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Praedicatho homélies à temps et à contretemps
Homélies du dimanche, homilies, homilieën, homilias. "C'est par la folie de la prédication que Dieu a jugé bon de sauver ceux qui croient" 1 Co 1,21

UM EVANGELHO PARA UMA CATEQUESE SEGURA (Lc, 1, 1-4 ; 4, 14-21)

Walter Covens #homilias em português
3 TOC ev
    Na minha homilia do domingo passado, quando temos meditado no episódio das Bodas de Caná, tive a oportunidade de insistir no carácter ao mesmo tempo histórico e simbólico do evangelho de João. Hoje, no Prólogo do seu evangelho, S. Lucas manifesta a mesma vontade de pecisão histórica, como o lembra também no princípio dos Actos dos Apóstolos (Ac 1, 1) :

« Caro Teófilo, no meu primeiro livro, falei em tudo quanto Jesus fez e ensinou desde o princípio… »

    S. João escreve de manieira idêntica  (1 Jn 1, 1-3) :
« O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos contemplado com os nossos próprios olhos, o que temos visto e que as nossas mãos tocaram, é o Verbo, a Palavra da vida. Sim, a vida manifestou-se, temo-la contemplado, e somos testemunhas : anunciamo-vos aquela vida eterna que estava junto do Pai e que se manifestou a nós. O que temos contemplado, o que temos ouvido, anunciamo-lo também a vós… »

    A nossa fé cristã está baseada sobre factos históricos, e não sobre fábulas, mitos, sobre História e não  sobre « histórias !

« O Verbo fez-se carne e habitou entre nós » (Jo, 1,14).

    A diferença entre João e Lucas é esta : João é testemunha ocular. S.Lucas não o é, mas « informou-se cuidadosamente de tudo desdes as origens », junto « dos que foram, desde o princípio, as testemunhas oculares et se  tornaram servidores da Palavra » afim de que todos possam «  verificar a firmeza dos ensinamentos » recebidos. S. Mateus é o éco da pregação de S. Pedro.

    Se é necessário insistir no carácter histórico do Evangelho de S.Lucas, e dos outros três, é porque disso depende a firmeza da nossa fé. Hoje em dia, é costume opor o « Jesus da fé » ao « Jesus da História ». O « Jesus da fé » não teria nada a ver (ou quase nada) com o « Jesus da História », do qual se pretende que não se possa conhecer muita coisa. O « Jesus da Fé », ele, fica estrangeiro à toda a espécie de ciência, e portanto a toda qualquer credibilidade, dizem.

    Aquela oposição é perigosa, pois provoca a ruína da fé cristã. Conforme uma sondagem, a metade dos Franceses têm a convicção de que a própria existência de Jesus é duvidosa, enquanto que é muito bem atestada. De nenhuma personagem da Antiquidade temos documentação histórica tão abundante. No entanto, há duvidas sobre a existência de Jesus, mas ninguém teria a mínima dúvida acerca da existência de Júlio César. Esse facto deixa-nos a sonhar, mas não é um mero acaso. É mesmo o resultado das numerosas tentativas de destruir a fé, através de « best-sellers » que se seguem por dezenas desde o fim do século 18 até hoje. Pensemos no recente « Da Vinci Code »…

    O cúmulo aparece quando a fé dos crentes se deixa arrastar pela crítica dos descrentes, como se, em vez de chamar especialistas para estimar o valor artístico duma pintura ou duma composição musical, pedissem o aviso de pessoas cegas ou mudas. Os Evangelhos foram escritos por crentes para crentes, portanto um mínimo de fé é necessário para os perceber.

« As dúvidas passam. O Evangelho fica » (R.Laurentin)

    Hoje, as palavras do princípio de Evangelho de S.Lucas são portanto mais importantes do que nunca. Se nos esquecermos delas ou se não fizermos caso delas, a nossa fé cristã já não têm alicerces firmes e há-de desabar mais tarde ou mais cedo.

Issso é, pois, muito importante : a nossa religião não é só mais uma « ideologia », isso é : uma sistematização, cada vez mais contestável, de ideias, talvez muito bonitas ; já no princípio há factos, espantosos mas devidamente verificados e atestados – os evangelhos todos darão a prova disso - : é a vida, a morte, e a ressurreição de Cristo. Todo o « cristianismo » nunca haverá-de fazer outra coisa, a não ser tirar diso as consequências. (A.Feuillet)

    Para perceber isso, é bom ter uma ideia bastante precisa da maneira como que os Evangelhos chegaram até nós.

1. À partida há Jesus, os acontecimentos da vida dele. Não se trata de ideologia, mas de factos, inscritos na História. Esses factos realizaram-se « entre nós » : não por S.Lucas pertencer ao grupo dos amigos de Jesus, mas porque, quando escreveu o seu « Prólogo », ainda havia discípulos vivos.
2. A seguir, há o testemunho dos Apóstolos. Daqueles acontecimentos os Apóstolos foram testemunhas « oculares », não às escondidas, como quem passa depressa, ma sim « desde o princípio », isso é a partir do Baptismo até à Ressurreição.
3. Por causa disso, aqueles que viram tornaram-se « servidores da Palavra », logo a seguir ao Pentecostes : é a « passagem » do « ver » ao « dizer ». Essa passagem é muitíssimo lógica, uma vez que o Jesus que viram é o Verbo Encarnado. Por isso é que Origenes haverá-de dizer :

« Está escrito no Êxodo : ‘ O Povo via a voz de Deus ». Evidentemente que a Voz é ouvida antes de ser vista ; mas isso foi escrito para nos mostrar que, para ver a Voz de Deus, é preciso ter outros olhos ; podem vé-la aqueles a quem isso é dado. No evangelho de S. Lucas, já não é a Voz que é vista, mas sim a Palavra : « os que viram, e foram servidores da Palavra ». Ora, a Palavra é mais do que a Voz. Os Apóstolos portanto viram a Palavra : não por ter visto o corpo do Senhor Salvador, mas sim por ter visto o Verbo.
Se se tratasse só de matéria, Pilatos teria visto a Palavra, e Judas também, e todos quantos gritavam : « Crucifica-o ! ». Ver a Palavra de Deus, o Salvador explica o que é : « Aquele que me vê, também vê o Pai que me enviou ».

4.Estando a Tradição cristã firmemente ligada por essa Palavra dos Apóstolos ao próprio Cristo-Verbo, o papel dela é « transmitir » o que recebeu das testemunhas oculares. E o primeiro trabalho neste sentido é   « escrever sobre isso um relato coerente ». Aqui também, está tudo muito lógico, uma vez que o objecto desta composição são os acontecimentos da vida e da morte de Jesus. O « valor acrescentado », se se pode falar assim, é a composição », a procura da unidade entre fragmentos diversos, o  que, conforme o que diz S.Lucas, já tinha sido efectuado por alguns antes dele.
5.Aquela tradição da Palavra de Deus, encarnada em Jesus Cristo, repetida pelos Apóstolos, há-de encontrar a sua « com-posição » acabada pelo trabalho dos quatro Evangelistas. S.Lucas confia-nos qual foi o seu método : está baseado sobre uma informação « cuidadosa » (« ácribos », de que os péritos tiraram « acribia » para qualificar uma precisão científica !) « de tudo », portanto tão completa como possível, « desde as origens », isso é ,antes do Baptismo, a sua infância. Para isso, S.Lucas vai buscar nas fontes, não só nos « relatos coerentes » já redigidos por outros antes dele, mas também« nas testemunhas oculares », « os servidores da Palavra » que conseguiu encontrar, inclusivamente a Virgem Maria e demais membros da « família de Jesus »…. Tudo isso « para ti, caro Teófilo », o que significa : « para todos os futuros discípulos de Cristo, afim de que percebamos todos a firmeza dos ensinamentos (da catequese - essa é a palavra grega usada por S.Lucas) recebidos.

    O que digo foi confirmado pelas pesquisas de 150 anos de exegese encarniçada acerca da formação dos Evangelhos. Temos portanto que louvar alto e forte, contra ventos e marés, os louvores da autenticidade daqueles escritos essenciais para a nossa fé !

Mas o argumento mais convincente a favor da veracidade histórica fundamental dos Evangelhos fica a experiência que fazemos ; nós próprios, cada vez que somos tocados profundamente por uma palavra de Cristo. « Terá havido alguma palavra, antiga ou nova, que tivesse um poder destes ? » (R. Cantalamessa)


Un evangelio fiable para una catequesis sólida (Lc 1, 1-4; 4, 14-21)

Walter Covens #Homilías en español
3 TOC ev
    En mi homilía del domingo pasado, cuando meditamos a partir del episodio de las Bodas de Caná, tuve la oportunidad de insistir sobre el carácter a la vez histórico y simbólico del Evangelio de Juan. Hoy, en  el prólogo de su Evangelio, San Lucas da muestras de la misma preocupación por la precisión histórica, como lo recuerda al pricipio de los Hechos de los Apóstoles (Ac 1, 1) : Querido Teófilo : en mi primer libro traté todo lo que Jesús hizo y enseñó desde el primer día…

    Asimismo, San Juan escribe (1  Jn 1, 1-3):
Lo que era desde el principio, lo que hemos oído, lo que hemos contemplado con nuestros ojos, lo que hemos visto y que nuestras manos han tocado es la Palabra, la Palabra de la vida. Sí, la vida se ha manifestado, la hemos contemplado y damos nuestro testimonio : os anunciamos esta vida eterna que estaba junto al Padre y que se ha manifestado ante nosotros. Lo que hemos contemplado y lo que hemos oído, lo anunciamos también a vosotros…

    Nuestra fe cristiana descansa en hechos históricos y no en fábulas, mitos. Está basada en la    Historia y no en « historias ». La Palabra se hizo carne y vivió entre nosotros (Jn 1, 14). La diferencia entre Juan y Lucas, es que Juan es testigo ocular. San Lucas, por su parte, no lo es, pero se  informó « cuidadosamente de todo desde los orígenes » con « los que, desde el principio fueron los testigos oculares y se convirtieron en servidores de la Palabra » para que todos pudieran darse cuenta de la « solidez de las enseñanzas » recibidas. San Mateo también es testigo ocular, mientras que el Evangelio de San Marco es el reflejo de la predicación de San Pedro.

    Hay que insistir en el carácter histórico del Evangelio de San Lucas, como de los otros tres, ya que la solidez de nuestra fe depende de ello. Hoy en día, es de buen tono oponer el « Jesús de la fe » al « Jesús de la historia ». El « Jesús de la fe » no tendría casi nada que ver con el « Jesús de la historia », a propósito del cual aseguran que no podemos saber mucho. El « Jesús de la fe », por su parte, no tiene nada que ver con la ciencia y, según dicen, no tiene credibilidad.

    Esta oposición es peligrosa, pues acarrea la ruina de la fe cristiana. Según una encuesta, la mitad de los franceses están convencidos de que la existencia misma de Jesús es dudosa, cuando ella es una de las más atestiguadas. No tenemos  documentación histórica abundante sobre ningún personaje de la Antigüedad. Sin embargo, dudamos de la existencia de Jesús cuando no se le ocurriría a nadie dudar de la existencia de Julio César. Este hecho da que pensar, pero no es fortuito. Es el resultado de múltiples intentos de destruir la fe, con unos best-sellers « que se suceden por decenas desde finales del siglo XVIII  hasta  hoy en día. Véase el reciente Da Vinci Code…

    El colmo es cuando la fe de los creyentes  va a remolque de la crítica de los no creyentes, como si, en vez de llamar a unos expertos para dictaminar sobre el valor de una obra de arte o una pieza musical se llamara a unas personas ciegas o sordas. Los Evangelios fueron escritos por personas creyentes y para personas creyentes y hace falta un mínimo de fe para entenderlos.

    Las sospechas pasan. El Evangelio queda. (R. Laurentin).
    Hoy en día, las palabras iniciales del Evangelio de San Lucas son, pues, más importantes que nunca. Si las olvidamos o las descuidamos, nuestra fe cristiana ya no descansa en bases sólidas y se derrumbará tarde o temprano.

