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Praedicatho homélies à temps et à contretemps
Homélies du dimanche, homilies, homilieën, homilias. "C'est par la folie de la prédication que Dieu a jugé bon de sauver ceux qui croient" 1 Co 1,21

SOLENIDADE DE CRISTO, REI DO UNIVERSO : DA APOSTASIA AO TESTEMUNHO (Jo 18, 33-37)

Walter Covens #homilias em português
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    A solenidade de Cristo, Rei do Universo, foi instaurada pelo Papa Pio XI no ano de 1925 em prolongamento das solenidades das festas do Corpo de Deus e do Sagrado Coração de Jesus, com o fim de trazer remédio às desordens que afligem o mundo. O Papa julgava que a criação duma solenidade podia ser mais capaz de produzir frutos duradouros do que a simples promulgação dum documento, mesmo que fosse uma encíclica.

    Todos os dias as informações trazem notícias de guerras, de assassínios. Mulheres são batidas pelo marido, crianças são matadas pela mãe, ministros são assassinados por serviços secretos, polícias são agredidos por « suportadores » de futebol e por jovens dos bairros . Tudo isso passa-se à nossa porta, quase diante dos nossos olhos…

    Quando a opinião fica comovida por causa dum acto julgado grave, nas oficinas de televisão, nas salas de redacção dos jornais, nos estúdios da rádio, procedem a muitos comentários. Especialistas são convidados para fazer analises sábias. Políticos tomam medidas e mandam votar leis. Candidatos às eleições declaram que vão fazer melhor do que os outros…

    Hoje, a Igreja diz-nos assim : a única solução é aceitar Crsto, não só como Rei dos nossos corações dentro da nossa intimidade, mas também como rei do Universo. Porquê será que a solenidade de Cristo Rei pode trazer uma resposta válida (a única) às calamidades a caír sobre o mundo, ainda hoje ? Pio XI responde : em primeiro lugar, porque essa profusão de males no universo são o resultado dos homens « terem afastado Jesus Cristo e a sua lei santíssima dos costumes da vida individual bem como da vida familiar  e pública » ; em segundo lugar porque é preciso « buscar a paz de Cristo por meio do Reino de Cristo » e porque, para restaurar e consolidar a paz, não há « meio mais eficaz do que restaurar a soberania de Nosso Senhor »

    Pois, temos que admitir esta evidência : como será possível espantar-se ao ver as leis desprezadas, os homens da lei agredidos (como aconteceu a um polícia da Martínica no fim dum desafio de futebol em Paris), enquanto ao mesmo tempo são votadas leis que atacam a dignidade humana, que troçam dela ? Pois várias leis atacam a vida humana no seu princípio e no seu fim, mediante o aborto e a eutanasia ; leis que atacam os alicerces da sociedade, da família, legalizando as uniões homosexuais como casamentos, instaurando o divórcio e até a poligamia (como na Holanda, onde agora é possível juntar um casamento com um « contrato de união » com outra pessoa !) Tantos sintomas que não enganam : são sinal certo duma doença chamada laicismo, « a pesta dos nossos tempos » (Pio XI)

« Deus e Jesus Cristo tendo sido excluidos da legislação e dos assuntos públicos, a autoridade já não recebendo a sua origem de Deus mas dos homens, aconteceu que… o  próprio fundamento da autoridade foi abolido enquanto suprimiam o motivo essencial do direito de mandar e de obedecer. Fatalmente o resultado foi o abalo da sociedade humana toda, já privada de sustentáculo e de apoio firmes (Pio XI, Ubi arcano, 23/12/1922) ».

    Há vários anos para trás, tinha sido nomeado capelão dum « Campus Universitário ». O que me tinha precedido tinha saido desde havia mais ou menos 10 anos. Durante um ano, com o auxílio do arcebispo, tinha  pedido às autoridades universitárias uma sala para receber os estudantes dentro do « campus ». Apesar de promessas bonitas, nunca consegui obter alguma sala. Quando me falaram no dogma da laïcidade, respondera que, se não quisessem capelão para os estudantes, brevemente teriam que chamar a polícia. E foi mesmo o que aconteceu… depois dum ano . Sim, como esperar a paz de Cristo se rejeitam o Reino de Cristo ?

