qui commence à faire pas mal de vagues.

       Pour terminer, n’oublions pas la dernière partie de l’évangile. C’est même la plus importante aux yeux de S. Marc. Ce petit passage, d’apparence insignifiante, est, en réalité le cœur de toute cette partie de son Évangile, le centre de toute la vie morale du disciple de Jésus, la clé de tous les paradoxes évangéliques dans le domaine de la morale chrétienne. Les enfants, ce sont ces petits qui sont grands, ces derniers qui sont premiers, ces dépendants qui sont accueillants. L’enfant rappelle à tout homme – et d’abord au chrétien – que recevoir est plus important que faire, que les exigences de l’Amour de Dieu ne sont pas des exploits impossibles à accomplir, mais une grâce que tout le monde peut accueillir. En présence de cette grâce offerte, les actions humaines ne pourront jamais constituer une monnaie d’échange qui donnerait un droit quelconque pour entrer dans le Royaume. Voilà la révélation qui caractérise la morale chrétienne.

       Avant cette scène (9, 33 – 10, 12), c’est l’aspect de l’action des hommes qui est accentué. Il est question de celui qui expulse les démons au nom de Jésus ; de couper la main, le pied, d’arracher l’œil, bref, tout ce qui pourrait entraîner au péché ; et, dans la première partie du passage de ce jour, d’aller plus loin dans l’accomplissement des commandements que ce qui est simplement "permis" par la Loi de Moïse.

       Et pourtant, ce n’est ni la chasteté la plus parfaite, ni la pauvreté la plus radicale, ni l’obéissance la plus exacte aux commandements (tout cela qui est pourtant requis par le Seigneur à ceux qui veulent devenir ses disciples), qui donnent un droit quelconque à ce que Dieu se propose de donner gratuitement à ceux qui le lui demandent. C’est ce que Thérèse de Lisieux avait si bien compris. C’est ce que nous devons demander à ce "Docteur de l’Église" de nous enseigner, comme elle l’a enseigné aux novices de son couvent du Carmel. Un jour, l’une d’entre elles lui disait : "Quand je pense à tout ce que j’ai encore à acquérir pour devenir une bonne religieuse…" Et Ste Thérèse de répondre : "Dites plutôt : à perdre !". Et dans une de ses poésies (PN 24 ,9), en s’adressant à Jésus, elle écrit :


 

Rappelle-toi des divines tendresses
Dont tu comblas les plus petits enfants
Je veux aussi recevoir tes caresses
Ah ! donne-moi tes baisers ravissants
Pour jouir dans les Cieux de ta douce présence
Je saurai pratiquer les vertus d’enfance
N’as-tu pas dit souvent :
"Le Ciel est pour l’enfant ?…"
Rappelle-toi.


 

       Voilà pourquoi, après le petit passage sur les enfants, c’est la réceptivité humaine vis-à-vis de l’action de Dieu qui est soulignée. Suivre Jésus, c’est, au-delà de l’observance des commandements, adopter la pauvreté radicale qui est la sienne, sans aucun appui humain, et dans laquelle, à tout moment, et dès cette vie, il reçoit du Père le centuple, avec des persécutions, et, dans le monde à venir, la vie éternelle. Ce sera l’objet de l’évangile de dimanche prochain. En attendant, ne laissons pas passer le mois du Rosaire sans demander à l'Esprit Saint une ferveur renouvelée pour être fidèle (ou pour le devenir) à cette prière, dont Jean Paul II disait qu'elle était sa prière préférée.
Amen, je vous le dis : celui qui n’accueille pas le royaume de Dieu à la manière d’un enfant n’y entrera pas.
Amen, je vous le dis : celui qui n’accueille pas le royaume de Dieu à la manière d’un enfant n’y entrera pas.

Amen, je vous le dis : celui qui n’accueille pas le royaume de Dieu à la manière d’un enfant n’y entrera pas.

