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Praedicatho homélies à temps et à contretemps
Homélies du dimanche, homilies, homilieën, homilias. "C'est par la folie de la prédication que Dieu a jugé bon de sauver ceux qui croient" 1 Co 1,21

Lectures 33° dimanche du Temps Ordinaire B

dominicanus #Liturgie de la Parole - Année B

1ère lecture : La résurrection des morts (Dn 12, 1-3)

 
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Lecture du livre de Daniel

Moi, Daniel, j'ai entendu cette parole de la part du Seigneur :
« En ce temps-là se lèvera Michel, le chef des anges, celui qui veille sur ton peuple. Car ce sera un temps de détresse comme il n'y en a jamais eu depuis que les nations existent.Mais en ce temps-là viendra le salut de ton peuple, de tous ceux dont le nom se trouvera dans le livre de Dieu.
Beaucoup de gens qui dormaient dans la poussière de la terre s'éveilleront : les uns pour la vie éternelle, les autres pour la honte et la déchéance éternelles.
Les sages brilleront comme la splendeur du firmament, et ceux qui sont des maîtres de justice pour la multitude resplendiront comme les étoiles dans les siècles des siècles.


 

Psaume : 15, 5.8, 9-10, 1b.11

 

R/ Garde-moi, Seigneur mon Dieu, toi, mon seul espoir !

 

Seigneur, mon partage et ma coupe :
de toi dépend mon sort.
Je garde le Seigneur devant moi sans relâche ;
il est à ma droite : je suis inébranlable.

Mon coeur exulte, mon âme est en fête,
ma chair elle-même repose en confiance :
tu ne peux m'abandonner à la mort
ni laisser ton ami voir la corruption.

Mon Dieu, j'ai fait de toi mon refuge.
Tu m'apprends le chemin de la vie : 
devant ta face, débordement de joie !
A ta droite, éternité de délices !
 
 
 


 

2ème lecture : Le sacrifice unique (He 10, 11-14.18)

 

Lecture de la lettre aux Hébreux

Dans l'ancienne Alliance, les prêtres étaient debout dans le Temple pour célébrer une liturgie quotidienne, et pour offrir à plusieurs reprises les mêmes sacrifices, qui n'ont jamais pu enlever les péchés.
Jésus Christ, au contraire, après avoir offert pour les péchés un unique sacrifice, s'est assis pour toujours à la droite de Dieu.
Il attend désormais que ses ennemis soient mis sous ses pieds.
Par son sacrifice unique, il a mené pour toujours à leur perfection ceux qui reçoivent de lui la sainteté.
Quand le pardon est accordé, on n'offre plus le sacrifice pour les péchés.
 
 
 


 

Evangile : La venue du Fils de l'homme (Mc 13, 24-32)

 
Acclamation : Restez éveillés et priez en tout temps : ainsi vous serez jugés dignes de paraître debout devant le Fils de l'homme. (Lc 21, 36)
 
 

Évangile de Jésus Christ selon saint Marc

Jésus parlait à ses disciples de sa venue :
« En ces temps-là, après une terrible détresse, le soleil s'obscurcira et la lune perdra son éclat.
Les étoiles tomberont du ciel, et les puissances célestes seront ébranlées.
Alors on verra le Fils de l'homme venir sur les nuées avec grande puissance et grande gloire.
Il enverra les anges pour rassembler les élus des quatre coins du monde, de l'extrémité de la terre à l'extrémité du ciel.
Que la comparaison du figuier vous instruise : Dès que ses branches deviennent tendres et que sortent les feuilles, vous savez que l'été est proche.
De même, vous aussi, lorsque vous verrez arriver cela, sachez que le Fils de l'homme est proche, à votre porte.
Amen, je vous le dis : cette génération ne passera pas avant que tout cela n'arrive.
Le ciel et la terre passeront, mes paroles ne passeront pas.
Quant au jour et à l'heure, nul ne les connaît, pas même les anges dans le ciel, pas même le Fils, mais seulement le Père. »
 
 


Copyright AELF - 1980 - 2009 - Tous droits réservés


 

O TESAURO DA POBRE VIÚVA (32° Domingo do Tempo Comum – Ano B)

Walter Covens #homilias em português
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    Vou ler primeiro, a propósito do evangelho que acabamos de ouvir, o que se encontra num comentário dos 4 evangelhos : « A lição é tão evidente que não precisa dum comentário. Era melhor meditar pessoalmente na conclusão prática, com sabedoria (cf. 2 C 8,13), mas generosamente » Mais nada ! Ora, o livro comporta mais de 800 paginas… entre as quais, so três linhas pequenas para a pobre viúva ! Sim, é verdade, é lição é evidente : é realmente pobre, aquela viúva…

    Então, o que é que poderá dizer um « pobre » pregador como eu, encarregado de vos fazer a homilia a respeito dessa viúva ? Em primeiro lugar, hei-de dizer que esse evangelho me comove muito pessoalmente. Agora mesmo, a minha mãe é viúva desde há 50 anos. Quando faleceu o meu pai, cinco anos depois de casar, ela ficou com 4 crianças ao seu encargo, cuja a mais nova, uma menina, acabava de nascer. Eu, o mais velho, ia crescendo e notava muitas vezes que os fins dos meses eram muito difíceis para a minha mãe : quando precisavamos de alguma coisa para a escola, tinha que contar os últimos céntimos do seu porta-moedas.

    Mas a pobre viúva do evangelho era ainda mais pobre. Pois, a minha mãe podia usar dum pequeno seguro de vida que o pai tinha contratado, bem como duma pensão paga pelo Estado. No tempo de Jesus, em Jerusalém, não havia nada disso. As viúvas nem podiam sequer herdar dos maridos defuntos. Ao deitar as suas duas moedas no Tesouro do Templo, a viúva do evangelho não se diz : « Tanto faz ! amanhã o carteiro vai trazer-me o meu cheque »… Realmente, « deu tudo, tudo quanto tinha para viver ». A esmola dessa viúva é muito notável, pois lembramo-nos de que S.Marcos disse algures que os escribas « devoram os haveres das viúvas ». O contraste é gritante entre a voracidade dos escribas e a generosidade daquela mulher.

    Aqui também tenho recordações da minha infância de que nunca me poderei esquecer. No nosso quintal havia um marmeleiro. A quantidade de fruta dependia da chuva : essa árvore precisa de muita água. Ora, naquele ano, como muitas vezes acontece na Bélgica, tinha chovido muito, e havia muitos marmelos. Como o marmelo não se como cru, a minha mãe tinha feito marmelada com eles (a marmelada é usada contra a diarreia). Ao que parece não eramos sózinhos a sofrer dessa incomodidade : os nossos vizinhos eram muito interessados pela produção artesanal da nossa mãe ; tinham pedido para ela vender alguns frascos. Os vizinhos tinham recebido os seus frascos de marmelada… mas a nossa mãe nunca recebeu o seu dinheiro !

    Aquela anedota mostra bem que, ainda hoje, as viúvas, mesmo que tenham ajuda do Estado, ficam uma presa fácil num mundo em que, muitas vezes, vale sobretudo a lei do mais forte, onde reina o dinheiro. Se os escribas devoravam os seus pobres haveres, a viúva do evangelho teria podido aproveitar a sua situação para não deitar nada no Tesouro. Ao deitar as suas duas moedas, nem podia sequer esperar uma admiração qualquer muito menos um agradecimento como recompensa do seu gesto. O que ela fez foi totalmente gratuito, por amor ao Senhor, sen rancor nenhum contra os homens.

    Então, sim, tiremos disso « pessoalmente, a conclusão prática, prudentemente, mas generosamente ». « Prudentemente, conforme o conselho de S.Paulo por ocasião dum peditório realizado para socorrer a comunidade de Jerusalém : « Não se trata de vos pôr na penúria auxiliando os outros, trata-se, isso sim, de igualdade » ; também « generosamente ». S.Paulo, antes de precisar com prudência aos cristãos de Corinto que não lhes pedia para dar do seu necessário, mas sim do supérfluo, faz uma chamada à generosidade deles, afim de que não se julguem muito facilmente dispensados de dar tudo quanto podiam dar. Diz-lhes : « Conheceis, pois, a generosidade de Nosso Senhor Jesus Cristo : ele, que é rico, tornou-se pobre por causa de vós, para que sejais ricos mediante a sua pobreza. (…) Agora, ide até ao fim da realização ; assim, tal como resolvistes com todo o vosso coração, assim havereis-de ir até ao fim das vossas possibilidades ». Não é obrigatório dar aquilo de que precisamos para viver, mas temos de ir até ao fim das nossas possibilidades ; eis a lição que podemos reter. Pouco importa se não se pode dar mais : « Quando damos com todo o nosso coração, somos aceites como somos ; pouco importa o que não se tem » (2 Co 8, 9-14)

    Além disso, podemos acrescentar que « aquilo que temos » não é só dinheiro. Podemos dar também tempo, trabalho… Podemos dar até filhos. Não sei o que a minha mãe deitava na caixa da igreja ou no peditório da missa. O que sei, é que ela deu ao Senhor e à Igreja um filho padre, outro diacono permanente e uma filha consagrada numa comunidade… Podemos dar sobretudo o nossso amor. O que é importante, em matéria de dinheiro, de tempo, de trabalho, etc…não é a quantidade, mas sim a qualidade. E quando nos gabamos sempre da quantidade, é sinal de fraca qualidade. « Acautelai-vos dos escribas, que gostam de saír com vestidos compridos, que gostam das saudações nas praças públicas, dos primeiros lugares nas sinagogas e nos jantares. Eles devoram os haveres das viúvas e fingem rezar longamente : por causa disso, serão severamente condenados » A Madre Teresa dizia : « Não seremos julgados pela quantidade de trabalho realizado, mas pelo peso de amor que no trabalho tivermos depositado ».

