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Praedicatho homélies à temps et à contretemps
Homélies du dimanche, homilies, homilieën, homilias. "C'est par la folie de la prédication que Dieu a jugé bon de sauver ceux qui croient" 1 Co 1,21

28° DOMINGO DO TEMPO COMUM (ANO B)

Walter Covens #homilias em português

28 TOB ev

 

    Com o evangelho deste domingo chegamos ao fim da secção « moral » de Marcos que começou no capítulo 8,31 : Jesus então, em resposta à profissão de fé de Pedro,  tinha anunciado, pela primeira vez a sua Paixão e a sua Ressurreição. Esse primeiro anúncio é seguido por uma chamada dirigida à multidão e aos discípulos : «  Se alguém quiser andar atrás de mim, deverá renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir-me (V. 34)..

 

    A moral cristã portanto consiste essencialmente nisto : seguir Jesus, o Messias. Jesus apresenta-se como que o Mestre (9, 17 .38 ; 10,017.20) que ensina com a autoridade de Deus em pessoa : « Este é o meu Filho muito amado. Escutai-o »(9, 7). A moral cristã é uma moral revelada que é muito mais do que um conjunto de preceitos ajuntados à moral natural.

 

    A moral cristã consiste numa comunidade de vida com Jesus. É preciso nunca separar o dogma da moral, Jesus da vida cristã , sob pena de misturar tudo… e deixar caír tudo. Em resumo : não há Jesus sem vida cristã e não há vida cristã sem Jesus !

 

    É de notar também que o cenário dessa secção é duplo : É como numa peça de teatro :  estamos numa alternação… ora « no caminho », ora « em casa ». O caminho, é aquela estrada na qual Jesus anda frente aos seus discípulos, que o seguem assim-assim em direcção à Cruz e à Ressurreição. A casa é o lugar em que os ensina  e responde com paciência às perguntas deles, pois que, muitas vezes, eles não percebem. Para nós, o caminho é o mundo no qual temos que dar testemunho da nossa fé pelo nosso comportamento ; a casa é a Igreja na qual encontramos a comida tão necessária para fortalecer a nossa fé.

 

    Estamos a chegar ao fim dessa secção : pode ser para nós uma oportunidade para a ler toda novamente , com um ponto de vista que ainda não temos considerado explicitamente. Não vou dizer nada de revolucionário. É mesmo clássico na espiritualidade cristã. Essa secção fala no agir cristão, olhando nele três pontos principais que cruzam os domínios principais da vida humana e cristã.

 

    Numa primeira cena , que se passa « em casa » (de Pedro ?), em Cafarnaum (9, 33-50) é o problema de saber quem é o maior, de saber quem está por nós e quem está contra nós. É o problema do poder, da vida « política ».

 

    Com o capítulo 10 ( evangelho de domingo passado), é o poblema do casamento e do divórcio. É o domínio da vida familiar.

 

    Finalmente (evangelho de hoje), é a história do homem rico. É o domínio da vida económica.

 

    Aparece evidente a actualidade daqueles problemas no nosso mundo ( Tenho vontade de dizer, no entanto, que enquanto que a política e a economia são focados em muitos discursos, a família, hoje em dia,  fica o « parente pobre »… mas, vamos para frente !)

 

    Tudo isto , S.Marcos apresenta-o de maneira muito concreta e muito viva, a partir de acontecimentos determinados da vida de cada dia no ambiente em que vivia Jesus. A vida do mundo e a vida cristã não estão separadas por um muro qualquer. Na vida da Igreja encontram-se também os domínios da política, da família e do dinheiro ; isso é evidente ! Estes três domínios dizem respeito aos chamados « três conselhos evangélicos » : obediência na comunidade, castidade relativamente ao matrimónio, a pobreza no uso das riquezas. Tudo isso é necessário para poder entrar no Reino, para entrar na vida, para ser feliz.

 

    Isto supõe que vamos mais longe do que a Lei. Pois a lei não basta. Se a Lei bastasse, isso queria dizer que nós, não precisariamos de Jesus. Ora, já o vimos no problema do matrimónio e do divórcio, Jesus chama-nos para irmos além das discussões jurídicas. No matrimónio, se uma pessoa não comete adultério, está bem. Mas seguir Jesus ainda é outra coisa : não que seja proibido casar para seguir Jesus. Essa é uma compreensão muito estreita, totalmente falsa até, do conselho evangélico de castidade, que diz respeito a toda a gente,a cada qual conforme o seu estado de vida, no casamento ou na vida de solteiro.

 

    O homem do evangelho de hoje (S.Marcos não diz que era um « jovem » mas sim um « homem ») estava casado ou não ? O que sabemos é isto : quando Jesus lhe lembra os mandamentos, nomeadamente aquele que diz : « Não cometerás adultério », o homem responde : Mestre, observei esses mandamentos desde pequeno » Mas quando Jesus o chama para o seguir, torna-se sómbrio e vai embora, muito triste.