Lectures 27° dimanche du Temps Ordinaire B

dominicanus #Liturgie de la Parole - Année B

1ère lecture : Origine du mariage (Gn 2, 18-24)

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Lecture du livre de la Genèse

Au commencement, lorsque le Seigneur Dieu fit la terre et le ciel, il dit : « Il n'est pas bon que l'homme soit seul. Je vais lui faire une aide qui lui correspondra. »
Avec de la terre, le Seigneur Dieu façonna toutes les bêtes des champs et tous les oiseaux du ciel, et il les amena vers l'homme pour voir quels noms il leur donnerait. C'étaient des êtres vivants, et l'homme donna un nom à chacun.
L'homme donna donc leurs noms à tous les animaux, aux oiseaux du ciel et à toutes les bêtes des champs. Mais il ne trouva aucune aide qui lui corresponde.
Alors le Seigneur Dieu fit tomber sur lui un sommeil mystérieux, et l'homme s'endormit. Le Seigneur Dieu prit de la chair dans son côté, puis il le referma.
Avec ce qu'il avait pris à l'homme, il forma une femme et il l'amena vers l'homme.
L'homme dit alors : « Cette fois-ci, voilà l’os de mes oset la chair de ma chair ! On l’appellera : femme. »
A cause de cela, l'homme quittera son père et sa mère, il s'attachera à sa femme, et tous deux ne feront plus qu'un.



Psaume : 127, 1-2, 3, 4.5c.6a


R/ Que le Seigneur nous bénisse tous les jours de notre vie !


Heureux qui craint le Seigneur
et marche selon ses voies !
Tu te nourriras du travail de tes mains :
Heureux es-tu ! A toi, le bonheur !

Ta femme sera dans ta maison
comme une vigne généreuse,
et tes fils, autour de la table,
comme des plants d'olivier.

Voilà comment sera béni
l'homme qui craint le Seigneur.
Que le Seigneur te bénisse tous les jours de ta vie,
et tu verras les fils de tes fils.



2ème lecture : Jésus, notre Sauveur et notre frère (He 2, 9-11)


Lecture de la lettre aux Hébreux

Jésus avait été abaissé un peu au-dessous des anges, et maintenant nous le voyons couronné de gloire et d'honneur à cause de sa Passion et de sa mort. Si donc il a fait l'expérience de la mort, c'est, par grâce de Dieu, pour le salut de tous.
En effet, puisque le créateur et maître de tout voulait avoir une multitude de fils à conduire jusqu'à la gloire, il était normal qu'il mène à sa perfection, par la souffrance, celui qui est à l'origine du salut de tous.
Car Jésus qui sanctifie, et les hommes qui sont sanctifiés, sont de la même race ; et, pour cette raison, il n'a pas honte de les appeler ses frères.





Evangile : L'indissolubilité du mariage - Les privilèges des petits enfants (brève : 2-12) (Mc 10, 2-16)


Acclamation : Si nous demeurons dans l'amour, nous demeurons en Dieu : Dieu est amour. (1 Jn 4, 16)



Évangile de Jésus Christ selon saint Marc

Un jour, des pharisiens abordèrent Jésus et pour le mettre à l'épreuve, ils lui demandaient : « Est-il permis à un mari de renvoyer sa femme ? »
Jésus dit : « Que vous a prescrit Moïse ? »
Ils lui répondirent : « Moïse a permis de renvoyer sa femme à condition d'établir un acte de répudiation. »
Jésus répliqua : « C'est en raison de votre endurcissement qu'il a formulé cette loi.
Mais, au commencement de la création, il les fit homme et femme.
A cause de cela, l'homme quittera son père et sa mère,
il s'attachera à sa femme, et tous deux ne feront plus qu'un. Ainsi, ils ne sont plus deux, mais ils ne font qu'un.
Donc, ce que Dieu a uni, que l'homme ne le sépare pas ! »
De retour à la maison, les disciples l'interrogeaient de nouveau sur cette question.
Il leur répond : « Celui qui renvoie sa femme pour en épouser une autre est coupable d'adultère envers elle.
Si une femme a renvoyé son mari et en épouse un autre, elle est coupable d'adultère. »
On présentait à Jésus des enfants pour les lui faire toucher ; mais les disciples les écartèrent vivement.
Voyant cela, Jésus se fâcha et leur dit : « Laissez les enfants venir à moi. Ne les empêchez pas, car le royaume de Dieu est à ceux qui leur ressemblent.
Amen, je vous le dis : celui qui n'accueille pas le royaume de Dieu à la manière d'un enfant n'y entrera pas. »
Il les embrassait et les bénissait en leur imposant les mains.