Eso, en efecto, es importantísimo : nuestra religión no sólo es una « ideología » más, es decir una sistematización siempre cuestionable de ideas, tan lindas como queramos. Se origina en hechos sorprendentes pero comprobados y atestiguados –toda la sucesión de los Evangelios lo demostrará- es la vida, la muerte y la resurrección     del Cristo. Y de eso, todo el « cristianismo » no hará más que sacar consecuencias (A. Feuillet).
    Para comprenderlo hay que tener una idea bastante precisa de la manera como los Evangelios llegaron hasta nosotros.

1. Como punto de partida están Jesús y los acontecimientos de su vida. No se trata de ideología sino de acontecimientos, inscritos en la Historia. Esos acontecimientos tuvieron lugar « entre nosotros ». Eso no quiere decir que Lucas haya formado parte de los que rodearon a Jesús, sino que en el momento en que está escribiendo su prólogo, todavía quedan unos discípulos vivos.
    
2. Luego está el testimonio de los Apóstoles. De esos acontecimientos fueron los apóstoles «testigos oculares », no a hurtadillas sino « desde  el principio » o sea del Bautismo a la Resurrección.    

3. Por lo mismo, los que vieron se convirtieron en « servidores de la Palabra » desde     el Pentecostés. Ese el paso del ver al decir. Ese paso es de lo más lógico, dado que Jesús, al que vieron es la Encarnación de la Palabra. Por eso dirá Orígenes :

Está escrito en el Éxodo : « El pueblo verá la voz de Dios ». Claro que se oye la voz antes de verla. Pero eso fue escrito para enseñarnos que hacen falta otros ojos para ver la voz de dios y la ven los que tienen la posibilidad de verla. Pero en el Evangelio de San Lucas ya no es la voz la que se ve sino la Palabra : « los que la vieron y fueron servidores de la Palabra ». Y la Palabra es más que la voz. Los Apóstoles vieron la Palabra : no porque tuviera bajo los ojos el cuerpo del Señor Salvador sino porque vieron la Palabra. Si sólo se tratara de materia, Pilato hubiera visto la Palabra y también Judas y todos los que gritaron : « ¡Crucifícalo ! ». Ver la Palabra de Dios, el Salvador, explica lo que es : « El que me ve, también ve al Padre que me mandó ».

4. Ya que la tradición cristiana está sólidamente enlazada por esta Palabra de los apóstoles al mismo Cristo–Palabra, su papel es trasmitir lo que recibió de los testigos oculares. Y el primer trabajo, en este sentido, es el de « hacer una relación ordenada ». Aquí también esto es muy lógico ya que el tema de esta composición son los acontecimientos de la vida y la muerte de Jesús. El “valor añadido”, por decirlo así, es la « composición »,  una búsqueda de unidad entre diversos fragmentos, lo que, según dice San Lucas, varios se habían propuesto antes.

5. Esta tradición de la Palabra de Dios, encarnada en Jesucristo, repetida por los Apóstoles, va a encontrar su « com-posición » definitiva con el trabajo de los cuatro Evangelistas. San Lucas nos confiesa cuál fue su método : está basado en una información « cuidadosa » (« acribôs, a partir de la cual los científicos sacaron la palabra acribia,¡para designar una precisión científica » !) « de todo », pues tan precisa como posible, « desde los orígenes », es decir más allá del Bautismo de Jesús, de su infancia. Para eso, San Lucas se nutre de las fuentes no sólo las « relaciones ordenadas » que otros habían escrito antes que él, sino de « los testigos oculares », « los servidores de la Palabra » a los que pudo encontrar, sin excluir a la Virgen María y a los demás miembros de « la familia de Jesús ».

    Todo eso, « para ti, querido Teófilo », es decir para todos los discípulos venideros de Cristo, para que nos percatemos de la solidez de las enseñanzas (de la catequesis – es la palabra griega empleada por San Lucas) recibidas.

    Lo que yo les estoy diciendo ha sido confirmado por las investigaciones de ciento cincuenta años de exégesis intensa sobre la génesis de los Evangelios. Así pues, hay que cantar bien alto, contra vientos y mareas, la alabanza de la autenticidad de esos escritos esenciales para nuestra fe.
Pero el argumento más convincente en favor de la verdad histórica de los Evangelios es la experiencia que vivimos en nosotros mismos cada vez que estamos afectados profundamente por una palabra de Cristo. ¿Qué otra palabra, antigua o nueva, tuvo alguna vez semejante poder ? (R. Cantalamessa).

                            Traducción de Jean-Louis Joachim

¿Manifestación en Caná ? (Jn 2, 1-12)

Walter Covens #Homilías en español
2 TOC ev
 
 
    Después de la solemnidad de la Epifanía del Señor y después de la fiesta de su bautismo, ya, en este segundo domingo del tiempo ordinario (en realidad el primero) acabamos de escuchar el relato de las Bodas de Caná en el evangelio de San Juan. Es el único en contarnos este episodio que sitúa al principio del ministerio de Jesús. Tomando en cuenta este contexto litúrgico vamos a intentar meditar brevemente este misterio que se convirtió hace unos cuantos años en el segundo misterio luminoso del Santo Rosario.

    Existe, en efecto, un punto común entre estos tres misterios : el de la Epifanía, el del bautismo y el de Caná. ¿Cuál es ? La antífona del Cántico de Zacarías del oficio de las laudes de la Epifanía nos dará  indicaciones al respecto :
 
Hoy, la Iglesia está unida a su Esposo : el Cristo, en el Jordán la purifica de todas sus faltas, los magos traen sus regalos a las bodas reales, el agua se convierte en vino, para alegría de los comensales, ¡Aleluya !

    ¡Qué concisión y densidad más admirables ! Todo está dicho en pocas palabras. Resulta difícil lograrlo mejor. La antífona del Cántico de María (el Magnificat) en el oficio de las vísperas dice lo mismo de forma algo diferente :
 
Celebramos tres misterios en este día : hoy la estrella guió a los magos hacia el nacimiento ; hoy, el agua fue cambiada en vino en las bodas de Caná, hoy, el Cristo fue bautizado por Juan en el Jordán para salvarnos, ¡Aleluya !

    La Epifanía, el Bautismo, las Bodas de Caná : estos tres acontecimientos son, desde luego, acontecimientos muy distintos en el tiempo (y el espacio). Sin embargo, hay una realidad (e insisto en lo de « realidad ») que permite decir para los tres al mismo tiempo : « hoy », como si fuera un único y mismo día. Esa realidad no es un hecho, pues se trata de tres hechos muy distintos. Entonces, ¿Qué es ? Tiene que ver con la significación de estos hechos, con su simbolismo. Pero ¡cuidado ! Hoy, cuando decimos « símbolo » o « simbólico », enseguida pensamos en « ficción » o « ficticio », un poco cuando decimos que alguien cedió un terreno en beneficio de una obra pía por un euro « simbólico ». El símbolo, en el sentido más fuerte de la palabra, no es una ficción.

    El símbolo es la realidad. Es incluso más real que el hecho bruto, por decirlo así, pues expresa la realidad profunda y es el único en poder expresarla. El lenguaje científico, al que estamos acostumbrados (es una costumbre...) no permite decirlo todo. Intenten decir en lenguaje científico, lo que sienten un joven y una joven cuando se enamoran el uno del otro. Por grandes que sean las competencias científicas de ustedes, estos jóvenes se quedarán muy insatisfechos, al escucharles a ustedes describiendo de esa manera lo que sucedió entre ellos, como si ustedes estuvieran viviendo en otro planeta. Pero si ustedes lo hacen como los grandes poetas, los dos enamorados acudirán a la librería más cercana para comprar el libro de poemas de ustedes, pidiéndoles que les pongan una dedicatoria.

    Me dirán ustedes :
- Sí, pero el autor del cuarto evangelio es un poeta que logró expresar una realidad profunda con un lenguaje lleno de imágenes. De acuerdo… Pero los hechos que cuenta no son históricos.

    Es verdad que un poeta talentuoso puede hablar de una historia de amor que inventó como si fuera una historia real, con mucho realismo, porque lleva a cierto marco lo que otras personas pudieron vivir en otros tiempos y otros lugares.

    Así pues, a propósito de las Bodas de Caná, un autor (J.Potin, Jesús, 1995) escribió :
 
Para Juan los milagros no son actos de potencia, como en los sinópticos, sino signos, o sea símbolos (…). El símbolo es más importante que la realidad de los hechos (…). Es imposible saber lo que realmente sucedió.
    Estoy de acuerdo con la primera parte de la cita. En lo que se refiere a la segunda, es verdad para los apócrifos, pero seguro que no para el Evangelio de Juan. Los apócrifos son relatos más o menos ficticios, fabricados de punta a cabo, « para las necesidades de la causa », para ilustrar una verdad fidedigna. Los disfrutan las personas adictas a lo maravilloso, quienes, leyendo los cuatro evangelios, se quedaron con las ganas, en particular por todo lo que se refiere al período de la infancia de Jesús. Esos escritos nos describen, por ejemplo, a la Santa Familia durante su huida a Egipto, alimentándose de las frutas de los árboles que se inclinaban ante ellos para permitirles cosecharlos. O al niño Jesús en Nazaret, cambiando a guijarros en pajaritos, justo para causar sensación entre sus amiguitos (cuando Juan nos dice que el primer signo de Jesús tuvo lugar en Caná).

    Pero no es así como Juan nos cuenta el episodio de Caná. No se debe olvidar que Juan forma parte de los primeros discípulos de Jesús, quienes eran cinco en las bodas de Caná, y que él fue pues un testigo ocular. No crea símbolos fuera de la realidad. Se ciñe a los hechos, cuyo sentido, milagroso u ordinario, penetra, incluso en el caso de l la Pasión, en que Jesús está clavado y traspasado por la lanza del centurión. Con Marcos, es el más realista de los evangelistas. Es un testigo discreto, modesto, anónimo y por eso, mucho más creíble.

    Dicho esto, intentemos ver ahora lo que tienen en común los tres acontecimientos de los que les habló y de los que hablan las antífonas de los cánticos evangélicos de la solemnidad de la Epifanía, como si se tratara de un mismo día.

    Se trata en realidad (eso sí hay que decirlo) de tres epifanías, de tres manifestaciones de la presencia de Dios en el mundo, y eso por medios sensibles. La razón de ser de la creación no es solamente satisfacer nuestras necesidades materiales : comer, beber, etc… E incluso, cuando ustedes comparten una comida, en familia o entre amigos, no es solamente para satisfacer necesidades « básicas ». Para una comida de fiesta ustedes van a acudir a un lenguaje simbólico para manifestar su sentido de la acogida, de la hospitalidad, de la convivencia… que no se comen ni tampoco se toman.

    Pues bien, Dios también nos habla mediante signos. Les habló a los Magos y a cada uno de nosotros  por una estrella que les permite a los paganos descubrir la presencia de Dios en el corazón de un niñito. Se habla después de una teofanía, una manifestación de  Dios en nuestro mundo.

    Otra teofanía : en el bautismo de Jesús, es la voz del Padre y la Paloma la que manifiesta el misterio de la Santísima Trinidad.
    En Caná, también, es una manifestación de Dios. Ya eso está indicado en el versículo 51 del capítulo primero : « os aseguro que veréis el cielo abierto y  a los ángeles de Dios subir y bajar sobre el hijo del hombre ». es una teofanía anunciada, en futuro. En el  versículo 11 del capítulo 2 Juan precisa : « manifestó su Gloria ». Se cumplió la teofanía.

    « Manifestó su gloria y sus discípulos creyeron en él ». Eso, desde luego, no es más que el inicio de un largo camino que va hacia la Casa del Padre, pasando por la Cruz. Algunos quisieran no signos sino pruebas de la existencia de Dios. ¡ No ! Dios no se prueba. Se manifiesta, respetando nuestra libertad. Somos unos invitados en las Bodas del Cordero, no estamos « obligados » a nada. La prueba, al probar, nos obligaría. El signo, al manifestarse, nos invita. ¡ Cuidado con la pereza en medio de nuestra fe ! Claro que no nos corresponde cambiar  el agua por vino. Pero debemos creer que Jesús lo puede hacer y que lo hará, cuando lo quiera, es decir « hoy ». Este es nuestro primer trabajo. Ese es el trabajo en el que María sobrecumple y esa es su alegría. Pero nuestro trabajo es también sacar agua para llenar las tinajas, de « hacer todo lo que él (nos) diga » y que Jesús no lo hará por nosotros aunque eso pueda parecer totalmente inútil a nuestros ojos. Aquí también, es María nuestro guía, nuestro modelo.