    « Condenados », « julgados » : trata-se realmente dum julgamento. Esse julgamento é o de Deus respeitante a cada um de nós. A Escritura fala várias vezes dum « julgamento geral », no fim do mundo, e também dum julgamento « particular », no fim da nossa vida.Mas aqueles dois julgamentos são misericordiosamente antecipados por Jesus, para que, no fim da nossa vida e no fim do mundo, não caiamos do alto, e para que tenhamos o tempo de nos converter na nossa maneira de dar. Na secção que estamos a meditar, Jesus apresenta-se como Aquele quem julga Jerusalém já neste tempo. O julgamento é realizado em actos e palavras. O julgamento de Jerusalém em actos começa com a entrada de Jesus na cidade ; continua com a figueira estéril e seca e com a purificação do Templo. O julgamento de Jerusalém em palavras são as discussões teológicas no Templo a respeito da sua autoridade, da maneira de ler a Escritura, da questão do imposto, da ressurreição dos mortos e do discernamento do que é mais importante nos mandamentos, bem como com a pergunta de Jesus que fica sem resposta. O evangelho de hoje é a conclusão desse julgamento. É o último ensinamento de Jesus no templo. Pois, já não entrará mais no Templo. Alguns dias mais tarde, Jesus vai ser julgado injustamente pelos mesmos que ele julgou tão justamente. Em vez de se converterer graças ao julgamento de Jesus, endureceram-se..

    Em relação ao próprio Jesus é que cada um é interpelado e situado. É frente a Jesus que cada um é julgado, desde já, bem como no fim da sua vida, bem como no fim do mundo. Pela Sua Palavra e pela Sua Eucaristia, na qual ele se dá totalmente a nós é que somos julgados. Os vários grupos de adversários de Jesus não encontraram escapatória a não ser no silêncio e a não-fé. Qual a nossa reacção depois de ouvir a Palavra de julgamento de hoje ? Como é que resolvemos o que vamos dar no peditório , parte integrante da missa. Qual a nossa resposta a Jesus quem entrega o seu Corpo e derrama o seu Sangue por nós, quando o celebrante disser, no fim desta celebração : « Vamos em paz e que o Senhor nos acompanhe » ? Qual o nosso empenhamento no mundo, e na Igreja durante a semana que vem ?

    Peçamos à pobre viúva do evangelho para nos ensinar que a única resposta que nós possamos dar Àquele que se tornou pobre para nos enriquecer é ir até ao fim das nossas possibilidades. Peçamo-lo também à Virgem Maria, a Viúva perfeita. Pois Ela é quem deu realmente tudo, tudo quanto tinha para viver : Jesus, o seu próprio Filho . Nisso ela é um sinal na Igreja. Num comentário muito bonito de Apresentação no Templo, Martinho Luther escreve :

« O que significa o facto de Simeão falar só e pessoalmente a Maria, a mãe de Jesus, e não a José ? Isso significa com certeza que a Igreja cristã fica na terra como que a Virgem Maria espiritual, que não será destruida, mesmo que os seus pregadores, a sua fé, o seu evangelho, Cristo espiritual, fossem perseguidos. Se bem que José falecer primeiro, que Jesus for martirizado, que Maria ficar viúva e despojada do seu Filho, no entanto ela ficará, e aquela grande aflição atravessa o seu coração. Assim, a Igreja cristã fica sempre uma viúva e o coração dela é traspassado por causa da morte de José, dos Santos Padres e do Seu Filho, enquanto o evangelho continua perseguido ; tem que sofrer a espada e no entanto ficar sempre, até ao último dia."

    A Igreja é portanto, também ela, como que uma viúva constantemente despojada dos seus bens por um mundo que a persegue, mas que não deixa de dar a Deus tudo o que tem : Jesus ».

(Tradução : G.Jeuge)

Le trésor de la pauvre veuve - Homélie 32° dimanche du Temps Ordinaire B

Walter Covens #homélies (patmos) Année B - C (2006 - 2007)
 
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    Je vous lirai d'abord, à propos de l'évangile que nous venons d'entendre, ce qui se trouve dans un commentaire des quatre Évangiles: "La leçon est trop claire pour nécessiter un commentaire. Il faut plutôt en tirer personnellement la conclusion pratique, sagement (cf. 2 Co 8, 13), mais généreusement." Voilà tout ! Or, le livre en question compte plus de huit cents pages ... dont seulement trois petites lignes pour la pauvre veuve. Oui, la leçon est claire: elle est vraiment pauvre, cette veuve...

    Alors que pourra dire un "pauvre" prédicateur comme moi, chargé de vous faire l'homélie au sujet de cette veuve? Eh bien, d'abord que cet évangile me touche beaucoup personnellement. Ma maman a vécu le veuvage pendant plus de cinquante ans. Quand papa est mort après cinq ans de mariage, elle est restée avec quatre enfants sur les bras, dont le dernier, une fille, venait de naître. En grandissant comme aîné de la famille, je remarquais plus d'une fois que les fins de mois étaient très difficiles pour maman, et que quand nous avions besoin d'une fourniture scolaire quelconque, par exemple, elle se trouvait dans la gêne en comptant les derniers sous de son porte-monnaie.

    Mais la pauvre veuve de l'évangile était encore plus pauvre. Car maman avait pu bénéficier d'une petite assurance-vie que papa avait contractée, ainsi que d'une pension de veuve versée par l'État belge. Au temps de Jésus à Jérusalem, il n'y avait rien de semblable. Les veuves ne pouvaient même pas hériter de leurs maris défunts. En mettant ses deux piécettes dans le Trésor du Temple, la veuve de l'Évangile ne se dit pas: - Tant pis, demain c'est le jour où le facteur va m'apporter mon chèque. Oui, vraiment, "elle a tout donné, tout ce qu'elle avait pour vivre". L'obole de cette veuve est d'autant plus remarquable que S. Marc a pris soin de nous signaler que les scribes, eux, "dévorent les biens des veuves". Le contraste est criant entre la voracité des scribes et la générosité de cette femme.

    Là aussi j'ai des souvenirs d'enfance que je ne suis pas près d'oublier. Dans notre jardin il y avait un cognassier. La quantité de fruits dépendait de la pluie. C'est un arbre qui a besoin de beaucoup d'eau. Cette année-là, comme souvent en Belgique, la pluie avait été généreuse, et il y avait abondance de coings. Comme c'est un fruit qui ne se mange pas cru, maman en avait fait de la gelée, très prisée notamment pour soigner les diarrhées. Et apparemment, nous n'étions pas les seuls à présenter de temps en temps ces petits troubles intestinaux, car nos voisins étaient très intéressés par la production artisanale de maman; et ils l'avaient suppliée de leur en vendre quelques bocaux. Les voisins ont donc reçu leurs bocaux de gelée ... mais maman n'a jamais reçu son argent.

    Cette anecdote montre bien qu'aujourd'hui encore, les veuves, même avec l'aide de l'État, demeurent une proie facile dans un monde où prévaut souvent la loi du plus fort, et où l'argent est roi. Si les scribes dévoraient ses maigres biens, la veuve de l'évangile aurait très bien pu s'en prévaloir pour ne rien mettre dans le trésor du Temple. En y laissant tomber ses deux piécettes, elle ne pouvait même pas espérer récolter une certaine admiratiion ou reconnaissance comme salaire de son geste. Ce qu'elle a fait était entièrement gratuit, par pur amour pour le Seigneur et sans rancune contre les hommes.

    Alors, oui, tirons-en "personnellement la conclusion pratique, sagement, mais généreusement". "Sagement" selon la recommandation de S. Paul, à l'occasion d'une collecte pour l'Église de Jérusalem: "Il ne s'agit pas de vous mettre dans la gêne en soulageant les autres, il s'agit d'égalité"; mais aussi "généreusement". S. Paul, avant de préciser avec sagesse aux chrétiens de Corinthe qu'il ne leur demandait pas de donner de leur nécessaire, mais de leur superflu, fait appel à leur générosité pour ne pas qu'ils se croient trop facilement excusés de ne pas donner tout ce qu'ils pouvaient donner. Il leur dit: "Vous connaissez en effet la générosité de notre Seigneur Jésus-Christ: lui qui est riche, il est devenu pauvre à cause de vous, pour que vous deveniez riches par sa pauvreté. (...) Maintenant, allez jusqu'au bout de la réalisation; ainsi comme vous avez mis votre coeur à décider, vous irez jusqu'au bout de vos possibilités." Sans donner de ce dont on a réellement besoin pour vivre, mais en allant jusqu'au bout de ses possibilités, voilà la leçon que nous pouvons retenir. Peu importe si on ne peut donner plus: "Quand on y met tout son coeur, on est accepté pour ce que l'on a; peu importe ce que l'on n'a pas" (2 Co 8, 9-14).

    Ajoutons que "ce que l'on a", ce n'est pas seulement de l'argent. On peut aussi donner de son temps, de son travail. On peut donner de ses enfants. J'ignore ce que ma maman mettait dans le tronc de l'église ou à la collecte de la messe. Ce que je sais, c'est qu'elle a donné au Seigneur et à l'Église un fils prêtre, un autre diacre permanent, et une fille consacrée dans une communauté... On peut surtout donner de son amour. Ce qui compte, en matière d'argent, de temps, de travail ou en quoi que ce soit d'autre que nous puissions donner, ce n'est pas la quantité, mais la qualité. Et si nous nous vantons sans cesse de la quantité, c'est le signe d'une piètre qualité: "Méfiez-vous des scribes, qui tiennent à sortir en robes solennelles et qui aiment les salutations sur les places publiques, les premiers rangs dans les synagogues et les places d'honneur dans les dîners. Ils dévorent les biens des veuves et affectent de prier longuement: ils seront d'autant plus sévèrement condamnés". Mère Teresa disait: "Nous ne serons pas jugés sur la somme du travail accompli, mais sur le poids d'amour que nous aurons mis".

    "Condamnés", "jugés": il s'agit bien ici d'un jugement. Ce jugement, c'est le jugement de Dieu sur chacun de nous. L'Écriture parle dans plusieurs passages d'un jugement "général", à la fin du monde, et aussi d'un jugement particulier, à la fin de notre vie. Mais ces deux jugements sont miséricordieusement anticipés par Jésus pour qu'à la fin de notre vie et à la fin du monde, nous ne tombions pas des nues, et pour que nous ayons le temps de nous convertir dans notre manière de donner. Dans la section de l'Évangile de S. Marc que nous sommes en train de méditer, Jésus se présente comme celui qui juge Jérusalem dès à présent. Ce jugement est donné en actes et en paroles. Le jugement de Jérusalem en actes commence avec l'entrée de Jésus dans la ville. Il se poursuit avec le figuier stérile et desséché et la purification du Temple. Le jugement de Jérusalem en paroles, ce sont les disputes théologiques au Temple au sujet de son autorité, de la manière de lire l'Écriture, de la question de l'impôt, de la résurrection des morts et du discernement de ce qu'il y a de plus important dans les commandements, ainsi que la question de Jésus qui restera sans réponse. L'évangile que nous avons entendu aujourd'hui est la conclusion de ce jugement. C'est le dernier enseignement de Jésus dans le Temple de Jérusalem. Il n'y remettra plus les pieds. Quelques jours plus tard il sera jugé injustement par ceux-là même qu'il a jugé si justement. Au lieu de se convertir grâce à ce jugement, ils se sont endurcis.

