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Praedicatho homélies à temps et à contretemps
Homélies du dimanche, homilies, homilieën, homilias. "C'est par la folie de la prédication que Dieu a jugé bon de sauver ceux qui croient" 1 Co 1,21

#homilias em portugues

QUANDO A TOLERÀNCIA DESPOSA O RADICALISMO - 26° DOMINGO COMUM (ano B)

Walter Covens #homilias em português
26 TOB ev
       Já vimos nos domingos precedentes que a questão da fé : " Quem sou eu ? " chega a esta : " Como seguir Jesus ? ". Quem confessa Jesus como Messias tem então de o seguir : é lógico. Mas qual é exactamente o carácter messiánico de Jesus. O que é que quer dizer : " seguir ? "

       No princípio, o neofito mostra um maravilho entusiasmo. Mas esse entusiasmo não passa, em grande parte, de ilusões bem como de ideias erradas a respeito do modo escolhido por Jesus para cumprir a sua missão messiânica. Jesus já tinha devido chamar à ordem Pedro, o autor legítimo da profissão de fé dos Doze, mas que, a seguir, tinha ousado fazer a Jesus " censuras vivas " ao ouví-lo falar em sofrimentos, rejeição, morte e ressurreição : " Os teus pensamentos não são os de Deus, mas sim os dos homens ", tinha respondido o Messias.

       Hoje João é aquele cujos pensamentos são demesiado humanos, apesar de julgar agir bem ao impedir alguém de expulsar os espíritos maus em nome de Jesus : " Pois, não é daqueles que nos seguem". Antes de falar na resposta de Jesus, reparemos uma alteração significativa no modo de falar de João. Não diz : " Não é daqueles que TE seguem ", mas sim : " Não é daqueles que NOS seguem ". O erro de João é este : pensar que, para seguir Jesus, é necessário nos seguir, a NÓS, isto é : o grupo dos Doze, e que é necessario seguir de maneira material.

       Essa alteração há-de ser uma oportunidade para lembrar uma verdade importante, não só para João, mas também para todos nós. Seguir Jesus, antes da Ressurreição, significava andar fisicamente atrás dele. Depois, as coisas mudaram : a presença sensível de Jesus já não é. Nestas condições, seguir Jesus recebe um sentido novo : é viver conforme os seus ensinamentsos e o seu exemplo, docilmente, no espírito filial, fruto da acção do Espírito recebido no Pentecostes. Da mesma maneira que a verdadeira família de Jesus não é uma familia carnal, assim os verdadeiros discípulos não são os mais próximos de Jesus no espaço ou no tempo. Aquela proximidade, quando existe, pode acompanhar ilusões perigosas : " Então havereis-de dizer : ‘Nós temos comido e bebido na tua presença, ensinaste nas nossas praças’. (O Senhor) responder-vos-á :’Não sei donde sois. Afastai-vos de mim, vós todos que fazeis o mal’ " (Lc 13,26-27)

       O carácter próprio do verdadeiro discípulo (podemos pensar na Virgem Maria) é uma fé activa (que se manifesta pela vida). " Quem faz a vontade de Deus, esse é quem é o meu irmão, a minha irmã, a minha mãe " (Mc 3,35) Já antes da Ressurreição, o Evangelho mostra-nos algumas pessoas bem decididas a seguir Jesus, mas que Jesus não o deixa fazer fisicamente, ao mesmo tempo que lhes explica que o essencial não está aqui.

       O homem possesso no país dos Generazenos suplica-o " para estar com ele. (Jesus) não consentiu mas disse-lhe : " Vai para a tua casa, junto dos teus, anuncia-lhes todo o que o Senhor fez por ti na sua misericórdia " (Mc 5,18-19). Já para os Apóstolos e demais contemporáneos, seguir Jesus necessita mais do que um par de pernas boas. E Judás, que estava bem provido disto, não é realmente o modelo…que se deva " seguir ".

       O modelo a seguir é S.Paulo, ele que se tornou discípulo de Jesus só depois do Pentecostes, e que, portanto, não tinha andado atrás de Jesus, nem comido nem bebido na presença dele.

       Ao escrever aos cristãos da comunidade que tinha fundada em Filipes, ele aponta no que é o mais importante : " Tende entre vós as disposições que se devem ter em Cristo Jesus : Ele, que era na condição de Deus, não quis reivindicar o seu direito de ser tratado como igual de Deus… " (Fil 2,5). Aqui está o que " seguir " quer dizer.

       Precisamente, no Evangelho deste dia, a quem chamam " discurso comunitário ", em S.Marcos, Jesus censura João, que o seguia de muito perto, fisicamente, com os outros Onze, mas que ficava muito longe de ter as disposições que se devem ter em Cristo Jesus. S.Marcos contou-nos que, junto com o seu irmão Tiago, já se tinha manifestado anteriormente partidário de métodos bastante drásticas. Jesus tinha-os qualificado de " filhos do trovão " (Mc 3,17). Ora, o mesmo João escandaliza-se por ter visto " alguém expulsar espiritos maus " em nome de Jesus, apesar de não ser daqueles que nos seguem. Nós quisemos impedí-lo " diz sem precisão do método usado. Jesus faz perceber a João que, na verdade, ele é quem não segue, quem apesar de seguir Jesus fisicamente, não tem " as disposições que se devem haver em Cristo Jesus ", enquanto que o outro, o que João olhava como ume pessoa importuna, se " não está contra nós " e se pelo contrário oferece aos que estão com Jesus " mesmo que seja só um copo de água em nome da sua pertença a Cristo ", aquele " não ficará sem recompensa ".

       Aqui ainda, S.Paulo mostra-nos o exemplo a seguir ao prosseguir mais longe naquele lógica da verdadeira tolerância, ao contrário do espírito sectário. Na carta aos Filipenses, só alguns versículos antes do trecho acima citado, escreve : " Alguns anunciam Cristo com a segunda intenção de me prejudicar, mas outros fazem-no sinceramente ; de qualquer modo, uma vez que Cristo é anunciado, alegro-me, e alegrar-me-ei sempre " (1,18), portanto mesmo que não recebam deles o mínimo copo de água, mesmo que estejam contra ele.

       O que importa, não é a relação : " alguns "-Paulo, mas sim a relação " alguns "-Jesus . (Reparemos no entanto que se trata daqueles que " anunciam Cristo ", e daqueles que " realizam milagres ". Fala-se muito facilmente para os aplicar ao diálogo interreligioso, portanto com aqueles que não actuam em nome de Cristo. Não é totalmente a mesma coisa (Cf. G.S. 44)

       Quão lenta é nossa disposição para tornar nossos os sentimentos de Cristo Jesus ! No entanto, Deus tinha começado desde havia muito tempo a ensiná-los aos que o queriam seguir (cf. 1a Leitura).

       Hoje, isso também faz questão na colaboração entre o Bispo e o seus sacerdotes. A tradição cristã sempre viu na efusão do Espírito de Moisés sobre os 70 anciãos uma figura da participação dos sacerdotes na missão sacerdotal, real e profética do Bispo. Está bem visto, da parte dum bispo dicesano, ter um " projecto pastoral ", elaborado ou não por ocasião dum sínodo diocesano. Às vezes manifesta-se a tendência a usar desse documento para contrariar toda a iniciativa julgada inadequada, não de acordo com o projecto pastoral, exactamente como se o Espírito Santo tivesse obrigação de respeitar os planos dos homens.

       Na Encíclica " Tertio millenio ineunte " (n.29) João Paulo II convidava os cristãos para " partir novamente de Cristo " ; escrevia : " Não se trata então de inventar um ‘programa novo’. O programa já existe : é o de sempre, o que vem do Evangelho e da Tradição viva. Centra-se, finalmente, no próprio Cristo, que deve ser conhecido, amado, imitado, afim de viver nele a vida trinitária e transformar com ele a história até ao seu fim na Jerusalém celeste. " Quem teima em tudo programar , organizar, canalizar, corre o risco de se esquecer da primazia da graça : " Há uma tentação que espreita desde sempre todo o caminho espiritual e a própria acção pastoral : a de estimar que os resultados só dependem da nossa capacidade de fazer e de programar. " (n.38) Não será a mesma mania que já manifestava João e que Jesus queria arrancar ?

       Isto alarga a questão do exercício dos carismas (como os da profecia e do exorcismo) pelo " povo de profetas ", isso é : todos os baptizados. Nenhuma planificação pastoral tinha previsto a eclosão da Renovação Carismática. Os pastores da Igreja so puderam maravilhar-se… e acompanhá-la com prudência, (tal como S.Paulo em Corinto) afim de evitar todos os excessos. Mas, apesar disso, não foram poucos, " os filhos do trovão " que manifestaram muito zelo e acharam que era necessário, " impedir" espalhar-se o fogo que Jesus veio acender na terra (cf. Lc 1,49) Pelo contrário, podemos verificar uma espécie de sectarismo da parte dos membros da " Renovação ", ao julgar que tudo passa pela " Renovação Carismática " e que fora dela não há salvação possível. A Acção católica conheceu também ela esse erro…

       A continuação do Evangelho lembra-nos que, se a tolerância e o respeito têm de presidir a tudo quanto se realiza em nome de Cristo, o próprio Cristo pede, pelo contrário, um rigor (ou intolerância) extremo quando se trata daqueles que provocam um escândalo dentro da comunidade, especialmente quando se diz respeito aos pequenos e aos fracos.

       Aliás S.Marcos aponta sempre na fraqueza do crente. Para ele, quem segue Jesus fica sempre fraco e pequeno.

       Esse rigor-intolerância deve primeiro exercer-se para si próprio. Pois quem empreendeu seguir Jesus pode provocar primeiro a sua própria ruina. Não devemos muito depressa adoçar nem diminuir as palavras tão radicais de Jesus. Quantos morreram num banho de sangue para não se comprometer com a manifestação do mal. Não devemos pensar que as oportunidades de praticar este radicalismo aparecem só em casos extremos. O martírio está presente também na vida de todos os dias, por exemplo na mortificação da lingua ou do olhar. " Cada quel será salgado pelo fogo ", qualquer for o modo. Por altura do baptismo, a renuncia " a Satanás, ao pecado e a todo o que leva ao mal " precede a pofissão de fé. Não nos esquecemos disso.