    En la segunda lectura, San Pablo dice : Cada cual recibe el don de manifestar el Espíritu ». Cada uno de nosotros, haciendo todo lo que Jesús nos diga, está destinado a ser una « teofanía en actos ». La teofanía de la que nos beneficiamos todos, debemos hacer que los demás la disfruten, « para el bien de todos », dijo San Pablo. Invitado a las Bodas, debemos convertirnos en servidores en las bodas. Si cuando hay algo que hacer siempre son los mismos los que contestan, no es normal. En las Bodas de Caná, el que no hace nada es el que se desgasta. Se desgasta también el que quiere hacerlo todo solo. « Las funciones en la Iglesia son variadas, pero siempre es el mismo Señor. Son variadas las actividades, pero en todas partes es el mismo Dios el que actúa en todos ». Hay tantos invitados en las bodas y tan pocos sirvientes. Hay tanta agua que sacar para llenar las tinajas y tan poco vino. ¡Vamos, manos a la obra ! No hay vino y hay tantos  que todavía tienen sed y las Bodas acaban de empezar.

 
                            Traducción de Jean-Louis Joachim

MÃNIFESTAÇÃO EM CANÁ (Jo2, 1-12)

Walter Covens #homilias em português
2 TOC ev
    A seguir à solenidade da Epifania do Senhor, e depois da festa do seu Baptismo, neste segundo domingo do Tempo Comum (que é realmente o primeiro) acabamos de ouvir o relato das Bodas de Caná, no Evangelho de S.João. Esse é o único que fale neste episódio que situa no princípio do ministério de Jesus. Na linha daquele contexto litúrgico, vamos tentar meditar brevemente neste mistério, que é, desde há pouco anos, o segundo mistério luminoso do Rosário.

    Há, pois, um ponto comum entre aqueles três mistérios : o da Epifania, o do Baptismo de Jesus e o de Caná. Qual é esse ponto comum ? A antífona do Cântico de Zacarias do ofício de Laudes da Epifania vai guiar-nos :

« Hoje, a Igreja está unida ao Seu Esposo : Cristo, no rio Jordão purifica-a das suas culpas ; os magos trazem os seus presentes para as Bodas nupciais ; a água é transformada em vinho para a alegria dos convivas, aleluia ! »

    Isso é digno de admiração pela concisão e densidade ! Tudo fica dito, com poucas palavras. Era difícil fazer melhor. A antífona do Cântico de Maria ( o Magnificat), nas Vésperas diz mais ou menos a mesma coisa, com palavras um pouco diferentes :

« Celebramos três mistérios neste dia : hoje, a estrela guiou os Magos para o presépio ; hoje, a água foi transformada em vinho, nas Bodas de Caná ; hoje Cristo foi baptizado por João no rio Jordão para nos salvar, aleluia ! »

    Epifania, Baptismo, Bodas de Caná : esses três acontecimentos são realmente separados no tempo (e no espaço). No entanto, há uma realidade (e quero insistir sobre « realidade ») que autoriza usar da mesma palavra : « hoje » para os três ao mesmo tempo, como se fosse um só dia. Aquela realidade não é um facto, pois são três factos bem separados. Então, o que é ? É da ordem do significado dos factos, do seu simbolismo.

    Mas cuidado ! Hoje em dia, quando se diz « símbolo » ou « simbólico », pensa-se logo em « ficção » ou « factício », um pouco como se diz que alguém cedeu uma terra para uma boa obra por um euro « simbólico ». O símbolo, na plenitude do seu sentido, não é uma ficção.

    O símbolo é uma realidade. É mesmo mais real do que o próprio facto, pois exprime a realidade profunda, e só ele é quem a possa exprimir. A linguagem científica, a que estamos habituados é um « hábito »…), não pode dizer tudo. Tentai dizer na linguagem científica aquilo que sentem um rapaz e uma rapariga quando se tornam namorados. Podeis ser grandes científicos, aqueles dois jovens ficarão de certeza insatisfeitos se vos ouvirem falar assim daquilo que se passa dentro deles : como se vos morassem noutro planeta. Pelo contrário, se falardes como os grandes poetas, os namorados haverão-de correr até à livraria mais próxima para comprar o vosso livro de poemas e pedir-vos-ão para pôr a vossa assinatura.

    Vocês dir-me-ão :

« - É verdade, mas então o autor do quarto evangelho é um poeta que disse numa linguagem simbólica uma realidade profunda … De acordo ! mas os factos que ele relata não são históricos. »

    Um poeta talentuoso, isso é verdade, pode falar numa história de amor que ele inventou, tão bem como se fosse uma história verdadeira, com muita verosemelhança, uma vez que fala num certo quadro daquilo, que outras pessoas, noutros tempos e noutros lugares, puderam viver.

    Assim, a propósito das Bodas de Caná, um autor (J.Potin. « Jésus », 1995) escreveu :
« Para João os milagres não são actos de poder, como para os Sinópticos, mas são sinais, isso é « símbolos (…) O símbolo aparece mais importante do que a realidade dos factos (…) É impossível saber o que aconteceu realmente »

    De acordo com a primeira parte. Mas para a segunda, é verdade para os « apócrifas », mas não é possível para o evangelho de João. Os apócrifas são narrativas mais ou menos factícios, fabricados totalmente, para corresponder a uma necessidade, para ilustrar uma verdade de fé. Gostam muito disso as pessoas ávidas de maravilhoso, que não ficam satisfeitas ao ler os quatro Evangelhos, em especial o que diz respeito à Infância de Jesus. Aqueles escritos descrevem, por exemplo, a Sagrada Família, durante a fuga para o Egipto, a comer frutos das árvores que se inclinavam par permitir a colheita. Ou ainda o Menino Jesus em Nazaré, a transformar as pedrinhas em avezinhas, para espantar os compagneiros (enquanto que João diz que o primeiro sinal foi realizado em Caná).

Mas não é desta maneira que João relata o episódio de Caná. Não nos devemos esquecer de que João pertence ao grupo dos primeiros discípulos de Jesus, que, nas Bodas de Caná, eram cinco, e que, portanto, foi testemunha ocular. João não inventa símbolos fora da realidade. Pelo contrário, fica o mais perto possível dos factos, dos quais percebe o sentido, miraculoso ou ordinário, inclusivamente na Paixão, quando Jesus é pregado e trespassado pela espada do centurião. Com Marcos, João é o mais realista dos evangelistas. É uma testemunha discreta, modesta, anónima, e por isso muito digno de cofiança (R.Laurentin).

    Dito isso, tentemos agora ver o que os três acontecimentos ,( de que já falei, e dos quais falam as antífonas dos cânticos evangelicos da Solenidade da Epifania, como se se tratasse de um só dia) têm em comum.

    Na verdade, trata-se de três epifanias, de três manifestações da Presença de Deus no mundo, mediante factos visíveis.
    A finalidade da criação não é só dar aos homens o que lhes é preciso para as necessidades materiais : comer, beber, etc… E quando almoçais juntos, em família ou com amigos, não é só para satisfazer às chamadas necessidades « primárias ». Para uma refeição festiva, vocês usam duma linguagem simbólica para manifestar o vosso sentido de acolhimento, de hospitalidade, de convivialidade… que nem se comem nem se bebem.

    Ora, Deus também fala-nos por meio de sinais. Falou aos Magos e a cada um de nós por meio duma estrela que dá aos pagãos a possibilidade de descobrir a presença de Deus no coração dum Menino pequenino. Fala-se então duma « teofania », isso é duma manifestação de Deus no nosso mundo.

    Outra « teofania » : no Baptismo de Jesus, é a voz do Pai e a pomba que manifestam o mistério da Santíssima Trindade.

    Em Caná também há uma manifestação de Deus. Issso já está indicado no v. 51 do capítulo 1 : « Vereis os céus abertos e os anjos de Deus a subir e descer por cima do Filho do Homem ». Essa é uma « teofania » anunciada, no futuro. No v.11 do capítulo 2, João precisa : « Ele manifestou a sua Glória » : a « teofania » está cumprida.

    « Ele manifestou a sua Glória e os seus discípulos acreditaram nele » : Isto, evidentemente é só o princípio duma longa caminhada que vai para a casa do Pai, depois de passar pela Cruz. Alguns queriam não só sinais mas provas de Deus. Não ! Deus não se prova. Manifesta-se, isso sim, mas no respeito da nossa liberdade. Somos convidados para as Núpcias do Cordeiro, não somos obrigados. A prova, ao provar, obriga ; o sinal, ao manifestar, convida. Cuidado com a preguice na fé ! Está certo, não somos nós quem vamos transformar a água em vinho. Mas temos que acreditar que Jesus o pode fazer, e que o fará quando quiser, isso é : « hoje ». Aqui está o nosso primeiro trabalho. Naquele trabalho, Maria é a primeira, é mesmo a sua alegria. Mas o nosso trabalho é também tirar a água para encher as jarras, fazer « todo o que Ele (nos) disser » e que não quer fazer em nosso lugar, de o fazer mesmo que pareça totalmente inútil aos nossos olhos. Aqui também Maria é o nosso guia e o nosso modelo.

    Na segunda leitura, S.Paulo diz : « Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito ». Cada um de nós, ao fazer todo o que Jesus nos pede, é chamado a ser uma « teofania em acto ». A teofania de que beneficiamos todos, devemos fazer com que os outros também beneficiem dela, « em vista do bem de todos », diz S.Paulo. Convidados para as Bodas, temos que nos tormarmos serventes das Bodas. Se, diante dum serviço necessário, são sempre os mesmos a responder, não é normal. Nas Bodas de Caná, é aquele que não faz nada que se estraga. Estraga-se também aquele que quer fazer tudo sózinho. « Os serviços na Igreja são diferentes, mas é sempre o mesmo Senhor. As actividades são diferentes, mas é sempe o mesmo Deus que actua em todos ». Há tantos convidados para as núpcias, e os serventes são tão poucos. Há tanta água a tirar para encher as jarras, e tão pouco vinho. Ide ao trabalho ! Não há vinho, há tanta gente com sede, e as Bodas só estão a começar !



Openbaring in Kana (Joh. 2, 1-12) - Tweede zondag door het jaar C

Walter Covens #Homilieën in het Nederlands
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  Na de plechtige openbaring van de Heer en het feest van zijn Doopsel hoorden we op deze tweede zondag door het kalenderjaar (eigenlijk de eerste zondag) het verhaal van de Bruiloft van Kana uit het Evangelie van de heilige Johannes. Hij is de enige die vertelt over deze gebeurtenis als eerste van de wonderen van Jezus.  In deze liturgische context gaan we proberen om kort na te denken over dit mysterie, dat enkele jaren geleden het tweede mysterie van de rozenkrans is geworden.    

    Er bestaat immers een overeenkomst tussen deze drie mysteries : de Openbaring, het Doopsel en de Bruiloft van Kana. Welke overeenkomst ? De keervers van de lofzang van Zacharias in het Getijdengebed van de Lauden van de Openbaring zet ons op het juiste spoor:
 
Vandaag wordt de Kerk verenigd met haar Gemaal : Christus, in de Jordaan, reinigt haar van haar zonden, de wijzen brengen geschenken naar de koninklijke bruiloft, het water wordt in wijn veranderd, tot vreugde van de feestgangers, halleluja.

    Het is opmerkelijk hoe beknopt en veelzeggend dit is ! Alles wordt verteld in weinig woorden. Moeilijk om beter te doen. De keervers van de lofzang van Maria (het Magnificat) in de dienst van de Vespers zegt hetzelfde maar op een iets andere manier :
 
We vieren vandaag drie mysteries : vandaag leidde de ster de wijzen naar de kribbe ; vandaag werd water in wijn veranderd op de bruiloft van Kana ; vandaag werd Christus gedoopt door Johannes in de Jordaan om ons te redden, halleluja.