    C'est par rapport à Jésus lui-même que chacun se trouve interpellé et situé. C'est face à Jésus que chacun est mis en jugement, dès maintenant, comme à la fin de notre vie, comme à la fin du monde. C'est par sa Parole et par son Eucharistie où il se donne totalement à nous que nous sommes jugés. Les divers groupes d'adversaires de Jésus n'ont trouvé d'autre échappatoire que dans le silence et la non-foi. Quelle est notre réaction après avoir entendu la Parole de jugement d'aujourd'hui? Comment décidons-nous de ce que nous allons mettre dans la collecte qui fait partie de la messe? Quelle sera notre réponse à Jésus qui livre son Corps et qui verse son Sang pour nous, quand le célébrant dira à l'issue de cette célébration: "Allez dans la paix du Christ"? Quel sera notre engagement dans le monde, dans l'Église au cours de la semaine qui commence?

    Demandons à la pauvre veuve de l'évangile de nous enseigner que la seule réponse que nous pouvons faire à Celui qui s'est fait pauvre pour nous enrichir, c'est d'aller jusqu'au bout de nos possibilités. Demandons-le aussi à la Vierge Marie, la veuve par excellence. Car c'est elle qui a vraiment tout donné, tout ce qu'elle avait pour vivre, c'est-à-dire Jésus, son Fils Lui-même. En cela elle est un signe dans l'Église. Dans un très beau commentaire de la Présentation au Temple, Martin Luther écrit:
 
Que signifie le fait que Siméon s'adresse seulement et personnellement à Marie, sa mère, et non pas à Joseph? Cela signifie sans doute que l'Église chrétienne reste sur la terre la Vierge Marie spirituelle, et qu'elle ne sera pas détruite, quand bien même ses prédicateurs, sa foi, son évangile, le Christ spirituel, seront persécutés. Bien que Joseph mourra d'abord, puis que le Christ sera martyrisé, que Marie deviendra veuve et qu'elle sera dépouillée de son Fils, cependant elle restera, et toute cette grande détresse traverse son coeur. Ainsi l'Église chrétienne reste toujours une veuve et son coeur est transpercé de ce que Joseph, les saints Pères et son fils meurent, et de ce que l'évangile soit persécuté; elle doit souffrir le glaive et cependant rester toujours jusqu'au dernier jour.

    L'Église est donc elle aussi comme une veuve constamment dépouillée de ses biens par un monde qui la persécute, mais qui ne cesse pas pour autant de donner à Dieu tout ce qu'elle a: Jésus.
L'Église est donc elle aussi comme une veuve constamment dépouillée de ses biens par un monde qui la persécute

L'Église est donc elle aussi comme une veuve constamment dépouillée de ses biens par un monde qui la persécute

L’unique Sacerdoce du Christ - Homélie 32° dimanche du Temps Ordinaire

dominicanus #Homélies Année B (2008-2009)

 

 

Selon les statistiques, l’Eglise catholique compte plus de quatre cent mille prêtres ordonnés à l’œuvre actuellement dans le monde entier. Comment accorder ce nombre en apparence si grand avec ce que dit le Catéchisme de l’Eglise Catholique (n. 1545) qui parle de « l’unique sacerdoce du Christ » ? Y a-t-il un seul prêtre, Jésus Christ, ou y en a-t-il près d’un demi-million ? 

 

A vrai dire, c’est une question-piège. La question n’est pas de savoir s’il y a ou bien un seul vrai prêtre, ou bien plus de quatre cent mille prêtres. La réalité, c’est que les deux affirmations sont vraies. Il est juste de dire qu’il n’y a qu’un seul vrai grand prêtre, Jésus Christ. Mais il est tout aussi juste d’affirmer qu’il y a quatre cent mille prêtres dans l’Eglise catholique. La solution de l’énigme se trouve dans le fait que le sacerdoce de ces quatre cent mille prêtres ne fait pas nombre avec le sacerdoce du Christ, n’est pas indépendant de lui. Les prêtres sont les ministres du Christ, ses représentants. De par leur ordination sacramentelle ils participent d’une manière spéciale de son unique sacerdoce. Le Catéchisme (n. 1545) l’exprime en ces termes :

 

« l’unique sacerdoce du Christ (…) est rendu présent par le sacerdoce ministériel sans que soit diminuée l’unicité du sacerdoce du Christ : "Aussi le Christ est-Il le seul vrai prêtre, les autres n’étant que ses ministres" (S. Thomas d’A., Hebr. 7, 4). »

 

Voilà ce que les théologiens veulent dire quand ils affirment que les prêtres ordonnés agissent « in persona Christi », dans la personne du Christ. Quand un prêtre s’acquitte de ses devoirs sacerdotaux, comme, par exemple, la célébration de la Messe ou du Sacrement de Pénitence, c’est le Christ qui agit par eux.

 

Le passage de la Lettre aux Hébreux que nous venons d’entendre nous aide à comprendre le caractère unique du sacerdoce du Christ. C’est aussi en méditant ce passage que nous pourrons mieux apprécier la profondeur de la sagesse et la puissance de l’amour de Dieu pour nous. La lecture met en lumière trois aspects de l’unique sacerdoce du Christ.

 

Tout d’abord, elle nous rappelle que Jésus est entré dans l’unique vrai sanctuaire : le trône céleste du Père. Ceci s’est réalisé par son Ascension, quarante jours après sa Résurrection, quand il est monté au ciel, pour s’asseoir à la droite du Père. Il nous est difficile de comprendre la signification de l’Ascension. Une analogie peut nous y aider.

 

Représentons-nous le sacerdoce comme un pont. Une extrémité de ce pont repose sur la terre, où les pécheurs que nous sommes tous se battent pour retrouver le bonheur perdu et la vie éternelle pour laquelle nous avons été crées. L’autre extrémité de ce pont se trouve au ciel, qui est la présence de Dieu, source intarissable de vie, de bonheur. Ce pont, c’est Jésus qui l’a construit par sa Passion et sa Résurrection. Il a solidement établi une extrémité de ce pont sur la terre en fondant l’Eglise, et la deuxième extrémité au ciel par son Ascension. Sans l’Ascension le pont ne serait pas achevé, ou, en tout cas, impraticable. En d’autres mots, Jésus est réellement présent au ciel, avec son corps ressuscité et glorifié, avec aussi sa Mère, la Bienheureuse Vierge Marie dans la gloire de son Assomption.

 

Mais il est présent aussi sur terre, grâce aux sacrements de son Eglise, administrés par les prêtres ordonnés dans la puissance du Saint Esprit. Quand nous recevons ces sacrements, chacun de nous se trouve incorporé à  ce pont, pour ainsi dire comme une extension, une bretelle d’accès, pour rayonner cette présence à l’endroit où nous vivons. Voilà ce que veut dire l’expression "sacerdoce commun des fidèles".

 

Cette vérité de notre foi, nous la proclamons chaque fois que l’Eucharistie est célébrée. Le prêtre, proclamant la Parole de Dieu, représente Dieu qui se révèle par sa Parole. Lors de la présentation des dons (l’offertoire), le prêtre vient du sanctuaire pour recevoir les offrandes du peuple, de même que le Christ est venu du ciel pour prendre notre nature humaine par l’incarnation. Ensuite, le prêtre apporte ces dons, qui représentent notre vie, nos souffrances, notre travail, dans le sanctuaire sur l’autel, où il les offre (in persona Christi) à Dieu en notre nom, tout comme le Christ a emporté notre nature humaine au ciel à l’Ascension, « afin de se tenir maintenant pour nous devant la face de Dieu », comme nous le rappelle la deuxième lecture.

 

Ainsi, le premier aspect de l’unique sacerdoce du Seigneur est le fait qu’il a établi une extrémité du pont au ciel, ce que lui seul a pu faire, car lui seul est ressuscité de morts et monté au ciel.

 

Le deuxième aspect mis en lumière par la deuxième lecture de ce dimanche, c’est la manière dont Jésus a construit ce pont du salut. Le passage nous dit que « (Jésus) s'est manifesté pour détruire le péché par son sacrifice ». Nous avons tellement l’habitude d’entendre cette affirmation qu’elle ne nous étonne plus. Le péché est une révolte contre Dieu. Le péché, c’est toute parole, action ou désir librement choisi en opposition à la loi éternelle (cf. CEC 1859). Le péché revient à tourner le dos à Dieu pour lui faire comprendre que nous voulons trouver notre bonheur sans lui, ce qui est, bien sûr, impossible. Cette rébellion s’est déroulée pour la première fois au Jardin de l’Eden, au moment où nos premiers parents ont commis le péché originel sous l’instigation du démon. De là cette rébellion s’est répandue, comme la grippe H1N1, partout où il y a des hommes. Notre nature humaine s’en est trouvée infectée. Mais Dieu ne nous a pas abandonné à notre maladie. Il nous a envoyé un Sauveur, Jésus Christ.

 

Jésus est né de la Vierge Marie, Immaculée Conception, pour que la nature humaine de son Fils soit libre de toute infection du péché. Et quand il fut tenté par le démon, au désert, au commencement de son ministère public, et puis durant sa Passion, il est resté fidèle à la volonté du Père. Au lieu de se rebeller contre la Loi divine il l’a acceptée et embrassée, même jusqu’à l’humiliation suprême et la douleur de la crucifixion. En d’autres mots, bien qu’il n’ait jamais péché, il a pris sur lui la culpabilité et le châtiment de tous nos péchés, pour nous permettre de renaître, grâce à cette seconde chance que nous offre la rédemption. Il s’est sacrifié lui-même pour renverser et défaire la rébellion de l’humanité contre Dieu. Vrai Dieu et vrai homme, il a dit "oui" à son Père, en réparant tous les "non" que l’humanité pécheresse a accumulés tout au long de son histoire.