       Aquele radicalismo, como diz S.Francisco de Sales, não exclui uma paciência igualmente necessária para consigo próprio. A arte de seguir Jesus pela imitação dele, graças ao Espírito Santo implica também o difícil equilíbrio entre tolerância, rigor e paciência. Votos aos casados assim!!

O PURO E O IMPURO, OU SEJA : O VERDADEIRO E O FALSO APÓSTOLO

Walter Covens #homilias em português
O PURO E O IMPURO, OU SEJA : O VERDADEIRO E O FALSO APÓSTOLO
(Mc, 7,1-8a. 14-15.21-23) (traduction de RETOUR À LA SOURCE)

       Conheceis "Santa Aparência" ? Com Santa "Voz Pública", essa é uma das Santas mais universalmente honradas no Planeta Terra.

       Eu digo "Planeta Terra" ; pois, entre os Anjos, Sta Aparência não é conhecida. Os Anjos são criaturas espirituais para as quais as aparências não são enganadoras. Hoje, Jesus, o Senhor dos Espíritos, quer abrir os nossos olhos, como S.Paulo o fará a seguir. Pois, este evangelho não diz respeito só aos escribas e publicanos do povo israelita, mas também aos da Igreja. S.Paulo falava deles ao dizer : "Aqueles homens são apóstolos falsos, operários enganadores, disfarçados em apóstolos de Cristo. Nada de surpreendente nisso : o próprio Satanás disfarça-se em anjo de luz. Nada de surpreendente portanto se os servos dele se disfarçam em servidores da justiça. Mas o fim deles há-de ser conforme às suas obras" (2 Cor 11,13-15). Mas ainda não é o fim. O fim virá bevemente, mas ainda não está. O evangelho deste dia diz-nos respeito tanto mais que nos aproximamos do fim : o Espírito diz claramente que, nos últimos tempos alguns abandonarão a fé para seguir espíritos enganadores, ensinamentos de demónios (1 Tim 4,1). Isso basta para lembrar a actualidade do evangelho….

       Enquanto estava eu a meditar nisso no princípio da semana passada, chegou a notícia da morte do padre Marie-Dominique PHILIPPE. O Padre "Marie-Do", como se dizia familiarmente, é um dos professores que mais me marcaram durante a minha vida de estudante (e depois). Era professor de filosofia na Universidade de Friburgo (Suiça), mas conheci-o em Paris, onde vinha todos os meses para nos explicar a " Primeira pars " (= " 1a Parte ") da Soma Teológica de S.Tomas de Aquino. Nos anos seguintes, em Friburgo, onde estudei a teologia, gostava de fazer "horas suplementares" para seguir os seus cursos de metafísica na Faculdade de Filosofia. Frequentei também vários retiros pregados por ele sobre S. João, nomeadamente sobre o Apocalipse. É o fundador da "Comunidade São João", dividida em três "ramos" : os irmãos – as irmãs contemplativas – as irmãs apostólicas. No total : 531 irmãos , entre os quais 221 sacerdotes (40% estão em formação) e 550 irmãs. A idade média dos irmãos é de 37 anos. : não está mal, não é ? neste tempo de crise das vocações ?

       Porquê falar nisso ? Pois bem, porque, ao longo da sua vida de buscador da Verdade, o Pe Philippe não deixou de fazer todo o possível, como que um verdadeiro apóstolo, para lutar contra as ideologias falsas e para promover uma inteligência autêntica da pessoa humana e da fé. Um dos seus últimos livros, "Retour à la Source" (Fayard,2005), apresenta a sua reflexão filosófica sobre o assunto. Já na " Carta a um amigo " (Editions Universitaires, 1992, edição nova), ele convidava cada um a fazer-se a si próprio esta pergunta : Quem sou, enquanto pessoa humana ?. Além das ideologias, para recuperar o realismo duma autêntica procura da verdade, ajudava-nos a re-descobrir, a partir das nossas experiências, o que dá sentido à nossa vida. Sem dúvida essa é a grande pobreza da maioria dos homens do Ocidente, hoje em dia : a falta de sentido.

       Pois bem ! O evangelho de hoje convida-nos a todos para regressarmos à fonte, além das aparências. Jesus não usa das palavras "corpo" ou "alma", mas sim das palavras "lábios", mãos "e " coração ". Quer emendar aqueles que honram a Deus com os lábios, enquanto que o seu coração fica longe dEle, aqueles que se lavam cuidadosamente as mãos, enquanto que, do seu coração saem pensamentos perversos. O Uso das palavras "corpo" e "alma" pela Igreja moderna, hoje em dia, é muiito criticada. Dizem que não seria bíblica (a palavra "Trindade" também não é !), mas uma contaminação da fé pela filosofia grega. Ora,, "a noção de alma, tal como foi utilizada na liturgia e na teologia até a Vaticano II não tem mais relação com a Antiquidade do que a de Ressurreição". Quem fala assim é o Cardeal Ratzinger, que prossegue assim : "É uma noção estritamente cristã ; portanto, não pode ter sido formulada a não ser a partir da fé cristã : pois, ela manifesta, em antropologia, a conceição daquela fé sobre Deus, sobre o mundo e e sobre o homem". De acordo ! Por isso é que o Concílio Vaticano II persiste e assina : "Corpo e alma, mas realmente um só, o homem, na sua condição corporal, reune em si mesmo os elementos do mundo material, os quais encontram assim nele o seu cume e podem livremente louvar o seu Criador. Portanto, é proibido ao homem desdenhar a vida corporal. Pelo contrário, tem de estimar e respeitar o seu corpo, criado por Deus e prometido à ressurreição no último dia" "("GS 14,1). E o Catecismo de 1992 (n.365.368), precisa ao mesmo tempo que "o espírito e a matéria, no homem, não são duas naturas unidas" mas que "a sua união forma uma natura única", e acrescenta : "A tradição espiritual da Igreja insiste também no coração, no sentido bíblico de " fundo do ser humano (Jr 31,33) onde a pessoa opta ou não por Deus "

       Quem somos nós ? O que é uma pessoa humana ? É uma criatura que se encontra no ponto onde se reunem todas as criaturas. Os anjos são puros espíritos. Os animais, os vegetais e os minerais não têm alma espiritual. O ser humano só é quem une o mundo espiritual e o mundo material. É, por assim dizer, um " microcosmo ", um resumo de toda a criação. Aqui está a sua grandeza. Mas é muito difícil ele estar à altura do seu ser !.

       O Concílio, no trecho já citado advertia para se defender contra um espiritualismo exagerado e também contra um desprezo do corpo. Isso encontra-se a todos os níveis da vida humana, até à realidade religiosa, e não só ao nível biológico. O Cardeal Ratzinger escrevia : " Para nós, homems de hoje, o escândalo fundamental do cristianismo reside primeiro na exterioridade cuja vida religiosa aparece atacada. Para nós é um escândalo que Deus deva ser comunicado por meio dum sistema exterior : a Igreja, os sacramentos, o dogma, a simples pregação "

       No evangelho de hoje, é mais a tendência contrária que se encontra censurada. Mas sempre é o desvio da mesma verdade, a verdade que é a unidade do corpo e da alma.. Podem separar a alma e o corpo, seja menosprezando o corpo pela exaltação, seja menosprezando a alma por amor exagerado do corpo. Aquele cujo corpo não exprime com fidelidade os movimentos da alma, cuja alma não fica mergulhada na luz da graça, aquele é " hipócrita " e " impuro ". Não se trata aqui só daqueles que cometem " o pecado de carne ", como somos ainda demesiadamente tentados de pensar, por causa do puritanismo, do jansenismo ! Jesus diz que o homem se torna impuro pelos adultérios e pela libertinagem, está certo, mas também pelo mau comportamento, roubos, assassínios… cobiça, maldades, fraudes… inveja, difamação, orgulho e excessos.

       O Catecismo (n.2518), comparando este ensinamento de Jesus com a Bem-aventurança dos " corações puros ", comenta : "Os corações puros apontam aqueles que uniram a inteligência e a vontade às exigências da vontade de Deus, nomeadamente em TRÊS domínios : a caridade, a castidade ou rectidão sexual, o amor da verdade e a ortodoxia da fé. Há uma relação entre a pureza de coração, do corpo e da fé". Segue uma citação admirável de Sto Agostinho, que mostra bem a natureza daquela relação : os fiéis têm de acreditar nos artigos do Símbolo, "afim de que crendo, obedeçam a Deus ; obedecendo, vivam bem ; vivendo bem, purifiquem o seu coração, e purificando o coração, percebam o que crêem".

       Na Imitação de Jesus Cristo podemos ler também : "Duas asas levantam o homem por cima das coisas terrenas : a simplicidade e a pureza. A simplicidade deve estar na intenção, a pureza na afeição. A simplicidade orienta para Deus ; a pureza encontra-O e ama-O… Se o teu coração fosse simples e puro, verias e perceberias tudo sem dificuldade. Um coração puro penetra o Céu e a terra. Como está a gente, assim julga."

       "Sim, amanhã, veremos a Deus face a face, mas desde agora o coração puro vê à maneira de Deus. Julga tudo à luz de Deus. Tão simples é a vida quand nela se vive de Deu. " (Jean-Louis Bruguès)

       Ja falei nos anjos. No Apocalipse (18,12), João vê um anjo a descer do céu. Tinha recebido uma autoridade tão grande que a terra foi iluminada pela sua glória. E gritou duma voz poderosa : "Caiu, caiu, Babilónia a grande ! Eis que se tornou uma cova de demónios, uma cova de todas as aves impuras, uma cova de todas as feras impuras e repugnantes !"

       Agora cabe-nos de escolher Deus ou o demónio, entre Santa "Aparência" ou Santa Maria. Pelo baptismo somos todos chamados à evangelização. Que Aquela que é invocada como Estrela da Evangelização, a Virgem ao coração puro, nos ajude a nos purificar também e a nos converter de falsos para verdadeiros apóstolos!