    Openbaring, Doopsel, Bruiloft van Kana : deze drie gebeurtenissen vinden vanzelfsprekend op verschillende tijdstippen plaats (en op verschillende plaatsen). Toch is er een realiteit (en ik leg de nadruk op ‘realiteit’) die het mogelijk maakt om voor alle drie het woord ‘vandaag’ te gebruiken, alsof ze op één en dezelfde dag plaatsvinden. Deze realiteit is geen feit, want het gaat wel degelijk over drie verschillende feiten. Wat is die realiteit dan wel ? De realiteit zit ‘m in de betekenis van deze feiten, in hun symboliek.
 
    Maar let op! Tegenwoordig wordt onder ‘symbool’ of ‘symboliek’ altijd ‘fictie’ of ‘fictief’ verstaan, een beetje als wanneer men zegt dat iemand een grond voor een goed doel heeft afgestaan voor een ‘symbolische’ euro. Het symbool, in de ware betekenis van het woord, is geen fictie.

    Het symbool is realiteit. Het is zelfs reëler dan een simpel feit, omdat het de diepe werkelijkheid uitdrukt en omdat alleen het symbool deze diepe werkelijkheid kan uitdrukken. Het wetenschappelijke taalgebruik waaraan we gewend zijn (het is een bijna een verslaving...) slaagt er niet in om alles uit te drukken. Probeer maar eens in wetenschappelijke taal uit te drukken wat een jongeman en een jong meisje voelen wanneer ze verliefd worden op elkaar. Wat uw wetenschappelijke bekwaamheden ook zijn, deze twee jonge mensen zullen onvermijdelijk op hun honger blijven zitten wanneer ze u op deze manier horen beschrijven wat er tussen hen en in hen gebeurt, alsof u van een andere planeet kwam. Maar probeert u het als de grote dichters, dan zullen de twee geliefden naar de dichtst bijzijnde bibliotheek hollen om uw gedichtenbundel te kopen en u te vragen die aan hen op te dragen.    

    U zult zeggen :    

- Ja, maar de schrijver van het vierde evangelie is een dichter die erin is geslaagd om in beeldende taal een diepe realiteit uit te drukken. Akkoord... maar de feiten waarover hij vertelt, zijn geen historische feiten.

    Dat klopt, een getalenteerde dichter kan vertellen over een ingebeeld liefdesverhaal alsof het een waargebeurd verhaal was, met een grote geloofwaardigheid, omdat hij datgene wat andere personen, in andere tijden en op andere plaatsen hebben kunnen meemaken, kan overbrengen naar een ander kader.       

    Zo schreef een schrijver (J. Potin, Jésus, 1995) over de Bruiloft van Kana:
Voor Johannes zijn de wonderen geen machtsvertoon, zoals bij de synoptische evangeliën, maar tekenen, of anders gezegd : symbolen (...). Het symbool loopt gelijk met de realiteit van feiten (...). Onmogelijk om te zeggen wat er echt is gebeurd.

    Ik ben het eens met het eerste deel. Het tweede deel is waar voor de apocriefen, maar zeker niet voor het Evangelie van Johannes. De apocriefen zijn min of meer fictieve verhalen, die werden bedacht «voor de noden van de reden », om een geloofswaarheid te illustreren. Om de mensen, die wonderen willen zien, plezier te doen, omdat ze in de vier Evangeliën op hun honger blijven zitten, zeker wat betreft de hele kindertijd van Jezus. Deze verhalen beschrijven bijvoorbeeld de Heilige Familie tijdens de vlucht uit Egypte, terwijl ze zich voeden met vruchten van de bomen, waarvan de takken voor hen neerbuigen zodat ze de vruchten kunnen plukken. Of het kindje Jezus in Nazareth, dat keien omtovert in kleine vogeltjes, gewoon om zijn vriendjes te verbazen (terwijl Johannes ons zegt dat Jezus zijn eerste mirakel pas in Kana deed).    

    Maar het is niet op die manier dat Johannes ons het verhaal van Kana vertelt. We mogen niet vergeten dat Johannes een van de eerste apostelen van Jezus was, die op de bruiloft van Kana nog maar met vijf waren, en dus ooggetuige was.
 
Hij maakt geen onrealistische symbolen. Hij blijft dicht bij de feiten, waarbij hij doordringt tot in de onderliggende betekenis, wonderlijk of alledaags, hierbij inbegrepen het Lijden, wanneer Jezus aan het kruis wordt genageld en doorboord door de lans van de honderdman. Samen met Marcus is hij de meest realistische van de evangelisten. Hij is een discrete getuige, bescheiden, anoniem en daardoor des te meer geloofwaardig. (R. Laurentin)

    Laten we, nu dit duidelijk is, trachten te ontdekken wat de drie gebeurtenissen, waarover ik u heb verteld en waarover de keerverzen van de evangelische lofzangen van de Plechtige Openbaring spreken alsof ze op één en dezelfde dag geschiedden, gemeen hebben.

    In werkelijkheid (en dit mag letterlijk worden genomen) gaat het hier om drie openbaringen, drie uitingen van de Aanwezigheid van God in de wereld, en dit op een tastbare manier. De reden waarom men deel uitmaakt van de schepping, is niet enkel om te voorzien in zijn materiële behoeftes: eten, drinken, enz... En zelfs wanneer u samen eet, met familie of vrienden, doet u dat niet alleen om te voldoen aan uw « primaire » behoeftes. Voor een feestmaal doet u beroep op een symbolische taal om uw onthaal, uw gastvrijheid, uw gezelligheid uit te drukken... allemaal aspecten die niet te eten of te drinken zijn.

    Wel nu, ook God spreekt tot ons in tekenen. Hij sprak tot de Wijzen (en tot ieder van ons) door middel van een ster, die het de heidenen mogelijk maakte om de aanwezigheid van God te ontdekken in het hart van een klein kindje. In dit geval spreekt men over een theofanie, de openbaring van God in onze wereld.
 
    Een andere theofanie : bij het Doopsel van Jezus is het de Stem van de Vader en de Heilige Geest die het mysterie van de Heilige Drievuldigheid openbaart.     

    Ook in Kana gaat het om een openbaring van God. Dat wordt al aangegeven in vers 51 van het eerste hoofdstuk: "Ik zeg ulieden, gij zult de hemel open zien en de engelen Gods opstijgen en nederdalen op de Zoon des mensen." Dit is een aangekondigde theofanie in de toekomst. In vers 11 van hoofdstuk 2 preciseert Johannes : "Hij heeft zijn Heerlijkheid geopenbaard". En de theofanie wordt werkelijkheid.

    "Hij heeft zijn Heerlijkheid geopenbaard, en zijn discipelen geloofden in Hem". Dit is vanzelfsprekend slechts het begin van een lange weg naar het Huis van de Heer, die loopt langs het Kruis. Sommigen willen geen tekenen zien, maar harde bewijzen. Nee ! God is niet te bewijzen. Hij openbaart zich, maar respecteert onze vrijheid. Wij zijn genodigden aan de Bruiloft van het Lam, maar we zijn niet « verplicht » te komen. Het bewijs, door het te bewijzen, vormt een verplichting; het teken, door zich te openbaren, vormt een uitnodiging. Let op voor luiheid in het geloof ! Zeker, het is niet aan ons om water in wijn te veranderen. Maar we moeten geloven dat Jezus het kan, en dat hij het ook zal doen, wanneer hij dat wil; dat wil zeggen “vandaag”! Dat is onze eerste taak. Het is deze taak waarin Maria uitmunt, en dat is haar geluk. Maar onze taak is ook om het water te putten om de kruiken te vullen, om «allles te doen wat hij (ons) zegt » en om alles te doen wat Jezus niet in onze plaats zal doen, zelfs wanneer dat ons nutteloos lijkt. Ook hierin is Maria onze gids en ons voorbeeld.    

    In de tweede lezing zegt Sint-Paulus : "Aan een ieder wordt de openbaring van de Geest gegeven". Door alles te doen wat Jezus ons zegt, wordt een ieder van ons geroepen om een «theofanie in daden » te worden. De theofanie waarvan wij allen genieten, daarvan moeten wij ook de anderen laten genieten, « tot welzijn van allen », zegt Paulus. Als genodigden van de bruiloft, moeten we bedienden van de bruiloft worden. Wanneer er een dienst moet worden verleend, zijn het steeds dezelfden die antwoorden, dat is niet normaal. Op de bruiloft van Kana is het diegene die niets doet, die uitgeput raakt. Uitgeput raakt ook diegene die alles alleen wil doen. "De functies van de Kerk zijn uiteenlopend, maar het is steeds dezelfde Heer. De activiteiten zijn uiteenlopend, maar het is overal dezelfde Heer die werkt in allen ». Er zijn zovele genodigden op de bruiloft en zo weinig dienaars. Er is zoveel water om de kruiken te vullen en zo weinig wijn. Dus : aan het werk ! Er zijn zovelen die dorst hebben, er is geen wijn meer, en de bruiloft gaat pas beginnen.
 

LOS MAGOS O EL SECRETO DE LA ETERNA JUVENTUD (Mt 2, 1-12)

Walter Covens #Homilías en español
epiphanie ev
    Ustedes han podido notar que, en mis homilías, desde los tiempos del Adviento, he abordado el tema de la vida humana durante sus primeras etapas sucesivas (la vida del embrión, y la de los niños y adolescentes (Jesús a los 12 años). Celebramos hoy la Epifanía del Señor. Será la oportunidad de terminar este Tiempo de Navidad con los jóvenes.

    Epifanía significa « manifestación », « aparición ». Se manifiesta la gloria de Dios dentro de un pequeño niño, la Palabra hecha carne. Es una solemnidad. Entre nuestro hermanos de Oriente, ella corresponde incluso a nuestra Navidad. Como quien no quiere las cosas, las figuras de los magos del evangelio de esta solemnidad de la Epifanía del Señor, lejos de desempeñar un papel de sencillos figurantes, ocupan también un lugar importante en la vida de la Iglesia, en la vida cristiana de cada uno de nosotros.

    Sin embargo, sólo  el Evangelio de Mateo habla de los magos y no nos dice mucho sobre ellos. No dice ni de dónde vienen –excepto que vienen de « oriente » -ni cómo se llaman, ni cuántos son. Pero se dirige a unos judeocristianos perseguidos por los judíos y quiere enseñar que Jesús es de verdad el Mesías y que en las visitas de los magos se verifica la profecía de Isaías : « Las naciones caminarán en tu luz y los reyes en tu claridad naciente », así como el salmo 72 : « Ante él se rendirán todos los reyes, los reyes de Tarsis y de Sabá, le traerán presentes, le pagarán tributo ». Por eso la piedad popular, que no debemos menospreciar, los llamará los « Reyes » magos.

    Dirán que vienen de Persia. El simbolismo de los regalos fue rápidamente interpretado : el oro para la realeza de Jesús, el incienso para su divinidad, la mirra para su humanidad. Tertuliano (160-225) fue el primero que, según parece, hizo de ellos unos reyes. Orígenes (185-250) adoptó el número de tres. Sus nombres – Melchor, Baltasar y Gaspar — aparecen en el siglo VII. Unos orígenes étnicos diferentes les fueron  atribuidos en el siglo XV : el blanco Melchor, el amarillo Gaspar y el negro Baltasar simbolizan pues toda la raza humana. ¡Qué lección más bella de antiracismo ! Podemos ver en ellos también a los que reconcilian a la generaciones : también les representaron en las tres edades de la vida : la juventud, la edad madura y la vejez…

    Según algunas tradiciones, los magos hubieran sido bautizados por el apóstol Tomás. Traídos de Oriente a Constantinopla por Santa Elena (IV siglo), los tres cuerpos habrían sido transferidos a una iglesia en Milán. El arzobispo de Colonia obtuvo el derecho de recuperar esas reliquias para su catedral San Pedro. Una parte será restituida más tarde a Milán. Unos estudios demostraron que esas reliquias de Colonia datan de principios de la era cristiana y tienen pues una gran probabilidad de autenticidad.

