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Praedicatho homélies à temps et à contretemps
Homélies du dimanche, homilies, homilieën, homilias. "C'est par la folie de la prédication que Dieu a jugé bon de sauver ceux qui croient" 1 Co 1,21

#homilias em portugues

Portugal: Numerosas iniciativas para celebrar o Ano Paulino

dominicanus #homilias em português

EUROPA/PORTUGAL - Numerosas iniciativas para celebrar o Ano Paulino: catequese "Um ano para caminhar com São Paulo", subsídios litúrgicos, encontros de estudo e uma exposição itinerante



    Lisboa (Agência Fides) - Todas as dioceses de Portugal mobilizaram-se para abrir nesse fim de semana as celebrações do Ano jubilar dedicado a São Paulo. Em nota publicada pela Conferência Episcopal de Portugal destaca-se que o Ano Paulino coincide com a celebração em outubro do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, para que Paulo o grande Apóstolo da Palavra “possa ser para nós um guia para descobrir mais profundamente o lugar da Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".

    Em seguida, os Bispos apresentam alguns frutos que poderão ser dados por este Ano Paulino na Igreja de Portugal, seguindo o exemplo desse grande Apóstolo. Os Bispos afirmam que São Paulo é um exemplo para ampliar os horizontes do anúncio do Evangelho e promover uma nova evangelização, porque hoje "a Igreja corre também o perigo, assim como na época de São Paulo, de limitar o anúncio de Jesus Cristo àqueles que estão no seu rebanho, compreendem a sua linguagem e conhecem as suas leis, e tem dificuldade de anunciar Jesus Cristo numa sociedade cada vez mais secularizada”.

    O Ano Paulino pode ajudar também a organizar a pastoral específica para ampliar o anúncio do Evangelho para aqueles que não crêem ou abandonaram a vida cristã, porque "Paulo foi o maior evangelizador de todos os tempos e continua a ser um exemplo inspirador de ardor na evangelização e da natureza específica do anúncio kerigmático". Além disso, continua a nota dos Bispos, "evangelizar não é uma estratégia e não se limita a um programa: é uma paixão de amor por Jesus Cristo e pelos irmãos" e justamente esta paixão por Jesus Cristo é aquela que "gera em Paulo a urgência da evangelização na qual se sente como cooperador de Deus”.

    Por outro lado, o Ano Paulino também pode oferecer um estímulo "para aperfeiçoar a nossa catequese e conceber a ação pastoral como um meio para aprofundar o processo contínuo de iniciação cristã", porque Paulo "não separa a vida pessoal do cristão da vida da Igreja na sua catequese". Por isso, este Ano Paulino nos oferece uma oportunidade também para refletir sobre a “verdade da Igreja e sobre o modo de construir a unidade na grande variedade de carismas que enriquecem a Igreja do nosso tempo".

    Para obter tudo isso, a Conferência Episcopal propõe alguns instrumentos pastorais, como "Um ano para caminhar com São Paulo", um itinerário catequético no qual se percorre as principais etapas da vida cristã por 52 semanas, tendo Paulo como guia. Propõe também viver com maior intensidade a Liturgia, levando mais em consideração os textos de São Paulo, principalmente nas homilias. Nesse sentido, a Comissão Nacional de Liturgia preparou alguns instrumentos que ajudam os Pastores a realizar este objetivo.

    Durante todo o Ano Jubilar, as Faculdades de Teologia e os Centros e Escolas afiliadas oferecerão sessões de estudos sobre São Paulo. Na festa da Conversão de São Paulo de 25 de janeiro de 2009, está prevista uma grande Celebração nacional na Igreja da Santíssima Trindade em Fátima.

    Além disso, as Edições São Paulo organizaram uma exposição itinerante chamada "Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo" que percorrerá as dioceses de Portugal cujo objetivo é fazer conhecer de forma simples e didática, a figura e a obra do Santo. A exposição é composta por quatro módulos: Breve cronologia de São Paulo: a sua conversão, missão e as suas cartas; as viagens de São Paulo; algumas passagens das suas cartas lidas por personalidades da sociedade portuguesa e, finalmente, algumas perguntas e respostas sobre São Paulo.

www.ecclesia.pt/anopaulino
(Agência Fides 27/6/2008)

BENTO XVI, «Hão-de olhar para Aquele que trespassaram» (Jo 19, 37)

Walter Covens #homilias em português
MENSAGEM DE SUA SANTIDADE
O PAPA BENTO XVI
PARA A QUARESMA DE 2007

«Hão-de olhar para Aquele
que trespassaram» (Jo 19, 37)

Queridos irmãos e irmãs!

«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram» (Jo 19, 37). Este é o tema bíblico que guia este ano a nossa reflexão quaresmal. A Quaresma é tempo propício para aprender a deter-se com Maria e João, o discípulo predilecto, ao lado d’Aquele que, na Cruz, cumpre pela humanidade inteira o sacrifício da sua vida (cf. Jo 19, 25). Portanto, dirijamos o nosso olhar com participação mais viva, neste tempo de penitência e de oração, para Cristo crucificado que, morrendo no Calvário, nos revelou plenamente o amor de Deus. Detive-me sobre o tema do amor na Encíclica Deus caritas est, pondo em realce as suas duas formas fundamentais: o agape e o eros.

O amor de Deus: agape e eros

A palavra agape, muitas vezes presente no Novo Testamento, indica o amor oblativo de quem procura exclusivamente o bem do próximo; a palavra eros denota, ao contrário, o amor de quem deseja possuir o que lhe falta e anseia pela união com o amado. O amor com o qual Deus nos circunda é sem dúvida agape. De facto, pode o homem dar a Deus algo de bom que Ele já não possua? Tudo o que a criatura humana é e possui é dom divino: é portanto a criatura que tem necessidade de Deus em tudo. Mas o amor de Deus é também eros. No Antigo Testamento o Criador do universo mostra para com o povo que escolheu uma predilecção que transcende qualquer motivação humana. O profeta Oseias expressa esta paixão divina com imagens audazes, como a do amor de um homem por uma mulher adúltera (cf. 3, 1-3); Ezequiel, por seu lado, falando do relacionamento de Deus com o povo de Israel, não receia utilizar uma linguagem fervorosa e apaixonada (cf. 16, 1-22). Estes textos bíblicos indicam que o eros faz parte do próprio coração de Deus: o Omnipotente aguarda o «sim» das suas criaturas como um jovem esposo o da sua esposa. Infelizmente desde as suas origens a humanidade, seduzida pelas mentiras do Maligno, fechou-se ao amor de Deus, na ilusão de uma impossível auto-suficiência (cf. Gn 3, 1-7). Fechando-se em si mesmo, Adão afastou-se daquela fonte de vida que é o próprio Deus, e tornou-se o primeiro daqueles «que, pelo temor da morte, estavam toda a vida sujeitos à escravidão» (Hb 2, 15). Deus, contudo, não se deu por vencido, aliás o «não» do homem foi como que o estímulo decisivo que o levou a manifestar o seu amor em toda a sua força redentora.

A Cruz revela a plenitude do amor de Deus

É no mistério da Cruz que se revela plenamente o poder incontível da misericórdia do Pai celeste. Para reconquistar o amor da sua criatura, Ele aceitou pagar um preço elevadíssimo: o sangue do seu Filho Unigénito. A morte, que para o primeiro Adão era sinal extremo de solidão e de incapacidade, transformou-se assim no acto supremo de amor e de liberdade do novo Adão. Pode-se então afirmar, com São Máximo, o Confessor, que Cristo «morreu, se assim se pode dizer, divinamente, porque morreu livremente» (Ambigua, 91, 1956). Na Cruz manifesta-se o eros de Deus por nós. Eros é de facto – como se expressa o Pseudo Dionísio – aquela «força que não permite que o amante permaneça em si mesmo, mas o estimula a unir-se ao amado» (De divinis nominibus, IV, 13: PG 3, 712). Qual «eros mais insensato» (N. Cabasilas, Vita in Cristo, 648) do que aquele que levou o Filho de Deus a unir-se a nós até ao ponto de sofrer como próprias as consequências dos nossos delitos?