Tradução : G.Jeuge

UMA PRENDA DE NATAL NÃO SEMELHANTE COM QUALQUER OUTRA (Lc 2, 1-14)

Walter Covens #homilias em português
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    Enquanto estava a comer ao meio-dia (mais exactamente às 14.00h) neste domingo, olhava as notícias na televisão. Evidentemente, havia um programa sobre o NATAL : crianças a quem os jornalistas perguntavam o que esperavam do Pai Natal. Houve muitas respostas, como podeis imaginar. Mas entre todas houve uma que me tocou : a duma criança (uma menina) que dizia assim : « de qualquer modo, se o Pai Natal não me levar prenda, eu farei um escândalo ! ». Era a última criança interrogada.

    A seguir, a camara regressou à jornalista que apresentava as notícias ; essa, que tinha ouvido aquela resposta da menina, ficava com com olhar tenro e sorridente.

Eu, não sorri.
Não fui comovido.

    Perguntei simplesmente para mim próprio o que havia-de ser mais tarde aquela criança, que já manifestava uma mentalidade firme de reivindicar os seus direitos e de gritar caso que não aparecesse nada… enquanto que não assumia os seus deveres e responsabilidades.

    Nesta noite, com os cristãos do mundo inteiro, celebramos com alegria a Natividade de Nosso Senhor. Até o mundo celebra Natal, à maneira dele. Em França, um presidente de cámara municipal ralhou porque um presépio tinha sido instalado na praça pública, junto à Cámara. Ele publicou a foto do presépio no seu « blog » e escreveu :
    « Procurai o erro ». Então encontraram a solução para realizar um Natal « não cristão » : Jesus foi deitado para fora e o Pai Natal foi posto no lugar dele. Isso não só é conforme com os « dogmas » do laicismo ; além disso é prático, uma vez que o Pai Natal, ao que parece, é quem traz as prendas. De qualquer modo não se lhe pede mais nada, e ele não nos pede nada. Enquanto que Jesus, ele, chega nu : precisa de panos, de comida,de calor. Jesus é totalmente pobre e não leva nada… mas ele pede tudo ! Pelo menos, é assim que a gente imagina as coisas, mais ou menos conscientemente.

    Uma fábula conta que, um dia, Jesus regressou visivelmente na terra. Era num tempo em que o Pai Natal ainda era desconhecido. Mas já tinham feito com que Jesus fosse um distribuidor de prendas, de toda a espécie. Era um dia de Natal, estavam muitas crianças reunidos para uma festa. Jesus veio no meio deles. As crianças reconheceram-no e aclamaram-no. Então, uma das crianças pediu que prenda Jesus lhe tinha levado, e todas as crianças pediram a mesma coisa. Jesus não respondeu nada, mas abriu os braços…

    Aqui, deixo de contar a história. Jesus vem no meio das crianças. Aquelas crianças, apesar da sua idade, falam como adultos. Foram contaminadas pela mentalidade dos adultos, a mentalidade que reivindica para si e que João Baptista quis emendar quando as pessoas lhe pediam : « Que devemos fazer ? » Resposta (de João à multidão) : « Quem tem dois casacos, quem tem para comer… partilhe com os que não têm » ; (aos publicanos) : « Não devem exigir mais do que é justo » ; (aos soldados) :… « Ficai satisfeitos com o vosso soldo ».

    Ainda há outra coisa. Quando aquelas crianças, contaminadas pela mentalidade dos adultos, vêem Jesus abrir os braços, em que pensam ? Qual a sua reacção inconsciente ? Não se dizem, porventura : « O que é que nos vai pedir ? Não só não traz prendas, mas vai pedir sacrifícios ! ».

    Então, continua a fábula, uma criança disse : « Vede, ele não nos trouxe nada. Meu pai tem razão,     quando diz que a religião não serve para nada, que não nos dá prenda alguma ! ». Mas outra criança respondeu : « Ao abrir os braços, Jesus quer dizer que o que nos traz é Ele próprio; é ele que se nos dá como irmão nosso, Filho de Deus para nos tornar filhos de Deus como Ele ».


    A resposta daquela criança, não é uma fábula. É mesmo o que nos diz S. Paulo na carta a Tito (2a Leitura) : « A graça de Deus manifestou-se para a salvação de todos os homens ». A graça é a prenda mais extraordinária, a prenda do Amor. Jesus há-de dizer que não há maior amor do que « dar a vida pelos seus amigos ». « Dar a sua vida », isso quer dizer,aqui, não um homem que dá a sua vida por outro homem, mas que é Deus quem dá a sua vida divina, para nos tornar participantes da sua divindade !

    Ora, a respeito daquela graça inaudita, prenda não semelhante a qualquer outra, S. Paulo diz-nos que é « ela que nos ensina a rejeitar o pecado e as paixões do mundo, para viver no mundo presente como homens razoáveis, justos e religiosos »… « Para nos tornar povo seu », e acrescenta : « um povo ardente para fazer o bem ».

    Então, sim, haverá sacrifícios a fazer, mas não é o mais importante. O mais importante é a graça. A graça, é a obra de Deus, prenda maravilhosa que só podemos aprender a acolher. O restp vem a seguir e se aprende pouco a pouco. Pois a graça nos « ensina », nos transforma.

    É o que dizia S. Agostinho, quando também ele era assustado pelas exigências da moral cristã,sobretudo em matéria de castidade . Mas, depois duma longa luta interior, iluminado pelo Espírito Santo, ele disse ao Senhor : « Senhor, peça-me o que queres, mas dá-me o que me pedes ».

    Acolhemos, portanto, a graça de Natal. É Jesus quem se dá. É o Pai quem no-lo dá, na dinámica do Espírito Santo. E deixemo-nos transformar por ela à sua imagem e à sua semelhança. Então poderemos experimentar a verdade das palavras de Jesus quando dizia : « Há mais alegria no dar do que no receber ».

A VISITAÇÃO : O GRITO « SILENCIOSO » DE JOÃO-BAPTISTA (LC 1,39-45)

Walter Covens #homilias em português
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    Depois de João-Baptista – ou, melhor, antes dele – a grande figura do Advento, que nos ajuda a « preparar os caminhos do Senhor », é Maria. Nas igrejas de rito bizantino , a « iconostase » ( a parede que separa os lugares onde estão os celebrantes e o resto da igreja) tem três portas. A do meio está fechada por uma porta de dois batentes, chamados « portas reais ». Elas dão entrada para o altar e apresentam a imagem da Anunciação   com as dos quatro evangelistas. Nas portas laterais estão pintadas as figuras dos Arcanjos Miguel e Gabriel. À direita (do lado do sul) das portas reais, está o ícone de Cristo a benzer. À esquerda, o da Virgem Maria levando Cristo. Junto ao ícone de Cristo encontra-se o de S. João-Baptista.

    No Evangelho deste último domingo do Advento, escutamos o relato do encontro tão importante de Jesus, no seio de Maria, com João, o futuro Baptista, ainda no ventre da mãe, a « estéril », concebido seis meses antes de Jesus. Para perceber, na medida do possível o mistério da Visitação, é bom meditar alguns momentos na sua dimensão humana. Quero citar aqui o Padre Daniel-Ange, que fala num opúsculo de Luc Lannoye : « O pequenito », Edições « Fidélité », 1997. Ele mostra que « todas as descobertas científicas sobre a vida da criança « in utero » deitam uma luz emocionante de autenticidade sobre o acontecimento da Visitação. Vocês podem julgar .

Mas como é aquele pequeno João ? No princípio desse 3° mês, João tem 25 cm e pesa 500 gr. O sangue corre rapidamente dentro dos vasos sanguíneos. O coração pulsa depressa  . Está a nadar na sua « bula » e já chupa o seu polegar. Responde às estimulações táctis, quando o pai toca docemente no ventre da mãe. Já há algumas semanas que ele percebe os sons exteriores. Os seus ouvidos minúsculos, bem formados são, por assim dizer, sempre à escuta..

As experiências psicofónicas por ultra-sons mostraram como, entre a16a e a 32a semana de gestação, a criança reage aos vários sons por meio de movimentos dos seus olhos, das suas pálpebras já formadas. Já no 4° mês, os seus ouvidos funcionam. Por viver no líquido amniótico, ele não precisa de « almofada de ar » no cano auditivo que protege o tambor, e a água é melhor condutora do som do que o ar. Ele ouve tudo, em primeiro o pulso do coração da sua mãe. Ouve um ruido muito forte no útero, que é o da circulação do sangue da mãe, bem como o som dos nervos que atravessam o seu intestino. Além disso, ele percebe também todos os sons exteriores, como o estalido duma porta ou duma música forte. Ele reage. Em resumo, os seu mundo fónico já está organizado.

A partir do 7° mês, ouve os componentes das vozes. Poucos dias depois de nascer, já saberá distinguir uma lingua estrangeira  e a lingua maternal já longamente ouvida ; já está habituado. Tantas experiêncas científicas provaram aquela sensibiliadade das crianças aos sons diferentes : certo Maestro estava espantado por já conhecer como tal uma partitura, e por aprendê-la mais facilmente do que as demais ; parecia-lhe que reencontrava em si alguma coisa. De facto, soube que a mãe dele, enquanto ainda esta no útero, lhe cantava muitas vezes aquela melodia.

Sobretudo, a partir desse 6° mês, a criança é sensível ao próprio conteúdo dos cantos e das músicas. Uma mãe confessa ter sido obrigada a sair duma discoteca, porque o bébé, dentro dela, manifestava um desgosto daquela música violenta. O « hard rock » agita-o, uma canção de embalar apazigua-o. Naquela altura, já começa a memorizar. O seu inconsciente tece tudo quanto ouve, tudo quanto se passa à volta da mãe.

Científicos ingleses mostraram que uma criança reconhece até histórias lidas pela mãe. Um feto de 4 ou 5 meses sente perfeitamente se a música é apaziguante ou agressiva. Fica calma ao ouvir música de Vivaldi. O genial Yehudi Menuhin mostrou que era possível, graças à música, fazer vibrar, por assim dizer uma criança ainda não nascida. Além disso, a criança é sensível à luz : se uma lâmpada forte demais dá sobre o ventre da mãe, o pulso do bébé torna-se mais rápido.

No princípio do 6° mês, já começa a fazer os primeiros movimentos perceptíveis, as primeiras deglutições. Ele é activo principalmente de noite, quando a mãe está deitada. Os seus pulmões já estão formados, e já começa a fazer movimentos respiratórios.