    Regresemos a los jóvenes, ahora y recordemos que Juan Pablo II había convocado a los jóvenes del mundo entero a Colonia para las Jornadas Mundiales de la Juventud. Fue finalmente Benedicto XVI quien acudió por primera vez como papa a su patria. En aquella ocasión declaró :

    La ciudad de Colonia no sería la que es sin los Reyes Magos que tienen tanto peso en su historia, en su cultura y en su fe. Aquí, de cierta manera, la iglesia celebra la Epifanía  a lo largo del año. Por eso, antes de dirigirme a ustedes dentro de esta magnífica catedral, quise recogerme algunos instantes rezando delante del relicario de los tres Reyes Magos, para darle las gracias a Dios por su testimonio de fe, de esperanza y de amor. Salidas de Milán en 1164, las reliquias de los Magos, escoltadas por el arzobispo de Colonia, Reinald von Dassel, cruzaron los Alpes para llegar a Colonia donde fueron recibidas con grandes manifestaciones de alegría. Desplazándose a través de Europa, las reliquias de los Magos dejaron huellas evidentes, que aún subsisten hoy en los nombres de lugares y en la devoción popular.

    Para los Reyes Magos, los habitantes de Colonia mandaron fabricar el relicario más precioso de todo el mundo cristiano, como eso no bastaba, construyeron encima de él un relicario aún más grande, esta magnífica catedral gótica que, después de las heridas de la guerra, se ofrece otra vez a los ojos de los visitantes con todo el esplendor de su belleza. Con Jerusalén, « la ciudad santa », con Roma, « la ciudad eterna », con Santiago de Compostela en España, Colonia, gracias a los Magos, se ha ido convirtiendo a lo largo de los siglos en uno de los lugares de peregrinaje más importantes del Occidente cristiano.

    El tema escogido para esas jornadas – “Vamos a adorarlo”—tenía dos grandes imágenes. Primero había la imagen del peregrinaje (Vamos a adorarlo), la imagen del hombre quien, mirando más allá de sus propios asuntos y de lo cotidiano, se pone en busca de su destino esencial, de la verdad, de la justa vía, de Dios.  En una sociedad en que el poder adquisitivo es el rey, ¡ esta prioridad está en peligro !

    Esta imagen del hombre caminando hacia el objetivo de la vida tenía en sí otras dos indicaciones claras. Primero, había la invitación a no ver el mundo que nos rodea únicamente como la materia bruta con la cual podemos hacer algo, pero a tratar de descubrir en éste la « caligrafía del Creador », la razón creadora y el amor que dio vida al mundo y del que nos habla el universo, si estamos atentos, si se despiertan nuestros sentidos y adquieren la percepción de las dimensiones más profundas de la realidad. Como segundo elemento se añadía la invitación a ponerse a escuchar la revelación histórica que, sola, puede darnos la clave para leer el misterio silencioso de la creación indicándonos concretamente la vía hacia el Dueño del mundo y de la historia que se está ocultando detrás de la pobreza del establo de Belén.

    La otra imagen que se hallaba en el tema de la Jornada Mundial de la Juventud era la del hombre en adoración : « Hemos venido a ADORARLO ».

    Primero que cualquier actividad y cualquier transformación del mundo, debe haber la adoración. Sólo ella nos hace verdaderamente libres. Sólo ella nos da los criterios para nuestra acción. Precisamente en un mundo en que los criterios de orientación están empezando a faltar y en que existe la amenaza que cada cual haga de por sí su propio criterio, es fundamental subrayar la adoración.

    Para todos los que estaban en Colonia con motivo de las JMJ, el silencio intenso de un millón de jóvenes en el momento en que el Señor, dentro del Santísimo Sacramento fue llevado hasta el altar, sigue inolvidable.

La reacción contra un mundo sobreexcitado, que adolece de falta de silencio, un mundo sin rumbo, que adolece de falta de sabiduría, interviene en el éxito de las filosofías de extremo oriente. Pero, más profundamente, éste revela una sed de trascendencia contenida durante demasiado tiempo, de una búsqueda de tipo propiamente místico. A este respecto, es el síntoma de una carencia grave dentro del cristianismo occidental contemporáneo. Dado que éste no había propuesto lo mejor de su propia tradición espiritual, era inevitable que nos pusiéramos a buscar sucedáneos. ¿en cuántos medios cristianos, no se condena  a « la mística », en un sentido siempre peyorativo del término, como algo peligroso ? (Des bords du Gange aux rives du Jourdain, p. 5-6)

    No olvidaré nunca la amonestación del cura de la parroquia donde me desempeñé como vicario durante un año (¡era el primer año de mi sacerdocio !) : « Sabes, aquí, la gente no es mística ». Cuando tuve que irme para otra parroquia a donde me habían nombrado, una parroquiana me dijo : « ¡Señor Vicario, le doy las gracias ! Usted nos enseñó otra vez a rezar ». ¡Cuántas iglesias se ven donde no sólo los curas no exponen el cuerpo de Cristo para que lo adoren los feligreses, sino también que al entrar en una iglesia los católicos ya no hacen genuflexión y que durante la consagración se quedan de pie, por no decir sentados…

(…) En resumen, de tanto privilegiar el compromiso sociopolítico y la eficacia de la acción (esto también hay que subrayarlo, como reacción contra una época de « devociones » desconectadas de la realidad, caricaturas de una verdadera espiritualidad), en detrimento de la adoración contemplativa, dejamos que se murieran de sed nuestros hermanos, al lado de pozos cuidadosamente cerrados. Acudir otra vez a nuestras fuentes : ésta es la mejor manera de responder a las aspiraciones religiosas del hombre en Occidente (Des bords du Gange aux rives du Jourdain, p. 5-6).

    Escuchemos, pues, la advertencia de Isaías, antes que sea demasiado tarde para nosotros. Ya es demasiado tarde para tantos niños, tantos jóvenes, tantos adultos que se hundieron en la desesperación, luego la muerte, por falta de adoración (cf. el libro profético del p. Molinié, Adoration ou désespoir) : Porque este pueblo ha despreciado las plácidas aguas de Siloé, el Señor va a hacer subir contra ellos las aguas del río, caudalosas y torrenciales, por todos sus cauces se saldrá, se desbordará por todas sus riberas, y el despliegue de sus alas cubrirá toda la anchura de tu tierra (Is 8, 5-8)

    San Pablo precisa de cuál río se trata :
« El espíritu claramente dice que en los últimos tiempos algunos renegarán de la fe, dando oídos a espíritus seductores y enseñanzas diabólicas » (1 Tim 4, 1-2)

    Alicia Bailey en persona, sabiendo de qué se habla, confirmará a pesar suyo :
Lucifer es el que reina sobre la humanidad… por lo menos es la estrella que la guía y él es la estrella que está guiando el movimiento New Age actual.
    Cada cual tiene su estrella…

    En el libro Cristian response to the occult, Tom Poulson escribe :
Cualquiera que llegue a los niveles superiores de la francmasonería, verá que se trata de adoradores de Lucifer.

    Sí, como el millón de jóvenes presentes en Colonia pueden decirlo, Juan Pablo II daba en el blanco al escribir :
Debemos confesar que todos necesitamos de este silencio cargado de presencia divina (Orientale Lumen, 16)

    Sigamos como él y como ellos a los Magos para que nos enseñen el secreto de la eterna juventud, que también es el secreto de la « grandísima alegría » (Mt. 2, 10)


                            Traducción de Jean-Louis Joachim

DE WIJZEN OF HET GEHEIM VAN DE EEUWIGE JEUGD (Mt 2, 1-12)

Walter Covens #Homilieën in het Nederlands

epiphanie ev

    U heeft in mijn homelieën tijdens de Adventstijd kunnen opmerken dat ik het mensenleven in zijn eerste fasen heb besproken (het leven van het embryo, het leven van kinderen en jongeren (Jezus met twaalf jaar). Vandaag vieren we de Openbaring van de Heer. Het is de gelegenheid om deze kersttijd af te sluiten samen met de jongeren.

    Openbaring komt van het Grieks "epiphania" ". De eer van God wordt geopenbaard in een klein kind, het vleesgeworden Woord. De Openbaring des Heren is een Hoogfeest! Bij onze broeders in het Oosterse Kerk komt het zelfs overeen met ons Kerstfeest. Zonder iets te laten merken spelen de Koningen in het evangelie over deze plechtige openbaring van de Heer een belangrijke rol in het leven van de Kerk, in het christelijke leven van ieder van ons.

    Toch heeft enkel het evangelie van Mattheüs het over de Wijzen en hij zegt maar erg weinig over hen. Hij zegt niet vanwaar ze komen - enkel "uit het oosten" - hoe ze heten of met hoeveel ze zijn. Maar hij richt zich tot de joodse christenen, die werden vervolgd door de Joden, en hij wil aantonen dat Jezus wel degelijk de Messias is en dat in het bezoek van de Koningen de profetie van Jesaja waarheid wordt: "De volkeren komen naar jouw licht en de koningen naar jouw ontwakende helderheid", net als Psalm 72 : "De verste koningen knielen voor hem neder, de koningen van Tarsis en Seba bieden hun geschenken en schattingen aan". Daarom worden de Wijzen in de volksdevotie, die zeker niet mag worden geminacht, niet zonder reden "Koningen" genoemd.

    Er werd overeengekomen dat de Wijzen uit Perzië kwamen. De symboliek van hun geschenken werd al snel geïnterpreteerd: goud voor het koningschap van Jezus, wierook voor zijn goddelijkheid en mirre voor zijn menselijkheid. Het is Tertulianus (160-225) die er als eerste, lijkt het, koningen van maakt. Origenus (185-250) introduceert het aantal drie. Hun namen – Melchior, Balthazar en Gaspar – doen hun intrede in de VIIe eeuw. Ze krijgen in de XVe eeuw hun respectievelijke herkomst: de blanke Melchior, de gele Gaspar en de zwarte Balthazar symboliseren dus het hele menselijke ras. Een mooie les tegen het racisme! In hen zien we ook de verzoening tussen de generaties: ze werden ook afgebeeld als de drie levensfases: jeugd, rijpere leeftijd en ouderdom...

    Volgens bepaalde tradities werden de Wijzen gedoopt door de apostel Thomas. Hun drie lichamen, die door Sint-Helena (IVe eeuw) uit het Oosten zouden zijn meegebracht naar Constantinopel, zouden overgebracht zijn naar een kerk in Milaan. De aarstbisschop van Keulen verkreeg het recht om deze relikwieën te bewaren in zijn Sint-Pieterskathedraal. Een gedeelte ervan zou later worden teruggebracht naar Milaan. Studies hebben aangetoond dat deze relikwieën uit Keulen dateren van uit het begin van het christelijke tijdperk en dus hoogstwaarschijnlijk authentiek zijn.

    En laat ons nu terugkomen op de jongeren van vandaag. Johannes Paulus II riep de jongeren uit de hele wereld bijeen in Keulen voor de WJD. Het was uiteindelijk Benedictus XVI die voor het eerst als paus terugkeerde naar zijn geboorteland. Ter gelegenheid hiervan verklaarde hij:

De stad Keulen zou niet zijn wat ze is zonder de Drie Koningen, die zo'n belangrijke rol spelen in haar geschiedenis, haar cultuur en haar geloof. Hier viert de Kerk het hele jaar lang het feest van de Openbaring! Daarom heb ik, voor ik me tot u richtte voor deze schitterende kathedraal, enkele ogenblikken gebeden voor het reliquarium van de Wijzen, om God te danken voor hun getuigenis vol geloof, hoop en liefde. De relikwieën van de Wijzen vertrokken in Milaan in 1164, geëscorteerd door de Aartsbisschop van Keulen, Reinald von Dassel, helemaal over de Alpen om uiteindelijk in Keulen aan te komen, waar ze jubelend werden onthaald. Door hun verplaatsing doorheen Europa lieten de Wijzen duidelijke sporen na, die ook vandaag nog voortleven in plaatsnamen en in de volksdevotie. Voor de Wijzen hebben de inwoners van Keulen het waardevolste reliquarium uit de christelijke wereld laten maken en, alsof dat niet volstond, hebben ze daarbovenop een nog groter reliquarium laten bouwen: deze schitterende gothische kathedraal die, na de verwoestingen van de oorlog, opnieuw openstaat voor bezoekers, in al haar luister en schoonheid. Samen met Jeruzalem, de «Heilige Stad», met Rome, de «Eeuwige Stad», met Sint-Jacob van Compostella in Spanje is Keulen, dankzij de Koningen in de loop van de eeuwen uitgegroeid tot een van de belangrijkste pelgrimsplaatsen uit het christelijke westen.