 

Mais ce sacrifice pour enlever tous nos péchés a eu lieu il y a deux mille ans. Comment pouvons-nous en bénéficier ? Comment pouvons-nous y connecter notre vie aujourd’hui ?

 

Par l’Eucharistie. La Messe n’est pas uniquement un souvenir, comme une cérémonie commémorative du 11 novembre ; c’est une célébration sacramentelle. Par le prêtre ordonné, agissant "dans la personne du Christ", le Saint Esprit fait de chaque Messe « l’actualisation et l’offrande sacramentelle de son unique sacrifice (celui du Christ), dans la liturgie de l’Église qui est son Corps » (CEC 1362). Au moment où le prêtre prononce les paroles de la consécration : « ceci est mon corps… ceci est mon sang… », c’est Jésus lui-même qui se rend réellement présent sous les apparences du pain et du vin. Par la consécration d’abord du pain, et ensuite du vin, le sacrifice de la Croix est rendu présent, où Jésus a offert son propre corps, duquel a coulé son sang en sacrifice pour nos péchés.

 

Ainsi, chaque fois que nous participons à la Messe, pour unir attentivement notre cœur et notre esprit aux prières prononcées par le prêtre, nous connectons notre vie au sacrifice rédempteur du Christ. En recevant la Sainte Communion, nous permettons à la puissance du "oui" du Christ d’entrer dans notre âme et de nous purifier de nos tendance égoïste, pécheresse qui consiste à dire "non" à Dieu. A chaque messe nous traversons le pont entre ce monde perdu par le péché et le Royaume des Cieux. Voilà ce que dit le prêtre, juste avant la communion : « Voici l’Agneau de Dieu qui enlève le péché du monde… Heureux les invités au repas du Seigneur ».

 

Le troisième aspect de l’unique sacerdoce du Christ mis en lumière dans la deuxième lecture de ce dimanche regarde l’avenir. Ce sacerdoce, exercé par les ministres ordonnés ici, sur terre, transfuse sa grâce salutaire dans notre vie pour nous donner accès au sanctuaire éternel et nous permettre de bénéficier de son sacrifice sauveur. Et pourtant, le monde dans lequel nous vivons, est un monde déchu. Notre nature humaine est toujours blessée et remplie de tendances égoïstes, pécheresses. Un jour serons-nous complètement guéris du péché et de toutes ses conséquences ? Y aura-t-il un ciel nouveau et une terre nouvelle, où nous pourrons contempler Dieu face à face, au lieu de le voir sous le voile de la foi ? Oui ! « le Christ … apparaîtra une seconde fois, non plus à cause du péché, mais pour le salut de ceux qui l'attendent ».

 

Nous vivons la phase finale de l’histoire dans laquelle le Royaume du Christ s’étend graduellement et mystérieusement jusqu’aux extrémités de la terre par l’extension de l’Eglise qui doit toujours combattre, souffrir, comme le Seigneur lui-même. Mais au moment fixé par lui, ce combat, cette souffrance prendront fin : le pont de la rédemption aura atteint sa raison d’être, et Dieu notre Père rassemblera tous ses enfants fidèles dans sa demeure céleste, là où tous les désirs seront exaucés au-delà de toute espérance. Voilà ce que nous disons chaque dimanche quand nous proclamons notre foi dans "la résurrection de la chair" et "la vie éternelle".

 

Vraiment, Jésus Christ, l’unique vrai grand prêtre de toute l’humanité, est venu pour nous sauver par son incarnation rédemptrice, continue de nous purifier et fortifier par le sacerdoce sacramentel de l’Eglise, et viendra de nouveau à la fin des temps pour essuyer toute larme et pour guérir toute blessure. Dans cette Messe, renouvelons notre foi en un Sauveur si grand ; remercions-le pour son unique sacerdoce, et promettons-lui de ne jamais nous écarter de la voie du salut.

Lectures 32° dimanche du Temps Ordinaire B

dominicanus #Liturgie de la Parole - Année B

1ère lecture : La veuve de Sarepta (1R 17, 10-16)

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Lecture du premier livre des Rois

Le prophète Élie partit pour Sarepta, et il parvint à l'entrée de la ville. Une veuve ramassait du bois ; il l'appela et lui dit : « Veux-tu me puiser, avec ta cruche, un peu d'eau pour que je boive ? »
Elle alla en puiser. Il lui dit encore : « Apporte-moi aussi un morceau de pain. »
Elle répondit : « Je le jure par la vie du Seigneur ton Dieu : je n'ai pas de pain. J'ai seulement, dans une jarre, une poignée de farine, et un peu d'huile dans un vase. Je ramasse deux morceaux de bois, je rentre préparer pour moi et pour mon fils ce qui nous reste. Nous le mangerons, et puis nous mourrons. »
Élie lui dit alors : « N'aie pas peur, va, fais ce que tu as dit. Mais d'abord cuis-moi un petit pain et apporte-le moi, ensuite tu feras du pain pour toi et ton fils.
Car ainsi parle le Seigneur, Dieu d'Israël : Jarre de farine point ne s'épuisera, vase d'huile point ne se videra, jusqu'au jour où le Seigneur donnera la pluie pour arroser la terre. »
La femme alla faire ce qu'Élie lui avait demandé, et longtemps, le prophète, elle-même et son fils eurent à manger.
Et la jarre de farine ne s'épuisa pas, et le vase d'huile ne se vida pas, ainsi que le Seigneur l'avait annoncé par la bouche d'Élie.
 
 


 

Psaume : 145, 5-6a, 6c-7ab, 8bc-9a, 9b.10

 

R/ Je te chanterai, Seigneur, tant que je vivrai.

 

Heureux qui s'appuie sur le Dieu de Jacob,
qui met son espoir dans le Seigneur son Dieu,
 
lui qui a fait le ciel et la terre.

Il garde à jamais sa fidélité,
 
il fait justice aux opprimés ;
aux affamés, il donne le pain.

 
Le Seigneur redresse les accablés,
le Seigneur aime les justes,
 
le Seigneur protège l'étranger.

Il soutient la veuve et l'orphelin.

D'âge en âge, le Seigneur régnera :
ton Dieu, ô Sion, pour toujours !
 
 
 

2ème lecture : Le sacerdoce du ciel (He 9, 24-28)

 

Lecture de la lettre aux Hébreux

Le Christ n'est pas entré dans un sanctuaire construit par les hommes, qui ne peut être qu'une copie du sanctuaire véritable ; il est entré dans le ciel même, afin de se tenir maintenant pour nous devant la face de Dieu.
Il n'a pas à recommencer plusieurs fois son sacrifice, comme le grand prêtre qui, tous les ans, entrait dans le sanctuaire en offrant un sang qui n'était pas le sien ;
car alors, le Christ aurait dû plusieurs fois souffrir la Passion depuis le commencement du monde. Mais c'est une fois pour toutes, au temps de l'accomplissement, qu'il s'est manifesté pour détruire le péché par son sacrifice.
Et, comme le sort des hommes est de mourir une seule fois, puis de comparaître pour le jugement,
ainsi le Christ, après s'être offert une seule fois pour enlever les péchés de la multitude, apparaîtra une seconde fois, non plus à cause du péché, mais pour le salut de ceux qui l'attendent.
 
 


 

 

 

 

Evangile : L'ostentation des scribes - L'aumône de la pauvre veuve (brève : 41-44) (Mc 12, 38-44)

 
Acclamation : Heureux les pauvres de cœur : le Royaume des cieux est à eux ! (Mt 5, 3)
 
 

Évangile de Jésus Christ selon saint Marc

Dans son enseignement, Jésus disait : « Méfiez-vous des scribes, qui tiennent à sortir en robes solennelles et qui aiment les salutations sur les places publiques,
les premiers rangs dans les synagogues, et les places d'honneur dans les dîners.
Ils dévorent les biens des veuves et affectent de prier longuement : ils seront d'autant plus sévèrement condamnés. »
Jésus s'était assis dans le Temple en face de la salle du trésor, et regardait la foule déposer de l'argent dans le tronc. Beaucoup de gens riches y mettaient de grosses sommes.
Une pauvre veuve s'avança et déposa deux piécettes.
Jésus s'adressa à ses disciples : « Amen, je vous le dis : cette pauvre veuve a mis dans le tronc plus que tout le monde.
Car tous, ils ont pris sur leur superflu, mais elle, elle a pris sur son indigence : elle a tout donné, tout ce qu'elle avait pour vivre. »
 
 




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Je crois la Sainte Eglise Catholique - Homélie pour la Solennité de Tous les Saints

dominicanus #Homélies Année B (2008-2009)
La grande gloire de l'Église, c'est d'être sainte avec des membres pécheurs.

La grande gloire de l'Église, c'est d'être sainte avec des membres pécheurs.

   


    Nous célébrons aujourd'hui la solennité de tous les saints. C'est une des fêtes les plus populaires dans la Tradition de l'Église catholique. Le fait que dans la plupart de nos pays, elle soit une fête chômée en est un signe. Mais là aussi, les assauts de la sécularisation se font sentir de plus en plus. Ces dernières années on a pu assister à une véritable profanation de cette fête. Vous avez tous entendu parler de Halloween. Halloween était à l'origine une authentique fête catholique. Elle s'appelait All Hallow's Eve, la vigile de la Toussaint. Ce sont les  émigrés Irlandais, avec leur grande dévotion pour les saints, qui l'ont importée aux États-Unis. Ce n'est que durant ces dernières années que cettte fête a été défigurée, dépouillée de son sens chrétien, pour être transformée en une parodie lugubre de la vision chrétienne de l'au-delà. Ce n'est donc pas seulement une motivation commerciale qui a fait de cette fête comme un deuxième carnaval. Le 31 octobre est pour l'occultisme "la fête la plus importante pour les disciples de Satan".

    C'est une raison de plus pour nous d'approfondir le sens authentique de la solennité de tous les saints, et pour ne pas la laisser se dévaluer par rapport à la commémoration des fidèles défunts qui a lieu le lendemain, le 2 novembre. Il y va de la vitalité de notre foi. Ne nous laissons pas contaminer et manipuler par des forces obscures, mais contaminons le monde par notre foi ! Et notre foi c'est ceci :
 
JE CROIS À LA SAINTE ÉGLISE CATHOLIQUE.
 