«Aquele que trespassaram»

Queridos irmãos e irmãs, olhemos para Cristo trespassado na Cruz! É Ele a revelação mais perturbadora do amor de Deus, um amor em que eros e agape, longe de se contraporem, se iluminam reciprocamente. Na Cruz é o próprio Deus que mendiga o amor da sua criatura: Ele tem sede do amor de cada um de nós. O apóstolo Tomé reconheceu Jesus como «Senhor e Deus» quando colocou o dedo na ferida do seu lado. Não surpreende que, entre os santos, muitos tenham encontrado no Coração de Jesus a expressão mais comovedora deste mistério de amor. Poder-se-ia até dizer que a revelação do eros de Deus ao homem é, na realidade, a expressão suprema do seu agape. Na verdade, só o amor no qual se unem o dom gratuito de si e o desejo apaixonado de reciprocidade infunde um enlevo que torna leves os sacrifícios mais pesados. Jesus disse: «E Eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12, 32). A resposta que o Senhor deseja ardentemente de nós é antes de tudo que acolhamos o seu amor e nos deixemos atrair por Ele. Mas aceitar o seu amor não é suficiente. É preciso corresponder a este amor e comprometer-se depois a transmiti-lo aos outros: Cristo «atrai-me para si» para se unir comigo, para que eu aprenda a amar os irmãos com o seu mesmo amor.

Sangue e água

«Hão-de olhar para Aquele que trespassaram». Olhemos com confiança para o lado trespassado de Jesus, do qual brotam «sangue e água» (Jo 19, 34)! Os Padres da Igreja consideraram estes elementos como símbolos dos sacramentos do Baptismo e da Eucaristia. Com a água do Baptismo, graças à acção do Espírito Santo, abre-se para nós a intimidade do amor trinitário. No caminho quaresmal, recordando o nosso Baptismo, somos exortados a sair de nós próprios e a abrir-nos, num abandono confiante, ao abraço misericordioso do Pai (cf. São João Crisóstomo, Catechesi, 3, 14 ss.). O sangue, símbolo do amor do Bom Pastor, flui em nós especialmente no mistério eucarístico: «A Eucaristia atrai-nos para o acto oblativo de Jesus... somos envolvidos na dinâmica da sua doação» (Enc. Deus caritas est, 13). Vivamos então a Quaresma como um tempo «eucarístico», no qual, acolhendo o amor de Jesus, aprendemos a difundi-lo à nossa volta com todos os gestos e palavras. Contemplar «Aquele que trespassaram» estimular-nos-á desta forma a abrir o coração aos outros reconhecendo as feridas provocadas à dignidade do ser humano; impulsionar-nos-á, sobretudo, a combater qualquer forma de desprezo da vida e de exploração da pessoa e a aliviar os dramas da solidão e do abandono de tantas pessoas. A Quaresma seja para cada cristão uma experiência renovada do amor de Deus que nos foi dado em Cristo, amor que todos os dias devemos, por nossa vez, «dar novamente» ao próximo, sobretudo a quem mais sofre e é necessitado. Só assim poderemos participar plenamente da alegria da Páscoa. Maria, a Mãe do Belo Amor, nos guie neste itinerário quaresmal, caminho de conversão autêntica ao amor de Cristo. Desejo a vós, queridos irmãos e irmãs, um caminho quaresmal proveitoso, enquanto com afecto envio a todos uma especial Bênção Apostólica.



Vaticano, 21 de Novembro de 2006.

BENEDICTUS PP. XVI



© Copyright 2006 - Libreria Editrice Vaticana

ANO NOVO : PIOS VOTOS ?

Walter Covens #homilias em português
    Uma semana depois do Natal, logo a seguir à Festa da Sagrada Família, neste 1° de Janeiro de 2007, estamos mais uma vez reunidos junto ao Presépio. Já por ocasião do Natal e novamente para o Ano Novo (até ao dia 31 de Janeiro, dizem) temos a oportunidade de oferecer os nossos votos aos de quem gostamos … mais ou menos … sinceramente … mais ou menos. Os homens políticos e de Igreja, o banco onde temos depositado as nossas pequenas poupanças, os jornalistas e os animadores de programas televisuais, todos querem cantar-nos a mesma « canção ». Os votos, até os « melhores » não custam nada, a não ser um postal e um selo ( e cada vez menos nesta era da Internet).Fazem esforços enormes para inventar frases bonitas, com muitos adjectivos, superlativos : una autêntica inflação, um fogo de artifício, tais como aquele que temos visto à meia-noite, mas mais barato ! Como dizia o cardeal Martini, numa homilia de Natal :

« Falamos em votos sinceros, cordiais, muito cordiais mesmo, ardentes, muito ferventes : os superlativos manifestam a fraqueza das emoções, a distãncia entre as palavras e os sentimentos que queriamos realmente comunicar. Formulamos lindíssimos votos de saúde, de paz, de felicidade, mas acontece que as palavras manifestam a consciência que temos do caracter efémero daquelas lindas palavras . Afinal, temos a impressão embaraçosa de estar num formalismo vázio. Então perguntamos para nós mesmos donde vem aquela tensão, típica das grandes celebrações, entre a vontade ansiosa de formular votos e exprimir sentimentos poderosos, e ao contrário, a timidez, talvez o medo que nos faz duvidar da sinceridade ou até da cortesia das nossas fórmulas. »

    Fala-se mesmo de… « pios votos » . Esses são votos sem esperança. Nos votos que dirige este ano às « suas ovelhas» Dom MÉRANVILLE, o arcebispo da Martínica, encontramos ecos do que dizia o bispo emérito de MILÃO, em 1990 :
« No princípio do Novo Ano de 2007, trocamos os nossos votos. Não é só para seguir os costumes. Pois, além do seu formalismo, essses votos exprimem sobretudo o nosso desejo de sermos felizes. E porque ignoramos o que vai ser o ano que começa, queremos deste modo, por assim dizer, afastar sortes. Sabemos muito bem que os votos não têm eficácia mágica. Não basta exprimi-los para que se realizem. No entanto, ao exprimi-los eles agem um pouco como o método « Coué » e ficam com um autêntoco poder de auto-sugestão. »

    Temos ouvido o mesmo arcebispo ontém à noite, na TV, repetir as mesmas palavras. E quando ele escreve aos padres, é mesma coisa :
« Aqueles votos e desejos repetidos todos os anos podem assemelhar-se a simples formalidades. Tanto mais que, ano após ano, em vez de melhorar, as coisas e a vida parecem andar cada vez pior. A contagião do derrotismo e a tentação de baixar os braços estão à nossa porta »

    Realmente, aquelas duas analises são muito pessimistas, a respeito do costume de trocar os nossos votos por ocasião do Natal e do Ano Novo ! Mas não as devemos rejeitar muito facilmente. Devemos ter a coragem suficiente para as acolher serenamente afim de aproveitar os ensinamentos delas. Tenhamos « a coragem de ter medo » (M.D. Molinié) . Aquele medo que tentamos , de maneira muito desastrosa, quase irrisória, exorcismar pelos nossos votos, não o neguemos, não fugamos dele. Olhemos para ele face a face ! É verdade : somos « uma geração traumatizada por tantos choques », tantas incertezas. Hoje, a mortificação mais necessária e mais salutar para nós, não é a mortificação da carne por meio de cilícios, flagelações… é sim a mortificação da confiança, do abandono entre as mãos da Divina Providência.

    A Virgem Maria e São José, quando nasceu Jesus, suportaram com certeza muitas privações : o frio… a fome… Mas o mais difícil, o mais exigente para eles foi o abandono ao Pai. Maria tornou-se Mãe de Deus ao dizer « Sim » na Anunciação, mas aquele « sim », quantas vezes teve que o repetir, ao longo do caminho estreito e íngreme da vontade de Deus ao longo da sua vida ?

    São Franciso de Sales, chamado com razão « Doutor do abandono », repara no comportamento do próprio Jesus, uma escola de abandono cristão. Esse abandono não é só o abandono muçulmano, nem sequer a resignação de Job no Antigo Testamento. É o abandono de quem está baptizado no Sangue de Jesus. No dia 1 de Janeiro de 1931 (tinha então 28 anos, e ficava paralisada desde a adolescência, encarquilhada no seu pequeno sofá) Marthe ROBIN mandava escrever no seu jornal íntimo :
« O que é que me prepara este ano novo ? Não sei e não quero saber »
(Se toda a gente falasse assim, era o fim dos horóscopos e daquelas mulheres que pretendem prever o futuro !)
...Abandono-me ao socorro que nunca me faltou. O meu primeiro pensamento é um grito do coração : ‘Meu Deus, bendito sejais em tudo quanto me pedis ; eu aceito tudo, gosto de tudo. Aquele que é a Força ajudará, envolverá a minha fraqueza. O que importa é não querer nada e aceitar tudo, não pedir nada, amar tudo. É o meu « sim » cada dia renovado… É a ascenção dolorosa mas alegre, sem paragem nem marcha para trás… É o amor cada vez mais exposto ao sol do Amor divino. (…) Abandono-me com toda a simplicidade e amor a Jesus misericordioso. Ele sabe melhor do que eu todas as minhas necessidades e tudo quanto Ele precisa. Que isso baste para mim. Nada lastimar, daquilo que foi ou não foi ; nada é inútil, tudo serve para alguma coisa. Eu bendigo e bendirei o meu Deus por tudo o que eu sou, por tudo quanto fiz ou, melhor, por tudo quanto Ele fez por meio de mim… por mim. »