    Beleza da criação… Esplendor da vida humana… Hoje, nesse domínio, nós somos testemunhas privilegiadas em relação com todas as gerações que nos precederam ! Nunca antes foi possível ter um conhecimento tão preciso da vida do embrião e do seu « grito silencioso ». Estou a falar aqui no filme realizado pelo Dr Bernard Nathanson, defensor ardente da legalização do aborto nos Estados Unidos, arrependido ao ver a ecografia dum aborto, e agora ardente apóstolo da abolição daquela legalização.

    No episódio da Visitação, há também um grito silencioso, mas um grito de alegria, o de João, embrião de 6 meses. A seguir vem o grito sonoro de Isabel, a mãe dele, que grita, duma « voz forte » : « bendita és tu entre todas as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre  . Como se faz que tenha aquela alegria de que  a mãe do meu Senhor venha ter comigo ?… Feliz daquela que acreditou no cumprimento das palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor. »
Como foi que Isabel conseguiu ouvir aquele grito silencioso de João ? Porque o grito foi acompanhado por um estrecimento sensível, por uma dança perante o Autor da vida trazido por Maria, Arca da Nova Aliança, Sacrário da Vida, ostensório da Presença Real. João, que ouve a saudação de Maria, Isabel que percebe o estrecimento de João, tudo isso está confirmado hoje pela ciência e tem de despertar a nossa admiração, o nosso respeito perante o esplendor da vida humana antes da nascença.

    Infelizmente, em vez disso, há quem prefere tapar os ouvidos, velar  as suas faces. Enquanto que o feto percebe a luz e ouve os sons desde o 6° mês, os « grandes » deste mundo (os adultos) não querem ver a luz, não querem ouvir a voz de Deus e sobre Deus. Nathanson foi caluniado. A verdade do seu filme foi confirmada pela justiça (no dia 25/02/1992).  Sem resultado : no dia 28 de Dezembro de 1997 foi inaugurado em França o primeiro « Memorial do Bilhão » (um bilhão de abortos conforme as estatísticas da ONU). Hoje, nesta hora em que estou a falar, contam quase 1 bilhão e 412 milhões de abortos desde o dia 22 de Janeiro de 1973 (« Roe versus Wade ») !!!

    O aborto será, sim ou não, « um crime abominável » ? Se é verdade, temos que o dizer. E até devemos ir mais além, devemos mostrá-lo. O aborto não é um simples desaparecimento, é um assassinato, dizia João-Paul II. Então é imprescindível mostrá-lo. O choque das fotografias é tão importante como que o peso das palavras.

    Tendes reparado que, nas discussões sobre o aborto na TV, só vemos adultos e crianças ? Aqueles de que se fala, os embriãos não são presentes naqueles programas que falam principalmente deles e do seu destino.

    Nunca são apresentados :

  • nem nos estados sucessivoss do seu desenvolvimento,

  • nem no seu estado de vítimas,

  • nem a sua luta para salvaguardar a sua existência.

    Ora aqui principalmente, não se podem economizar as imagens :

  • Economizamos as imagens nos documentários sobre os campos de exterminação nazis, quando se tratam de imagens dificilmente aguentáveis ?
  • Economizamos as imagens na apresentação de acidentes da viação, enquanto queremos avisar os automobilistas, afim de evitar tais catástrofes ? No entanto, a segurança da vida no seu princípio vale bem a segurança rodoviária.
  • Economizamos imagens quando queremos educar os jovens a propósito do uso da droga, e mostramos o estado de decadência que os ameaça ?

    Depois de ver « O rito silencioso » do Dr Nathanson, João-Paulo II disse : « Eu tive a oportunidade de ver aquele filme e ainda hoje não me posso esquecer dele. É difícil imaginar esse drama terrível e toda a sua eloquência moral e humana » (4 de Junho de 1991).

    Não se trata de condenar quem quer que seja. So Deus pode ser Juiz ; mas trata-se de denunciar um escândalo que um silêncio e omissões culpadas podem banalizar. Mulheres de 20-30 anos, depois de abortar, declararam ter sido enganadas sobre a natureza dele. Deram-lhes a entender que não passava da ablação dum tumor benigno. Pode-se e deve-se militar pelo respecto da vida, sem risco de ser qualificado de agressividade nem de maniqueismo. Não podemos, não devemos esconder o ensinamento moral da Igreja, com a condição, evidentemente, de aceitarmos confessar que somos pecadores também, e julgados pela mesma verdade. Os santos praticaram essa humildade : « Senhor, desconfia de Filipe, dizia S. Filipe Neri ; mesmo esta noite, podia ser muçulmano ». Podemos nós dizer também : « Senhor, desconfia de mim. Podia sentir a tentação de abortar ou de levar alguém (a minha filha, a minha amiga…) ao aborto ;

    Uma iniciativa recente convida todos os padres de França para tocar os sinos funebres no dia 28 de Dezembro, Festa dos Santos Inocentes, às 18.00h, antes ou depois dos « Ave-Marias ». Pede também a todos os fiéis para convidar os seus padres a fazer isso. Levemos aquele gesto simbólico, mas significativo, e procuremos sensibilizar uma opinião publica « com pele de elefante », na nossa oração, e por ocasião de Natal, demos peso à nossa oração, aliviando o nosso porta-moedas ao benefício duma obra que trabalha para ajudar as mães aflitas. Salvar uma vida não tem preço ! Direis talvez que isso não vai mudar nada. O pior era que, um dia, possamos ser censurados por nada ter feito. Uma coisa está certa : connosco ou sem nós, a Luz vencerá as trevas!


(tradução : G.Jeuge)

SOLENIDADE DE CRISTO, REI DO UNIVERSO : DA APOSTASIA AO TESTEMUNHO (Jo 18, 33-37)

Walter Covens #homilias em português
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    A solenidade de Cristo, Rei do Universo, foi instaurada pelo Papa Pio XI no ano de 1925 em prolongamento das solenidades das festas do Corpo de Deus e do Sagrado Coração de Jesus, com o fim de trazer remédio às desordens que afligem o mundo. O Papa julgava que a criação duma solenidade podia ser mais capaz de produzir frutos duradouros do que a simples promulgação dum documento, mesmo que fosse uma encíclica.

    Todos os dias as informações trazem notícias de guerras, de assassínios. Mulheres são batidas pelo marido, crianças são matadas pela mãe, ministros são assassinados por serviços secretos, polícias são agredidos por « suportadores » de futebol e por jovens dos bairros . Tudo isso passa-se à nossa porta, quase diante dos nossos olhos…

    Quando a opinião fica comovida por causa dum acto julgado grave, nas oficinas de televisão, nas salas de redacção dos jornais, nos estúdios da rádio, procedem a muitos comentários. Especialistas são convidados para fazer analises sábias. Políticos tomam medidas e mandam votar leis. Candidatos às eleições declaram que vão fazer melhor do que os outros…

    Hoje, a Igreja diz-nos assim : a única solução é aceitar Crsto, não só como Rei dos nossos corações dentro da nossa intimidade, mas também como rei do Universo. Porquê será que a solenidade de Cristo Rei pode trazer uma resposta válida (a única) às calamidades a caír sobre o mundo, ainda hoje ? Pio XI responde : em primeiro lugar, porque essa profusão de males no universo são o resultado dos homens « terem afastado Jesus Cristo e a sua lei santíssima dos costumes da vida individual bem como da vida familiar  e pública » ; em segundo lugar porque é preciso « buscar a paz de Cristo por meio do Reino de Cristo » e porque, para restaurar e consolidar a paz, não há « meio mais eficaz do que restaurar a soberania de Nosso Senhor »

    Pois, temos que admitir esta evidência : como será possível espantar-se ao ver as leis desprezadas, os homens da lei agredidos (como aconteceu a um polícia da Martínica no fim dum desafio de futebol em Paris), enquanto ao mesmo tempo são votadas leis que atacam a dignidade humana, que troçam dela ? Pois várias leis atacam a vida humana no seu princípio e no seu fim, mediante o aborto e a eutanasia ; leis que atacam os alicerces da sociedade, da família, legalizando as uniões homosexuais como casamentos, instaurando o divórcio e até a poligamia (como na Holanda, onde agora é possível juntar um casamento com um « contrato de união » com outra pessoa !) Tantos sintomas que não enganam : são sinal certo duma doença chamada laicismo, « a pesta dos nossos tempos » (Pio XI)

« Deus e Jesus Cristo tendo sido excluidos da legislação e dos assuntos públicos, a autoridade já não recebendo a sua origem de Deus mas dos homens, aconteceu que… o  próprio fundamento da autoridade foi abolido enquanto suprimiam o motivo essencial do direito de mandar e de obedecer. Fatalmente o resultado foi o abalo da sociedade humana toda, já privada de sustentáculo e de apoio firmes (Pio XI, Ubi arcano, 23/12/1922) ».

    Há vários anos para trás, tinha sido nomeado capelão dum « Campus Universitário ». O que me tinha precedido tinha saido desde havia mais ou menos 10 anos. Durante um ano, com o auxílio do arcebispo, tinha  pedido às autoridades universitárias uma sala para receber os estudantes dentro do « campus ». Apesar de promessas bonitas, nunca consegui obter alguma sala. Quando me falaram no dogma da laïcidade, respondera que, se não quisessem capelão para os estudantes, brevemente teriam que chamar a polícia. E foi mesmo o que aconteceu… depois dum ano . Sim, como esperar a paz de Cristo se rejeitam o Reino de Cristo ?

    E porquê será que se rejeita o Reino de Cristo ? O que é que dá medo ? Não só Jesus não teve guardas que se batam para o libertar dos Judeus, mas quando os mesmos Judeus queriam apoderar-se dele pra o proclamar rei, fugiu. Diante de Pilatos ele afirma claramente : « O meu reino não é deste mundo ». Um hino para a festa da Epifania (Crudelis Herodes ) diz a Herodes e a todos quantos têm medo do Reino de Cristo :

« Não rouba as córoas efémeras, aquele que distribui as córoas do Céu ».

    Entramos no Reino de Cristo livremente, pelo baptismo. O Reino de Jesus não é contra os reinos do mundo. Só é contra o Reino de Satanás, mediante o Sangue derramado pelo Cordeiro. Mas aos baptizados Jesus pede para ser testemunhas suas sem medo, até derramar o seu sangue, se for preciso.

