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Praedicatho homélies à temps et à contretemps
Homélies du dimanche, homilies, homilieën, homilias. "C'est par la folie de la prédication que Dieu a jugé bon de sauver ceux qui croient" 1 Co 1,21

APOCALIPSE – SABER O QUE « FALAR » QUER DIZER (Mc 13,24-32)

Walter Covens #homilias em português
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    Na Profissão de fé dizemos que cremos em Deus, Criador do céu e da terra. Hoje, as pessoas têm medo de falar nisso. Há motivos filosóficos e teológicos.. Também há uma espécie de complexo em relação à ciência. No contexto da cultura descristianizada do mundo ocidental, pelo menos do europeu, tem-se medo de parecer estúpido. No entanto, numa conhecida conferência do Cardeal Ratzinger em Lyon, (Janeiro de 1983) sobre a catequese, o nosso futuro Papa afirmava : « Uma renovação decisiva da fé na Criação constitue uma condição necessária e preliminária à credibilidade e ao aprofundamento da cristologia bem como da escatologia »

    A seguir, temos recebido a « prenda » do « Catecismo da Igreja Católica », em que se pode ler (282) :

« A catequese sobre a Criação reveste uma importância essencial. Ele diz respeito aos próprios alicerces da vida humana e cristã : pois, ela explicita a resposta da fé cristã à pergunta elementar que os homens sempre se fizeram : « Donde vimos ? » « Aonde vamos ? » « Qual a nossa origem ? » « Qual o nosso fim ? » « Donde vem e para onde vai tudo quanto existe ? ». As duas perguntas, a da origem e a do fim, são inseparáveis. Elas são decisivas para o sentido e para a orientação da nossa vida e do nosso agir »

    E mais além :

« O « Credo » cristão – profissão da nossa fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo, e na sua acção criadora, salvadora e santificadora -  tem o seu cume na proclamação da resurreição dos mortos no fim dos tempos, bem como na vida eterna. »

    Estamos a chegar ao fim do ano litúrgico. Na sua pedagogia maternal, a Igreja orienta a meditação dos seus filhos para as realidades do fim, em resposta às perguntas fundamentais que se fazem : onde é que vamos ? qual o nosso fim ? Para onde vai tudo quanto existe ?

    É importante, no nosso mundo ter a audâcia de dar testemunho da esperança que está em nós. Para isso é preciso ter palavras, um vocabulário. A mãe é quem ensina o falar aos seus filhos . Da mesma maneira, a Igreja é quem dá aos seus filhos as palavras para testemunhar da sua esperança. Por exemplo, temos as palavras « apocalipse », « escatologia », « parusia »

    É preciso tamabém perceber o sentido dessas palavras. À partida, as crianças não percebem muito bem as palavras que ouvem e que aprendem pouco a pouco a pronunciar pela repetição. Não é grave. Pouco a pouco, hão de comprender. O error era de ficar à espera da compreensão antes de ensinar a pronunciação. É igual na Igreja. Essa não vai ficar à espera da vossa morte antes de vos ensinar as coisas do fim. Como era possível, neste caso, testemunhar disso no mundo ?

    Outro error era que a mãe não emende a criança quando se dá conta de que ela não percebeu correctamente alguma palavra. Assim, ano litúrgico após ano litúrgico, deviamos aproveitar para crescermos na inteligência da dé, percebendo cada vez melhor as palavras que temos de dizer. Num mundo  secularizado que « rouba » o vacabulário cristão a propósito de tudo e de nada, sem nada perceber, o nosso dever é ficarmos vigilantes muito atentamente.

    Isso todo é verdade a propósito da palavra « apocalipse » que quer dizer, não « catástrofes » tremendas, ma sim « revelação ». O verão próximo, a figueira que rebenta, isso não é realmente uma « catástrofe » : é  sim uma benção, não é ? Com a palavra « apocalipse », a Igreja não fala só dum livro da Biblia (o último). É um género literário muito usado pelo judaismo tardio, relativo com o fim dos tempos (a escatologia). O livro de Daniel, no Antigo Testamento, do qual temos escutado um trecho, é uma « apocalipse ». O discurso de Jesus anunciando a destruição de Jerusalém e a segunda vinda do Messias é chamado « apocalipse sinóptica ». Acabamos de ouvir um trecho dessa acapolipse no evangelho de S. Marcos. Há também muitas « apocalipses » apócrifas, não reconhecidas pela Igreja como inspiradas por Deus : por exemplo, a apocalipse de  S.Pedro, de S.Paulo, de Sto Estevão, etc…