    Fala-se muito hoje em dia de « empenhamento ». Dizem : « É preciso empenhar-se ... o cristão tem que se empenhar ». Ora, escreve o padre Molinié, um Padre Dominicano, bastante idoso :
« A única maneira conveniente de chamar ao empenhamento não é cantar os louvores do empenhamento, mas os daquilo pelo que se empenha. (…) O verdadeiro empenhado não fala no seu empenhamento, mas fala, isso sim, da Realidade que merece o seu empenhamento (…) Aqueles que se agarram à natureza humana, ao que fica bom e sólido no homem, apoiam-se, ao meu ver, na areia. A geração actual conhece tantas dúvidas, tanto desánimo, tanto transtorno em tudo quanto parecia o mais sólido, que, no ponto de vista humano, já não há salvação possível. O equilíbrio nervoso tornou-se tão fraco ! Ja não sabem o que quer dizer a fidelidade à palavra dada, a uma promessa…

É estéril deplorar isso todo. Se amassemos realmente Jesus Cristo, ficariamos alegres por não ter soluções, mas só Ele, o Salvador. Essa é a boa maneira de ser moderno, não há outra. Mesmo que se deixem enganar por miragens, os jovens pedem realidades. Ora, a única realidade que nós possamos lhes oferecer é o amor de Deus. Quando não se pode fazer mais nada humanamente, essa é única coisa que possamos dar. Se não a tivermos, não temos nada, merecemos ser varridos e pisados. É verdade perante os moribundos, os doentes, os prisoneiros, que perderam tudo, dos desesperados em geral.. É verdade, afinal, para a geração actual. Se quisermos ser « actuais », não nos devemos agarrar aos valores humanos que se desmonoram, mesmo que sejam bons. (…)

Jovens ou velhos, se não formos para o Salvador e sua graça, já não temos mais nada. É sempre errado agarrar-se a valores humanos, mas joje em dia , isso é mortal porque se desmonoram. A pior maneira de ser « do seu tempo » é ser humanista. Ha épocas em que isso é possível, em que não é catastrófico. Finalmente é um bom caminho começar por amar o homem na sua verdade, para se erguer pouco a pouco em direcção ao Reino. Mas hoje, pode ser um sonho perigoso pois dispensa procurar o verdadeiro remédio. Essa geração desequilibrada não será « humana » : será divina ou demoníaca, sobrenatural ou decomposta.

    Eis uma opinião que não se ouve todos os dias, e muito menos num primeiro de Janeiro. São palavras vigorosas que sacodem. Mas queria dizê-lhas hoje. Confio-as à intercessão da Mãe de Deus que é também nossa Mãe. A vocação sacerdotal é dar Jesus como só ele se pode dar. Mas não é a única maneira. Maria não era sacerdote. José também não. Deram Jesus, mais nada, e cumpriram o seu dever de esposo e de esposa, de pai, de mãe, de carpinteiro , de dona de casa, fielmente, até ao fim.

    Então, pela intercessão deles, com toda a Igreja, rezemos e peçamos a Deus, não como o mundo : « primeiro a saude », mas sim, como a liturgia nos ensina : a fidelidade ao Evangelho :

« Deus, que és a vida sem princípio nem fim,
nós te confiamos este ano novo ;
Fica connosco até ao seu fim :
Que ele seja para nós, mediante a tua graça, um tempo de felicidade,
E mais ainda, um tempo de fidelidade ao Evangelho »
(Oração da missa « para começar o ano »)

O « EVANGELHO DA CRIANçA »

Walter Covens #homilias em português
Queridas crianças!

Nasce Jesus
(…)
    O Natal é a festa de um Menino, de um Recém-nascido. É, portanto a vossa a vossa festa ! (…)

    Parece que estou a ver-vos: andais a preparar o presépio, em casa, na paróquia, em cada canto do mundo, reconstruindo o clima e o ambiente em que nasceu o Salvador. É verdade! Durante o período natalício, a gruta com a manjedoura ocupa o lugar central na Igreja. E todos se apressam a ir em peregrinação espiritual até lá, como os pastores na noite do nascimento de Jesus. Mais tarde, será a vez dos Magos chegarem do Oriente distante, seguindo a estrela até ao lugar onde foi colocado o Redentor do universo.

    Também vós, nos dias de Natal, visitais os presépios, parando a ver o Menino deitado nas palhinhas. Olhais sua Mãe, São José, guardião do Redentor. Ao contemplar a Sagrada Família, pensais na vossa família, aquela onde viestes ao mundo. Pensais na vossa mãe, que vos deu à luz, e no vosso pai. Eles preocupam-se com o sustento da família e com a vossa educação. Com efeito, tarefa dos pais não é apenas a de gerar os filhos, mas também de os educar desde o seu nascimento.

    Queridas crianças, escrevo-vos a pensar no tempo - já lá vão muitos anos - em que também eu era menino como vós. Também eu vivia, então, a atmosfera feliz do Natal, e quando brilhava a estrela de Belém corria ao presépio, junto com os da minha idade, para reviver o que sucedeu há 2000 anos, na Palestina. Nós, crianças, manifestávamos a nossa alegria sobretudo com o canto. Como são belos e comoventes os cânticos natalícios, que, segundo a tradição de cada povo, se alternam à volta do presépio! Como são profundos os pensamentos neles contidos, e sobretudo quanta alegria e ternura neles se exprime ao Deus-Menino, que veio ao mundo na Noite Santa!

    Também os dias que se seguem ao nascimento de Jesus, são dias de festa: assim, oito dias depois, recorda-se que, como mandava a tradição do Antigo Testamento, foi dado ao Menino um nome: foi chamado Jesus. Após quarenta dias, comemora-se a sua apresentação no Templo, como sucedia com todo o filho primogénito de Israel. Naquela ocasião, teve lugar um encontro extraordinário: Nossa Senhora, que chegava ao Templo com o Menino, vê vir ao seu encontro o velho Simeão, o qual, tendo pegado Jesus pequenino em seus braços, pronunciou estas palavras proféticas: « Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz, segundo a tua palavra, porque os meus olhos viram a Salvação, que preparaste em favor de todos os povos: Luz para iluminar as nações e glória de Israel, teu povo » (Lc 2, 29-32). Voltando-se depois para Maria, sua mãe, acrescentou: « Este Menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma, a fim de se revelarem os pensamentos de muitos corações » (Lc 2, 34-35). Assim pois, já nos primeiros dias da vida de Jesus, ressoa o anúncio da Paixão, à qual um dia será associada também a Mãe, Maria: na Sexta-feira Santa, estará silenciosa ao pé da Cruz do Filho. Aliás, não deverá transcorrer muito tempo depois do nascimento até o pequenino Jesus Se achar sujeito a grave perigo: o cruel rei Herodes mandará matar todos os meninos com menos de dois anos, pelo que Ele será obrigado a fugir com os pais para o Egipto.

    Certamente conheceis muito bem estes factos ligados ao nascimento de Jesus. Foram-vos contados pelos vossos pais, os padres, os professores, os catequistas; e, além disso, cada ano voltais a vivê-los espiritualmente no período das festas natalícias, juntamente com toda a Igreja: portanto, vós tendes conhecimento destes aspectos dramáticos da infância de Jesus.

    Queridos amigos! Nas vicissitudes do Menino de Belém, podeis reconhecer a sorte das crianças de todo o mundo. Se é certo que uma criança constitui a alegria dos pais, e também da Igreja e da sociedade inteira, é igualmente verdade que nos nossos tempos, infelizmente, muitas crianças sofrem e vivem ameaçadas, em várias partes do mundo: padecem fome e miséria, morrem por causa das doenças e da desnutrição, caem vítimas das guerras, são abandonadas pelos pais e condenadas a ficar sem casa, privadas do calor de uma família própria, sofrem muitas formas de violência e prepotência por parte dos adultos. Como é possível permanecer indiferente perante o sofrimento de tantas crianças, especialmente quando, de qualquer modo, é causado pelos adultos?