    Diante de Pilatos Cristo proclama que « veio ao mundo para testemunhar da verdade ». O dever dos cristãos é tomar parte na vida da Igreja que os incita a agir como testemunhas do Evangelho e das obrigações resultantes Esse testemunho é a transmissão da fé , em palavras e actos. O testemunhar é acto de justiça que estabelece ou mostra a verdade :

« Todos os cristãos, quer que seja o local onde moram, têm de manifestar… pelo exemplo da sua vida  e o testemunho da sua palavra, o homem novo que revestiram no baptismo, bem como a força do Esírito Santo que os fortaleceu pela Confirmação » (AG 11).

    Assim percebida, a solenidade  de Crsito Rei do Universo é um convite urgente para passar da apostasia ao testemunho :

« Os frutos muito amargos produzidos, tantas vezes e com tanta persistência, por esta apostasia dos indivíduos e dos Estados ao abandonar Cristo, (…) temos que os deplorar hoje novamente : frutos dessa apostasia, germes de ódio, semeados por toda a parte ; invejas,  rivalidades entre os povos, que nutrem as querelas internacionais e atrasam, mesmo agora, a vinda duma paz de reconciliação ; as ambições desencadeadas, que se disfarçam com a máscara do  « bem público » e do « amor pela pátria », com as suas tristes consequências : discórdias civis, egoismo cego e desmedido que, só procurando as satisfações e vantagens pessoais, percebe tudo conforme a medida do interesse próprio. Ainda frutos dessa apostasia, a paz doméstica  transtornada pelo abandono dos deveres e pela indiferença das consciências ; a união e a estabilidade das famílias desequilibradas ; toda a sociedade, afinal, abalada e ameaçada pela ruina ». (Pio XI Quas Primas)

    O martírio é o testemunho súpremo dado à verdade da fé : ele manifesta um testemunho que vai até à morte. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, a quem fica unido pela caridade. Dá testemunho  da verdade da fé e da doutrina cristã. Aguenta a morte graças a um acto de força « Deixai que seja a comida da feras. É por elas que poderei chegar a Deus » (S Inácio de Antioche, Rom.4,01).

«De nada me servirão os encantos do mundo nem dos reinos deste século. É melhor para mim morrer (para me unir) a Cristo Jesus do que reinar sobre as extremidades da terra. É Ele que procuro, que morreu por nós ; Ele que quero, que ressuscitou por nós. O meu parto está próximo… » (S.Inácio de Antioche, Rom. 6, 1-2).

« Eu bendigo-Te por me ter julgado digno deste dia e desta hora, digno de ser contado entre os teus mártires… Cumpriste a tua promessa, Deus da fidelidade e da verdade. Por essa graça e por todas as coisas, eu louvo-te, bendigo-te pelo eterno e celeste Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, o teu Filho muito amado. Por ele, qui está contigo, glória te seja dada, agora e nos séculos.Amen » (S.Polycarpe, matr. 14, 2-3).

ESCUTAR E AMAR : A CONJUGAÇÃO DE JESUS » 31° DOMINGO DO TEMPO COMUM

Walter Covens #homilias em português
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    O trecho do evangelho que lemos hoje pertence ao « must » da Bíblia .Ele é objecto universal dum  plebiscito para fazer parte do « best of » dos evangelhos, (para utilizar mais um anglicismo). Fica presente em todas as memórias, é muito citado, a maior parte das vezes a torto e a direito, porque nunca fizeram o esforço necessário para escutar verdadeiramente o que Deus nos quer dizer naquela palavra. Sabe-se mais ou menos que se trata do verbo « amar », e a partir daí utilizam-no para lhe dar sentidos contrários, sem hesitação alguma. Isso é prático, rápido e  serve para dizer tudo e o contrário de tudo… mas nunca se toma o tempo da escuta real, e a gente fica com a sua fome : isso não alimenta um homem. É mesmo igual, espiritualmente, ao « mal-comer ». Escutar e amar, amar e escutar, amar escutar, escutar para amar : os dois verbos têm que ser conjugados juntos  .

    Toda a gente sabe que é questão de amar… mas amar o quê ? mas amar quem, exactamente ? Comecemos por notar que a palavra pertence a um diálogo entre Jesus e um escriba judeu de quem Jesus vai dizer que não está longe do Reino de Deus. Isso é bastante raro , sobretudo quando se trata dum escriba, e num contexto destes : por isso, vale a pena olhar, pelo menos rapidamente.

    No capítulo 11, e no princípio do cap. 12, S.Marcos fala numa série de discussões entre Jesus e as autoridades religiosas, começando pelo episódio dos vendedores expulsados do Templo (11,015-17). ( Coisa pouco  caritativa, conforme as ideias dos especialistas do « deposito-minuto do amor ». « Era sido melhor não dizer nada » dirão outros péritos do amor rápido ; «  se a atmosfera se torna azeda, a culpa é dele ». De facto, a reacção dos sumos sacerdotes e dos escribas chega depressa : « Procuravam a maneira de o mandar matar » (v.18). Mas esquece-se de sublinhar o amor de Jesus para com a casa do seu Pai, que deve ser uma « casa de oração para todas as nações ». Quando encontram Jesus novamente no Templo, os sumos sacerdotes, escribas e anciãos lhe pedem por que autoridade se atreve a fazer tais coisas (v.28). A resposta de Jesus é a parábola dos vinhateiros homicidas (12, 1-12). Os seus adversários percebem que Jesus fala deles (e é verdade !), então o sonho deles torna-se obsessão : « procuram fazer preso Jesus, mas tiveram medo do Povo » (V.12). A seguir, mais ataques,  agora velados, da parte dos fariseus, dos herodianos, dos saduceus, de toda a parte : começam por um cumprimento, mas esse não passa duma armadilha afim de o obrigar a falar. « Será permitido, sim ou não, pagar o imposto ao imperador ? » (v.14) e o que é que  acontecerá na ressurreição à mulher aos sete maridos sucessivos : de quem a mulher há-se ser a esposa ? (v.18-27)

    Nessa atmosfera pesada e azeda é que se situa o episódio do evangelho de hoje. Eis enfim um homem bem disposto ! « Um escriba, que tinha ouvido a discussão e notado como Jesus tinha bem respondido, adiantou… » Jesus já  pode respirar um bocado. Marcos só sublinha a boa fé e as boas intenções desse escriba (o que não fazem Mateus (22, 35) e Lucas (10, 25). Apesar de tudo, aquele escriba é uma excepção… mas ele manifesta que o judaismo se pode abrir à novidade de Jesus, o Amor encarnado.

    E nós, sabemos conjugar o verbo « amar » como Jesus ? Falamos a mesma lingua ? Usamos da mesma gramática ? ou a mesma gramática nos parece estranha ? A pergunta não é só retórica. Tereis notado que, na sua resposta à pergunta : « Qual é o primeiro de todos os mandamentos ? » Jesus responde : «Eis o primeiro… Eis o segundo » ? E depois acrescenta : »Não há maior mandamento (no singular) do que esses (no plural) » O amor de Deus e o amor do próximo não são dois amores concorrentes ou contrários. É um mesmo e só amor.

    Ora, nós, separamos o que Deus uniu. Às vezes, como os fariseus, pretextamos o amor de Deus para não cuidar do próximo. Neste caso, parecemo-nos com os escribas e fariseus, que prextavam as obrigações religiosas para não socorrer os seus pais : « E vós, dizeis : ‘Se alguém dizer ao pai ou à mãe : os bens com os quais te podia ajudar são corbane, isso é : oferenda sagrada’… E fazeis muitas coisas iguais » (Mc 7,011 ,13). Nesse caso, diz Jesus, « repelistes de verdade o mandamento de Deus para seguirdes a tradição dos homens » (v.8) S.Vicente de Paulo diz coisas maravilhosas sobre esse assunto…

    Às vezes pretextamos o amor do próximo para não fazer a vontade de Deus. Em ambos os casos trata-se duma fuga que mostra bem que não temos percebido o que é o amor na sua essência. Só há uma caridade, com a qual amamos aDeus por causa d’Ele próprio, e os outros, e o universo inteiro por causa d’Ele. Amar  aDeus por causa d’Ele, amar todas as coisas por causa de Deus, eis a única conjugação exacta do verbo « amar ». É impossível amar a Deus se não se ama ao próximo, mas o caminho mais curto para amar o próximo, é o que passa por Deus, pela Eucaristia, pela oração. Passar por Deus não é nenhum rodeio, uma perda de tempo, é o contrário !

    Madalena DELBRÊL (1904-1964), cujo centenário acabamos de celebrar, mostra que é difícil amar o próximo quando esse é alguém que quer destruir em vós as coisas mais queridas. Em Ivry, cidade comunista, onde viveu durante 25 anos, havia pessoas a atacar aquilo por que teria dado a vida : a Igreja, a missa, a confissão. Então como amar tais pessoas ? Impossível, a não ser em Deus, pela oração.

« Madalena nunca se afastou da acção humana, do compromisso temporal. Participou a campanhas retumbantes para libertar presos políticos ; às vezes foi sózinha até ao fim. Redigiu muitos folhetos, cartazes, colaborou para ajudar os grevistas, os desempregados. Respondia com muita energia às chamadas mais inesperadas. Portanto, conheceu as alegrias, as penas duma vida disponível, aberta a todos os ventos. Experimentou dois riscos extremos : mergulhar na acção, ficar desanimada. Como ser cristão, discípulo de Cristo idissoluvelmente unido ao seu Pai e aos homens ? Como manifestar pela nossa vida o amor vivo e recíproco que une Deus e os homens ? A resposta de Madalena, escrita em inumeráveis páginas e notas, nunca varia. É por uma prática fiel da oração » (Jacques Loew)

    A tentação moderna, a mais actual, é , sem dúvida, esta : « Fazer o bem para o homem », mas não para Deus (Ludwig Feuerbach, 1804-1872). Na sua obra principal, « A essência do cristianismo » (1841), aquele filósofo ateu, sem Deus, que vê em Jesus Cristo só um homem caritativo que deu a sua vida pelo próximo : « O momento mais importante da história virá quando o homem se tornar consciente que o único Deus é o próprio homem ».