    E porquê será que se rejeita o Reino de Cristo ? O que é que dá medo ? Não só Jesus não teve guardas que se batam para o libertar dos Judeus, mas quando os mesmos Judeus queriam apoderar-se dele pra o proclamar rei, fugiu. Diante de Pilatos ele afirma claramente : « O meu reino não é deste mundo ». Um hino para a festa da Epifania (Crudelis Herodes ) diz a Herodes e a todos quantos têm medo do Reino de Cristo :

« Não rouba as córoas efémeras, aquele que distribui as córoas do Céu ».

    Entramos no Reino de Cristo livremente, pelo baptismo. O Reino de Jesus não é contra os reinos do mundo. Só é contra o Reino de Satanás, mediante o Sangue derramado pelo Cordeiro. Mas aos baptizados Jesus pede para ser testemunhas suas sem medo, até derramar o seu sangue, se for preciso.

    Diante de Pilatos Cristo proclama que « veio ao mundo para testemunhar da verdade ». O dever dos cristãos é tomar parte na vida da Igreja que os incita a agir como testemunhas do Evangelho e das obrigações resultantes Esse testemunho é a transmissão da fé , em palavras e actos. O testemunhar é acto de justiça que estabelece ou mostra a verdade :

« Todos os cristãos, quer que seja o local onde moram, têm de manifestar… pelo exemplo da sua vida  e o testemunho da sua palavra, o homem novo que revestiram no baptismo, bem como a força do Esírito Santo que os fortaleceu pela Confirmação » (AG 11).

    Assim percebida, a solenidade  de Crsito Rei do Universo é um convite urgente para passar da apostasia ao testemunho :

« Os frutos muito amargos produzidos, tantas vezes e com tanta persistência, por esta apostasia dos indivíduos e dos Estados ao abandonar Cristo, (…) temos que os deplorar hoje novamente : frutos dessa apostasia, germes de ódio, semeados por toda a parte ; invejas,  rivalidades entre os povos, que nutrem as querelas internacionais e atrasam, mesmo agora, a vinda duma paz de reconciliação ; as ambições desencadeadas, que se disfarçam com a máscara do  « bem público » e do « amor pela pátria », com as suas tristes consequências : discórdias civis, egoismo cego e desmedido que, só procurando as satisfações e vantagens pessoais, percebe tudo conforme a medida do interesse próprio. Ainda frutos dessa apostasia, a paz doméstica  transtornada pelo abandono dos deveres e pela indiferença das consciências ; a união e a estabilidade das famílias desequilibradas ; toda a sociedade, afinal, abalada e ameaçada pela ruina ». (Pio XI Quas Primas)

    O martírio é o testemunho súpremo dado à verdade da fé : ele manifesta um testemunho que vai até à morte. O mártir dá testemunho de Cristo, morto e ressuscitado, a quem fica unido pela caridade. Dá testemunho  da verdade da fé e da doutrina cristã. Aguenta a morte graças a um acto de força « Deixai que seja a comida da feras. É por elas que poderei chegar a Deus » (S Inácio de Antioche, Rom.4,01).

«De nada me servirão os encantos do mundo nem dos reinos deste século. É melhor para mim morrer (para me unir) a Cristo Jesus do que reinar sobre as extremidades da terra. É Ele que procuro, que morreu por nós ; Ele que quero, que ressuscitou por nós. O meu parto está próximo… » (S.Inácio de Antioche, Rom. 6, 1-2).

« Eu bendigo-Te por me ter julgado digno deste dia e desta hora, digno de ser contado entre os teus mártires… Cumpriste a tua promessa, Deus da fidelidade e da verdade. Por essa graça e por todas as coisas, eu louvo-te, bendigo-te pelo eterno e celeste Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, o teu Filho muito amado. Por ele, qui está contigo, glória te seja dada, agora e nos séculos.Amen » (S.Polycarpe, matr. 14, 2-3).
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