    Het thema dat gekozen werd voor deze dagen - "Komt, laten wij hem aanbidden" - bevatte twee grote beelden. Eerst was er het beeld van de pelgrimstocht ("KOMT, laten wij hem aanbidden), het beeld van de mens die, door verder te kijken dan zijn eigen materiële zaken en het dagelijkse leven, op zoek gaat naar zijn essentiële bestemming, de waarheid, de juiste weg, God. In een samenleving waar koopkracht alles regeert, is deze prioriteit niet meer evident!

    Dit beeld van de mens op weg naar het doel van zijn leven bevatte in zich nog twee duidelijke aanwijzingen. Eerst en vooral was er de uitnodiging om de wereld die ons omringt, niet enkel te zien als grondstof waarmee we iets kunnen doen, maar om erin op zoek te gaan naar de "handtekening van de Schepper", de scheppende reden en de liefde, waaruit de wereld is ontstaan en waarover het universum ons vertelt, als we opletten, als onze innerlijke zintuigen ontwaken en de diepste dimensies van de werkelijkheid kunnen waarnemen. Het tweede element was de uitnodiging om te luisteren naar de historische revelatie die, alleen, ons de sleutel kan bieden tot het lezen van het stille mysterie van de schepping, door ons concreet de weg naar de Meester van de wereld en de geschiedenis te wijzen, verborgen in de armoedige stal in Betlehem.

    Het andere beeld dat ligt vervat in het thema van de Wereldjongerendagen, was de mens in aanbidding: "We zijn gekomen om hem te AANBIDDEN". Voor iedere activiteit en iedere transformatie in de wereld moet er aanbidding zijn. Zij alleen maakt ons echt vrij; zij alleen geeft ons de criteria voor onze actie. Precies in een wereld waarin leidende criteria stilaan beginnen af te brokkelen en waarin het gevaar bestaat dat iedereen zijn eigen criteria najaagt, is het van uiterst groot belang om de aanbidding te benadrukken. Bij iedereen die aanwezig was bij de WJD in Keulen, blijft de intense stilte van een miljoen jongeren op het moment waarop de Heer in het Heilige Sacrament op het altaar wordt geplaatst, in het geheugen gegrift.

De reactie tegen een wereld onder hoogspanning door een gebrek aan stilte, een wereld die het noorden kwijt is door een gebrek aan wijsheid, komt voort uit het succes van de filosofieën uit het Verre-Oosten. Maar op een dieper niveau wijst ze op ze een te lang onderdrukte dorst naar transcendentie, naar een mystieke zoektocht. In dit opzicht is ze het symptoom van een ernstig gebrek in het hedendaagse, westerse christendom. Aangezien het nauwelijks het beste van zijn eigen spirituele traditie heeft aangeboden, is het onvermijdelijk dat mensen op zoek gaan naar surrogaatproducten. In hoevele duizenden christelijke middens wordt mystiek, steeds in een pejoratieve betekenis, niet gebrandmerkt als gevaarlijk? (Van de oevers van de Ganges tot de oevers van de Jordaan, p. 5-6)

    Ik vergeet nooit meer het "standje" van de priester van de parochie waar ik gedurende één jaar onderpastoor was (dat was in het eerste jaar van mijn priesterambt!): "Weet je, hier zijn de mensen geen mystici!" Maar toen ik deze parochie moest verlaten, omdat ik tot pastoor was benoemd in een andere, zei een parochiaan me: "Meneer de Onderpastoor, bedankt! U heeft ons opnieuw leren bidden." Als je ziet in hoeveel kerken de priesters het Lichaam van Christus niet meer uitstellen voor de aanbidding van de gelovigen, in hoeveel kerken de katholieken bij het binnenkomen in de kerk geen kniebuiging meer maken en in hoeveel kerken ze tijdens de consecratie blijven rechtstaan of zelfs blijven zitten...

(...) Kortom, door het socio-politieke engagement en de doeltreffendheid van de actie te bevoordelen (en dit, het moet worden benadrukt, in reactie tegen een tijdperkt van "verafgodingen" die niets meer met de werkelijkheid hebben te maken: karikaturen van een echte spiritualiteit), ten nadele van de contemplatieve aanbidding, heeft men onze broeders laten omkomen van de dorst, vlak naast zorgvuldig gebarricadeerde waterputten. Terug op weg gaan naar onze bronnen: dat is de beste manier om een antwoord te bieden op de religieuze aspiraties van de westerse mens.
(Van de oevers van de Ganges tot de oevers van de Jordaan, p. 5-6)

    Laten we dus luisteren naar de waarschuwing van Jesaja, voor het voor ons te laat is. Het is al te laat voor zovele kinderen, jongeren en volwassenen, die ten prooi zijn gevallen aan de wanhoop, daarna aan de dood, door een gebrek aan aanbidding (cf. het profetische boek van Père Molinié, Aanbidding of wanhoop):

Omdat dit volk de zacht vloeiende wateren van Silóah versmaadt, daarom doet de Here over hen opkomen de machtige en geweldige wateren van de Rivier, deze zal buiten al zijn beddingen stijgen en buiten al zijn oevers rijzen, overstromen en steeds verder om zich heen grijpen, uw hele land vullen. (Is 8, 5-8)

    Sint-Paulus legt uit over welke rivier het gaat:

De Geest zegt nadrukkelijk dat in latere tijden sommigen zullen afvallen van het geloof, doordat zij dwaalgeesten en leringen van boze geesten volgen. (1 Tm 4, 1-2)

    Alice Bailey in persoon weet waarover ze praat en bevestigt tegen wil en dank:

Lucifer is het die regeert over de mensheid... ten minste is hij de ster die haar leidt en hij is de ster die de huidige New Age-beweging leidt.

    Ieder zijn ster...

    In zijn boek: Christian response to the occult, schrijft Tom Poulson:

Wie de opperste rangen van de vrijmetselarij bereikt, zal zien dat het gaat om aanbidders van Lucifer.

    Ja, zoals het miljoen jongeren dat aanwezig was in Keulen kan bevestigen, Johannes Paulus II zag het juist toen hij schreef:

We moeten bekennen dat wij allen nood hebben aan deze stilte vol goddelijke aanwezigheid. (Orientale Lumen, 16)

    Laten we, net als hij en net als zij, naar de school van de Wijzen gaan, zodat ze ons onderrichten in het geheim van de eeuwige jeugd, die ook het geheim is van de "zeer grote vreugde" (Mt 2, 10).

OS MAGOS OU O SEGREDO DA JUVENTUDE ETERNA (Mt 2, 1-12)

Walter Covens #homilias em português
epiphanie ev
    Vocês notaram, talvez, que nas minhas homilias desde o tempo do Advento, falei sucessivamente daquilo que diz respeito à vida humana, durante as suas primeiras étapas (da vida do embrião, a seguir da vida das crianças e dos adolescentes (Jesus aos 12 anos). Hoje, celebramos a Epifania do Senhor. Vai ser uma oportunidade para terminar o tempo de Natal com os jovens.

    « Epifania » quer dizer « manifestação », « aparição ». A glória de Deus manifesta-se num menino que é o Verbo encarnado. É uma solenidade ! Entre os nossos irmãos do Oriente, essa festa é celebrada como o verdadeiro Natal. Na verdade, a figura dos Magos, no evangelho desta solenidade da Epifania, apesar de parecer de pouco significado, longe de ser uma mera presença sem  qualquer importância, desempenha um papel importante na vida da Igreja, e na vida de cada um de nós.

    No entanto, só o evangelho de S.Mateus fala nos Magos… e só diz pouca coisa a propósito deles. Não diz donde vêm – a não ser do « Oriente » -, nem como se chamam, nem quantos são. Mateus fala para judeo-cristãos perseguidos pelos Judeus : quer mostrar-lhes que Jesus é realmente o Messias e que na visita dos Magos se realiza a profecia de Isaías : « As nações andarão à tua luz e os reis na tua  claridade nascente », e também o Salmo 72 : « Os reis mais longínquos, prostrados diante dele, os de Tarsis e de Saba, apresentarão as suas ofertas e tributo ». Por isso foi que a piedade popular, que não se deve menosprezar, haverá-de os chamar, não sem razão « Os Reis Magos ».

    A lenda haverá-de dizer que vinham da Pérsia. O simbolismo das prendas foi rapidamente interpretado : o ouro para a realeza de Jesus, o incenso para a sua divindade, a mirra para a sua humanidade. Foi Tertuliano (160-225) quem, o primeiro os tratou de « reis » (ao que parece). Origenes (185-250) adoptou o numero de três. Os nomes deles – Melquior, Baltasar, Gaspar- aparecem no século VII. No século XV, atribuiram-lhes origens étnicas diferentes : o branco Melquior, o amarelo Gaspar, e o preto Baltasar : é um simbolo do genero humano inteiro. Linda lição de anti-racismo ! Podemos ver também neles aqueles que reconciliam as gerações : foram representados nas três idades da vida : juventude, maturidade, velhice…

    Conforme algumas tradições, os Magos teriam sido baptizados pelo Apóstolo Tomás. Os corpos deles, levados do Oriente para Constantinopla por Santa Helena (IV° Século) teriam sido transferidos numa igreja de Milão. O arcebispo de Colónia obteve o direito de recuperar as relíquias deles para a sua catedral S.Pedro. Uma parte haverá-de ser mais tarde restituida a Milão. Estudos mostraram que as relíquias de Colónia são do princípio da era cristã e tem por isso uma grande probabilidade de autenticidade.

    Cheguemos agora aos jovens, e lembremo-nos de que João Paulo II tinha convocado os jovens do mundo inteiro em Colónia para as JMJ. Afinal Bento XVI foi quem realizou o desejo de J.P.II e foi como Papa na sua própria pátria. Por esta ocasião, tinha declarado :

« A cidade de Colónia não podia ser o que é sem os Reis Magos, que têm tanta influência na sua História, na sua cultura e na sua fé. Aqui, a Igreja celebra, durante todo o ano, duma certa maneira, a festa da Epifania ! Por causa disso foi que, antes de vos dirigir a palavra, eu quis recolher-me alguns instantes diante do relicário dos três Reis Magos, dando graças ao Senhor pelo seu testemunho de fé, de esperança e de amor. Levadas de Milão no ano de 1164, as reliquias dos Magos, escoltadas pelo Arcebispo de Colónia, Reinald von Dassel, atravessaram os Alpes antes de chegar à Colónia, onde foram acolhidas com grandes manifestações de alegria. A seguir, transportadas para vários sitios da Europa, as relíquias dos Magos deixaram marcas evidentes que ainda subsistem nos nomes de lugares e na devoção popular. Para os Reis Magos, os habitantes de Colónia mandaram fazer o relicário mais precioso de todo o mundo cristão, e como isso não chegava, ergueram por cima dele um relicário ainda maior, esta magnífica catedral gótica que, depois das feridas da guerra, se oferece novamente aos olhos dos visitantes com todo o esplendor da sua beleza. Com Jerusalém, a « Cidade Santa », com Roma, a « Cidade eterna », com S.Tiago de Compostela na Espanha, Colónia, graças aos Magos, tornou-se, ao longo do tempo, um dos lugares de peregrinação mais importantes do Ocidente cristão. »

    O tema escolhido para estas JMJ – «  Vamos adorá-lo »- continha duas imagens importantes. Em primeiro lugar a imagem da peregrinação « VAMOS… », é a imagem do homem que, ao olhar para além das suas ocupações e do dia a dia, começa a procurar o seu destino essencial, a verdade, a via justa, de Deus .Numa sociedade em que o poder de compra é rei, essa prioridade está muito em perigo !