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QUANDO A TOLERÀNCIA DESPOSA O RADICALISMO - 26° DOMINGO COMUM (ano B)

Walter Covens #homilias em português
26 TOB ev
       Já vimos nos domingos precedentes que a questão da fé : " Quem sou eu ? " chega a esta : " Como seguir Jesus ? ". Quem confessa Jesus como Messias tem então de o seguir : é lógico. Mas qual é exactamente o carácter messiánico de Jesus. O que é que quer dizer : " seguir ? "

       No princípio, o neofito mostra um maravilho entusiasmo. Mas esse entusiasmo não passa, em grande parte, de ilusões bem como de ideias erradas a respeito do modo escolhido por Jesus para cumprir a sua missão messiânica. Jesus já tinha devido chamar à ordem Pedro, o autor legítimo da profissão de fé dos Doze, mas que, a seguir, tinha ousado fazer a Jesus " censuras vivas " ao ouví-lo falar em sofrimentos, rejeição, morte e ressurreição : " Os teus pensamentos não são os de Deus, mas sim os dos homens ", tinha respondido o Messias.

       Hoje João é aquele cujos pensamentos são demesiado humanos, apesar de julgar agir bem ao impedir alguém de expulsar os espíritos maus em nome de Jesus : " Pois, não é daqueles que nos seguem". Antes de falar na resposta de Jesus, reparemos uma alteração significativa no modo de falar de João. Não diz : " Não é daqueles que TE seguem ", mas sim : " Não é daqueles que NOS seguem ". O erro de João é este : pensar que, para seguir Jesus, é necessário nos seguir, a NÓS, isto é : o grupo dos Doze, e que é necessario seguir de maneira material.

       Essa alteração há-de ser uma oportunidade para lembrar uma verdade importante, não só para João, mas também para todos nós. Seguir Jesus, antes da Ressurreição, significava andar fisicamente atrás dele. Depois, as coisas mudaram : a presença sensível de Jesus já não é. Nestas condições, seguir Jesus recebe um sentido novo : é viver conforme os seus ensinamentsos e o seu exemplo, docilmente, no espírito filial, fruto da acção do Espírito recebido no Pentecostes. Da mesma maneira que a verdadeira família de Jesus não é uma familia carnal, assim os verdadeiros discípulos não são os mais próximos de Jesus no espaço ou no tempo. Aquela proximidade, quando existe, pode acompanhar ilusões perigosas : " Então havereis-de dizer : ‘Nós temos comido e bebido na tua presença, ensinaste nas nossas praças’. (O Senhor) responder-vos-á :’Não sei donde sois. Afastai-vos de mim, vós todos que fazeis o mal’ " (Lc 13,26-27)

       O carácter próprio do verdadeiro discípulo (podemos pensar na Virgem Maria) é uma fé activa (que se manifesta pela vida). " Quem faz a vontade de Deus, esse é quem é o meu irmão, a minha irmã, a minha mãe " (Mc 3,35) Já antes da Ressurreição, o Evangelho mostra-nos algumas pessoas bem decididas a seguir Jesus, mas que Jesus não o deixa fazer fisicamente, ao mesmo tempo que lhes explica que o essencial não está aqui.