Seulement, ce que je crois du fond de mon coeur, je dois aussi essayer de le comprendre avec toute mon intelligence. La foi n'est jamais une chose évidente. Elle est une épreuve. Ce que nous serons ne paraît pas encore clairement, nous dit S. Jean. C'est là justement que la foi intervient. La sainte Église n'est pas une Église sans pécheurs. Je ne suis pas venu pour les bien portants ni pour les justes, mais pour les malades et les pécheurs, dit Jésus. Nous venons de le reconnaître au début de la messe : nous sommes tous pécheurs. S'il fallait être un saint avant de devenir chrétien, cela n'aurait aucun sens. On est chrétien pour le devenir.

    Alors vous voyez la question que nous devons tous nous poser aujourd'hui : moi qui suis pécheur, est-ce que je veux devenir un(e) saint(e) ? Si je dis que je suis chrétien, mais que je ne veux pas devenir saint, c'est alors qu'il y a un autre problème, plus grave que le péché lui-même. Quand je nie que je suis pécheur, il y a un problème, parce que je fais de Dieu un menteur. Mais sachant que je suis pécheur tout en faisant partie de l'Église, si je ne veux pas devenir un saint, il y a un problème aussi. C'est à ce propos que Jésus raconte la parabole du bon grain et de l'ivraie. L'ivraie, ce ne sont pas les pécheurs, ce sont les pécheurs qui ne veulent pas devenir des saints. Jésus dit dans la parabole :
 
Laissez-les pousser ensemble jusqu'à la moisson, et au temps de la moisson, je dirai aux moissonneurs: Enlevez d'abord l'ivraie, liez-la en bottes pour la brûler; quant au blé, rentrez-le dans mon grenier (Mt 13, 30).
 
Donc nous qui sommes membres de l'Eglise, nous sommes tous pécheurs.

    Mais dans l'Église il n'y pas que des pécheurs. Et nous qui sommes chrétiens, ce n'est pas dans la mesure où nous péchons que nous sommes membres de l'Église; c'est dans la mesure où nous avançons sur le chemin de la sainteté, dans la grâce de notre baptême et de notre confirmation. Par ces deux sacrements nous avons reçu un sceau, un sceau que le péché n'efface pas. Tant que je garde la foi de mon baptême, même si je me conduis mal par faiblesse,  je fais encore partie de l'Église, alors que si j'ai une conduite honorable, mais que je n'ai plus la foi, je ne suis plus chrétien. Tout à l'heure, avant la communion, je dirai cette admirable prière: "Seigneur, ne regarde pas nos péchés mais la foi de ton Église"... Le Concile de Trente dira: ceux qui disent qu'un chrétien en état de péché mortel ne fait plus partie de l'Église, qu'ils soient anathèmes! ! Seulement, si j'ai la foi, je ne dirai pas que j'ai eu raison de commettre ce péché que j'ai fait.

    S. Paul écrit aux Éphésiens:
 
(Le Christ) a aimé l'Église, il s'est livré pour elle; il voulait la rendre sainte en la purifiant par le bain du baptême et la Parole de vie; il voulait se la présenter à lui-même, cette Église, resplendissante, sans tache, ni ride, ni aucun défaut; il la voulait sainte et irréprochable.
 
C'est l'Église qui sort du baptême. S. Paul sait bien qu'il y a des pécheurs dans l'Église. Aux Corinthiens il reproche des choses très graves. Et pourtant il dit que l'Église est sainte. Elle est sans péché, mais elle n'est pas sans pécheurs. Des théologiens belges ont dit ceci: Bien sûr, l'Église est sainte dans quelques-uns de ses membres, mais elle est pécheresse dans d'autres. De même qu'on dit qu'Anvers est riche (le port, les diamants...) même s'il y a beaucoup de pauvres; de même qu'on dit que Louvain est savante à cause de son université, même s'il s'y trouve beaucoup d'ignorants, ainsi on dira que l'Église est sainte même s'il y a en elle beaucoup de pécheurs. Non ! Dans tous les membres de l'Église, tant qu'ils n'ont pas apostasié, tant qu'ils ont encore la foi, il y a de la sainteté. Cette foi ne sera pas suffisante pour les sanctifier, mais ils font toujours partie de l'Église. L'Église n'abandonne pas les pécheurs. Elle est comme une maman dont l'enfant est gravement malade: tant qu'il est encore en vie, elle ne l'abandonne pas. Au moment où il est mort, elle ne va plus le garder dans ses bras.

    Mais il faut que l'enfant veuille rester près de sa maman. Pèguy, dans un très beau passage, dit ceci: Qu'est-ce qu'un chrétien? Un chrétien c'est un pauvre pécheur, mais qui prend la main. Et les saints, ceux que nous fêtons aujourd'hui, ce sont qui? Les saints, ce sont ceux qui donnent la main. Péguy dit: si vous prenez la main  qui vous est tendue, vous êtes chrétien. Si vous ne prenez pas la main qui vous est tendue, vous n'êtes pas chrétien. Cela veut dire que notre sanctification ne vient pas d'un effort que nous pourrions faire, aussi admirable soit-il. Notre sanctification vient d'une mendicité. Pour devenir un saint, il faut mendier. Tous les saints ont été des mendiants. Et plus ils ont mendié, plus ils ont reçu. Plus ils ont reçu, plus ils se sont sentis dépendants à l'égard de la miséricorde de Dieu.

    Alors ne jugeons pas l'Église sur ce qu'elle n'est pas. C'est ce que nous dit Jacques Maritain:

 
"Les catholiques ne sont pas le catholicisme. Les fautes, les lourdeurs, les carences et les sommeils des catholiques n'engagent pas le catholicisme. Le catholicisme n'est pas chargé de fournir un alibi aux manquements des catholiques. La meilleure apologétique ne consiste pas à justifier les catholiques quand ils ont tort, mais au contraire à marquer ces torts, et qu'ils ne touchent pas à la substance du catholicisme et qu'ils ne mettent que mieux en lumière la vertu d'une religion toujours vivante en dépit d'eux. L'Église est un mystère. Elle a sa tête cachée dans le ciel, sa visibilité ne la manifeste pas adéquatement. Si vous cherchez ce qui la représente sans la trahir, regardez le pape et l'épiscopat enseignant la foi et les moeurs, regardez les saints au ciel et sur la terre; ne nous regardez pas nous autres, pécheurs, ou plutôt regardez comment l'Église panse nos plaies et nous conduit clopin-clopant à la vie éternelle. La grande gloire de l'Église, c'est d'être sainte avec des membres pécheurs."

    En tant que pauvre pécheur, je dois alors savoir qu'il y a des saints qui sont là pour m'aider à m'en sortir, des saints, pas seulement ceux du ciel, mais aussi ceux de la terre. Alors, en ce beau jour de la Toussaint, regardons le ciel, mais n'oublions pas de regarder la terre aussi. Un évêque suisse, Mgr Charrière, qui était allé en pèlerinage à Ars, y avait rencontré un très vieux prêtre qui avait rencontre le curé d'Ars. L'évêque demande alors au prêtre si on avait reconnu la sainteté du curé de son vivant. - Oh non, avait-il répondu, on disait: c'est un original! De même pour Ste Bernadette de Lourdes et Ste Thérèse de Lisieux. Il y a tant de saints et de saintes qui nous tendent la main, et nous ne la saisissons pas, alors que nous en avons tant besoin, parce que nous ne les reconnaissons pas. Nous les persécutons même: Heureux serez-vous si l'on vous insulte, si l'on vous persécute et si l'on dit faussement toute sorte de mal contre vous, à cause de moi...

    Demandons à l'Esprit Saint d'ouvrir nos yeux afin que nous puissions voir et respecter la sainteté de l'Église, dans les saints, bien sûr, mais aussi en chacun de nous.

 

Lectures pour la Solennité de Tous les Saints

dominicanus #Liturgie de la Parole - Année B

1ère lecture : La foule immense des rachetés (Ap 7, 2-4.9-14)

 

Lecture de l'Apocalypse de saint Jean

Moi, Jean, j'ai vu un ange qui montait du côté où le soleil se lève, avec le sceau qui imprime la marque du Dieu vivant ; d'une voix forte, il cria aux quatre anges qui avaient reçu le pouvoir de dévaster la terre et la mer :
« Ne dévastez pas la terre, ni la mer, ni les arbres,avant que nous ayons marqué du sceaule front des serviteurs de notre Dieu. »
Et j'entendis le nombre de ceux qui étaient marqués du sceau : ils étaient cent quarante-quatre mille, de toutes les tribus des fils d'Israël.
Après cela, j'ai vu une foule immense, que nul ne pouvait dénombrer, une foule de toutes nations, races, peuples et langues. Ils se tenaient debout devant le Trône et devant l'Agneau, en vêtements blancs, avec des palmes à la main.
Et ils proclamaient d'une voix forte : « Le salut est donné par notre Dieu, lui qui siège sur le Trône, et par l'Agneau ! »
Tous les anges qui se tenaient en cercle autour du Trône, autour des Anciens et des quatre Vivants, se prosternèrent devant le Trône, la face contre terre, pour adorer Dieu.
Et ils disaient : « Amen !Louange, gloire, sagesse et action de grâce, honneur, puissance et forceà notre Dieu, pour les siècles des siècles ! Amen ! »
L'un des Anciens prit alors la parole et me dit : « Tous ces gens vêtus de blanc, qui sont-ils, et d'où viennent-ils ? »
Je lui répondis : « C'est toi qui le sais, mon seigneur. » Il reprit : « Ils viennent de la grande épreuve ; ils ont lavé leurs vêtements,ils les ont purifiés dans le sang de l'Agneau. »
 
 


 

Psaume : 23, 1-2, 3-4ab, 5-6

 

R/ Voici le peuple immense de ceux qui t'ont cherché.

 

Toussaint ps

 

Au Seigneur, le monde et sa richesse,
la terre et tous ses habitants ! 

C'est lui qui l'a fondée sur les mers
et la garde inébranlable sur les flots.

 
Qui peut gravir la montagne du Seigneur
et se tenir dans le lieu saint ?
 
L'homme au coeur pur, aux mains innocentes,
qui ne livre pas son âme aux idoles.


Il obtient, du Seigneur, la bénédiction,
et de Dieu son Sauveur, la justice.
 
Voici le peuple de ceux qui le cherchent !
qui rechechent la face de Dieu !
 