Jesus comunica a Verdade

    Aquele Menino, que, no Natal, contemplamos deitado na manjedoura, com o passar dos anos cresceu. Como sabeis, aos doze anos Ele deslocou-Se pela primeira vez, juntamente com Maria e José, de Nazaré a Jerusalém por ocasião da Festa da Páscoa. Lá, perdido no meio da multidão dos peregrinos, separou-Se dos pais e, junto com outros da sua idade, pôs-Se a ouvir os doutores do Templo, como se fosse uma « sessão de catequese ». Realmente as festas eram ocasiões propícias para transmitir a fé aos rapazes com a mesma idade de Jesus. Sucedeu, porém, que, durante tal encontro, o Adolescente extraordinário, vindo de Nazaré, não só fez perguntas muito inteligentes, mas Ele próprio começou a dar respostas profundas àqueles que O estavam a ensinar. As perguntas e, mais ainda, as respostas maravilharam os doutores do Templo. Era aquela mesma admiração que, mais tarde, haveria de acompanhar a pregação pública de Jesus: o episódio do Templo de Jerusalém não era senão o início e como que o prenúncio daquilo que viria a acontecer alguns anos mais tarde.

    Queridos rapazes e meninas que andais pelos doze anos como Jesus, este episódio da sua vida não vos faz lembrar as lições de religião, que tendes na paróquia e na escola, e às quais sois convidados a tomar parte? Quereria, então, fazer-vos algumas perguntas: qual é a vossa atitude face às aulas de religião? Deixais-vos enlevar como Jesus aos doze anos no Templo? Sois diligentes a frequentá-las na escola e na paróquia? Ajudam-vos nisso os vossos pais?

    Com doze anos, Jesus ficou de tal modo compenetrado por aquela catequese no Templo de Jerusalém que, de certa forma, esqueceu até os próprios pais. Maria e José, tomando a estrada de regresso para Nazaré juntamente com outros peregrinos, depressa se deram conta da ausência de Jesus. Longas foram as buscas. Voltaram sobre os seus passos, e somente ao terceiro dia é que O conseguiram encontrar em Jerusalém no Templo. « Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura » (Lc 2, 48). Como é estranha a resposta de Jesus, e quanto dá que pensar! « Porque Me procuráveis? - disse Ele -. Não sabíeis que devo ocupar-Me das coisas de meu Pai? » (Lc 2, 49). Era uma resposta difícil de aceitar. O evangelista Lucas acrescenta simplesmente que Maria « guardava todas estas coisas no seu coração » (2, 51). Efectivamente, era uma resposta que só mais tarde se tornaria compreensível, quando Jesus, já adulto, teria iniciado a pregar, declarando que, pelo seu Pai celeste, estava disposto a enfrentar qualquer sofrimento e até mesmo a morte na cruz.

    Jesus voltou de Jerusalém com Maria e José para Nazaré, onde viveu submisso a eles (cfr. Lc 2, 51). A propósito deste período, anterior ao início da pregação pública, o Evangelho diz apenas que Ele « crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens » (Lc 2, 52).

    Queridos adolescentes, no Menino que admirais no presépio, aprendei a ver já o rapaz de doze anos que dialoga com os doutores, no Templo de Jerusalém. Ele é o mesmo homem adulto que mais tarde, pelos trinta anos, começará a anunciar a palavra de Deus, escolherá os doze Apóstolos, será seguido por multidões sequiosas de verdade. A cada passo, confirmará o seu ensinamento extraordinário com os sinais do poder divino: restituirá a vista aos cegos, curará os doentes, até os mortos ressuscitará. E entre os mortos chamados à vida, contar-se-á a filha de Jairo - também ela com doze anos -, e o filho da viúva de Naim, restituído vivo à sua mãe banhada em lágrimas.

    É assim mesmo: este Menino, acabado agora de nascer, quando Se tornar grande, como Mestre da Verdade divina, manifestará um afecto extraordinário pelas crianças. Dirá aos Apóstolos: « Deixai vir a Mim as criancinhas, não as afasteis », acrescentando: « Pois a quem é como elas pertence o Reino de Deus » (Mc 10, 14). Outra vez, quando os Apóstolos discutiam sobre quem seria o maior, por-lhes-á diante uma criança dizendo: « Se não vos converterdes voltando a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino dos Céus » (Mt 18, 3). Naquela ocasião, pronunciará também palavras de advertência muito severas: « Mas se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem em volta do pescoço uma mó de moinho, das movidas pelos jumentos, e o lançassem nas profundezas do mar » (Mt 18, 6).

    Como é importante a criança aos olhos de Jesus! Poder-se-ia mesmo observar que o Evangelho está profundamente permeado pela verdade sobre a criança. Até seria possível lê-lo, no seu todo, como o « Evangelho da criança ».

    Na verdade, que quer dizer: « Se não vos converterdes voltando a ser como as criancinhas, não podereis entrar no Reino dos Céus »? Porventura não apresenta Jesus a criança como modelo também para os adultos? Na criança, há algo que nunca poderá faltar em quem deseja entrar no Reino dos Céus. Ao Céu, estão destinados aqueles que são simples como as crianças, quantos são cheios de confiante abandono, ricos de bondade e puros como elas. Só esses podem encontrar em Deus um Pai, e tornarem-se, por sua vez e graças a Jesus, igualmente filhos de Deus.

    Não é esta a principal mensagem do Natal? Lemos em São João: « E o Verbo fez-Se homem e habitou entre nós » (1, 14); e ainda: « A todos os que O receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus » (1, 12). Filhos de Deus! Vós, queridos adolescentes, sois filhos e filhas dos vossos pais. Pois bem, Deus quer que todos sejamos seus filhos adoptivos, mediante a graça. Está aqui a verdadeira fonte da alegria do Natal, a propósito da qual vos escrevo já quase no final do Ano da Família. Alegrai-vos por este « Evangelho da filiação divina ».


Louvai o nome do Senhor!

    Permiti, queridos meninos e meninas, que, no final desta Carta, recorde as palavras de um Salmo que sempre me tocaram: Laudate pueri Dominum! Louvai, meninos, louvai o nome do Senhor! Bendito seja o nome do Senhor agora e para sempre! Desde o nascer ao pôr do sol, seja louvado o nome do Senhor (cfr. Sal 112113,1- 3). Quando medito as palavras deste Salmo, passam diante dos meus olhos os rostos das crianças de todo o mundo: do Oriente ao Ocidente, do Norte ao Sul. É a vós, meus amiguinhos, sem distinção de língua, de raça ou nacionalidade, que digo: Louvai o nome do Senhor!

    E uma vez que o homem deve louvar a Deus, antes de mais, com a vida, não vos esqueçais daquilo que Jesus, com doze anos, disse a sua Mãe e a José no Templo de Jerusalém: « Não sabíeis que devo ocupar-Me das coisas de meu Pai? » (Lc 2, 49). O homem louva a Deus seguindo a voz da própria vocação. Deus chama cada homem, e a sua voz faz-se sentir já na alma da criança: chama a viver no matrimónio ou então a ser sacerdote; chama à vida consagrada ou talvez ao trabalho nas missões... Quem sabe?! Rezai, queridos rapazes e meninas, para descobrirdes qual é a vossa vocação, para depois a seguirdes generosamente.

Vaticano, 13 de Dezembro de 1994.
JOAO PAULO II, CARTA ÀS CRIANÇAS NO ANO DA FAMILIA
Copyright © Libreria Editrice Vaticana

 

 

NATAL PORTUGUÊS (ORLÉANS, 2006)

Gabriel Jeuge #homilias em português
Escutemos primeiro este poema, escrito pelo Padre Manuel Augusto, Comboniano:


As luzes estão aí, acesas de muitas cores,
a animar as ruas da cidade e das aldeias,
Mas o Natal da luz, o teu Natal, que te há-de transformar em luz,
não é esse...

A música está no ar, a embalar os espíritos
com mensagens quentas para ajudar
a esquecer o frio que aperta.
Mas o Natal da música,
que renova o teu coração e te dá calor
nos invernos da vida, não é esse...

As lojas estão cheias de objectos a consumir,
de brinquedos para distrair,
de roupas para luzir, de comida para fartar.
Mas o Natal da riqueza a que aspiras,
do cumprimento das tuas expectativas mais
genuínas - os desejos de amor, de felicidade,
de harmonia e de paz - não é esse...

Natal é de Cristo!
É o de Belém, da gruta, de Maria e de José
que acolhem o Deus Menino, dos Pastores
que contemplam extasiados, dos anjos
que cantam em uníssono "Glória a Deus nos
Céus e paz na terra às pessoas
de boa vontade".

- Acho, caros Amigos, que não se pode falar melhor de Natal, et do abismo que existe entre o Natal dos cristãos e o Natal daqueles que não têm fé...