       O homem possesso no país dos Generazenos suplica-o " para estar com ele. (Jesus) não consentiu mas disse-lhe : " Vai para a tua casa, junto dos teus, anuncia-lhes todo o que o Senhor fez por ti na sua misericórdia " (Mc 5,18-19). Já para os Apóstolos e demais contemporáneos, seguir Jesus necessita mais do que um par de pernas boas. E Judás, que estava bem provido disto, não é realmente o modelo…que se deva " seguir ".

       O modelo a seguir é S.Paulo, ele que se tornou discípulo de Jesus só depois do Pentecostes, e que, portanto, não tinha andado atrás de Jesus, nem comido nem bebido na presença dele.

       Ao escrever aos cristãos da comunidade que tinha fundada em Filipes, ele aponta no que é o mais importante : " Tende entre vós as disposições que se devem ter em Cristo Jesus : Ele, que era na condição de Deus, não quis reivindicar o seu direito de ser tratado como igual de Deus… " (Fil 2,5). Aqui está o que " seguir " quer dizer.

       Precisamente, no Evangelho deste dia, a quem chamam " discurso comunitário ", em S.Marcos, Jesus censura João, que o seguia de muito perto, fisicamente, com os outros Onze, mas que ficava muito longe de ter as disposições que se devem ter em Cristo Jesus. S.Marcos contou-nos que, junto com o seu irmão Tiago, já se tinha manifestado anteriormente partidário de métodos bastante drásticas. Jesus tinha-os qualificado de " filhos do trovão " (Mc 3,17). Ora, o mesmo João escandaliza-se por ter visto " alguém expulsar espiritos maus " em nome de Jesus, apesar de não ser daqueles que nos seguem. Nós quisemos impedí-lo " diz sem precisão do método usado. Jesus faz perceber a João que, na verdade, ele é quem não segue, quem apesar de seguir Jesus fisicamente, não tem " as disposições que se devem haver em Cristo Jesus ", enquanto que o outro, o que João olhava como ume pessoa importuna, se " não está contra nós " e se pelo contrário oferece aos que estão com Jesus " mesmo que seja só um copo de água em nome da sua pertença a Cristo ", aquele " não ficará sem recompensa ".

       Aqui ainda, S.Paulo mostra-nos o exemplo a seguir ao prosseguir mais longe naquele lógica da verdadeira tolerância, ao contrário do espírito sectário. Na carta aos Filipenses, só alguns versículos antes do trecho acima citado, escreve : " Alguns anunciam Cristo com a segunda intenção de me prejudicar, mas outros fazem-no sinceramente ; de qualquer modo, uma vez que Cristo é anunciado, alegro-me, e alegrar-me-ei sempre " (1,18), portanto mesmo que não recebam deles o mínimo copo de água, mesmo que estejam contra ele.

       O que importa, não é a relação : " alguns "-Paulo, mas sim a relação " alguns "-Jesus . (Reparemos no entanto que se trata daqueles que " anunciam Cristo ", e daqueles que " realizam milagres ". Fala-se muito facilmente para os aplicar ao diálogo interreligioso, portanto com aqueles que não actuam em nome de Cristo. Não é totalmente a mesma coisa (Cf. G.S. 44)

       Quão lenta é nossa disposição para tornar nossos os sentimentos de Cristo Jesus ! No entanto, Deus tinha começado desde havia muito tempo a ensiná-los aos que o queriam seguir (cf. 1a Leitura).

       Hoje, isso também faz questão na colaboração entre o Bispo e o seus sacerdotes. A tradição cristã sempre viu na efusão do Espírito de Moisés sobre os 70 anciãos uma figura da participação dos sacerdotes na missão sacerdotal, real e profética do Bispo. Está bem visto, da parte dum bispo dicesano, ter um " projecto pastoral ", elaborado ou não por ocasião dum sínodo diocesano. Às vezes manifesta-se a tendência a usar desse documento para contrariar toda a iniciativa julgada inadequada, não de acordo com o projecto pastoral, exactamente como se o Espírito Santo tivesse obrigação de respeitar os planos dos homens.