    • ESCATOLOGIA = « OS ÚLTIMOS TEMPOS » : já começaram, desde o dia do Pentecostes : entrámos então nos tempos que são os últimos. Entre o princípio e o fim, houve vários tempos
1-O tempo da Criação
2-A Aliança com Adão ;
3-A Aliança com Noé, aliança pela vida, que nunca acabará.
4-A Aliança com Abraão, e depois com Moisés : Deus escolhe para Si um povo, e mediante esse povo, quer revelar o Seu mistério : é Israël. A Aliança com Israël começa com Abraão, é confirmada com Moisés, através das tábuas da Lei, Lei provisória destinada a nos guiar, até que o próprio Deus venha para salvar o seu povo.
5-O tempo do Messias, quando se cumpriu a promessa, quando veio Jesus, Filho do Pai, Cara do Pai. No fim do livro de Isaías (63,9), está escrito : « Não foi um mensageiro, nem um Anjo, que os salvou, foi o próprio Senhor ». Quando professamos que cremos no Evangelho, isso não quer dizer que acreditamos numa mensagem, mas sim numa Pessoa. A Aliança torna-se nova em Jesus, Novo testamento ( « Testamento » = aliança, atestação). Deus vem novamente e chama as nações, isso é : nós, os pagãos, para entrar na Aliança. Uma grande parte de Israël não quis receber Jesus como Messias, porque não era conforme com a ideia que tinham relativamente a um Messias  vitorioso, rei, salvador. Uma vez que Israël não o recebeu, Jesus foi aos pagãos, apesar de ter ordenado aos seus enviados : « Ide de preferência às ovelhas perdidas da casa de Israël » (Mt 10, 6) ; O pensamento de Jesus, o projecto inicial, ao que parece no Evangelho, era ter um  Povo que, depois de O reconhecer, iria anunciá-lo às nações. Aquele projecto falhou em grande parte, e Deus chorou, em Jesus, por causa disso : « Quando Jesus chegou perto de Jerusalém, ao ver a Cidade, chorou sobre ela, e disse : - Ah ! se tu também, tiveste reconhecido naquele dia o que te pode trazer a paz ! » (Lc 19, 41) « Jerusalém, Jerusalém, tu que matas os profetas, tu que lapidas os que te são enviados, quantas vezes quis reunir os teus filhos como a galinha reune os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste ! » (Lc, 13, 14)
6- A partir daí, há uma Aliança nova com as nações. Aquela Aliança já não está na carne, como foi com Abraão pela cincuncisão, já não está na Lei, como foi com Moisés. Esta Aliança está na fé em Cristo vivo, morto e ressuscitado, vivo para sempre, que nos dá a vida eterna : « Aquele que crê em Mim, mesmo que morra, viverá ! » Jesus não fingiu morrer. Desceu aos infernos (local dos mortos, no qual esperam  a manifestação gloriosa dos filhos de Deus). Foi anunciar a Boa Nova « aos espíritos presos » diz S.Pedro. (1 P 3, 19) Subiu de novo « tendo nas mãos as chaves da morte », livremente ressuscitado « levando consigo todos os principados e dominações presas » (Ap 12, 7-8 ; Col 2,15) A Ascenção de Jesus, já é a vitória de Jesus manifestada sobre o mal e a morte. Aquela vitória já está alcançada.

    Desde que Jesus, reunindo o mundo inteiro ( inclusivamente os pagãos, e portanto nós, por sorte, pela graça), os vivos e os mortos, subiu para o Céu para oferecer tudo isso ao Pai, a Vitória dela sobre a Morte, o pecado e o mal já estã alcançada. Mas ainda não se manifesta plenamente e estamos naqueles tempos que são os últimos, última étapa da Salvação de Deus onde a Vitória já é dada, o demónio já vencido, mas essa vitória ainda não se maifestou, e nós, a Igreja, o Povo de Deus, temos que anunciar a Salvação e trabalhar em vista à manifestação desta vitória.