 


 

2ème lecture : Nous sommes enfants de Dieu et nous lui serons semblables (1 Jn 3, 1-3)

 

Lecture de la première lettre de saint Jean

Mes bien-aimés, voyez comme il est grand, l'amour dont le Père nous a comblés : il a voulu que nous soyons appelés enfants de Dieu - et nous le sommes. Voilà pourquoi le monde ne peut pas nous connaître : puisqu'il n'a pas découvert Dieu.
Bien-aimés, dès maintenant, nous sommes enfants de Dieu, mais ce que nous serons ne paraît pas encore clairement. Nous le savons : lorsque le Fils de Dieu paraîtra, nous serons semblables à lui parce que nous le verrons tel qu'il est.
Et tout homme qui fonde sur lui une telle espérance se rend pur comme lui-même est pur.


 

 

 

 

Evangile : Les Béatitudes (Mt 5, 1-12a)

 
Acclamation : Venez au Seigneur, vous tous qui peinez sous le poids du fardeau : il vous donnera le repos. (Mt 11, 28)
 


 

Évangile de Jésus Christ selon saint Matthieu

Quand Jésus vit toute la foule qui le suivait, il gravit la montagne. Il s'assit, et ses disciples s'approchèrent.
Alors, ouvrant la bouche, il se mit à les instruire. Il disait :
« Heureux les pauvres de coeur : le Royaume des cieux est à eux !
Heureux les doux : ils obtiendront la terre promise !
Heureux ceux qui pleurent : ils seront consolés !
Heureux ceux qui ont faim et soif de la justice : ils seront rassasiés !
Heureux les miséricordieux : ils obtiendront miséricorde !
Heureux les coeurs purs : ils verront Dieu !
Heureux les artisans de paix : ils seront appelés fils de Dieu !
Heureux ceux qui sont persécutés pour la justice : le Royaume des cieux est à eux !
Heureux serez-vous si l'on vous insulte, si l'on vous persécute et si l'on dit faussement toute sorte de mal contre vous, à cause de moi.
Réjouissez-vous, soyez dans l'allégresse, car votre récompense sera grande dans les cieux ! »
 
 



 

 

 

 

 

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DEDICAÇÁO, OBRA DE DEUS ESQUECIDA (Último Domingo de Outubro)

Walter Covens #homilias em português
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    Hoje, na nossa paróquia, bem como em toda a parte, em França e na Bélgica, celebramos a solenidade da nossa igreja, cuja data de consagração não se conhece ( 25 de Outubro ou último Domingo do mesmo mês). Entre nós, alegramo-nos porque vão ser baptizadas 4 criancinhas.

    Se me dais licença, vou começar por fazer quatro perguntas :
1a : Sabeis o dia do vosso nascimento ?
2a : Sabeis o dia do vosso Baptismo ?
3a : Sabeis a data da construção da vossa igreja paroquial ?
4a : Sabeis a data da Dedicação da vossa igreja paroquial ?

    Já sei que, salvo revelação repentina, ninguém ganhou. Pois já fiz a quarta pergunta há poucos meses, e não recebi resposta alguma, menos a duma paroquiana que pediu a muita gente, até ao bispado… e não encontrou resposta . Essa pessoa merece portanto uma « menção de honra ».

    Achais isso normal ? Além disso, não me atrevo a imaginar o número de pessoas que nem sabem sequer o dia do seu baptismo. Quando, de vez em quando, faço a pergunta, a resposta é esta : « Mas, Senhor Padre, estava muito pequenino (pequenina), não me lembro !… Obrigado por me lembrar isso, mas sei perfeitamente que o ser humano não se lembra de nada do que aconteceu nos dois ou três primeiros anos da sua vida. No entanto, há uma data que precedeu o nosso baptismo de que , acho eu, ninguém se esquece : é o nascimento. Porquê será que toda a gente sabe o dia do seu nascimento ? Porque os nossos pais no-lo-dissseram, porque está inscrito nos documentos de identidade, e porque, desde pequenos, já festejavamos o nosso aniversário..

    Se não sabemos o dia do nosso baptismo, é portanto porque nada ajudou a nossa memória :
Os nossos pais, padrinhos e madrinhas nunca falaram nisso.
A cédula pessoal não foi completada, consultada ... ou perdeu-se.
Nunca foi celebrado o aniversário do nosso baptismo.

    No entanto, quer que seja o motivo, temos uma responsabilidade pessoal. Pois, se tivessemos a vontade de saber, teriamos sabido. Basta pedir a quem participou na celebração : eles tinham mais de três anos !. Caso ninguém se lembrasse, era (e é) sempre possível pedir no escritório paroquial… se conheceis o lugar onde fostes baptizados !

    Se tivermos a coragem suficiente, o motivo por causa de que não sabemos o dia do nosso baptismo, enquanto que sabemos o da nascença (que aconteceu antes), teremos que responder mais ou menos isto : « É porque estou a viver como que um pagão ! » O que é « viver como que um pagão ? Não quer dizer que sois maus (há pagãos muito simpáticos) ; não quer dizer também que não ides à missa (vocês estão cá !). Por « viver como pagão », quero falar em geral : olhar como mais importante o que faz o homem do que o que Deus faz.

    Não quero falar mais nisso no quadro desta homilia… Seria muito longo. Lembro só isto : David disse a Deus (ao profeta Natã) : « Vou construir uma casa para Ti ».- « Muito bem ! Parabéns ! » responde o Profeta. Mas a seguir, o Senhor diz a Natã o Seu Pensamento : « Sou Eu quem te construirei uma casa » manda-lhe dizer. Salomão, filho de David e seu sucessor é quem empreendera aquela obra. E David tem que abandonar o seu projecto, por generoso que seja, para realizar um trabalho diferente, muito mais importante : crer que Deus realizará a Sua promessa. Para quê serviria realizar muitas coisas « por Deus » se não acolhermos com fé o que Deus faz « por nós » ? Isso só serviria para nos afastar de Deus, e para nos afundar no nosso orgulho. Afinal, eramos capazes de pensar que somos nós quem vamos salvar Deus, enquanto que Ele é quem nos salva.

    O Templo edificado por Salomão será profanado e destruido no tempo do Exílio ; depois será reedificado uma primeira vez por Esdras, outra vez profanado (mas não destruido) por ordem de Antioco IV Epifana, purificado de novo por Judas Macabeu. Estava em obras de reconstrução no tempo de Jesus por iniciativa de Herodes ( uma maneira para ser bem visto pelo povo e pelas autoridades religiosas).

    « Voltemos à vaca-fria » (que, aliás, não temos abandonado) : dar o ser a uma criança, mesmo que seja por Deus, está bem. E não se pode « fazer » uma criança sem Ele, mas só com Ele. Mas se o gerarmos por Deus, tendo consciência de que o geramos com Ele, e se, além disso, somos cristãos, não poderemos deixar de pedir para a criança a graça do baptismo quanto antes. O Baptismo não é um acto que fazemos por Deus : antes de mais nada Deus é quem o faz por nós. Se estamos baptizados, mas se não ligamos importância ao nosso baptismo (porque nem nos lembramos da data), então isso significa que o nosso acto « por Deus » nos parece muito mais importante do que aquilo que Deus faz por nós.

    Já o disse, há pouco : « Voltemos à vaca-fria »…Quer dizer : ao nosso assunto de hoje. Ora, o assunto de hoje não é só o baptismo (vão ser 4 daqui a pouco). O nosso assunto também é a Dedicação da nossa igreja. Ora, essa é a mesma coisa ! Cuidado : não digo que a dedicação duma igreja seja um baptismo. Há quem faz a confusão : baptismo, consagração, benção… Só digo que se trata duma semelhança : nascença e baptismo dum lado e construção duma igreja e dedicação dessa igreja, por outro lado. A construção duma igreja é obra humana. A Dedicação duma igreja é obra de Deus. Podemos falar assim, acho eu. Então, estais a ver a analogia ?

    Em virtude dessa analogia, posso dizer-vos que, da mesma maneira que muitos dentre vós não sabem a data do seu baptismo, enquanto que toda a gente sabe a data da sua nascença( uma pessoa centenária até conhece a sua data de nacsença !) da mesma maneira ninguém, nem sequer no arcebispado, conhece a data de Dedicação da nossa igreja, enquanto que se conhece perfeitamente a data da sua construção. Relativamente à construção, consegui facilmente obter as informações : a nossa igreja nem é centenária. Lembram-se do início das obras de construção : no ano de 1930. São conhecidos também nomes de pessoas que foram na origem desta iniciativa, com muitos pormenores que não posso lembrar aqui : o Sr Morinière, que trabalhava na fábrica do Robert e morava no « Vert-Pré », onde construirá uma fábrica de destilação, cujas ruinas ficaram visíveis muito tempo no terreno dos « ananás », hoje chamado « Cidade os Ananás » ; dois Bretãos também : o Sr Leray, pioneiro da instalação da escola no « Vert-Pré »,e o Sr Maignan, que era dono das terras nas quais está hoje a igreja. O relato que tive a oportunidade de ler e que me deu essas informações, relato feito no ano de 1994, diz, entre outras coisas, isto :

    « Relativamente à construção da igreja, ela foi o resultado duma solidariedade exemplar (o bispado, solicitado para participar com uma ajuda financeira tinha respondido que não se devia contar com ele), como infelizmente hoje em dia quase não se encontra no Vert-Pré. Na verdade, naquele tempo havia uma ajuda mútua sem cálculo, sem pensamentos reservados. As pedras que haviam-de ser utilizadas eram reunidas em cada bairro. À noite, quando o montão era bastante impotante, todos (mais ou menos 50) iam buscá-las e traziam-nas, um nas mãos, outro por cima da cabeça, enquanto cantavam alegremente cânticos religiosos. Era uma enorme procissão de homens e mulheres, felizes por trabalhar assim, que trabalhavam até não ficar pedra alguma. Então passavam o montão para o bairro mais próximo : eram, na verdade, « trabalhos de Hercules », quando se pensa na distância percorida e nas sendas lamacentas do tempo !