       Na Encíclica " Tertio millenio ineunte " (n.29) João Paulo II convidava os cristãos para " partir novamente de Cristo " ; escrevia : " Não se trata então de inventar um ‘programa novo’. O programa já existe : é o de sempre, o que vem do Evangelho e da Tradição viva. Centra-se, finalmente, no próprio Cristo, que deve ser conhecido, amado, imitado, afim de viver nele a vida trinitária e transformar com ele a história até ao seu fim na Jerusalém celeste. " Quem teima em tudo programar , organizar, canalizar, corre o risco de se esquecer da primazia da graça : " Há uma tentação que espreita desde sempre todo o caminho espiritual e a própria acção pastoral : a de estimar que os resultados só dependem da nossa capacidade de fazer e de programar. " (n.38) Não será a mesma mania que já manifestava João e que Jesus queria arrancar ?

       Isto alarga a questão do exercício dos carismas (como os da profecia e do exorcismo) pelo " povo de profetas ", isso é : todos os baptizados. Nenhuma planificação pastoral tinha previsto a eclosão da Renovação Carismática. Os pastores da Igreja so puderam maravilhar-se… e acompanhá-la com prudência, (tal como S.Paulo em Corinto) afim de evitar todos os excessos. Mas, apesar disso, não foram poucos, " os filhos do trovão " que manifestaram muito zelo e acharam que era necessário, " impedir" espalhar-se o fogo que Jesus veio acender na terra (cf. Lc 1,49) Pelo contrário, podemos verificar uma espécie de sectarismo da parte dos membros da " Renovação ", ao julgar que tudo passa pela " Renovação Carismática " e que fora dela não há salvação possível. A Acção católica conheceu também ela esse erro…

       A continuação do Evangelho lembra-nos que, se a tolerância e o respeito têm de presidir a tudo quanto se realiza em nome de Cristo, o próprio Cristo pede, pelo contrário, um rigor (ou intolerância) extremo quando se trata daqueles que provocam um escândalo dentro da comunidade, especialmente quando se diz respeito aos pequenos e aos fracos.

       Aliás S.Marcos aponta sempre na fraqueza do crente. Para ele, quem segue Jesus fica sempre fraco e pequeno.

       Esse rigor-intolerância deve primeiro exercer-se para si próprio. Pois quem empreendeu seguir Jesus pode provocar primeiro a sua própria ruina. Não devemos muito depressa adoçar nem diminuir as palavras tão radicais de Jesus. Quantos morreram num banho de sangue para não se comprometer com a manifestação do mal. Não devemos pensar que as oportunidades de praticar este radicalismo aparecem só em casos extremos. O martírio está presente também na vida de todos os dias, por exemplo na mortificação da lingua ou do olhar. " Cada quel será salgado pelo fogo ", qualquer for o modo. Por altura do baptismo, a renuncia " a Satanás, ao pecado e a todo o que leva ao mal " precede a pofissão de fé. Não nos esquecemos disso.

       Aquele radicalismo, como diz S.Francisco de Sales, não exclui uma paciência igualmente necessária para consigo próprio. A arte de seguir Jesus pela imitação dele, graças ao Espírito Santo implica também o difícil equilíbrio entre tolerância, rigor e paciência. Votos aos casados assim!!

Quand Tolérance épouse Radicalisme - Homélie 26° dimanche du Temps Ordinaire B

Walter Covens #homélies (patmos) Année B - C (2006 - 2007)
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Nous avons vu les dimanches précédents que la question de la foi : Qui suis-je ?, débouche sur une question de morale : Comment suivre Jésus ?. Celui qui reconnaît Jésus comme le Messie doit alors logiquement le suivre. Mais en quoi exactement consiste le caractère messianique de Jésus ? Et que veut dire : suivre ?