    No vocabulário cristão, há mais uma palavra importante, a palavra « Parusia ». Essa é uma palavra que era usada qunado uma Pessoa importante fazia uma visita oficial ; palavra que significa : chegada, presênça, isto é a vinda e a presença dum Grande Rei. A Parusia há-de coroar os últimos tempos e a vinda da nova Jerusalém. A Mensagem da Palavra de Deus, é mesmo a Nova Aliança no Sangue de Jesus, do Cordeiro, que acabará com a Parusia, isto é : o seu regresso, o seu triunfo, e o seu reino para a eternidade, mas que ainda não é manifestado. Isso pode levar miliões de anos, pode ser nesta noite, e o próprio Cristo diz : « Quanto ao dia e à hora, ninguém os conhece, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas só o Pai ». Portanto, devemos ficar por aqui : aos que nos querem vender ilusões dizendo que o Reino está próximo, podemos responder : « Sim, o Reino está próximo, e já está cá, mas ainda não é totalmente manifestado ». Na sexta-feira passada, encontrei na minha caixa de correio um envelope com duas folhas dentro, intituladas assim : « Na Martínica um mensageiro de Deus anuncia o próximo regresso de Jesus ». Não ! é o segredo do céu, da Trindade. Jesus, enquanto homem, nem o sabia. Não vejo porque havia-de enviar agora alguém para nos dizer o contrário.

    Devemos preparar-nos à Parusia vigilando : «  Acautelai-vos, vigiai ; pois não sabeis quando chegará o momento » (Mc 13, 33) Às vezes, nos sermões sobre a Ascenção, ouve-se dizer : « Homens de Galileia, porque é que ficais assim a olhar para o Céu ? Regressai à terra, arregaçãi as mangas e trabalhai ». Não é isso que foi dito : « Aquele Jesus que vistes subir, há-de vir da mesma maneira como o vistes subir ao céu ! » Portanto, o Anjo anuncia a Parusia, a vinda de Cristo.

    No Pentecostes há um ambiente de comunhão fraterna entre pessoas que têm muitas coisas para se acusar mutuamente : « Onde estavas tu, Pedro ? – No Calvário – Ah não ! não estavas, nada tens a censurar. – E tu, João, o que é que fizeste, no dia em que tentaste tomar o meu lugar para ser primeiro ministro ? » Havia tensões permanentes naquela equpa, isso aparece em todo o evangelho ; e Jesus , em cólera, diz : « Até quando terei que estar convosco ? Quanto tempo terei ainda que vos suportar ? » Não devemos idealizar a comunidade primitiva. Mas entre a Ascenção e o Pentecostes, eles estão todos juntos ; eles têm qualquer coisa em comum, é o ter visto Jesus ressuscitado, ter comido e bebido com Ele depois da Ressurreição : são testemunhas. (Actos 10, 41)

    O que é que fazem ? Rezam e esperam ! Nao é essa uma atitude muito activa, e no entanto estão à espera do Espírito Santo porque o Mestre da Missão não é Pedro, é sim o Espírito Santo. Um bispo dizia : « Aonde for eu, bem depressa vejo as pessoas da « Renovação Carismática » e as outras ! – « Ah ! Como é que fazeis ? » - « Não é difícil, quando vou a reuniões em que não há gente da Renovação, as pessoas trabalham, rezam no fim do encontro para pedir ao Senhor a benção do trabalho feito e o tornar eficaz. Quando vou entre pessoas da Renovação, começam por rezar com o fim de  pedir ao Senhor para vir e fazer o trabalho… só depois é que se começa o trabalho. – Qual será o ideal ? – Rezar antes e depois ». Estamos de acordo !

    O tempo de hoje é o tempo da Igreja, o tempo da Misericórdia. Escutai este velho « midrash » tão bonito : « O Messias disse : Virei hoje à noite, às 21.00h. Então, os Judeus fazem a festa, preparam tudo. É o serão do Shabbat. Esperam o Messias, abrem a porta. Vai chegar, já está cá, está à porta ! 21 horas chegam : não ha Messias. 22 horas – meia-noite – uma hora – 2 horas – 3 horas – 4 horas…Não está o Messias. Então ! Será que Deus não cumpre as suas promessas ? Afinal, com a aurora, chega o Messias, um bocado estafado, e diz assim : « Desculpai, venho atrasado, pois encontrei uma criança a chorar e consolei-a ».
   
    Se nos fabricarmos um mundo (isto depende de nós, com a graça de Deus) em que as crianças tiverem consolos, em que houver menos crianças a chorar, menos torturas, menos injustiças, menos pessoas isoladas, o Messias não chegará atrasado, virá mais depressa. Então, temos que rezar com força, que trabalhar com humildade, dia após dia, para que este mundo novo chegue, e que cheguem enfim as Bodas do Cordeiro.


(tradução : G.Jeuge)
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