    Aquela imagem do homem em marcha para a meta da sua vida continha ainda duas indicações claras. Havia, em primeiro, o convite para não ver o mundo que nos envolve só como a matéria com que podemos realizar alguma coisa, mas ainda para procurar descobrir nele a «caligrafia  do Criador », a causa criadora e o amor donde nasceu o mundo e de que nos fala o universo, se formos atentos, se os nossos sentidos interiores  se acordarem e adquerirem a percepção das dimensões mais profundas da realidade.

    Outra imagem contida no tema das JMJ : o do homem em adoração : « Viemos ADORÁ-LO ». Antes de toda a actividade e de toda a transformação do mundo, é preciso ADORAR. Só ela nos torna verdadeiramente livres ; só ela nos da critérios para agir. Precisamente num mundo em que os critérios de orientação chegam progressivamente a fazer falta, em que existe a ameaça de que cada qual invente  o seu próprio critério, é fundamental salientar a adoração. Para todos quantos estavam em Colónia para as JMJ, o silêncio intenso de um milhão de jovens no momento em que o Senhor estava exposto no altar fica inesquecível.

A reacção contra um mundo  cheio de barulhos e à procura de silêncio, um mundo desnorteado em busca de sabedoria, influencia o sucesso obtido por filosofias extremo-orientais. Mais profundamente, esse manifesta uma sede muito tempo recusada de transcendência, da busca de ordem realmente mística. Por causa disso, ele é o sintoma duma carência grave no cristianismo ocidental contemporâneo. Este, não tendo oferecido muito o melhor da sua própria tradição espiritual, era inevitável que as pessoas busquem sucedâneos. Entre quantos meios cristãos a « mística », num sentido sempre pejorativo, não era estigmatizada como perigosa ? (« Des bords du Gange aux rives du Jourdain », p. 5-6)

    Nunca me esquecerei da censura do pároco da paróquia onde estive durante um ano ( era o primeiro ano do meu sacerdócio !) : « Sabes, aqui, as pessoas não são místicas ! ». Mas, quando tive de deixar essa paróquia, por causa de ser nomeado pároco noutra, uma paroquiana tinha-me dito : « Senhor Vigário, obrigada ! Ensinou-nos a rezar novamente ». E verificamos tantas vezes que, em muitas igrejas, os padres já não expõem o Corpo do Senhor à adoração dos fiéis, e que, ao entrar numa igreja os católicos não fazem mais a genuflexão e ficam de pé na consagração, quando não estão sentados…

(…) Numa palavra, depois de privilegiar o empenhamento socio-politico e a eficácia da acção (isso, é verdade, em reacção contra uma época de « devoções » destacadas do real : caricaturas duma espiritualidade autêntica), em detrimento da adoração contemplativa, deixaram morrer de sede os nossos irmãos, junto a poços cuidadosamente barricados. Pôr-se a caminho das nossas fontes, essa é a melhor maneira de responder às aspirações religiosas do homem ocidental ». (Des bords du Gange… » p. 5-6)

    Escutemos portanto o aviso de Isaías, antes que seja tarde demais par nós. Já é tarde para tantas crianças, jovens adultos, caídos no desespero, e depois na morte, por falta de adoração (cf. o livro profético do Padre Molinié : « Adoration ou désespoir »

« Porque este povo não quer as águas de Siloé que correm docemente, as águas poderosas e fundas subirão do rio : do seu leito, ele sairá, passará por cima das ribas, inundará, trasbordará, submergirá toda a superfície do teu país. » (Is 8, 5-8)

     S. Paulo precisa de que rio se trata :

« O Espírito anuncia claramente que, nos últimos tempos, abandonarão a fé, por se ter deixado guiar no erro por espíritos falsos e por falsas doutrinas vindas do demónio ». (1 Tim 4, 1-2)

    Alice BAILEY pessoalmente, e sabia de que falava, confirmará contra a sua vontade :

« Lucifer é quem reina sobre a humanidade… pelo menos, ele é a estrela que a guia ; ele é a estrela que guia actualmente o movimento New Age. »

    A cada qual a sua estrela…

    No seu livro, « Christian response to the occult », Tom Poulson escreve :

« Quem chegar ao degrau de cima da Maçonaria verá que se trata de adoradores de Lucifer. »

    Sim, como o milhão de jovens presentes em Colónia o podem atestar , João Paulo II  tinha razão quando escrevia : « Temos que confessar que precisamos todos daquele silêncio cheio da presença divina ». (Orientale lumen, 16)

    Como ele , como eles, ponhamo-nos à escola dos Magos, para que nos ensinem o segredo da juventude eterna, que também é o segredo da « muito grande alegria » (Mt 2,10)

SÃO JOÃO BAPTISTA, SERVIDOR DA VOSSA ALEGRIA ( Lc, 3, 10-18)

Walter Covens #homilias em português
3 avent c 1lecbis
O Cardeal Ratzinger publicou no ano de 1988 um opúsculo sobre a espiritualidade sacerdotal. Deu-lhe o título de « Diener eurer Freude », « Servidores da vossa alegria, meditações sobre a espiritualidade sacerdotal ». « O fio condutor  destas meditações, escreve, é a alegria que vem do Evangelho. Por isso espero que esse opúsculo possa contribuir um pouco ao ‘serviço da alegria’, e asdim responder ao sentido profundo da espiritualidade sacerdotal ». Espontaneamente, cada vez que ouvimos falar em alegria, até no sentido biíblico, não pensamos logo em João Baptista. Entre as duas primeiras leituras e o Cântico de Isaias, e o Evangelho, que relação ? No entanto, João Baptista disse assim : « O esposo é aquele a quem pertence a esposa ; quanto ao amigo do esposo, está cá, ouve a voz do esposo e fica muito alegre. Essa é a minha alegria, e estou muito satisfeito ». (Jn 3, 29). S.Lucas mostra-no-lo vibrante de alegria enquanto está no seio da sua mãe (1, 44)


Hoje é o Domingo da alegria (« Gaudete »). Mais uma vez encontramos a figura de João Baptista que S.Lucas sublinha particularmente ao mostrar ao mesmo tempo a sua grandeza e a sua inferioridade, ou melhor, a sua subordinação a Jesus. A grandeza de João é precisamente não fazer sentido, a não ser em relação ao Messias cuja vinda há-de preparar. No Domingo passado, com João Paulo II, tivemos a oportunidade de olhar para ele, como sendo o modelo dos catequistas. Por altura do grande Jubileu do ano 2000, dizia-lhes :

« Na pessoa de João Baptista, encontrais hoje os sinais fundamentais do vosso serviço eclesial. Em frente dele, ficais animados a efectuar uma verificação da missão que a Igreja vos confia ». Quem é João Baptista ? Antes de mais nada, é um crente empenhado pessoalmente num caminho espiritual exigente, feito duma escuta atenta e constante da Palavra de salvação . Além disso, é testemunha dum estilo de vida desprendido et pobre ; mostra uma grande coragem ao proclamar a todos a vontade de Deus, até às consequências mais extremas. Não caí na tentação fácil de desempenhar um papel de primeira, mas humilia-se para exaltar Jesus.

Hoje, João Baptista apresenta-se como modelo dos Apóstolos e dos Mensageiros que o Senhor manda « por grupos de dois diante dele por todas as vilas e localidades aonde ele próprio queria ir » (Lc, 10, 1). Os Apóstolos são doze, os enviados do capítulo 10 de S. Lucas são setenta e dois . Portanto, João é só e único, o primeiro duma multidão. É o mestre da sua aprendizagem. Ao mandar os Doze, e depois os Setenta e dois, é como se Jesus lhes dizesse :

« Agora, é a vossa vez de fazer como fez João Baptista para mim ! João formou-vos, caros João e André ! Agora, fazei como ele fez. Ele já está no céu ; agora sois os sucessores dele, sois a continuação dele. Sereis vós também os meus pequenos precursores. O que foi João, vós o sereis por vossa vez ! » (Padre Daniel-Ange)


Os Apóstolos repetiram isso àqueles que escolheram para continuar a missão recebida. Tito, Timóteu e os demais. Se os Apóstolos são o « tipo » do pregador, João é o « protótipo ».

Para nos limitar ao trecho do evangelho que acabamos de ouvir, eis os pontos essenciais da pregação de João Baptista, que são de salientar.

Em primeiro, João é um pregador universal. A missão dele vale para todos os tempos e todos os países. Ele fala para todos, não só para uma categoria de pessoas. S.Lucas mostra bem isso ao enumerar os vários grupos de pessoas que fazem sempre a mesma pergunta : » O que é que devemos fazer ? » (cf. Ac 2, 37 : é a mesma pergunta que será provocada pela pregação de Pedro, no dia de Pentecostes, quando está reunida uma multidão vinda de todo o Império). Há em primeiro « as multidões » sem precisão, a gente do povo ; a seguir, os « publicanos », empregados dos impostos, odiados pelo povo, mais do que os fiscais de hoje, uma vez que colaboravam com os « ocupantes romanos » ; afinal, os soldados, pouco amados também, pois a profissão deles era interdita aos Judeus, (talvez eram mecenarios pagãos, ao serviço de Herodes Anttipas). É verdade, « qualquer homem verá a salvação de Deus » (v. 6) !

A pregação de João atravessa os séculos e as fronteiras. Não tem nada de comum com a espiritualidade dos « Essénios » (= os « filhos da Luz »-, uma seita que se julgava a fina-flor da espiritualidade do tempo e que tinha fugido o « mundo mau », proclamando que só eles haviam-de ser salvos. Nada a ver também com os « fariseus » (= « os separados») que, apesar de não irem para o deserto, viviam num desprezo total para com aquela « escória » de pecadores. João só foi para o deserto afim de melhor se preparar para ir aos pecadores de toda a espécie.

É de notar também que João, apesar de viver como um asceta rigoroso, não começa por impor exigências muito severas aos que vêm a ele. Não lhes pede para comer como ele, nem para se vestir como ele. Mas, por outro lado, não gostava de mediocridade. Não ! Não julga a moral como coisa de pouca importância, especialmente no que diz respeito ao dinheiro, o « nervo da guerra ». Notastes como, na sua resposta à pergunta « O que é que devemos fazer ? » só fala no uso correcto da riqueza (v. 10-1111) e no perigo de se tornar rico injustamente (v. 12-13 ; 14) ?

Pelo contrário, não pede para mudar de profissão, nem aos publicanos sequer, nem aos soldados. S.Lucas não fala aqui nas prostitutas que não aparecem… Aos « pornocratas » de hoje, João teria ,com certeza, respondido outra coisa !  Além disso, que teria dito a todos quantos olham o dinheiro como seu deus, sacrificando tudo afim de obter lugares « imortantes » e obter promoções profissionais, ao preço de muitos sacrificios, incluido o tempo devido a Deus (por exemplo, a missa dominical) bem como à sua família ?

Coisa importante para o nosso tempo : a sua moral não é só uma moral individual (ou individualista). A pregação dele dirige-se a grupos de pessoas , à profissões, ao Povo de Deus na sua totalidade, à sociedade toda. A conversão exigida não é só  a das pessoas na sua individualidade. Tem uma dimensão social.

O ecrã entre o homem e Deus, escreve o cardeal Daniélou, não é só a má vontade individual ; é também ume espécie se « sedimentarização » sociológica constituida por um conjunto de costumes e de compromissos, tanto mais difícil de conhecer que tem um carácter colectivo.

« Toda a gente faz assim »… Desculpa bonita ! A palavra de João, hoje, se dirige por exemplo aos polícias, aos guardas-republicanos, aos militares, bem como aos « pequenos » e grandes roubos, aos juizes e aos advogados, aos sindicalistas como aos empresários. Dirige-se à multidão dos cristãos que vivem na tibieza. Dirige-se também à totalidade da sociedade que, aos poucos, se tem « mediocrizada », a todos quantos, na Martínica e noutros lugares, adoptaram como palavra de ordem : « Débouya pa péché » (o que quer dizer na lingua da Martínica : « O desembaraçar-se não é pecado »), mediante algumas excepções por um lado, um compromisso por outro lado, com algumas pequenas cobardias… e generosidades do mesmo tamanho. Mas quando se trata de prestar serviço, de assumir uma responsabilidade para o bem comum, de responder a uma chamada ao socorro, então, de repente, já não se « desembaraçam », mas encontram, isso sim, muitas desculpas para fugir…

João faz uma chamada que soa como que um grito de alarme ao ver aquela multidão enorme que não espera por isso e se arrasta na sua existência medíocre no momento em que vai ter que se encontrar frente ao esplendor deslumbrante, maravilhoso, ardente da Glória (Daniélou).