    Claudel diz algures que a tentação do homem moderno não é fazer o mal, mas sim passar-se de Deus para fazer o bem. Eis o cume do orgulho humano : querer mostrar que somos capazes de fazer o bem sem Deus, enquanto que Jesus disse : « Eu sou a vinha e vós os sarmentos. Quem permanece em mim e em que permaneço , aquele dá muito fruto, pois fora de Mim, não podeis fazer nada » (Jo 15,5) Está aqui uma espécie de desafio ateu : dizeis que se deve amar a Deus para amar ao próximo ? Pois bem, vamos mostrar-vos que, para fazer o bem, não é preciso de Deus. Mas, sem o Criador, a criatura desaparece (cf. GS 36), e mais tarde ou mais cedo, é a desesperança. « A criatura não se pode afastar do seu Criador sem se encontrar em vias que levam à destruição, à autodestruição » (Card.CH. Journet). « O grande acto de fé, é quando o homem confessa que não é Deus » (O.W.Holmes)

    Então, verificais que a pegunta do escriba não é só uma questão académica, muito longe das nossas preocupações. Pelo contrário, é mesmo muito concreta e pratica. « Basta amar » : esse é o título dum livro sobre Sta Bernardete de Lurdes (autor : Gilbert Cesbron-1960), e também dum filme baseado sobre esse livro, realizado por Robert Darène (1961), título utilizado  pelo « Jour du Seigneur » na Televisão francesa, para uma entrevista com a Irmã Emmanuelle. Mas o amor não é uma desculpa para evitar o que é difícil e humanamente desconcertante, também não é uma ausência de discernimento, nem um « alibi » pela cobardia e pela preguice .Um teólogo americano com quem estudei   escreveu um livro sobre a hierarquia dos valores, uma noção muitas vezes mal percebida, como se algumas verdades de fé fossem negociáveis, ou menos verdadeiras do que as outras.

    Este perigo existe também na moral. Da mesma maneira como a Santíssima Trindade é o mistério donde emanam todos os demais mistérios, e não o mistério diante do qual os  outros todos desaparecem, da mesma maneira o amor é a virtude que arrasta todas as outras e não a que substitue as outras. O que é importante é ter consciência de que tudo está ligado, no dogma e na moral. O lugar da Virgem Maria está subordinado ao lugar de Jesus, mas se duvidamos da maternidade de Maria, tal como foi definida pelo Concílio de Éfeso,é mesmo a divindade de Cristo que se torna duvidosa. E se duvidarmos da divindade de Jesus, já não haverá mistério da Trindade. No domínio do agir cristão (a moral), é igual. S.Francisco de Sales diz que o amor é a rainha ; a fé  e a esperança são as que servem. Mas nesta terra, aquela rainha não pode reinar sem as que servem.

(tradução : Pe G.Jeuge)

TODOS OS SANTOS (1 DE NOVEMBRO)

Walter Covens #homilias em português
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    Celebramos hoje a solenidade de todos os Santos. É uma das festas mais populares na Tradição da Igreja Católica. Um sinal disso é o facto daquele dia ser um dia feriado na maior parte dos países. No entanto, o peso da secularização é cada vez maior também neste domínio. Nos últimos anos temos assistido a uma verdadeira profanação dessa festa. Todos ouvistes falar no « Halloween ». Alloween era, à partida, uma festa católica autêntica. Chamava-se « All Hallow’s Eve » (= a vigília da festa de Todos os Santos). Foram emigrantes irlandeses, com a sua grande devoção aos santos, que a importaram nos Estados Unidos. Só nos últimos anos foi que esta festa se encontrou  desfigurada, despojada do seu sentido cristão para ser transformada numa parodia lugubre da visão cristã do Além.. Portanto não foi só uma motivação comercial que fez dessa festa uma espécie de segundo carnaval. O dia 31 de Outubro é , para o ocultismo « a maior festa dos discípulos de Satanás ».

    Esse é mais um motivo para estudarmos mais a fundo o sentido autêntico da solenidade da festa de Todos os Santos, afim de não deixar perder o seu valor em relação a comemoração dos fiéis defuntos que chega no dia seguinte, 2 de Novembro. Está em questão a vitalidade da nossa fé. Não nos deixemos contaminar e manipular por forças escuras, mas contaminemos o mundo pela nossa fé ! Ora, a nossa fé é esta : CREIO NA SANTA IGREJA CATÓLICA. Mas, o que creio no fundo do meu coração, tenho também de fazer todo o possível para o comprender com a minha inteligência. A fé nunca é uma coisa evidente. É sim uma prova. O que seremos ainda não aparece claramente, diz S.João. É precisamente aqui que intervem a fé. A Santa Igreja não é uma Igreja sem pecadores. « Não vim para os sãos e os justos, mas sim para os doentes e os pecadores », disse Jesus. Acabamos de o confessar no princípio da missa : somos todos pecadores. Se fosse preciso ser santo antes de ser cristão, isso não faria sentido. Somos cristãos para nos tornarmos santos.

    Então, estais a ver a pergnta que temos de fazer todos para nós mesmos : eu, pobre pecador, poderei tornar-me santo (santa) ? Se por acaso digo que sou cristão, mas que não me quero tornar santo, é com certeza porque há mais um problema, pior do que o próprio pecado. Quando digo que não sou pecador, há um problema, porque digo que Deus é um mentiroso. Mas, sabendo que sou pecador, apesar de pertencer à Igreja, se não quero ser santo, também há um problema. É por isso que Jesus conta a parábola do trigo e do joio. O joio, não são os pecadores, são os pecadores que não se querem tornar santos. Jesus diz assim : « Deixai-os crescer juntos até à messe, e no tempo da messe, eu direi aos trabalhadores : tirai primeiro o joio, ligai-o, queimai-o ; quanto ao trigo, ponde-o no celeiro » (Mt 13,30). Portanto, nós, membros da Igreja, somos todos pecadores.

    Mas na Igreja não há só pecadores. Nós, cristãos, não é o pecado que nos torna membros da Igreja ; é sim a nossa caminhada em direcção à santidade, na graça do nosso baptismo e da nossa confirmação. Mediante esses sacramentos temos recebido um selo, um selo que o pecado nunca apagará. Enquanto fico na fé do meu baptismo, mesmo que peque por fraqueza, ainda pertenço à Igreja, mas se levar uma vida honrosa sem fé, então já não serei mais cristão. No momento da Comunhão, vou dizer esta oração admirável : « Senhor, não olhais aos meus pecados mas à fé da Vossa Igreja »… O Concílio de Trento disse assim :aqueles que dizem que um cristão em estado de pecado mortal já não pertence à Igreja são condenáveis… Mas, se tenho a fé, não vou dizer que tive razão em cometer o pecado que fiz.

    S.Paulo escreve aos Efésios : « Cristo amou a Igreja, entregou-se por Ela ; pois queria que fosse santa graças à purificação do baptismo e a palavra de Vida ; queria apresentá-la a si mesmo, aquela Igreja, resplandecente, sem mancha, nem ruga, nem defeito algum ; queria que fosse santa e irreprensível. Essa é a Igreja que saí do baptismo. S.Paulo sabe muito bem que há pecadores na Igreja. Aos Coríntios censura coisas gravíssimas. No entanto, diz que que a Igreja é santa. Ela está sem pecado, mas não sem pecadores. Teólogos belgas disseram isto :  Está certo, a Igreja é santa em alguns dos seus membros, mas é pecadora em outros. Da mesma maneira como se diz que Antuérpia é rica ! (o porto, os diamantes…) mesmo que haja muitos pobres. da mesma maneira como se diz que Lovaina é sábia por causa da sua Universidade, mesmo que haja muitos ignorantes, assim se dirá que a Igreja é santa, mesmo que possua nela muitos pecadores . Não !Em todos os membros da Igreja, enquanto não abandonaram a fé, enquanto ainda têm a fé, há uma santidade. Aquela fé não chegará para os santificar, mas eles sempre pertencem à Igreja. A Igreja não abandona os pecadores. Ela é como que uma mãe que tem uma criança muito doente : enquanto a criança fica viva, a mãe não a abandona. Quando morre, já não a guarda nos braços.

    Mas é prociso que a criança queira ficar junto da sua mãe. PÉGUY, num texto muito lindo, diz assim : O que é um cristão ? Um cristão é um pobre pecador, mas que toma a mão. E os Santos, os que celebramos hoje, quem são ? Os santos são aqueles que estendem a mão. Péguy diz : se tomardes a mão estendida, sois cristãos. Caso contrário, não sois cristãos. Isto quer dizer que a nossa santificação não vem dum esforço feito por nós, por admirável que seja. A nossa santificação vem duma mendicidade. Para sermos santos temos que mendigar. Todos os Santos foram mendigos. Mais mendigaram e mais receberam. Mais receberam, mais se sentiram dependentes da misericórdia de Deus.

    Então, não julguemos a Igreja a partir daquilo que não é. É o que nos diz Jacques MARITAIN : « Os católicos não são o catolicismo. As culpas, os pesos, as carências e os sonos dos católicos não comprometem o catolicismo. O catolicismo não tem missão para dar uma desculpa às faltas dos católicos. A melhor apologética não consiste em justificar os católicos quando não têm razão, mas pelo contrário em marcar os erros, quando não danificam a substância do catolicismo et só mostram a força duma religião sempre viva, apesar deles. A Igreja é um mistério. Tem a cabeça escondida no Céu, a sua visibilidade não se manifesta nitidamente. Se procureis o que a representa melhor, olhai para o Papa e os Bispos a ensinar a fé e os deveres ; olhai para os Santos do Céu e da terra ; não olheis para nós pecadores, ou, de preferência, olhai para o procedimento da Igreja para curar as nossas pragas e para nos guiar pouco a pouco até à vida eterna. A grande glória da Igreja é ser santa com membros pecadores. »

    Enquanto sou pobre pecador, tenho então de saber que há Santos para me ajudar, não só os do Céu, mas também os da terra. Então neste dia bonito de « Todos os santos », olhemos para o Céu, e não nos esquecemos de olhar também para a terra. Um bispo suiço, D.Charrière, que tinha ido de peregrinação a Ars, tinha lá encontrado um padre velhíssimo que tinha conhecido o Santo Cura de Ars . O bispo pediu ao padre se a santidade do Cura de Ars tinha sido reconhecida enquanto vivia. – Ô não, tinha respondido ; diziam que era um original. Assim aconteceu com Sta Bernardete de Lurdes e Sta Teresinha de Lisieux. Há tantos santos e tantas santas que nos estendem a mão, e não a tomamos, equanto que pecisamos tanto dela, porque não os conhecemos. Até os perseguimos : « felizes sereis si vos insultarem, se vos perseguirem e se dizerem mentiras contra vós, por causa de Mim… »

    Peçamos ao Espírito Santo que abra os nossos olhos afim de que possamos ver e respeitar a santidade da Igreja, a dos Santos, está certo, mas também a que fica em cada um de nós.