Au début, le néophyte fait preuve d’un bel enthousiasme. Mais cet emballement est dû en partie à bien des illusions et des fausses représentations concernant la manière dont Jésus va s'’acquitter de sa mission messianique. Jésus avait déjà dû rappeler à l’'ordre Pierre, détenteur pourtant des droits d’'auteur de la profession de foi des Douze, mais qui s’'était permis ensuite de faire à Jésus de vifs reproches en l'’entendant évoquer souffrances, rejet, mort et résurrection : Tes pensées ne sont pas celles de Dieu, mais celles des hommes, avait répondu le Messie.

Aujourd’'hui, c’'est Jean dont les pensées sont trop humaines, quand il pense pourtant bien faire en voulant empêcher quelqu’'un de chasser des esprits mauvais au nom de Jésus, car, dit-il, il n’'est pas de ceux qui nous suivent. Avant de parler de la réponse de Jésus, remarquons un glissement significatif dans la manière de s’'exprimer de Jean. Il ne dit pas : il n'’est pas de ceux qui te suivent (Jésus), mais : il n’'est pas de ceux qui nous suivent. L’'erreur de Jean est de penser que pour suivre Jésus, il faut suivre nécessairement nous, c'’est-à-dire le groupe des Douze, et qu'’il faut les suivre d’'une manière matérielle.

Ce glissement sera l’'occasion d'’une mise au point importante non seulement pour Jean, mais pour nous tous. Suivre Jésus, avant la Résurrection, c’'était généralement marcher physiquement derrière lui. Après, les choses ont changé : la présence sensible de Jésus est enlevée. Suivre le Christ, dans ces conditions, suppose alors vivre selon ses enseignements et son exemple, avec docilité, dans cet esprit filial, fruit de l'’action de l’'Esprit répandu à la Pentecôte. De même que la vraie parenté de Jésus n’'est pas une parenté charnelle, de même les vrais disciples ne se caractérisent pas par une proximité spatiale ou temporelle avec Jésus. Cette proximité, quand elle existe, peut aller de pair avec des illusions dangereuses : Alors vous vous mettrez à dire :
"Nous avons mangé et bu en ta présence, et tu as enseigné sur nos places." (Le Seigneur) vous répondra : "Je ne sais pas d'’où vous êtes. Éloignez-vous de moi, vous tous qui faites le mal" (Lc 13, 26-27).
 

L'’élément distinctif du vrai disciple de Jésus (on peut penser à la Vierge Marie) est une foi effective (qui se traduit en actes) : Celui qui fait la volonté de Dieu, celui-là est mon frère, ma soeœur, ma mère (Mc 3, 35). Dès avant la Résurrection, l’'Évangile nous montre certaines personnes bien décidées à suivre Jésus, mais à qui Jésus ne le permet pas physiquement, tout en leur montrant que l’'essentiel n'’est pas là. L'’homme possédé dans le pays des Géraséniens le supplie de pouvoir être avec lui. (Jésus) n’'y consentit pas, mais il lui dit : "Rentre chez toi, auprès des tiens, annonce-leur tout ce que le Seigneur a fait pour toi dans sa miséricorde" (Mc 5, 18-19). Déjà pour les Apôtres et les autres contemporains, suivre Jésus nécessitait plus qu'’une bonne paire de jambes. Et Judas, qui en était bien pourvu, n’'est pas vraiment le modèle … "à suivre".

Le modèle à suivre est S. Paul, lui qui est devenu disciple de Jésus seulement après la Pentecôte, et qui n'’a donc pas marché derrière Jésus, ni mangé et bu en sa présence. Écrivant aux chrétiens de la communauté qu'’il avait fondée à Philippes, il met l'’accent sur ce qui est le plus important : Ayez entre vous les dispositions que l’'on doit avoir dans le Christ Jésus : lui qui était dans la condition de Dieu, il n’'a pas jugé bon de revendiquer son droit d’'être traité à l'’égal de Dieu… (Ph 2, 5 ss.). Voilà ce que suivre veut dire.