João não impõe nada, não tem medo de propor. Não obriga, mas desperta ímpetos de conversão. Consegue encontrar falhas no muro de betão armado que nós elevamos para nos tornar impermeáveis às propostas do Amor misericordioso do Cordeiro. Não desanima diante do revés e da adversidade. Não tem medo de desagradar, pois não quer agradar. Continua correndo até ao fim. A sua pregação é suave e violenta ao mesmo tempo. A sua cólera só é o outro lado do amor. Desaparece diante de Cristo, mas a humildade dele não o impede de falar com autoridade.

Assim, João há-de denunciar sem cessar a vinda do Inimigo, o mal presente. Mas sempre e só com o fim de anunciar, de proclamar, de testemunhar.

Hoje, mais do que nunca, neste princípio do milenário, os profetas precisam dessa coragem, para diagnosticar o mal, dar nome ao erro, avisar do perigo, estigmatizar o inimigo, descobrir os seus ataques e afastar os seus estratagemas. Isso faz parte do papel de « araúto de verdade » no qual João é o nosso Mestre.

A Misericórdia não se terá batido de mãos nuas contra o Ódio, para arrancar os seus filhos às garras dele ?
Hoje mais do que nunca temos que gritar para salvar as crianças e os jovens de todo aquilo que os destroí, os perverte, os mata….. Caso contrário ficaremos com sangue nas mãos. (Pe Daniel-Ange)

João-Baptista, servidor da nossa alegria ? Sim, mas não duma alegria fácil, da alegria de Deus. É mesmo a alegria da Encarnação redentora. Peçamos aquela graça ao Senhor por intercessão de João-Baptista, e rezemos para que os pregadores do Evangelho sejam, como ele, ao serviço da verdadeira alegria de todo o povo : « Dirige a nossa alegria para a alegria dum Mistério tão grande … » (oração da abertura da missa).

SÃO JOÃO BAPTISTA, PADROEIRO DOS CATEQUISTAS ? (Lc 3, 1-6)

Walter Covens #homilias em português
2 Avent C 1lec
    « A palavra de Deus foi dirigida no deserto a João , filho de Zacarias » . O Evangelho deste dia, bem como o do domingo que vem, apresenta-nos a figura de João Baptista. Aliás, é todo o tempo do Advento que está repleto da presença desse santo que, com o « bom ladrão » é o único que foi canonizado pelo próprio Jesus. Também é, com a Virgem Maria, o único santo que seja celebrado, fora do tempo do Advento, não só pela sua nascença no Céu (dia 29 de Agosto), mas também pela sua nascença na terra (24 de Junho). No entanto, com o Padre Daniel-Ange, « fico dolorosamente surpreendido ao verificar como João está pouco conhecido, pouco celebrado, pouco amado dentro do povo cristão, talvez sobretudo no Ocidente » ; parece que a importância que lhe dá a liturgia não encontra eco algum no coração dos cristãos.

    Há também, é verdade, pessoas a ser zelozas demais . Da comunidade formada à volta de João Baptista, nasceu uma religião muito minoritária que o confessa como único profeta e julga Jesus Cristo, e também Mafoma (em francês : « Mahomet ») como sendo usurpadores. (Aquela religião tem a obrigação de viver junto dos rios, afim de poder baptizar os fiéis. É por isso, principalmente, que ficou confidencial ao ponto de sobreviver apenas em poucas zonas do Irão e do Iraque.)

    Lembremo-nos também de que João Baptista é o Padroeiro do Québec e de todos os Canadianos. Pois foi no dia 24 de Junho (Natividade de João Baptista), no « Rio dos Prados » que foi celebrada a primeira Missa no Canadá. No dia 25 de Fevereiro, o Papa São Pio X confirmou a devoção popular ao proclamar S.João Baptista padroeiro dos canadianos francófonos. Vários santos, tal como o Sto Cura deArs, lhe tinham uma grande devoção.

    Apesar disso, « na sociedade e na cultura do cristão ordinário , no pensamento e na teologia ocidentais, João está como que  escamoteado. (Padre Daniel-Ange ). Para a multidão dos cristãos, João baptista, um dos maiores santos, também é um dos santos mais desconhecidos. Com o fim de o fazer subir  no « hit-parad » dos santos mais amados, o Padre Daniel-Ange escreveu um livro : « João-Baptista. Para o novo milenário, o Profeta da luz » (Ed. des Béatitudes), no qual enumera cinco aspectos da vida de João que tornam a missão dele muito actual :

a)Frente ao novo paganismo religioso, é urgente mandar pelas estradas milhares de pequenos precursores, para levar uma multidão a viver a experiência dum encontro pessoal com Jesus. Ora, João não será precisamente o primeiro dos missionários, dos monges e dos contemplativos ?
b)Num mundo abatido pela tristeza, João é por excelência o Profeta da alegria. Nesses anos jubilares, contagiosa  é a dança dele ao acolher Maria e o seu Filho !
c)Frente aos « virus » da suspeita que minam o organismo da nossa fé, ele é o primeiro a proclamar a identidade divina do Menino, quando diz que Maria é Mãe de Deus.
d)Frente aos « virus » de morte que matam a vida, ele grita que, desde a sua conceição, o embrião é um ser imortal.
e)Frente às prostituições do amor, ao desabamento das famílias, ele derrama o seu sangue para proclamar a verdade ao tirano adúltero e incestuoso. Ele protege o matrimónio humano que é o sinal mais bonito do amor. Ele salva a sexualidade, pela contemplação da Trindade.

    Tudo isso é muitíssimo importante ! Cada aspecto merecia muitos comentários. Neste  2° Domingo do Advento, gostava de falar só no primeiro. No recente « Compemdium do Catecismo da Igreja Católica, encontra-se esta pergunta (n. 102) : Quais foram as preparações dos mistérios de Jesus ? ( é mesmo o tema do Advento). Eis a resposta :

Antes de mais nada, é de notar que houve durante muitos séculos uma longa esperança, que vivemos novamente no tempo litúrgico do Advento . Além da espera escura que depositou no coração dos pagãos,Deus preparou a vinda do seu Filho através da Antiga Aliança, até João-Baptista, que é o último e o maior dos profetas.

    A esperança foi o tema da minha homilia de domingo passado. A resposta do « Compendium » mostra bem a relação entre a esperança e a figura de João-Baptista, que é testemunha da esperança no seu apogeu, o último preparador da vinda do Salvador. No deserto da região do Jordão, ele proclama que chegou o tempo do cumprimento das promessas e que o Reino de Deus está próximo : « Preparai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas ! »

    Na sua solidão, João não é nenhum santo que queira trabalhar sózinho, no seu canto. Poderá, como S.Paulo (cf. 2a Leitura) dar graças « por tudo quanto tendes feito pelo Evangelho » ? Como Paulo, João está à procura de colaboradores, ainda hoje : « Preparai o caminho do Senhor, aplanai as suas veredas ! » Aquelas palavras nos são dirigidas a nós, hoje. Qual será a nossa resposta ? Não será uma resposta só pronunciada com os lábios, decorada como que uma resposta do catecismo. A resposta é esta : ser, tornar-se cada vez mais catequistas.

    Há seis anos para trás, no segundo domingo do Advento, João-Paulo II celebrava o Jubileu dos catequistas para os ajudar a entrar no terceiro milenário. Nesta ocasião deu-lhes, por assim dizer, João Baptista como padroeiro :

« Que figura podia ser mais adaptada do que a de João-Baptista para o vosso Jubileu, carissimos catequistas e ensinantes da religião católica ? (…) Na pessoa do Baptista,  encontrais hoje os exemplos fundamentais do vosso serviço eclesial. Ao confrontar-vos com ele, encontrais coragem para realizar a verificação da missão que a Igreja vos confia. (…)

A página evangélica de hoje convida-nos a um exame de consciência sério. S.Lucas fala-nos em « veredas a endireitar », em « vales a encher », em « montes » e « colinas a baixar », para que cada homem possa ver a salvação de Deus (cf. Lc 3, 4-6) . Aqueles « vales » lembram a distância que se verifica, às vezes, nalguns, entre a fé que professam e a sua vida no dia a dia. O Concílio situou essa distância « entre as faltas mais graves do nosso tempo » (Gaudium et Spes, n. 43).

    Aquelas palavras do Concílio e de João Paulo II : João-Baptista para o terceiro milenário, interrogam-nos :  o que é que fizemos com elas ? Desde o princípio deste novo milenário, desde o grande Jubileu do Ano 2000, que efeitos produziram ? escutemos ainda o que se segue :

As « veredas » a endireitar lembram, além disso, a condição de certos cristãos que, do património integral e imutável da fé, destacam elementos escolhidos de maneira subjectiva, talvez à luz da mentalidade dominante, e que se afastam do caminho justo da espiritualidade evangélica, para se referir a valores incertas inspiradas por um moralismo convencional .

Na verdade, por viver numa sociedade multi-etnica e multi-religiosa, o cristão não pode deixar de sentir a urgência da missão apostólica que levava S.Paulo a proclamar : « Aí de mim, se não anunciar o Evangelho ! » (1 Co 9, 16). Em cada situação, em cada meio de vida, seja favorável ou não, devemos propor corajosamente o Evangelho de Cristo, anúncio da felicidade para cada pessoa de cada idade, de cada categoria, de cada cultura e de cada país.

    Os próprios Pastores da Igreja, seja ao nível universal, nacional ou diocesano, comprometeram-se nesta profunda renovação da catequese em condições sempre evolutivas. Roma já tinha publicado, em 1977 o » Directório geral da Catequese ». Desde o ano de 2000, a Conferência episcopal francesa tinha começado uma obre comprida para pôr em marcha esse « Directório ». Depois de um ano de vai-e-vem entre Roma e França acaba de ser aprovado por Roma o « Texto Nacional para a orientação da catequese em França » (7/11/2006). « Trata-se agora de propôr a fé, quer dizer, não só de a manter, mas de a fazer nascer » (Mgr Dufour, Bispo de Limoges, presidente da Comissão episcopal da catequese e do catecumenato).

    A « bala » está agora no « campo » de cada bispo. Durante a Assembleia do Clero, no dia 3 de Outubro passado, o nosso arcebispo deu-nos uma primeira ideia. Nomeou como nova responsável pela catequese a Irmã Jeanne-Marie CHROMÉ, auxiliada pelo Padre Bruno Latour, pároco do François. À volta deles será constituida, durante  um ano de reflexão, uma equipa diocesana. Na Quinta-Feira, dia 30 de novembro passado, o arcebispo já convocou um primeiro encontro com os delegados dos padres e dos catequistas de cada « arciprestado ». A nossa paróquia  era representada por Madame Danielle Césaire. Aqui memso um encontro há-de ser organizado com o Sr Paroco e todas as responsáveis de ano de catequese da paróquia no dia 30 de Janeiro de 2007 às 18,00h. Obrigado por marcar desde já essa data.

    Mas a educação cristã não é o dominio reservado dos (das) catequistas. Também e antes de mais nada é o dever dos pais, da família. Também é uma tarefa que diz respeito a toda a comunidade cristã, em primeiro lugar aos que frequentam a assembleia dominical. « Da mesma maneira que a transmissão da escritura e da leitura não se faz só pelo ensino, da mesma maneira não podemos ficar satisfeitos por ter explicado às crianças o que é a primeira Comunhão : elas têm que fazer uma experiência : este é o papel fundamental de iniciação pela comunidade cristã reunida no domingo » (Mgr Dufour)

    O fim da catequese é evidentemente ajudar a realizar um encontro pessoal e vivo com Jesus, dentro da comunidade cristã. Para que esse encontro se possa realizar, não só S. João Baptista e S. Paulo, mas também o próprio Jesus precisam de colaboradores, de mediadores. Oxalá S. João Baptista nos ajude a respondermos à sua chamada com generosidade e fidelidade.


(tradução : Pe G.Jeuge)

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