No entanto, mesmo que sejamos cristãos et façamos todo o possível para celebrar o Natal com devoção, temos que confessar que percebemos pouco o significado profundo do Natal.
Eu tive a oportunidade de ler, num jornal português ("Diario do Minho") algumas reflexões que quero partilhar consigo, a propósito do ESPANTO que deviamos sentir diante do Mistério de Natal. Eis o essencial do que diz o autor :
"Nós que todos os anos vivemos o Natal perdemos o espanto perante o Natal. Essa é uma das piores coisas que pode acontecer a quem vive todos os anos o Natal. De facto, aqueles que participam com fervor na celebração anual do Natal sentem muitas emoções acerca dele, desde a elevação espiritual à indignação perante o consumismo e o desinteresse da sociedade. Mas raramente sentem aquilo que é o mais adequado perante o mistério natalício: o espanto.
O espanto principal vem, naturalmente, do próprio acontecimento que se celebra: que Deus omnipotente, que não cabe nos Céus, tenha decidido descer até nós e nascer como um menino, é algo de inaudito, inconcebível, quase inacreditável. Este é o mistério central da nossa fé cristã, mas dificilmente o conseguimos entender, quanto mais descrever, de tal forma ele ultrapassa tudo o que podemos imaginar. Vivemos todos os dias com ele, mas não somos capazes de compreender aquilo em que baseamos a nossa própria vida. O nosso Deus é, sem dúvida, espantoso! (...)
Por outro lado, todos falam do “espírito natalício” mesmo quando ignoram o tal significado espiritual. De múltiplas maneiras e formas, os meios agnósticos, pagãos e até ateus se sentem tocados por uma mística que não "sabem de onde vem. “Festa da família”, “tradição popular”, “quadra da solidariedade”, “reino do Pai Natal” são  maneiras comuns de descrever aquilo que ninguém consegue explicar, mas que todos sentem palpavelmente nesta quadra.(...)
Mas não existem muitas dúvidas que a razão última do fenómeno vem, simplesmente, do facto indiscutível que o nosso Deus é espantoso ».


Amigos, não so Deus é espantoso, mas o Menino Jesus, o Bébé do presépio, é espantoso, na sua pessoa divina, já presente, mas escondida... É por causa disso porque o Menino Jesus é Deus, que nós temos de respeitar as imagens vivas de Jesus que são todas as crianças do mundo, até as que, antes de nascer, estão no seio da sua mãe... Quero dizer uma palavra nisso, porque, como sabem, em Portugal , vão fazer um referendo, no mês de Fevereiro, para saber se o povo português quer ou não quer autorizar o aborto. Já disse qualquer coisa nisso, no fim da missa do 10/12... Hoje, dia da Nascença de Jesus, que já era uma Pessao divina no seio de Maria, é uma oportunidade para lembrar o que disseram os Bispos de Portugal, no passado mês de Outubro. Deram 5 razões para dizer "Não" ao referendo. Eis o que eles disseram, em resumo:

1ª. O ser humano está todo presente desde o início da vida, quando ela é apenas embrião. E esta é hoje uma certeza confirmada pela Ciência: todas as características e potencialidades do ser humano estão presentes no embrião. A vida é, a partir desse momento, um processo de desenvolvimento e realização progressiva, que só acabará na morte natural. O aborto provocado, sejam quais forem as razões que levam a ele, é sempre uma violência injusta contra um ser humano, que nenhuma razão justifica eticamente.

2ª. A legalização não é o caminho adequado para resolver o drama do “aborto clandestino”, que acrescenta aos traumas espirituais no coração da mulher-mãe que interrompe a sua gravidez, os riscos de saúde inerentes à precariedade das situações em que consuma esse acto.

3ª. Não se trata de uma mera “despenalização”, mas sim de uma “liberalização legalizada”, pois cria-se um direito cívico, de recurso às instituições públicas de saúde, preparadas para defender a vida e pagas com dinheiro de todos os cidadãos.
Nunca fizemos disso uma prioridade na nossa defesa da vida, porque pensamos que as mulheres que passam por essa provação precisam mais de um tratamento social do que penal.

4ª. O aborto não é um direito da mulher. Ninguém tem direito de decidir se um ser humano vive ou não vive, mesmo que seja a mãe que o acolheu no seu ventre.

5ª. O aborto não é uma questão política, mas de direitos fundamentais. A lei sobre a qual os portugueses vão ser consultados em referendo, a ser aprovada, significa a degenerescência da própria lei. Seria mais um caso em que aquilo que é legal não é moral.

CONCLUSAO : Pedimos a todos os fiéis católicos e a quantos partilham connosco esta visão da vida, que se empenhem neste esclarecimento das consciências. Façam-no com serenidade, com respeito e com um grande amor à vida. E encorajamos as pessoas e instituições que já se dedicam generosamente às mães em dificuldade e às próprias crianças que conseguiram nascer.

(Infelizmente, os Portugueses que vivem fora do territorio português não poderão votar... Mas podemos falar... e rezar muito, para que o Menino Jesus ilumine as consciências)

1 DE NOVEMBRO : FESTA DE TODOS OS SANTOS

Gabriel Jeuge #homilias em português
    Estamos aqui reunidos para celebrar "TODOS OS SANTOS"... Não sei porque, mas esta festa, na mentalidade da maior parte dos cristãos, se tornou "Celebração dos mortos"... Está certo que os santos todos morreram ( menos os "santos" que vivem à nossa volta, desconhecidos de todos). Mas celebrar os Santos não quer dizer "rezar pelos nossos defuntos". Celebrar os Santos é alegrar-se e dar graças a Deus por todos quantos estão no Céu... e são muitos! temos ouvido, na primeira leitura, o autor do Apocalipse falar na multidão dos santos : "Eu, João... vi uma multidão imensa, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e linguas. Estavam de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão. E clamavam em alta voz: 'A salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro'"... O texto quer falar na multidão dos Santos que vivem na felicidade eterna, na presença de Deus, que cantam a glória de Deus e do Cordeiro (Jesus). Não fala na oração pelos defuntos. Isso quer dizer que, hoje, somos convidados, antes de mais nada, a participar alegremente na felicidade dos santos, e agradecer com eles todos a Deus Pai e ao Cordeiro-Jesus, pela salvação recebida do Senhor... Hoje é dia de festa, não é dia de saudades. Amanhã, sim, será o dia dos mortos e seremos convidados a rezar pelos mortos. É preciso não misturar tudo!

    Quem são, então os Santos que celebramos hoje? A resposta é múltipla : em primeiro vem a Virgem Maria, Rainha dos Santos, a seguir, os santos que a Igreja canonizou, e são muitos. Sabemos que o falecido Papa João-Paulo II canonizou mais santos do que todos os papas juntos desde há muitos séculos! Muitos têm um dia de festa especial : basta ver um calendário, cada dia do ano tem um ou vários santos! Mas os santos canonizados são muito mais numerosos do que os dias do ano... Além disso, o Céu está cheio de santos e santas não canonizados : são as pessoas que levaram na terra uma vida santa, quer dizer uma vida parecida com a de Jesus, que é, afinal o único Santo : de tal modo que, ao chegarmos no Céu, teremos a surpresa de encontrar pessoas que não tinhamos pensado que fossem santas : pai, mãe, avos, familiares,filhos, vizinhos, amigos e até pessoas de quem não gostavamos.

    E também nós, ficaremos santos com os santos, com a multidão imensa de que falavamos.

    Então, é possivel sermos santos? Claro : é mesmo a vontade de Deus : "Sejais Santos como Eu sou santo". Como será possivel? Haverá um caminho para chegar ao Céu e estar santo com os santos? Há, sim, e é Jesus : "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida", disse Jesus um dia.. O nosso caminho de santidade é o próprio Jesus.

    Jesus é o Caminho... mas o que quer dizer? Como é que uma pessoa, fosse o próprio Filho de Deus pode ser "caminho"? Jesus é "caminho" porque é o modelo de santidade que temos de seguir, da mesma maneira como seguimos uma estrada ou um caminho de terra..

    As chamadas "Bem Aventuranças" que temos ouvido no Evangelho não são afinal outra coisa, a não ser um "roteiro", um "mapa" que nos indica o caminho seguido por Jesus, pelos santos do Céu, e que nós temos de seguir também : o caminho da santidade...

    Se quiserem, vamos tomar cada uma das 8 "Bem aventuranças" e ver como Jesus as praticou na sua vida terrena; juntaremos cada vez um Santo ou uma Santa que as praticou de maneira exemplar.