Justement, dans l’'Évangile de ce jour, qu’'on a pu appeler le "discours communautaire" dans S. Marc, Jésus corrige Jean, qui suivait Jésus au plus près, physiquement, avec les Onze autres, mais qui était loin d’'avoir les dispositions que l’'on doit avoir dans le Christ Jésus. S. Marc nous a raconté qu’'avec son frère, Jacques, il s'’était déjà montré partisan de méthodes assez drastiques précédemment. Jésus les avait appelés fils du tonnerre (Mc 3, 17). Eh bien, ce même Jean se scandalise parce qu'il a vu quelqu’'un chasser des esprits mauvais au nom de Jésus, alors qu'’il n'’est pas de ceux qui nous suivent. Nous avons (mon frère et moi ?) voulu l’'en empêcher, dit-il, sans préciser, cette fois, la méthode employée. Jésus fait comprendre à Jean qu’'en réalité, c’'est lui qui ne le suit pas, que c'’est lui qui, tout en suivant Jésus physiquement, n'’a pas les dispositions que l’'on doit avoir dans le Christ Jésus, alors que l’'autre, celui que Jean considérait comme persona non grata, s'’il n'’est pas contre nous, et si, au contraire, il donne à ceux qui sont avec Jésus ne fût-ce qu'’un verre d’'eau au nom de (leur) appartenance au Christ, celui-là ne restera pas sans récompense.

Là encore, S. Paul nous montre l'’exemple à suivre en allant plus loin dans cette logique de la vraie tolérance, tout à l’'opposé de l’'esprit sectaire. Dans la lettre aux Philippiens, à peine quelques versets avant le passage cité plus haut, il écrit : Certains annoncent le Christ avec l’'arrière-pensée de me faire du tort, d’'autres le font avec sincérité ; de toute façon, du moment que le Christ est annoncé, je m’'en réjouis, et je m’'en réjouirai toujours (1, 18), donc même sans recevoir d’'eux un verre d’eau, et même s’'ils sont contre lui… Ce qui est important, ce n’'est pas la relation : "certains"-Paul, mais la relation : "certains"-Jésus. (Notons pourtant qu’il s'’agit bien de ceux qui annoncent le Christ, et de ceux qui font des miracles. On invoque ces passages un peu trop facilement pour les appliquer au dialogue interreligieux, donc avec ceux qui ne se réclament pas du Christ. Ce n’'est pas tout à fait la même chose – cf. G.S. 44.)

Qu'’elle est lente, notre disposition à faire nôtres les sentiments du Christ Jésus ! Pourtant, Dieu s’'y était pris depuis longtemps pour les inculquer à ceux qui voulaient le suivre (cf. première lect.).

Aujourd’'hui, cela pose concrètement la question de la collaboration entre l’'évêque et ses prêtres. La tradition chrétienne a toujours vu dans l’'effusion de l’'Esprit de Moïse sur les 70 anciens une figure de la participation par les prêtres à la fonction sacerdotale, royale et prophétique de l’'évêque. Il est de bon ton, pour un évêque diocésain d'’avoir un "projet pastoral", élaboré ou non lors d’'un synode diocésain. Quelquefois se manifeste la tendance à se prévaloir de ce document pour stigmatiser toute initiative jugée inadéquate, non conforme au projet pastoral, comme si l’'Esprit Saint était tenu d'’observer les plans des hommes.

Dans son encyclique Tertio millennio ineunte (n. 29), Jean Paul II, en invitant les chrétiens à "repartir du Christ" écrivait :
 
"Il ne s'agit pas alors d'inventer un ‘nouveau programme’. Le programme existe déjà : c'est celui de toujours, tiré de l'Évangile et de la Tradition vivante. Il est centré, en dernière analyse, sur le Christ lui-même, qu'il faut connaître, aimer, imiter, pour vivre en lui la vie trinitaire et pour transformer avec lui l'histoire jusqu'à son achèvement dans la Jérusalem céleste."
 