    E as obras avançavam. Carpinteiros benévolos trabalhavam durante aquele tempo na fabricação dos bancos. (…) E o dinheiro ? Pois bem, algumas pessoas (poucas) conseguiram dar alguns francos e moedas : naquele tempo as pessoas tinham pouco dinheiro na campanha…

    Naqueles condições difíceis, quatro anos foram necessários para edificar esta igreja. Isso é que é maravilhoso, e tudo isso, sabe-se muito bem, mesmo que muitos agora não se lembrem. Mas no que diz respeito à Dedicação : absolutamente nada ! Eis a anomalia. Esqueceram-se depressa que, para o baptismo do seu Filho, Deus começou a preparação desde antes da criação do mundo, usando de Abraão,de Moisés, dos Profetas… para chegar a Jesus Cristo, que desceu do Céu, nasceu da Virgem Maria e derramou o seu sangue por nós sob Póncio Pilatos. Esqueceram-se depressa de que, a seguir, os Apóstolos, auxiliados por muitos outros, foram anunciar aquela Boa Nova ao mundo inteiro, até que a fé católica chegasse ao nosso país há mais ou menos 500 anos, ao preço de tanto sangue , sacrifícios e renúncias até aos nossos dias… Tudo isso é obra do Espírito Santo, pois que sem Ele os homens trabalham em vão… Mas não nos esquecemos do jantar festivo preparado, por ocasião dum baptismo, da lista de convidados da « sono » ensurdecedora et de tudo quanto julgamos indispensável para criar « um ambiente ».

    Ora, quando o que faz o homem se torna mais importante aos nossos olhos do que o que faz Deus, isso tem as mesmas consequências de há 2000 anos no Templo de Jerusalém, quando Jesus foi obrigado de intervir « manu militari » para pôr as coisas em ordem na casa do seu Pai, porque ela se tinha tornado casa de negócios. Entre a primeira Leitura (Dedicação do Templo e oração de Salomão : era bom lê-la inteiramente) e a cena do evangelho, que diferença ! que decadência ! A quem não gosta, Jesus diz : « Destroí este Templo, e em três dias, levantá-lo-ei ». Os adversários de Jesus respondem : « Quarenta e seis anos foram necessários para edificar este templo ( é recente, e fica em todas memórias, mas quanto valia aquela reconstrução aos olhos de Deus ?) et tu, em três dias levá-lo-ias ! ». Estais a ver a obra do homem : 46 anos : é muito mais do que para a igreja do Vert-Pré !) e a obra de Deus (3 dias) em que não acreditam quando manda o seu Filho único.

    Terminarei esta homilia com uma citação do Cardeal Ratzinger que escreveu em 1975 (publicarei o texto completo ao longo da semana que vem) :
 
« É o Espírito quem edifica as pedras, não o contrário. O Espírito não pode ser substituido pelo dinheiro ou pela história. Onde quem constroí não é o Espírito, as pedras tornam-se mudas. Onde o Espírito não está vivo, onde não actua, onde não reina, as catedrais tornam-se museus, monumentos comemorativos do passado (… ou salas de concerto… aprendemos, pois, que a « Santa Capela », em Paris, foi transfomada num teatro para um desfile de moda !), duma beleza triste por ser morta. (…) A grandeza da nossa história , nossas possibilidades financeiras não nos trazem a salvação ; podem tornar-se ruinas que nos sufocam. Se quem edifica não é o Espírito, o dinheiro edifica em vão ( e também os esforços humanos). Só a fé pode conservar vivas as catedrais, e a catedral milenária interpela-nos : teremos a força da fé, que só pode dar o presente e o futuro ? Afinal, não é o serviço da protecção dos monumentos - apesar de ser importante e precioso – que será capaz de manter a catedral, mas sim o Espírito que a criou ».

    O que vale para as catedrais também vale para as igrejas : « Todas as igrejas são fundamentalmente intermutáveis e de dignidade igual » (Cal Ratzinger ».

    Deixemos, portanto, o Espírito edificar a nossa igreja, graças ao seu auxílio para nós acreditarmos em Jesus, a pedra deitada pelos construtores, mas tornada pedra angular.
 
(Tradução : Pe G.Jeuge)

Dédicace, oeuvre de Dieu oubliée (dernier dimanche d'octobre)

Walter Covens #homélies (patmos) Année B - C (2006 - 2007)

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    Aujourd'hui, en France et en Belgique, nous célébrons la solennité de la dédicace des églises dont on ignore la date de consécration (le 25 octobre, ou bien le dernier dimanche d'octobre). 

    Permettez-moi de commencer en vous posant quatre questions. Attention: seuls ceux qui pourront répondre aux quatre questions auront gagné!
 
Première question: Connaissez-vous votre date de naissance?

Deuxième question: Connaissez-vous votre date de bapême?

Troisième question: Connaissez-vous la date de construction de votre église paroissiale?

Quatrième question: Connaissez-vous la date de la dédicace de votre église paroissiale?

    Je sais déjà que, sauf révélation de dernière minute, personne n'a gagné. Car la quatrième question, je vous l'ai déjà posée il y a plusieurs mois, et je n'ai eu aucune réponse, sauf celle d'une paroissienne, qui s'est renseignée un peu partout, même à l'archevêché, et qui n'a pas trouvé la réponse. Cette personne mérite donc une mention honorable.

    Trouvez-vous cela normal? Et je n'ose pas imaginer le nombre de personnes qui ne connaissent pas non plus la date de leur baptême. Quand, de temps à autre, je pose la question, on me répond: - Mais, mon Père, j'étais tout(e) petit(e), et je ne m'en souviens pas!... Merci de me le rappeler, mais je sais fort bien que l'être humain n'a aucun souvenir de ce qui s'est passé durant les deux à trois premières années de son existence. Mais il y a un évènement qui a précédé notre baptême, et dont pourtant, je pense, tout le monde connaît la date: c'est la naissance. Pourquoi tout le monde connaît-il sa date de naissance? Parce que nos parents nous l'ont dit, parce que c'est inscrit sur nos papiers d'identité, et parce que déjà tout petits, nous ne manquions pas de fêter chaque année notre anniversaire.

    Si nous ne connaissons pas la date de notre baptême, c'est donc qu'aucun de ces aide-mémoire n'a fonctionné:

- nos parents, parrains et marraines ne nous ont jamais rien dit;

- le livret de famille n'a pas été complété ou consulté, ou a été égaré;

- et on n'a jamais non plus fêté l'anniversaire de son baptême.

    Mais en tout état de cause, nous avons une responsabilité personnelle. Car si nous nous étions inquiété de savoir, on aurait su. Il aurait suffi de demander à ceux qui ont participé à la célébration de notre baptême et qui, eux, avaient plus de trois ans. Et si aucune de ces sources de renseignements ne peut répondre, vous pouvez toujours vous adresser au bureau paroissial ... si, du moins, vous connaissez l'endroit où vous avez été baptisé.

    Si on a le courage de se demander sincèrement pourquoi on ne connaît pas la date de son baptème, alors qu'on connaît celle de sa naissance, qui était pourtant antérieure, on est obligé de répondre en gros ceci: - C'est parce que je vis comme un païen! Qu'est-ce que j'entends pas "vivre comme un païen"? Cela ne veut pas dire que vous êtes méchants (il y a des païens très genitls); non plus que vous n'allez pas à la messe (vous y êtes). Par "vivre comme un païen", j'entends d'une manière générale: accorder plus d'importance à ce que fait l'homme qu'à ce que fait Dieu.

    Je ne peux pas développer cela comme il faudrait dans le cadre de cette homélie, cela nous emmènerait trop loin. Je vous rappelle seulement ceci: David dit à Dieu (au prophète Nathan): - Je vais te construire une maison. - Fort bien, félicitations! lui répond le prophète. Mais ensuite le Seigneur dit à Nathan ce qu'il en pense, lui. - C'est moi qui te construirai une maison, lui dit-il. C'est Salomon, son fils et successeur sur le trône, qui entreprendra ce travail. Et David est obligé d'abandonner son idée, si généreuse pourtant, pour se concentrer sur un autre travail, tellement plus important: croire que Dieu fera ce qu'il a promis. À quoi cela servirait-il de faire des tas de choses "pour Dieu", si on n'accueille pas dans la foi ce que Dieu fait "pour nous"? Cela ne servirait qu'à nous éloigner de Dieu, et à nous enfoncer encore davantage dans notre orgueil. Et on finit pas penser que c'est nous qui allons sauver Dieu, alors que c'est lui qui nous sauve.

    Le Temple bâti par Salomon sera profané puis détruit lors de l'Exil, reconstruit une première fois sous Esdras, profané à nouveau sans être détruit sous Antiochus IV Épiphane, purifié ensuite par Judas Macchabée. Il était en cours de reconstruction au temps de Jésus par l'initative d'Hérode (une manière comme une autre de bien se faire voir par le peuple et les autorités religieuses).

    Revenons à nos moutons (nous ne les avons pas quittés, d'ailleurs): faire un enfant, même pour Dieu, c'est bien. Et on ne peut pas faire un enfant sans lui, seulement avec lui. Mais si on le fait réellement pour lui, en ayant conscience de le faire avec lui, et si, en plus, on est chrétien, on ne pourra pas faire autrement que de demander pour cet enfant la grâce du baptème le plus tôt possible. Et le baptème, ce n'est pas tant ce que nous faisons pour Dieu; c'est surtout ce que Dieu fait pour nous. Et si on est baptisé, mais qu'on n'y accorde aucune importance (puisqu'on ne se souvient même plus de la date), alors cela veut dire que ce qu nous faisons pour Dieu nous paraît tellement plus important que ce que Dieu fait pour nous.

    J'ai dit il y a un instant: Revenons à nos moutons. "Nos moutons", ce n'est pas seulement le baptême. Nos moutons, c'est aussi la dédicace de notre église. Eh bien, c'est la même histoire! Attention: je n'ai pas dit que la dédicace d'une église, c'est un baptême. Il y en a qui confondent tout: baptême, consécration, bénédiction... Mais passons... Je dis qu'il y a une analogie, une analogie entre naissance et baptême, d'une part, et construction d'une église et dédicace de cette église, d'autre part. La construction d'une église, c'est l'oeuvre des hommes. La dédicace d'une église, c'est l'oeuvre de Dieu. En gros, on peut dire cela. Alors, vous voyez l'analogie?