1/ "Bem aventurados os pobres em espírito" (em vez de dizer "Bem-aventurados", vamos dizer so "Felizes": é igual e mais compreensível)
- JESUS viveu pobre : nasceu na pobreza do presépio, viveu numa família pobre (não miserável, mas muito simples); mais tarde, disse assim: « O Filho do Homem não tem uma pedra para pôr a sua cabeça"
- Um SANTO pobre : o mais conhecido é S. Fr. de Assis, qualificado de "Poverello" isto é: o pobrezinho... Ninguém levou vida mais pobre desde que descobriu "Dama Pobreza", como dizia;

2/ "Felizes os humildes"
- JESUS foi humilde : "Vinde a Mim... porque sou humilde de coração!" Jesus nunca procurou as honras, viveu durante 30 anos desconhecido de todos, fugiu quando o quiseram proclamar Rei. Gostou de frequentar os pobres, os pequenos, os pecadores...
- Uma Santa humilde : Sta Teresinha do Menino Jesus : desde pequena, quis viver só com Deus e por Deus no Carmelo... entrou no claustro com 15 anos e nunca mais saiu... Desde então levou uma vida de oração, de pobreza, de sacrifícios, de doença, tudo oferecido pelos Missionários... So foi conhecida depois da sua morte

3. "Felizes os que choram"
- JESUS chorou : o Evangelho fala duas vezes das lágrimas de Jesus : uma vez diante du túmulo de Lázaro morto, outra vez sobre Jerusalém, por causa de ela recusar a salvação.
- Uma SANTA que chorou : a BEATA ALEXANDRINA de Balasar : todas as sextas-feiras, sofreu a paixão de Jesus... apesar de sofrer muito, ela gostava de sofrer tanto por amor de Jesus , para salvar os pecadores.

4. "Felizes os que têm fome e sede de justiça". Ser "justo", na Bíblia significa :ser exactamente o que Deus quer.
- JESUS conheceu aquela fome e sede: durante toda a sua vida, só quis fazer o que Seu Pai queria. "O Pai ama-me, porque faço sempre o que Ele quer"
- Um SANTO cheio de fome e sede: Claro que todos os Santos, sem excepção quiseram ser e fazer o que Deus queria. Só um exemplo: S. Vicente de Paulo, um Santo francês, que passou a vida toda a socorrer os pobres e doentes.

5. "Felizes os misericordiosos". Ser misericordioso é ter piedade de todos os que estão na miséria..
- JESUS foi misericordioso : cada vez que curou um doente , quando multiplicou os pães, quando perdoou aos que o matavam ...
- Um SANTO misericordioso : S. Maximiliano KOLBE, aquele franciscano polaco, preso no campo da morte de Auschwitz, que tomou o lugar dum pai de família condenado à morte; teve piedade daque homem e morreu em vez dele.

6. "Felizes os puros de coração"... Ser "puro" não fala só na pureza "sexual", mas também na pureza duma alma limpa, sem pecado.
- JESUS foi "puro": nunca cometeu o mínimo pecado
- EXEMPLO de pureza : Mais uma vez, todos os santos foram puros. Citemos só um exemplo : os pequenos FRANCISCO e JACINTA que , depois de ver Nossa Senhora, passaram a sua curta vida na única vontade de "consolar" Nosso Senhor e Nossa Senhora.

7. "Felizes os que promovem a paz"
- JESUS trabalhou sempre pela paz, não pela paz das armas, mas sim pela paz das almas : "Dou-vos a paz, deixo-vos a minha paz"
- Um santo pacificador : (apesar de não ser canonizado) o Papa Bento XV, que sempre trabalhou pela paz durante a 1a Guerra mundial. Foi por isso que o nosso Papa Bento XVI escolheu o mesmo nome.

8. "Felizes os que sofrem perseguição por amor da justiça"
- JESUS foi perseguido por aquele motivo : toda a sua Paixão é uma manifestação disso.
- Exemplo : os MÁRTIRES dos primeiros séculos, mas não só: até hoje há perseguições e cristãos a morrer : podemos lembrar aqui os monges franceses que foram assinados na Argélia, há uns dez anos, por ódio da religião cristã.

    Assim é o nosso "roteiro" que nos indica o caminho do Céu que temos todos de seguir. Claro que só foi possível evocar alguns nomes, uma vez que, para ser completo, era preciso escrever uma biblioteca enorme! Jesus praticou as "Bem-Aventuranças", os Santos também, cada um conforme a sua maneira e vocação... Mas o caminho fica traçado. Ao recordarmos hoje Todos os Santos, lembramo-nos do nosso destino pessoal. Tenho eu que praticar também aquelas Bem-Aventuranças. Não é uma coisa vulgar. É mesmo muito difícil. Mas Jesus é o nosso CAMINHO, um caminho vivo que nos dá a força para andarmos para frente, rumo ao Céu.Amen!

A TRANSFIGURAÇÃO ( Tradução de " La Transfiguration ")

Walter Covens #homilias em português
       A festa da TRANSFIGURAÇÃO só foi generalizada no Ocidente no Século 15. Até hoje, os nossos irmãos das Igrejas Orientais celebram-na com maior fervor do que nós. Além disso, nota-se que a Igreja ocidental gosta mais de imitar Jesus nos seus sofrimentos, enquanto que a Igreja oriental é mais sensível a Jesus glorioso. Chegará lembrar duas figuras emblemáticas : dum lado, Francisco de Assis estigmatizado, do outro S. Serafim de Sarov. Da mesma maneira que F. de Assis foi configurado na sua própria carne com Cristo sofredor pelos estigmatas visíveis, assim Serafim foi realmente tranfigurado no seu corpo diante dos seus contemporáneos.

       Mas João Paulo II pediu-nos para aprender a respirar com os nossos dois pulmões : o ocidental e o oriental . Ele próprio mostrou o caminho ao convidar-nos para nos emprenharmos muitas vezes da graça daquela realidade pela meditação do 4° mistério luminoso do Rosário.

       Não é só para imitar os cristãos orientais e também não só por odediência ao Sto Padre que temos de seguir rapida- e amorosamente Jesus na montanha. É antes de mais nada por fidelidade às Escrituras. Como podiamos deixar de ser tocados pela importância do relato feito pelos três evangelhos sinópticos ? A Transfiguração aparece, não só como que um intervalo bemvindo no trabalho apostólico. Ela tem também uma importância excepcional que tornou alegres todos quantos se deixaram atrair pela sua luz.

       S.Marco é quem mostra a Transfiguração da maneira mais radical, como que um momento muito importante na vida pública de Jesus : depois da profissão de fé de Pedro, Jesus anuncia aos seus discípulos, pela primeira vez, os seus futuros sofrimentos, bem como a necessidade da renuncia por quem se quer tornar verdadeiro discípulo seu. A seguir vem o relato da Transfiguração, seguido pela cura duma criança epiléptica e pelo 2° anúncio da Paixão. Em resumo, é aquele que há-de se desfigurado pela dor quem é transfigurado na glória.

       Aqui também não esqueçamos a herança de João Paulo II que deixou o ícone da Transfiguração… como uma espécie de prenda a todas as pessoas consagradas, notando que a Transfiguração não é só uma revelação da glória de Cristo, mas também uma preparação para aceitarmos a Sua Cruz (" Vita consagrata ", 14)

       Se a riqueza dos três relatos da Transfiguração já é tão deslumbrante que não deixa de embaraçar os melhores exegetas ( ?), como se poderá falar da experiência feita por Pedro, Tiago et João…. e tantos outros depois deles ? E se a 2a Carta de Pedro nos diz : " Têm razão de fixar a vossa atenção na palavra (dos Profetas) como que numa lâmpada acesa na escuridão… " quanto mais teremos razão de a fixar hoje no evangelho ! Contentaremo-nos modestamente de fixar a nossa atenção nos elementos próprios de S. Marco.

       Enquanto S.Mateus acentua a voz do Céu (sinal de que acabou o tempo de ser discípulo de Moisés, de Elias e de todos os demais profetas, uma vez que chegou o tempo de escutar Jesus)… Enquanto S. Lucas acentua a nuvem (sinal da presença divna e da sua glória) … S.Marco acentua a pessoa de Jesus, o Messias, cuja Transfiguração na presença dos três discípulos é , por assim dizer, o prelúdio e o penhor da futura ressurreição. Mesmo que queiramos ficar na tenda da presença transfigurante de Jesus, aquela presença é incompreensível e estamos cheios de temor e de incompreensão : " (Pedro) não sabia o que havia-de dizer, por causa do medo que tinham todos ". S.Marco usará das mesmas palavras para descrever a reacção daqueles discípulos no Monte das Oliveiras (Mc 14,40) Da mesma maneira, só S.Marco é quem nota : " Ninguém na terra pode realizar uma brancura destas ". Achamos que Marco quer dizer : " Sejamos indulgentes frente à incompreensão dos 3 discípulos, pois o que viram ultrapassa tudo quanto costumamos ver ; nunca antes alguém tinha visto aquilo : foram os primeiros ! "

       Também só S.Marco repara no fim : " De repente, olhando à volta deles, não viram mais ninguém a não ser Jesus, sozinho com eles ".