À force de vouloir tout programmer, organiser, canaliser, on risque d'’oublier le primat de la grâce :
 
"Il y a une tentation qui depuis toujours tend un piège à tout chemin spirituel et à l'action pastorale elle-même : celle de penser que les résultats dépendent de notre capacité de faire et de programmer." (n. 38).
 
N'’est-ce pas cette même manie que manifestait déjà Jean et que Jésus veut extirper ?

Cela pose plus largement la question de l’'exercice des charismes (comme ceux de la prophétie et de l’'exorcisme) par le peuple de prophètes, c’'est-à-dire : tous les baptisés. Aucune planification pastorale n'’avait prévu l’'éclosion du Renouveau charismatique. Les pasteurs de l’'Église n’'ont pu que s’'en émerveiller, tout en l’'accompagnant, comme S. Paul l’'a fait à Corinthe, avec la nécessaire prudence, pour éviter tout débordement. Mais ils n'’ont pas été rares, les "fils du tonnerre" qui ont fait de l'’excès de zèle, et qui, sous prétexte que cette nouveauté n’'était pas prévue dans les projets pastoraux, ont voulu "empêcher" le feu, que Jésus est venu allumer sur la terre (cf. Lc 12, 49), de se répandre. Inversement, l’'on peut observer une espèce de sectarisme de la part de membres du Renouveau qui ne jurent que par le Renouveau, jugeant qu'’en dehors de leur mouvance, il n'’y a point de salut. L'’Action catholique a d'ailleurs connu, elle aussi, cette dérive…...

La suite de l’'Évangile nous rappelle que, si la tolérance et le respect doivent présider à tout ce qui se fait au nom du Christ, le même Christ réclame, au contraire, une extrême rigueur (ou intolérance) quand il s’'agit de ceux qui causent un scandale dans la communauté, spécialement quand sont concernés les petits et les faibles. C'’est l’'époque de la rentrée des catéchismes. Entre le verre d’'eau et le scandale, il faut choisir. À chacun de voir ce qu’'il (elle) peut faire pour les enfants, et pour prendre une part active à leur éducation chrétienne.. À chacun aussi de vérifier sérieusement s’il (si elle) n’'est pas concerné(e) par la mise en garde sévère de Jésus, et, le cas échéant, de couper net ce qui doit être coupé. D'’ailleurs, S. Marc souligne la fragilité du croyant, quel que soit son âge. Celui qui suit Jésus est toujours un faible et un petit.

Cette rigueur-intolérance est d’'abord à exercer envers soi-même. Car celui qui a commencé à suivre Jésus peut entraîner d’'abord sa propre perte. N’'allons pas trop vite édulcorer et minimiser les paroles extrêmement radicales de Jésus. Combien sont morts dans un bain de sang pour ne pas se compromettre avec la manifestation du mal. Mais n'’allons pas non plus penser que les occasions de pratiquer ce radicalisme ne se présentent que dans ces cas extrêmes. Le martyre est aussi dans la vie de tous les jours, par exemple dans la mortification de la langue ou du regard. Tout homme sera salé au feu (Mc 9, 49), d’'une manière ou d’'une autre. Lors du baptême, la renonciation à Satan, au péché, et à tout ce qui conduit au péché précède la profession de foi. Ne l'’oublions pas.

Ce radicalisme, comme le fait remarquer S. François de Sales, n'’exclut pas une tout aussi nécessaire patience envers soi-même. L’'art de suivre Jésus en l'’imitant sous la mouvance du Saint Esprit réside aussi dans le difficile équilibre entre tolérance, rigueur et patience. Vive les mariés !
Et celui qui vous donnera un verre d’eau au nom de votre appartenance au Christ, amen, je vous le dis, il ne restera pas sans récompense.

Et celui qui vous donnera un verre d’eau au nom de votre appartenance au Christ, amen, je vous le dis, il ne restera pas sans récompense.

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