    En vertu de cette analogie, je peux vous dire que, de même que beaucoup d'entre nous ne connaissent pas la date de leur baptême, alors que tout le monde connaît celle de sa naissance (même quelqu'un qui est aujourd'hui centenaire connaît la date de sa naissance...), de même personne, même pas à l'archevêché, ne connaît la date de la dédicace de notre église, alors que l'on connaît très bien la date de sa construction. Pour la construction, on a très bien pu me fournir les renseignements. Notre église n'est pas même centenaire1. On se souvient que la construction de cette église a commencé en 1930. On connaît les noms des personnes qui ont été à l'origine de cette initiative, avec force détails que je ne peux pas reprendre ici: M. Morinière, qui travaillait alors à l'usine du Robert et qui habitait le Vert-Pré, où il construira une distillerie dont les ruines sont restés encore visibles longtemps sur le "terrain des ananas", aujourd'hui devenue la "Cité des Ananas"; deux Bretons ensuite: M. Leray, un pionnier de l'installation de l'école au Vert-Pré, et M. Maignan, qui était propriétaire des terres où se dresse aujourd'hui l'église. Le récit que j'ai lu et dont je tiens ces renseignements, et qui date de 1994, dit entre autres encore ceci:

    Quant à la construction de l'église elle-même, elle fût le résultat d'une solidarité exemplaire (l'évêché, qui avait été sollicité pour une aide financière avait répondu qu'il ne faillait pas y compter) comme malheureusement on n'en voit presque plus aujourd'hui au Vert-Pré. Il est vrai qu'à cette époque on s'entraidait sans calcul, sans aririère-pensées. Les pierres qui allaient servir à la construction étaient rassemblées dans chaque quartier. Puis le soir, quand la pile était devenue conséquente, tous les habitants - une cinquantaine environ - allaient les chercher pour les ramener, qui dans les mains, qui sur la tête, en chantant gaiement des cantiques religieux. C'était une immense procession d'hommes et de femmes, heureux de ce qu'ils faisaient, qui travaillaient jusqu'à épuisement de la pile. On passait alors la pile au quartier suivant. quels travaux d'Hercule quand on pense à la distance parcourue et aux sentiers boueux de l'époque!

    Et les travaux avançaient. Des charpentiers bénévoles s'attelaient pendant ce temps à la construction des bancs. (...) Et l'argent? Eh bien quelques rares personnes ont pu donner quelques francs et sous mais il faut bien savoir qu'à l'époque on n'était pas riche à la capagne...

    Dans ces conditions difficiles, il aura fallu quatre ans pour la construire, cette église. C'est admirable, et tout cela, on le sait très bien, même si beaucoup aussi l'ont oublié aujourd'hui. Mais de la dédicace, rien du tout! Voilà l'anomalie. On a vite fait d'oublier que pour les préparatifs du baptême de son enfant, Dieu s'y est pris depuis avant la création du monde, en passant par Abraham, Moïse, les Prophètes... pour arriver à Jésus Christ qui est descendu du ciel, est né de la Vierge Marie et qui a versé son sang pour nous sous Ponce Pilate. On a vite fait d'oublier qu'ensuite les Apôtres, aidés de beaucoup d'autres sont parti annoncer cette Bonne Nouvelle dans le monde entier, et que, finalement, la foi catholique a été implantée ici il y a cinq cents ans environ, au prix de tant de sang et de sacrifices, de renoncements, jusqu'à aujourd'hui encore ... Tout cela, c'est le travail de l'Esprit Saint, sans lequel les hommes travaillent en vain. Mais on n'oublie pas le repas de fête qu'on a préparé à l'occasion d'un baptême pour tout une liste d'invités, avec une sono assourdissante et avec tout ce qu'on juge indispensable "pour qu'il y ait de l'ambiance".

    Or, quand ce que fait l'homme devient plus important à nos yeux que ce que fait Dieu, cela a les mêmes conséquences qu'il y a deux mille ans dans le Temple de Jérusalem, quand Jésus est obligé d'intervenir manu militari pour remettre de l'ordre dans la maison de son Père, parce qu'elle est devenue une maison de trafic. Entre la première lecture (la dédicace du Temple, avec la prière de Salomon - il faudrait la lire tout entière) et la scène de l'évangile, quelle différence, quelle déchéance! Et à ceux qui ne sont pas contents, Jésus dira: "Détruisez ce Temple, et en trois jours, je le rélèverai." Ce à quoi ses adversaires répliquent: "Il a fallu quarante-six ans pour bâtir ce Temple (c'est encore frais dans toutes les mémoires, mais cette reconstruction, que valait-elle aux yeux de Dieu?), et toi, en trois jours tu le relèverais!" Vous voyez l'oeuvre de l'homme (quarante-six ans: c'est bien plus que pour l'église du Vert-Pré!) et l'oeuve de Dieu (trois jours) en qui on ne croit pas quand il envoie son Fils unique.

    Je terminerai cette homélie en citant un extrait du Cardinal Ratzinger qui date de 1975 dans sa version originale allemande (je publierai le texte en entier tout au long de cette semaine):
 
"C'est l'Esprit qui édifie les pierres, non l'inverse. L'Esprit ne peut être remplacé par l'argent ou par l'histoire. Là où ce n'est pas l'Esprit qui construit, les pierres en deviennent muettes. Là où l'Esprit n'est pas vivant, où il n'agit et ne règne pas, les cathédrales deviennent des musées, des monuments commémoratifs du passé (ou des salles de concert...; on a appris ces derniers jours que la Sainte Chapelle à Paris est même devenue le "théâtre" d'un défilé de mode!), d'une beauté triste parce que morte. (...) La grandeur de notre histoire et nos possibilités financières ne nous apportent pas le salut; elles peuvent devenir gravats sous lesquels nous étouffons. Si ce n'est pas l'Esprit qui construit, l'argent construit en vain (les efforts humains aussi). La foi seule peut garder vivante les cathédrales et la cathédrale millénaire nous interpelle: avons-nous la force de la foi, qui seule peut donner présent et avenir? En fin de compte, ce n'est pas le service de protection des monuments - quelque important et précieux qu'il soit - qui pourra entretenir la cathédrale, mais bien l'Esprit qui l'a créée."

    Ce qui vaut pour les cathédrales vaut aussi pour les églises: "Toutes les églises sont fondamentalement interchangeables et d'égale dignité" (Card. Ratzinger). Permettons donc à l'Esprit d'édifier notre église en nous aidant à croire en Jésus, la pierre rejetée par les bâtisseurs, mais devenue pierre d'angle.
 
 
1. À l'époque où j'ai prononcé cette homélie, je desservais la paroisse du Vert-Pré (Martinique)

Lectures 30° dimanche du Temps Ordinaire B

dominicanus #Liturgie de la Parole - Année B

1ère lecture : Retour joyeux des rescapés d'Israël (Jr 31, 7-9)

30 TOB 1lec

 

Lecture du livre de Jérémie

Ainsi parle le Seigneur : Poussez des cris de joie pour Jacob, acclamez la première des nations ! Faites résonner vos louanges et criez tous : « Seigneur, sauve ton peuple, le reste d'Israël ! »
Voici que je les fais revenir du pays du Nord, et que je les rassemble des extrémités du monde. Il y a même parmi eux l'aveugle et le boiteux, la femme enceinte et la jeune accouchée ; c'est une grande assemblée qui revient.
Ils étaient partis dans les larmes, dans les consolations je les ramène ; je vais les conduire aux eaux courantespar un bon chemin où ils ne trébucheront pas. Car je suis un père pour Israël, Éphraïm est mon fils aîné. Parole du Seigneur.
 


 

Psaume : 125, 1-2ab, 2cd-3, 4-5, 6

 

R/ Le Seigneur a fait merveille : nous voici dans la joie.

 

Quand le Seigneur ramena les captifs à Sion,
nous étions comme en rêve !
 
Alors notre bouche était pleine de rires,
nous poussions des cris de joie ; 


Alors on disait parmi les nations :
« Quelles merveilles fait pour eux le Seigneur ! » 

Quelles merveilles le Seigneur fit pour nous :
nous étions en grande fête !
 

Ramène, Seigneur, nos captifs,
comme les torrents au désert.
 
Qui sème dans les larmes
moissonne dans la joie.


Il s'en va, il s'en va en pleurant,
il jette la semence ; 
il s'en vient, il s'en vient dans la joie,
il rapporte les gerbes.

 




 

2ème lecture : Jésus, grand prêtre à la manière de Melkisédek (He 5, 1-6)

 

Lecture de la lettre aux Hébreux

Le grand prêtre est toujours pris parmi les hommes, et chargé d'intervenir en faveur des hommes dans leurs relations avec Dieu ; il doit offrir des dons et des sacrifices pour les péchés.
Il est en mesure de comprendre ceux qui pèchent par ignorance ou par égarement, car il est, lui aussi, rempli de faiblesse ;
et, à cause de cette faiblesse, il doit offrir des sacrifices pour ses propres péchés comme pour ceux du peuple.
On ne s'attribue pas cet honneur à soi-même, on le reçoit par appel de Dieu, comme Aaron.
Il en est bien ainsi pour le Christ : quand il est devenu grand prêtre, ce n'est pas lui-même qui s'est donné cette gloire ; il l'a reçue de Dieu, qui lui a dit : Tu es mon Fils, moi, aujourd'hui, je t'ai engendré,
et qui déclare dans un autre psaume : Tu es prêtre pour toujours selon le sacerdoce de Melkisédek.
 



 

Evangile : Guérison d'un aveugle à Jéricho (Mc 10, 46-52)

 
Acclamation : Alléluia. Alléluia. Béni soit le Seigneur notre Dieu : sur ceux qui habitent les ténèbres, il a fait resplendir sa lumière. Alléluia. (Lc 1, 68.79)
 
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Évangile de Jésus Christ selon saint Marc

Tandis que Jésus sortait de Jéricho avec ses disciples et une foule nombreuse, un mendiant aveugle, Bartimée, le fils de Timée, était assis au bord de la route.
Apprenant que c'était Jésus de Nazareth, il se mit à crier : « Jésus, fils de David, aie pitié de moi ! »
Beaucoup de gens l'interpellaient vivement pour le faire taire, mais il criait de plus belle : « Fils de David, aie pitié de moi ! »
Jésus s'arrête et dit : « Appelez-le. » On appelle donc l'aveugle, et on lui dit : « Confiance, lève-toi ; il t'appelle. »
L'aveugle jeta son manteau, bondit et courut vers Jésus.
Jésus lui dit : « Que veux-tu que je fasse pour toi ? — Rabbouni, que je voie. »
Et Jésus lui dit : « Va, ta foi t'a sauvé. » Aussitôt l'homme se mit à voir, et il suivait Jésus sur la route.
 


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« Va, ta foi t’a sauvé. »

« Va, ta foi t’a sauvé. »

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