       Afinal, " guardaram fielmente a ordem (de não falar a ninguém do que tinham visto…), mas pensavam interiormente no que queria dizer " resuscitar dentre os mortos "

       Sem dúvida, é por causa das particularidades de S.Marco que seu relato (como o da Paixão) é aquele que mais nos comove. Frente à tanta luz, ficamos como que " estúpidos ". O temor de Pedro, Tiago e João torna-se nosso, está bem assim. Já seremos capazes de ser curados duma doença que nos pode atingir a todos : a de ser tão habituados a ouvir o evangelho que já nem sabemos quem estamos a escutar ; a de dizer " Jesus é Senhor " enquanto que nem sabemos o que dizemos ; a de ir à misa " para nos desembaraçar do Bom Deus " como dizia o Sto Cura de Ars ; a de comungar sem nos lembrar de quem recebemos… afinal, a de viver sem saber porquê e para quem vivemos

       Harvey Cox escreveu mais ou menos isto : " Nós, cristãos, temos tanto delipidado a herança da escatologia cristã que já só vemos com um olhar extinto um Jesus ao olhar extinto "

       Um inquériro realizado nos E.U.A entre 2001 e 2005 junto de adolescentes e dos pais deles revelou que a suposta educação cristã transmitida pelos pais aos filhos já não passa dum deismo vago e moralizador, do estilo : " Se não fores obediente, Jesus vai castigar-te "

       Então, tomemos bem depressa o remédio indicado pelo salmo : " Quem ólha para Ele resplandecerá sem sombra nem perturbação na cara… Provai e vede como o Senhor é bom ! Feliz o homem que fica ao abrigo dEle ".

       Um olhar demorado para um ícone da Transfiguração (ou outro), um tempo de adoração do Santíssimo Sacramento, uma dezena do Terço com meditação do evangelho : esses são tantos remédios contra aquela doença que hoje em dia mata tanta gente, quando não deixa os feridos desfigurados.


(Tradução : G.Jeuge)

PENTECOSTES (Traduction de l’homélie " Pentecôte ")

Walter Covens #homilias em português
       O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santísssima Trindade, a que nos parece a mais misteriosa, a menos conhecida.. A culpa não é necessariamente a da Igreja, dos Sacerdotes. O próprio Espírito Santo fica sempre muito discreto, nunca fala de si.

       Cuidado ! O Pentecostes não é a festa do Espírito Santo ! também não há festa do Pai e o Natal não é festa de Jesus ! Pois, todas as festas cristãs são trinitárias. A nossa profissão de fé é trinitária. Depois de proclamar que cremos no Pai Todo Poderoso, no Seu Filho Jesus Cristo Nosso Senhor, dizemos : " Creio no Espírito Santo ". Portanto, o Espírito Santo é uma Pessoa divina, exactamente como o Pai e o Filho são Pessoas divinas.Para falar no Espírito Santo precisamos de imagens. Ainda têm, com certeza, algumas recordações do catecismo= fala-se em vento, fogo, luz, água, pomba, unção, selo… Mas todos esses símbolos podem fazer com que o Espírito Santo seja percebido como que um fluido,, uma irradiação, uma onda positiva, como se diz. O mais importante não é o falar mas o viver. O símbolo leva à reflexão, mas por cima de tudo leva à acção. O uso dos símbolos não tem sentido a não ser para quem vive deles.

       O Espírito Santo não se deixa descrever a quem não tem fé, a quem não vive da sua fé. Querer falar do Espírito Santo a quem não tem fé ( ou a quem a perdeu), era como que tentar explicar o que é um beijo a quem nunca fez a experiência dum beijo. Ora, precisamente, para evocar o Espírito Santo usa-se também … do beijo. Não somos, acho eu, como aqueles de quem falam os " Actos dos Apóstolos " que tinham recebido o baptismo de João em Éfeso mas ainda não tinham ouvido falar no Espírito Santo (cf.Ac 19,2). Nós temos ouvido falar do Espírito, mas viveremos do Espírito ? Fazemos uma expriência da vida no Espírito ? A propósito do beijo, alguém escreveu : " Não se trata de conjugar sempre o verbo " amar ", de " berrar " a palavra " amor "…O amor é pobreza e dependência, dom e acolhimento. Eu acolho o teu sopro e dou-te o meu. O que quer dizer : eu acolho a tua alma e dou-te a minha ; o sopro mútuo é símbolo disso ; dali a beleza do beijo. É por isso que o beijo não se deve estragar nem prostituir para brincar com ele. Essas são coisas que era preciso dizer em matéria de sexualidade. É muito lindo, o beijo : é troca, acolhimento, dom… É todo o Evangelho " (F.Varillon).

       É todo o Evangelho pelo motivo que é todo o Espírito Santo. Também era bom dizer : não se deve " balir " o Espírito Santo, não deve ser utilizado de maneira vulgar. Aqueles que estão sempre a falar do Espírito Santo mas fazem seja o que for, só têm uma fé de " fachada ", uma espiritualidade de " castanhola ", como dizia alguém.. Esses estragam, eles prostituem o Espírito Santo como outros estragam, prostituem o beijo. Temos que viver no Espírito Santo como que um peixe na agua. Como pode ser ? Com risco de parecer trivial, vou dizer : " Pedem-me como nadar, como enxugar a louça ? Deitai-vos na água, peguei num esfregão… e comecai ! Será melhor se terdes junto de vós um treinador de natação (ou uma mãe) para vos dar conselhos e vos ajudar na aprendizagem ". Para nos ensinar a vida no Espírito Santo não ficamos abandonados, nunca ! Não somos orfãos, diz S.João(cf.Jo 14,18). Possuimos o Espírito Santo, e também a Igreja : " À própria Igreja foi confiado o Dom de Deus (…) Nela foi depositada a comunhão com Cristo, isso é : o Espírito Santo, penhor da incorruptibilidade, confirmação da nossa fé, escala da nossa ascenção em direcção a Deus ; onde está o Espírito de Deus, cá está a Igreja e toda a graça " (Sto Ireneu).

       Para receber o Espírito Santo, como é que se deve fazer ? Já o temos recebido… mas é preciso desempacotar a prenda. Aliás, só temos começado a recebê-lo ; nunca teremos acabado. Na Igreja, aquele lugar onde fica " toda a graça ", rezamos sempre : " Vem, Santo Espírito ! ". Jesus diz : " Pedi, e recebereis… quem pede recebe… Vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos : quanto mais o Pai celeste dará o Espírito Santo a quem lhe pedir ! " (Lc 11,9…013)

       No Evangelho, vemos Jesus a rezar. Jesus vive no Espírito, e quando reza, reza no Espírito Santo e pede o Espírito Santo por nós. E o Espírito Santo toma a oração de Jesus e da-la-nos. Já temos qualificado isso de " Boa Nova da oração cristã ". Podeis agora pensar nisto : depois da Ascenção, os discìpulos estão a rezar no Cenáculo, no próprio local onde Jesus rezou e instituiu a Eucaristia. Acreditaram na Boa Nova da oração cristã. Ainda não eram santos, não ! mas já tinham começado a receber o Espírito Santo no dia da Páscoa, cinquenta dias antes (cf. Jo 20,22). Agora rezam em Igreja. " Num só coração participavam fielmente na oração, juntamente com algumas mulheres, entre as quais Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele " (Ac 1,14)

       S.Lucas diz logo a seguir que " naqueles dias, os irmãos estavam reunidos, mais ou menos 120 " (v.15). Depois chega a escolha de Matias para ocupar o lugar de Judás. Aquela escolha realiza-se na oração : " A assembleia rezou assim… "(v.24) . No princípio do capítulo 2 : " Quando chegou o Pentecostes, estavam reunidos, todos juntos (v.1). Naquela altura é que recebem mais uma infusão do Espírito Santo. Então, experimentam o Espírito Santo : depois de fazer a expeiência do seu pecado e do perdão do Senhor, fizeram a experiência da oração em Igreja. Antes discutiam entre si para saber qual dentre eles era o maior (cf.Lc 22,24). Agora, confessam a sua miséria : todos iguais, todos fracos… mas todos unidos, " já têm um só coração ". REZAM EM IGREJA.