 


(tradução : Pe G.Jeuge)

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Gabriel Jeuge #homilias em português

           

No dia 13 de Outubro realizou-se em Fátima o aniversário da última Aparição de Na Sra aos Pastorinhos.                       

            Hoje, estamos aqui, também nós, para celebrar o mesmo aniversário, uma vez que não foi possível no dia 13.

            Não sei se vocês já o sabem : FÁTIMA está a preparar os 90 anos das Aparições para o ano que vem, pois que Na Sra apareceu no ano de 1917... Em 2007 completar-se-ão os 90 anos... As celebrações vão ser grandiosas; fala-se até da presença do Papa...

            Além do grande aniversário de 2007, o Santuário celebra já este ano, em 2006,os 90 anos   das aparições do ANJO aos 3 Pastorinhos...

           

            Em Fátima, o Santuário organizou um concurso para os jovens dos ensinos Secundário e Superior. Eram convidados a fazer uma pintura ou uma esculptura para evocar como imaginavam as Aparições do Anjo.

            Foi inaugurada na noite do dia 10 de Outubro, a exposição “Terna e Sublime Presença”, na qual estão expostos os trabalhos seleccionados no concurso nacional promovido pelo Santuário de Fátima junto dos jovens artistas.

            Na cerimónia de abertura da exposição, que estará patente ao público até 7 de Janeiro 2007, no Centro Pastoral Paulo VI, foram divulgados os seis trabalhos vencedores do concurso, e entregues os respectivos prémios.

            Nesses dias também realizou-se um encontro teológico em Fátima, sob o mesmo tema.

            Portanto, acho que nós, aqui em Orléans, não podiamos deixar de falar também nisso.

            Não sei se Vocês conhecem bem o que diz respeito a estas aparições : por isso é que resolvi falar nelas hoje.

 

            Todo o que sabemos sobre a Anjo de Fátima, sabemo-lo graças à vidente Lúcia, que escreveu com muitos detalhes o que se passou. . Mas não podemos deixar de confiar nas palavras da Vidente, que não era mentirosa e muito menos louca...

 

            Lucia fala em 3 aparições do Anjo, durante o ano de 1916. Vamos escutar as próprias palavras da Lúcia.

            - 1a aparição : "Devia ter sido na Primavera de 1916...Um belo dia, fomos (isso é: os 3 Pastorinhos), com as ovelhinhas para uma propriedade de meus pais... Começou a cair uma chuva miudinha... Fomos à procura de um rochedo que nos servisse de abrigo...Encontrámos uma "caverna", e passamos ali o dia... Depois de comer a nossa merenda, rezámos o terço, e começámos a jogar as pedrinhas. De repente um vento forte sacode as árvores. Vemos então... um jovem dos seus 14 ou 15 anos, mais branco que se fora de neve, que o sol tornava transparente, como se fora de cristal, e de uma grande beleza... Ao chegar junto de nós disse :

            - Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.

E ajoelhando em terra, curvou a fronte até ao chão. Levados por um movimento sobrenatural; imitamo-lo e repetimos as palavras que lhe ouviamos pronunciar:

            - MEU DEUS! EU CREIO, ADORO, ESPERO E AMO-VOS; PEÇO-VOS PERDÃO PARA OS QUE NÃO CRÊEM, NÃO ADORAM, NÃO ESPERAM E NÃO VOS AMAM.

 

            Depois de repetir isto 3 vezes, ergueu-se, e disse:

            - "Orai assim. Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas"... E desapareceu."

 

            - 2a aparição : "Deve ter sido no Verão... num dia de grande calor. Passavamos as horas da sesta à sombra das árvores que cercavam o poço, a que chamavamos o Arneiro... De repente, vimos o mesmo Anjo junto de nós:

 

            - Que fazeis?! Orai! Orai muito! Os corações de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente, ao Altíssimo, orações e sacrifícios.

            - Como nos havemos de sacrificar?,- perguntei.

            - De tudo o que puderdes, oferecei um sacrifício em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e súplica pela converão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa Pátria, a Paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, eceitai e suportai o sofrimento que o Senhor vos enviar."

            - 3a aparição: "Parece-me que devia ter sido em Outubro... Fomos pastorear os nossos rebanhos para uma propriedade de meus pais...Depois da merenda, fomos para a gruta de que já falei... Rezámos aí o nosso Terço, e a oração que na 1a aparição nos tinha ensinado. Estando, pois, aí, apareceu-nos, pela 3a vez, trazendo, na mão, um cálice e, sobre ele, uma hóstia, da qual caiam, dentro do cálice, algumas gotas de sangue. Deixando o cálice e a hóstia suspensos no ar, prostrou-se em terra, e repetiu, 3 vezes, a oração:

 

            -SANTÍSSIMA TRINDADE -PAI, FILHO, ESPÍRITO SANTO - ADORO-VOS PROFUNDAMENTE, E OFEREÇO-VOS O PECIOSÍSSIMO CORPO, SANGE, ALMA E DIVINDADE DE JESUS CRISTO, PRESENTE EM TODOS OS SACRÁRIOS DA TERRA, EM REPARAÇÃO DOS ULTRAJES, SACRILÉGIOS E INDIFERENÇAS COM QUE ELE MESMO É OFENDIDO; E, PELOS MÉRITOS INFINITOS DO SEU SANTÍSSIMO CORAÇÃO, E DO CORAÇÃO IMACULADO DE MARIA, PEÇO-VOS A CONVERSÃO DOS POBRES PECADORES.

 

            Depois, levantando-se, tomou de novo o cálice e a hóstia, e deu-me a hóstia a mim; e o que continha o cálice, deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo ao mesmo tempo :

            -Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes, e consolai o vosso Deus.

 

            De novo se prostrou em terra, e repetiu, connosco, mais 3 vezes a mesma oração: "Santíssima Trindade, etc"... e desapareceu"

 

****************

 

            Assim falou a Lúcia a propósito das Aparições do Anjo. Deixemos aos especialistas a tarefa de esclarecer quem era esse Anjo… o que é realmente um Anjo... se as aparições foram realidades visíveis por toda a gente, ou se foi só um fenómeno espiritual que se passava nos corações dos videntes...

            Já se falou muito naqueles assuntos desde que se produziram no ano de1916... Afinal, ninguém encontrou resposta definitiva. O que podemos dizer, nós, é o seguinte : Deus escolheu este modo sobrenatural para preparar as almas dos 3 pastorinhos às Aparições de Nossa Senhora, que haviam de se realizar no ano seguinte , em1917.

            Podemos verificar que o essencial da futura mensagem de Maria já estava presente nas palavras do Anjo : Oração , Penitência, Conversão dos Pecadores... Graças ao Anjo, as 3 crianças aprenderam a rezar bem: "Meu Deus! Eu creio... " - "Santíssima Trindade..." Aprenderam também a fazer muitos sacrifícios... a gravidade do pecado, a grandeza de Jesus Eucaristia"... E nós, se devemos guardar alguma coisa das palavras do Anjo, são bem aquelas palavras, e aquele sentido do sacrifício

 

            Temos falado pouco hoje de Nossa Senhora, e muito do Anjo de Portugal... Mas é tudo uma só realidade : a "Mensagem de Fátima"... Pode ser uma oportunidade para tormarmos novamente o costume de rezar as orações do Anjo., sobretudo a mais curta , que já conhecemos de cor : "Meu Deus! Eu creio, etc..." Sera uma maneira de preparar o aniversário do ano que vem... Amen!

 

 

Padre Gabriel JEUGE, Orléans

"JÁ NÃO SÃO DOIS, MAS UMA SÓ CARNE"

Gabriel Jeuge #homilias em português
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Neste domingo, a 1a leitura e o evangelho falam da união do homem e da mulher, isso é do casamento. Portanto, é o casamento que vai ser o ponto central da nossa meditação. Ninguém pode dizer que o casamento não seja um tema muito actual, uma vez que, no nosso mundo moderno, a maior parte das pessoas, e principalmente dos jovens, já não pensam no que é realmente a união nupcial. Não é verdade?

Vamos procurar sobretudo o que diz a 1a Leitura... Talvez não seja muito fácil, mas é tão bonito para quem percebe!

A primeira coisa que temos de dizer é esta, que é muito importante para compreender o que diz o Senhor: trata-se da criação do homem e da mulher. Mas não se trata, de maneira alguma, dum relato histórico : o texto situa-se nas primeiras páginas da Bíblia... Ora, quem estudou um bocadinho a Bíblia sabe que, aqui, a Bíblia não pretende dizer o que se passou realmente quando Deus criou o mundo... É uma espécie de parábola, uma história bonita, que diz coisas essenciais, mediante uma história inventada... Não vamos pensar que Deus criou realmente a mulher a partir da costela do homem: a verdade revelada não reside naquela imagem.

Os ensinamentos do texto são vários :
- O 1° é este : o homem não é um animal qualquer : Deus mostra-lhe todos os animais do mundo, mas o homem não encontra neles uma companheira capaz de ser a sua mulher. Os animais ficam submissos ao homem, mas não podem ser companheiros dele, mesmo os mais evoluidos, com pode ser um cãozinho, de que gostam tanto algumas mulheres, que tratam o seu cão como uma criança!
- 2° ensinamento : Deus quer dar ao homem uma "auxiliar" ( a maior parte das traduções dizem : uma ajuda)... Isso não significa que Deus queira dar ao homem uma criada, que esteja ao serviço do homem, Deus quer dar, isso sim, uma companheira "semelhante" a ele. A palavra "semelhante" é muito importante : diz a igualdade absoluta do homem e da mulher... Nenhum animal encontra-se semelhante ao homem... Mas a mulher, sim! É mesmo o que diz o nosso texto, à moda dele, que é muito poética... Ao ver a mulher, o homem, cheio de alegria , exclamou : "Esta é realmente osso dos meus ossos e carne da minha carne!". O homem reconhece na mulher que Deus lhe dá uma pessoa igual a si... Portanto, verificamos aqui, que, na Bíblia, a mulher não é nada inferior ao homem, mas pelo contrário, uma pessoa humana igual ao homem. Jà é uma coisa que podemos meditar. Antigamente, na sociedade, a mulher estava considerada como que uma pessoa ao serviço do homem, boa para fazer tudo, obedecendo ao homem... Temos conhecido isso em Portugal, pelo menos os mais idosos dentre nós... mas não só em Portugal!