 

    Eis portanto um homem que quer ter em herança a vida eterna, que observou os mandamentos desde a sua juventude. No entanto, Jesus diz-lhe : « Só te falta uma coisa ( compreendamos. : observar os mandamentos não chega para entrares na vida, para encontrares a felicidade que procuras). Esta coisa, que é a mais importante, o que é ? O que é que falta à moral natural (a observância dos mandamentos) para ser cristã ?

 

 

    Primeira resposta : vai, vende todos os teus haveres, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Está certo. A resposta é boa , mas incompleta. O que interessa o homem não é ter um tesouro no Céu. Não é muito mau ter um tesouro no Céu, mas para que serve se não é possível entrar no Céu, se o Céu não é a verdadeira e primeira herança. Ora, é isso que quer o homem. Claro que quem quer ter a vida eterna em herança, é melhor ter là um tesouro. Mas, repito eu, para que serve o tesouro se não  se tem a herança ?

 

    Então, acho eu que sabeis já qual é a outra resposta, que tem de completar a primeira : « … e depois segue-me ». Muito bem ! mas quão exigente ! Então, não chega distribuir aos pobres os seus bens ? – Não ! Isto chega talvez para receber o Prémio Nobel da Paz, mas não para ir ao Céu. – Como ? Está a pedir coisas impossíveis, desumanas !. – Impossíveis, sim aos homens, mas não a Deus. É o próprio Jesus que o diz. Escutai bem : « « Aos homens, é impossível, mas não a Deus ; pois que tudo é possível a Deus »

 

    É de notar o matiz com a palavra anterior : «  Quão difícil aos ricos será a entrada no Reino de Deus !… Meus filhos, quão é difícil entrar no Reino de Deus ! «  O homem pode fazer coisas difíceis e Jesus não veio para  nos dizer o contrário. Mas o que o homem não pode fazer, isto é possível a Deus. Portanto, só Deus é quem o pode fazer.

 

    O que é que não é impossível mas sim diíicil ao homem ? É isto : desembaraçar –se das suas riquezas, renunciar aos seus bens, partilhar com os pobres. Um rapazito da Catequese notava a este propósito com grande perspicácia : « Um camelo está tão preocupado por passar pelo fundo duma agulha  como que um rico por entrar no Reino de Deus ! » Tenho vontade de modificar um pouco  essas palavras, para dizer que um camelo está tão preocupado por passar pelo fundo duma agulha como que um rico para partilhar os seus haveres com os pobres. As pessoas estão mais preocupadas para roubar do que para partilhar … Partilhar … Isso é que é difícil. Caso contrário não valeria a pena de dar o Prémio Nobel aos que o praticam. Mas o que é mais difícil ainda, mesmo que se tenha um Prémio Nobel, é aceitar que, apesar de tudo quanto se pode fazer com a maior generosidade e a maior tecnicidade, o que já é bem difícil, não se encontra a maneira de « pôr fim à fome », se é pemitido falar assim.. Isso é terrivelmente difícil,e muito mais para quem é rico, não só de dinheiro e de bens, mas sobretudo de inteligência, de habilidade e de generosidade.

 

    No evangelho, S Marcos diz isso com muita fineza, se queremos fazer o que é nécessário para o escutar com atenção. Então, mais um pequeno esforço …

 

    A pergunta era esta: « O que é que tenho de fazer para ter em herança a vida eterna ? » A resposta de Jesus foi : « Amen, eu digo-vos : ninguém terá deixado, por causa de mim e  do Evangelho, casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terra, que não receba, já neste tempo, o céntuplo : casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, com perseguições e, no mundo futuro, a vida eterna. A dificuldade, para entrar no Reino, não é tanto aprender a fazer  como que aprender a receber aquilo que não podemos fazer, depois de ter feito todo o possível para o fazer ! Já foi esta dificuldade que fez obstáculo os nossos primeiros pais, enquanto ainda estavam na justiça original. Quiseram apoderar-se do fruto que só Deus podia lhes dar.

 

    A graça do Espírito Santo, o Pai dos pobres , vem ao socorro da nossa fraqueza. Mas devemos  confessar essa nossa fraqueza. Para o nosso orgulho, é muitíssimo difícil, mas não é impossível, pelo menos se queremos seguir Jesus. Pois, sem Ele, não podemos fazer nada, nem no domínio da política, nem no da família, nem no da economia. A obediência, a castidade e a pobreza não são coisas a fazer, mas sim graças a receber das mãos do Mestre do impossível. Receber é o privilégio da criança. Ora , é mesmo a criança que está no centro desta parte do evangelho . A criança é aquele que sabe  acolher aquilo que não consegue fazer. A graça não é alguma almofada de preguica, mas sim uma aprendizagem difícil da humildade confiante. Pode ser por isso que, na Fátima, há 90 anos, primeiro o Anjo, e depois a Virgem Maria falaram a 3 crianças para lembrar ao mundo inteiro, ameaçado pela guerra e pelo comunismo, a urgência da oração e da penitência.

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