       Quando recolhemos até no nosso quarto, quando rezamos no segredo, temos que rezar em Igreja. Sto Agostinho dizia : " Se quereis receber O Espírito Santo, praticai a caridade, amai a verdade, desejai a unidade ". Lembrai-vos bem disto : não só a nossa indigência nos leva a pedir esmolas. Pior ainda : somos mendigos que não sabem mendigar ! Tão grande é a nossa miséria ! Mas quando o Espírito Santo, " o Pai dos pobres ", nos dá a oração de Jesus na fé, então já não somos só indivíduos colocados ao lado uns dos outros. Então, a união – a nossa união com Jesus e a união entre nós – faz a nossa força. Somos todos unidos num só Corpo, cuja cabeça é Jesus, e cujos membros somos nós. " Ao Espírito de Cristo como que a um princípio escondido é que se deve atribuir o facto de que todas as partes do Corpo estejam unidas, tanto entre si como à sua Cabeça suprema, uma vez que Ele reside inteiro na Cabeça, inteiro no Corpo, inteiro em cada membro " (Pio XII, Enc. Mystici Corporis). Isso não é só uma solidaraiedade humana. Tentar realizar a universidade da Igreja e a caridade no mundo em nome duma solidariedade meramente humana, ignorando a acção do Espírito Santo, é por assim dizer, edificar outra vez uma " torre de Babel ". É o comunismo, é a União Europeia que rejeita as suas raizes cristãs, é Amnesty Internacional que pretende defender os direitos humanos, tomando agora a defesa do aborto, etc… Isto não significa que o Espírito não actue fora das fronteiras visíveis da Igreja. Aliás, a Igreja reza também por isso ! Mas isto quer dizer que um cristão tem que ser realmente cristão. A solidariedade só não é o monopólio dos cristãos. Quando agimos só por solidariedade, não fazemos mais do que os pagãos e publicanos (cf. Mt 5,46-47). Se fosse suficiente, não valia a pena Jesus vir no mundo para nos dar o Espírito Santo. Não ! " Uma vez que o Espírito Santo nos faz viver, deixemo-nos conduzir por Ele " diz S.Paulo (Ga 5,25). Só o Espírito Santo é " Princípio de qualquer acção vital e salvífica em cada qual das partes do Corpo " (Pio XII, id.). Pois bem ! Aquela solidariedade entre o Pai e o Filho, também é a solidariedade entre Jesus e sua Igreja. É isso que nos lembra ainda Sto Agostinho : " Eis Cristo Total, Cabeça e Corpo, um só feito de muitos. (…) Quando fala a Cebeça, quando falam os membros, Cristo é quem fala. Fala no seu papel de Cabeça, fala no papel de Corpo. Conforme o que está escrito : " Serão dois numa só carne. Este é um grande mistério, quero dizer : em relação à Cristo e a Igreja .(cf. Ef 5,31-32). E o próprio Senhor, no evangelho : " Já não são dois, mas uma só carne " (Mt 19,6). Assim como já vimos, de facto são realmente 2 pessoas diferentes ; no entanto, tornam-se um só no acto conjugal ( eis o beijo…) … Porque é Cabeça diz-se " esposo ", porque é Corpo diz-se esposa " (Sto Agostinho)

       Solidariedade conjugal, fonte e modelo de todas as solidariedades. Aqui está a única solidariedade capaz de salvar o mundo, e temos de acolhê-la na nossa pobreza, para depois praticá-la juntos. É mesmo isso de que devemos testemunhar, durante toda a nossa vida. Nunca terá fim, pois continua depois da morte. É a solidariedade entre a Igreja do Céu, a da terra, a do purgatório. Está unida com os que viveram antes de nós e com os que viverão depois. Realmente é uma solidariedade sem fronteiras, sem limites. É mesmo o Dom de Deus. Ninguém poderá dizer : " Sou eu quem a criou ". " Se soubesse o dom de Deus, se conhecesse aquele que te pede : " Da-me de beber ", és tu quem lhe terias pedido, e ele ter-te-ia dado água viva ". (Jo 4,10). " Se alguém está com sede, venha a mim, e beba quem acredita em mim ! Como diz a Escritura : Rios de água brotarão do seu coração. Ao dizer isso, falava do Espírito Santo que haviam-de receber aqueles que acreditariam em Jesus " (Jo 7337-38

(Tradução : G.Jeuge)

CORRE A PALAVRA (Tradução de : " Elle court, la parole ")

Walter Covens #homilias em português
" Eu, João, o vosso irmão e companheiro na provações, na realeza e na constância em Jesus, estava na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus. CaÍ em éxtase, no dia do Senhor, e ouvi atrás de mim uma voz a gritar, como que uma trombeta : " O que estás a ver, escreve-o num livro para mandar às 7 Igrejas… " (Ap.1,9-11) A Paz esteja convosco ! sejam bemvindos neste " blogue ". Oxalá que ao ler as homilias e os textos, sejais felizes taambém vós, caras leitoras e caros leitores (cf. Ap.1,3). S.João, hoje em dia, teria usado certamente do Internet para mandar às " 7 Igrejas " ( o numero 7 significa a totalidade) o que tinha visto. Ora, não é só S. João,mas também a Igreja toda que são enviados no mundo inteiro afim de proclamar a Boa Nova (Mc.16,15-. Cada cristão, tal como S. Paulo, tem que se preocupar todos os dias de " todas as Igrejas " (2 Cor .11,28) Sendo sacerdote da Igreja Católica, e depois de pregar retiros durante quase 20 anos, agora estou numa paróquia por obediência ; também obedeço à ordem do Senhor que fala através do Santo Padre, e avanço " em água funda " para deitar as redes (cf. Lc 5,4)… da " teia mundial " ; E, obrigado Senhor, a pesca nõ é muito má : depois de um mês de funcionamento já fostes mais de 800 que visitastes o portal, vindo de França, Canada, Bélgica, Suiça, e também do Libano, da Nova Caledónia, do Vietnam, do Azerbaidjão, do Brasil, da Costa de Marfim… em suma, de todos os continentes… Gosto muito do que escrevia o caro S. Paulo ao seu caro Timóteu : " Diante de Deus e do Senhor Jesus que há-de julgar os vivos e os mortos, peço-te solenemente, em nome da sua Manifestação e do seu Reino : proclama a Palavra, fala a tempo e a contra-tempo, denuncia o mal, censura, anima, sempe com paciência e vontade de edificar. Virá o tempo no qual não suportarão mais algum ensinamento certo ; mas, conforme os seus caprichos, a gente buscará muitos ensinantes para acalmar o seu comichão de ouvir novidades. Já não aceitarão a verdade mas acreditarão em lendas mitológicas. Mas tu, conserva sempre e em tudo o bom senso, suporta os sofrimentos, trabalha para anunciar o Evangelho, cumpre até ao fim o teu ministério " (2 Tim 4,1-5). Sei bem que não sou o único padre a publicar homilias no Internet, graças a Deus ! A minha ideia, no entanto, parece-me original nisto : aqui só encontrareis as minhas homilias dominicais e festivas (na categoria " Patmos "), mas também, cada dia, na linha da homilia, um texto, seja do magistério, seja dos Antigos Padres, seja ainda dum santo ou dum bom escritor moderno. Isso para vos dar a oportunidade de imitar a Virgem Maria que " conservava todos os acontecimentos no seu coração " (Lc 2,19) ; assim, como Ela, tornar-vos-eis boa terra para a semente, daqueles que " tendo recebido a Palavra num coração bom e generoso, se lembram dela e dão fruto pela sua perseverância " (Lc 8,15) Aqueles textos são publicados na categoria " La vache qui rumine " ( = " A vaca que rumina "). Não é para vos vexar ! S.Francisco de Sales notava que Jesus não tinha desdenhado comparar-se com uma galinha (cf. Mt 23,37)… Então, como todo o meu respeito ;.. Deus queira que, depois de conhecer as vossas reacções, perguntas e notas, possa eu dar graças convosco : " Quando recebestes da nossa boca a palavra de Dus, acolhestes-a como o que ela é de verdade : não como uma palavra humana, mas como a Palavra de Deus, que está a operar em vós, os crentes " (1 Tess. 2,13). Rezai também por mim, para que Deus ponha a sua Palavra na minha boca afim de que seja eu capaz de a dar a conhecer com muita convicção o Mistério do Evangelho cujo sou o embaixador encadeado. Rezai portanto para que encontre no Evangelho a convicção necessária para falar conforme o meu dever " (Ep 6,19-20) (Tradução : G.Jeuge)

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