Não só a mulher é igual ao homem, mas os dois são criados para viver juntos : "O homem deixará pai e mãe , para se unir à sua esposa e os dois serão uma só carne"... No evangelho de hoje, Jesus toma à sua conta essas palavras do A.T e acrescenta isto : "Deste modo, já não são dois, mas uma só carne"... "O homem deixará pai e mãe" ( a mulher também terá que deixar pai e mãe, claro! O que Jesus diz a respeito do homem vale também para a mulher, uma vez que os dois são iguais) : será isso um problema? Acontece que sim, de vez em quando : cada vez que, por um motivo qualquer, um casal novo fica a viver na casa dos pais ou dos sogros... Isso não é bom, nem para os pais e sogros, nem para o casal novo... Os pais e sogros podem ter a tentação de mandar na casa dos jovens : e vai ser uma fonte de discussões, de invejas, que pode ir até ao divórcio... Os casos não faltam, infelizmente... Os jovens podem e devem continuar a visitar os pais e os sogros, como muito carinho... mas o melhor é cada um ter a sua casa!

"Já não são dois, mas uma só carne"... Não devemos ser chocados pela palavra "uma só carme"... Evidentemente, os textos (da 1a e da 2a leitura) falam assim, porque, suponho eu, devia ser a maneira de falar antiga... Mas fica bem claro que a união não pode ser, e não é, só a união dos corpos, mas sim a união total de duas pessoas iguais: corpo; espírito e alma.. Antigamente, não se falava em corpo, alma, espírito como se fossem 3 realidades ... Os anciãos só conheciam o homem (ou a mulher) completo... sem divisões... "Uma só carne" deve ser entendido como : "um ser único"... "um só coração": já não são dois, são UM CASAL, UMA FAMÍLIA, um LAR... Dentro do lar, cada um, quando fala, já não diz: "Eu vou fazer isto... Eu vou fazer uma excursão... Eu tenho um bébé"... Cada qual fala no plural : "Nós vamos fazer isto... Nós vamos fazer uma excursão... Nós temos um bébé"... Não é verdade ? já não são dois, são uma só realidade, e por isso, o "EU" já não tem o seu lugar, mas sim o "NÓS"... Oxalá todos os casais percebam as minhas palavras.

Queria acrescentar mais uma coisa : um lar, um casal, não é como que uma casa construida para sempre... O Lar tem que viver unido para sempre, isso sim (caso contrário, haveria um adultério, que é um pecado mortal) mas o lar não é uma coisa morta, é um ser vivo, que se modifica ao longo do tempo que passa... O Lar tem que se consolidar cada vez mais, porque, com o tempo podem aparecer umas fendas perigosas para o futuro... O Lar precisa de um bom cimento, que torne cada vez mais firme o edifício familiar... E toda gente sabe o que é aquele "bom cimento" : é o AMOR! Mas amor não é egoismo : o que acontece quando cada um diz que ama o outro, enquanto que, na verdade, é ele que se ama a si mesmo, procurando sempre no outro o seu prazer... Não! não pode ser isso o amor : o amor verdadeiro é o amor que se dá, que dá tudo, até à sua própria vida para realizar o bem daquele ou daquela que ama... assim disse Jesus : "Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos"... e assim fez Jesus ao aceitar a Cruz para nos salvar.
Dentro dum casal, o amor deve ser isso : um dom recíproco e permanente...

Podiamos falar muito tempo neste assunto, que é tão importante.
Mas é impossível continuar mais...

Ao terminar, quero chamar a atenção dos pais que me escutam : dentro da família é que uma criança, um adolescente, um jovem aprende o que quer dizer "amar"... Não é preciso falar muito, mas é preciso dar o exemplo : quando vive todos os dias, durante muitos anos, num ambiente de amor mútuo, o jovem, a jovem, recebem alguma coisa que nunca poderão esquecer... Pelo contrário, os jovens que vivem em famílias "separadas", divorciadas", "recompostas" como se diz, ou "monoparentais", como se diz também...evidentemente que não podem aprender o amor autêntico. É tanto mais importante que, na sociedade actual, aqui em França, mas também em Portugal, há cada vez mais gente que não sabe nada da vida cristã, do amor cristão, ou se sabe não o pratica. Os jovens seguem muitas vezes aqueles que lhes dão o mau exemplo. Daí a grande respondabilidade dos pais!

Rezemos pelos pais... e pelos jovens... para que reine cada vez mais o verdadeiro amor dentro das famílias! AMEN!

Homilia da Ascensão do Senhor, ano C 2010 - A missão central da Igreja

dominicanus #homilias em português

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A Ascensão do Senhor é um mistério que deveriamos meditar com mais frequencia. De fato, somente aqueles que rezam o Rosário regularmente pensam nisso. No entanto, é uma parte essencial da missão e da mensagem de Cristo. Este é o momento culminante, o clímax, o momento que a vitória de Cristo foi selada no céu para sempre. Jesus subiu no céu como um sacrifício vivo, que ficará como a ponte entre Deus e a humanidade até o fim dos tempos. É por isso que as palavras que ele pronunciou nesta ocasião, são de extrema importância. Então, o que ele disse? Duas coisas.

 

Primeiro, ele resume a mensagem da Salvação. Ele lembrou a seus apóstolos que ele veio no mundo para proclamar a salvação, e em seguida para realiza-la, através do seu sofrimento, morte e ressurreição. Esta é a condição sine qua non para que a humanidade possa fazer a experiência tão desejada de ser salva do pecado e da ignorância e de ter paz no coração.

 

Em segundo lugar, ele dá trabalho aos seus discípulos. Ele os chama a ser testemunhas destas coisas. Uma vez que eles não podem cumprir esta missão sozinhos e que eles vão precisar do Espírito Santo, ele promete "a força do Espírito Santo". Mas então eles deverão ir para "todas as nações" para testemunhar de Cristo.

 

Assim, com a Ascensão de Nosso Senhor, estamos no coração da mensagem evangélica da salvação de Cristo a todos os homens através do testemunho da Igreja.

 

Mas do quê exatamente os cristãos têm de testemunhar ? Pouco antes de subir ao céu, Jesus fala da "conversão pregada em seu nome para o perdão dos pecados a todas as nações."

 

Se Cristo não tivesse subido aos céus, nós não poderiamos anunciar esta conversão. Sua Ascensão completa a obra da reconciliação com Deus da humanidade que tinha caido ao poder do pecado, pois é a Ascensão que restaura nossa natureza humana em sua relação com Deus. A Ascensão é a garantia de que o sacrifício de Cristo na Cruz é plenamente aceitado pelo Pai.

 

A reconciliação do homem pecador com Deus tem sido sempre o principal problema que as religiões tentaram resolver. No Antigo Testamento, os israelitas tentaram obter essa relação com o sacrifício de expiação. Este sacrifício ocorria no Santo dos Santos, o espaço central da Tenda do Encontro de Moisés, e depois do Templo de Jerusalém. O Santo dos Santos era separado do altar, onde o incenso era oferecido, por uma cortina grande e grossa. Somente o Sumo Sacerdote tinha permissão para passar através da cortina, e apenas uma vez por ano, o Dia da Expiação. Este antigo ritual foi o precursor da Ascensão. Cristo entrou no verdadeiro Santo dos Santos, o centro do universo, o próprio Céu. Mas ao invés de ir embora depois, Ele fica là, com a sua natureza humana, como nosso representante, como a ponte de reconciliação duradoura da humanidade com Deus. Através da nossa fé em Jesus nós já não temos qualquer dúvida sobre o perdão dos nossos pecados, nós não precisamos aguardar o Dia da Expiação, podemos viver em constante relação com Deus.

 

É disso que devemos ser testemunhas. Essa é a mensagem cujo somos os guardiães: o maior desejo do coração humano é atendido, por que o sacrifício de Cristo foi aprovado pelo Pai.

 

Nossa missão aqui na terra é, portanto, dar testemunho de Cristo. Ela nos permite compartilhar a alegria dos discípulos depois da Ascensão de Jesus :

 

"Eles voltaram para Jerusalém com grande alegria."

 

Mas nós podemos ser testemunhas eficazes de Cristo apenas se permanecermos unidos a ele. Precisamos de seu poder divino para cumprir essa missão divina. É por isso que Jesus nos diz na Primeira leitura :

 

"Recebereis a força do Espírito Santo, que descerá sobre vós ..."

 

Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Para ser suas testemunhas, não devemos apenas partilhar a sua natureza humana, mas também sua natureza divina. Esta é uma das principais razões da sua Ascensão. Como se afirma no Prefácio (II) da Oração Eucarística da solenidade :

 

"Ele subiu ao céu para nos fazer participantes da sua divindade."

 

Neste dia de hoje, em que a Igreja recorda-nos qual é a nossa missão e nos encoraja a cumpri-la com renovado entusiasmo, renovamos nosso compromisso de permanecer unidos a Cristo, nosso compromisso com a oração do coração a cada dia. Renovamos nosso compromisso de nunca parar de aprofundar o tesouro da nossa fé católica. Renovar a nossa resolução de fazer uso freqüente e verdadeiro dos sacramentos que Jesus nos deu através sa Sua morte e ressurreição, especialmente a Eucaristia e a Reconciliação.

 

O dia da Ascensão, Cristo envia-nos para o mundo de hoje para ser suas testemunhas, assim como Ele enviou seus Apóstolos há dois mil anos. O sucesso desta missão é a única coisa que possa satisfazer os anseios mais profundos do nosso coração. E tudo o que nós temos que fazer para ter sucesso, bem como os primeiros Apóstolos, é manter-se intimamente unidos a Cristo, nosso Senhor.

 


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